Joaquim Barbosa desiste pela segunda vez de concorrer à Presidência

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa comunicou ao presidente do Democracia Cristã (DC), o ex-deputado João Caldas (DC-PB), que não vai disputar a Presidência da República em 2026.

A informação foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada por outros veículos. É a segunda vez que Barbosa recua de uma candidatura presidencial — a primeira ocorreu em 2018, quando chegou a ser pré-candidato pelo PSB e retirou o nome meses depois.

Um impacto matemático imediato na disputa

A decisão de Barbosa tem efeito direto no cenário eleitoral. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, Lula (PT) aparecia com 40% das intenções de voto, contra 41% somados por todos os adversários — e Barbosa pontuava exatamente 1% nesse total. Com sua saída, a disputa passa a um empate técnico exato: 40% para Lula contra 40% da soma dos demais candidatos. Sem essa fatia de dispersão, a margem para Lula vencer já na primeira rodada de votação, em outubro, fica sensivelmente mais estreita — mas ainda assim mais próxima do que estava antes.

Condições que nunca foram cumpridas

Barbosa havia se filiado ao DC em abril, e sua entrada na legenda só se tornou pré-candidatura pública em maio, quando o partido decidiu substituir o nome até então lançado, o ex-deputado Aldo Rebelo. Desde o início, porém, o ex-ministro condicionou qualquer disputa efetiva à formação de alianças partidárias amplas, à obtenção de tempo de TV expressivo e à montagem de uma estrutura de campanha nacional competitiva — nenhuma dessas condições avançou como esperado. Uma tentativa de aliança com o PSDB não vingou, e os próprios tucanos decidiram não lançar candidato presidencial neste ano, retirando da disputa o nome do deputado federal Aécio Neves (MG), presidente nacional do partido.

A crise interna que a substituição de nomes provocou

A movimentação para viabilizar Barbosa gerou um racha profundo dentro do próprio DC. Aldo Rebelo, que já havia sido lançado como pré-candidato em janeiro, classificou a chegada do ex-ministro como uma “afronta” e insistiu que sua candidatura seguia valendo por compromisso da direção nacional. A direção do partido acabou expulsando Rebelo, que recorreu à Justiça — e em junho conseguiu liminar da 6ª Vara Cível de Brasília determinando sua reintegração à legenda em até 72 horas, sob pena de multa. Com a saída de Barbosa agora confirmada, a disputa interna pode se reabrir, com Rebelo como opção mais imediata para representar o partido — ainda que sua situação siga judicialmente indefinida.

Um recuo anunciado antes de virar constrangimento maior

A decisão chega a poucos dias do início das convenções partidárias, marcadas para começar na próxima segunda-feira (20), com prazo final em 5 de agosto para oficialização das candidaturas. Segundo apuração da Revista Fórum, Barbosa preferiu formalizar a desistência antes desse prazo para evitar um cenário ainda mais constrangedor para o DC — o de chegar às convenções sem qualquer estrutura viável para lançá-lo oficialmente. O partido, porém, ainda não confirma publicamente o fim do projeto: à data desta apuração, o próprio site nacional da legenda seguia exibindo material de apoio à pré-candidatura de Barbosa, sem qualquer nota sobre sua retirada.

Um padrão que se repete na política brasileira

O episódio ilustra um problema recorrente enfrentado por candidaturas de “terceira via” no país: nomes com relevância pessoal e capital simbólico — Barbosa é lembrado sobretudo por sua atuação como relator do processo do mensalão — mas sem o alicerce de estrutura partidária, aliança consolidada e recursos financeiros que uma candidatura presidencial competitiva exige. Sem esses pilares, mesmo biografias de peso dificilmente saem do papel. Com sua saída, resta ver se o DC consegue montar alternativa própria a tempo das convenções ou se optará por apoiar a candidatura de outro partido — e se a fragmentação do campo de centro-direita, já pressionado por nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e o próprio Flávio Bolsonaro (PL), vai se estreitar ainda mais nas próximas semanas.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.