Ceará repete posição entre os estados mais perigosos do Brasil

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O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), confirmou que Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, é pelo segundo ano consecutivo a cidade mais violenta do Brasil. O município, com cerca de 108 mil habitantes, registrou 106 homicídios em 2025, alcançando uma taxa de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes — a única do país a ultrapassar a marca simbólica de 100, usada internacionalmente como referência de gravidade extrema.

Outras duas cidades cearenses também aparecem entre as dez mais violentas do país: Maracanaú, em terceiro lugar, com taxa de 80,7 mortes por 100 mil habitantes, e Caucaia, na sétima posição, com 66,6. As três integram a Região Metropolitana de Fortaleza e repetem, pelo segundo ano seguido, presença no topo do ranking nacional. Coerente com esse quadro, o Ceará aparece como o terceiro estado mais violento do Brasil em 2025, posição que também repete a do ano anterior.

Por que Maranguape concentra tanta violência

Segundo o diretor-presidente do FBSP, Renato Sérgio de Lima, o resultado de Maranguape combina disputas territoriais entre facções criminosas com o efeito estatístico de uma cidade de população relativamente pequena — onde um número absoluto de mortes já elevado produz uma taxa proporcional ainda mais alta. Segundo o próprio Anuário, o município é palco de uma disputa sangrenta entre o Comando Vermelho (CV), facção de origem fluminense que expandiu presença para o Nordeste nos últimos anos, e a organização local Guardiões do Estado (GDE) — um padrão que se repete nas demais cidades cearenses do ranking e em boa parte do interior do estado.

O levantamento do FBSP também revela uma tendência regional mais ampla: os dez municípios com as maiores taxas de violência letal do país estão todos no Nordeste — cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba —, a maioria situada próxima a rodovias federais, portos e aeroportos usados como corredores logísticos pelo crime organizado.

O contraste com os números de 2026

O quadro revelado pelo Anuário — baseado em dados de 2025 — contrasta com uma melhora relatada mais recentemente pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), que registrou queda de 40% nos homicídios no estado no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo análises publicadas por colunistas locais, essa redução coincidiu com uma “pacificação” firmada entre facções rivais no fim de dezembro de 2025, quando integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) — aliado histórico do GDE — passaram a integrar as fileiras do Comando Vermelho. Em Maranguape, apenas um homicídio foi registrado até fevereiro de 2026, ante os 106 do ano anterior inteiro.

A explicação, porém, é vista com cautela por analistas de segurança pública: a origem da queda parece estar menos em uma política estatal específica e mais na reconfiguração do domínio territorial entre as próprias organizações criminosas — quando uma facção vence a disputa por um território, os confrontos tendem a arrefecer, mas o controle armado sobre a população local permanece.

Segurança como tema central da disputa eleitoral

O tema já vinha ganhando centralidade na disputa pelo governo do Ceará em 2026. Ao oficializar sua pré-candidatura, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) apontou a crise de segurança como prioridade de campanha, criticando a gestão do governador Elmano de Freitas (PT) por, segundo ele, permitir o avanço das facções sobre estruturas de segurança em periferias e no interior do estado. Em resposta a episódios de violência ao longo do ano, o próprio Elmano já havia prometido reforço em áreas consideradas críticas, com ampliação do efetivo policial e novas bases do Batalhão de Policiamento de Rondas Ostensivas Tático Móvel (BPRaio), citando dados de inteligência estadual como base para a estratégia.

O novo ranking do FBSP, divulgado a poucos dias das convenções partidárias que definirão as chapas para outubro, tende a intensificar ainda mais o debate sobre segurança pública na campanha cearense — um tema que, segundo pesquisas recentes, figura entre as principais preocupações do eleitorado do estado, independentemente do campo político.


Leia Mais: Ciro Gomes oficializa pré-candidatura ao governo do Ceará e aponta crise de segurança como prioridade

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