Pequim insta os EUA a não utilizarem a narrativa da “ameaça chinesa” para controlar a Groenlândia
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, instou os Estados Unidos, nesta segunda-feira (5), a pararem de utilizar a chamada narrativa da “ameaça chinesa” como pretexto para buscar ganhos egoístas, em resposta às recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a Groenlândia.
Na véspera, Trump afirmou à revista The Atlantic que os EUA “absolutamente” precisam da Groenlândia, alegando que a ilha está “cercada por navios russos e chineses”. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu pedindo que Trump pare de ameaçar a Groenlândia — região autônoma do Reino da Dinamarca — com possíveis planos de anexação.
“Instamos os EUA a pararem de usar a chamada ‘ameaça chinesa’ como pretexto para obterem ganhos egoístas”, declarou Lin Jian durante coletiva de imprensa em Pequim.
Mais cedo, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a ilha está aberta ao diálogo com os Estados Unidos, desde que a comunicação ocorra pelos canais diplomáticos apropriados.
Trump já havia manifestado anteriormente o interesse em que a Groenlândia se tornasse parte dos EUA, destacando sua importância estratégica para a segurança nacional e a defesa do chamado “mundo livre”, citando especificamente a influência de China e Rússia na região. Em resposta, o ex-primeiro-ministro groenlandês, Mute Egede, foi enfático: “A Groenlândia não está à venda.”
Históricamente, a ilha foi colônia da Dinamarca até 1953. Tornou-se parte integrante do Reino da Dinamarca e, após conquistar autonomia em 2009, passou a exercer amplo autogoverno, com competência para definir sua própria política interna, embora a defesa e as relações exteriores ainda sejam de responsabilidade do governo dinamarquês.


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