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Adesões crescem ao Conselho de Paz de Trump, mas líderes pedem mais tempo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou dezenas de chefes de Estado e de governo para integrar o chamado Conselho de Paz, um grupo criado por iniciativa da Casa Branca com o objetivo inicial de supervisionar a situação na Faixa de Gaza após o acordo de cessar-fogo. Segundo o próprio Trump, a atuação do […]

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou dezenas de chefes de Estado e de governo para integrar o chamado Conselho de Paz, um grupo criado por iniciativa da Casa Branca com o objetivo inicial de supervisionar a situação na Faixa de Gaza após o acordo de cessar-fogo. Segundo o próprio Trump, a atuação do conselho não deve se limitar ao conflito palestino, podendo ser ampliada para discutir e intervir politicamente em outros focos de instabilidade internacional.

Entre os líderes convidados está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda avalia a resposta com cautela. Trump afirmou publicamente que gostaria que o brasileiro tivesse um “grande papel” dentro do grupo, mas integrantes do governo federal indicam resistência à proposta. A avaliação preliminar é de que, da forma como foi concebido, o conselho concentra poder excessivo nas mãos do presidente americano, com regras pouco claras sobre tomada de decisões e alcance das deliberações.

O Conselho de Paz é apresentado pelo governo dos Estados Unidos como um fórum político-diplomático informal, fora das estruturas tradicionais de organismos multilaterais como a ONU. A proposta prevê reuniões periódicas entre líderes convidados, com coordenação direta da Casa Branca, para discutir cessar-fogos, mediação de conflitos e possíveis mecanismos de pressão política e econômica sobre partes envolvidas em guerras ou crises internacionais. A ausência de um estatuto formal, de critérios definidos de adesão e de mecanismos de equilíbrio institucional tem gerado questionamentos sobre a legitimidade e a governança do grupo.

Segundo um alto funcionário da Casa Branca ouvido pela agência Reuters, cerca de 35 líderes já teriam se comprometido a participar do conselho, de um total aproximado de 50 convites enviados. O governo dos EUA, no entanto, não divulgou oficialmente quais países aceitaram ou recusaram, o que levou veículos de imprensa internacionais a apurarem confirmações caso a caso.

Além do Brasil, outros países ainda analisam o convite. O Canadá informou que aceitou participar “em princípio”, mas que os detalhes seguem em discussão. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou precisar de mais tempo para avaliar a proposta, alegando que a iniciativa pode entrar em conflito com a Constituição italiana. Rússia, China, Polônia, Índia, Austrália e Irlanda também não deram uma resposta definitiva até o momento.

Trump chegou a declarar que o presidente russo, Vladimir Putin, teria aceitado o convite, mas o Kremlin afirmou que a proposta ainda está sob análise. Aliados tradicionais dos Estados Unidos, como Reino Unido, Alemanha e Japão, tampouco se posicionaram publicamente de forma clara. Um porta-voz do governo alemão informou que o chanceler Friedrich Merz não participará da cerimônia de assinatura do conselho durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.

A Ucrânia declarou que seus diplomatas estudam o convite, embora o presidente Volodymyr Zelensky tenha afirmado ser difícil imaginar sua participação em qualquer instância que inclua a Rússia após quatro anos de guerra. Fontes da Reuters indicam ainda que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi convidada para representar a União Europeia, mas não respondeu até agora. O papa Leão XIV também recebeu convite, segundo o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, que afirmou ser necessário um período de reflexão antes de qualquer decisão.

Alguns países já informaram que não participarão do conselho. Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram o convite. A França também indicou que não aderirá à iniciativa, o que levou Trump a ameaçar a imposição de tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

Países que aceitaram participar do Conselho de Paz, segundo apuração da Reuters

Arábia Saudita
Argentina
Armênia
Azerbaijão
Bahrein
Belarus
Catar
Cazaquistão
Egito
Emirados Árabes Unidos
Hungria
Indonésia
Israel
Jordânia
Kosovo
Kuwait
Marrocos
Paraguai
Paquistão
Turquia
Uzbequistão
Vietnã

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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