O governo da China expressou nesta terça-feira (27) forte oposição às ações dos Estados Unidos contra Cuba, condenando publicamente o que classificou como uma série de medidas que prejudicam os direitos econômicos, sociais e de desenvolvimento da população cubana. Em resposta a perguntas de jornalistas durante uma coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que Pequim está “profundamente preocupada” com as políticas adotadas por Washington e reiterou que elas violam o direito internacional e desestabilizam a paz na região.
Na declaração oficial, Guo enfatizou que as sanções e o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas impõem severas restrições ao acesso de Cuba a recursos essenciais, como alimentos, energia e insumos básicos, o que, segundo ele, afeta diretamente a capacidade da população de garantir sua subsistência e desenvolvimento. O porta-voz acusou ainda Washington de interromper o fornecimento de petróleo venezuelano para a ilha, movimento que, na avaliação chinesa, intensificou a crise econômica cubana ao agravar a carência de energia.
Guo reiterou o pedido de que os Estados Unidos cessem imediatamente as políticas que “privam o povo cubano de seus direitos” e levantem o bloqueio e as sanções que, na visão do governo chinês, violam normas básicas das relações internacionais. Ele ressaltou também a necessidade de Washington parar de “perturbar a paz e a estabilidade regional”, um recado dirigido à Casa Branca em meio a crescentes tensões geopolíticas nas Américas.
A posição chinesa ocorre em um momento em que a política dos Estados Unidos para Cuba vem sendo intensificada, com novas sanções econômicas e diplomáticas recentemente anunciadas pela administração norte-americana. Autoridades de Havana vêm reclamando que essas medidas agravam uma situação humanitária já delicada, aumentando a dependência de importações básicas e complicando a recuperação pós-pandemia. A resposta chinesa acompanha declarações anteriores de apoio a Cuba em fóruns internacionais, como a Assembleia Geral das Nações Unidas, onde Pequim historicamente votou em favor de resoluções que pedem o fim do embargo americano contra a ilha por décadas.
Guo afirmou ainda que a China continuará a fornecer apoio e assistência a Cuba “dentro de suas capacidades”, confiando que sob a liderança do Partido Comunista e do governo cubano a população superará as dificuldades decorrentes das restrições externas. A declaração sublinha a tradicional relação diplomática entre Pequim e Havana, consolidada desde a Guerra Fria e frequentemente invocada por líderes chineses ao criticar o “unilateralismo” das políticas externas norte-americanas.


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