O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a se posicionar contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, classificando o texto como “ruim, antigo e mal negociado”. A declaração foi feita em entrevista publicada nesta terça-feira (10) por diversos veículos europeus, entre eles Le Monde, El País, The Economist e Süddeutsche Zeitung.
Segundo Macron, a França apoia apenas acordos comerciais que incluam mecanismos de salvaguarda e compromissos ambientais, conciliando abertura econômica com proteção climática e social. O presidente afirmou que, nos termos atuais, o acordo com o Mercosul não atende a esses critérios.
O chefe de Estado francês também alertou para a continuidade das tensões comerciais globais, especialmente com os Estados Unidos, e disse que as “ameaças” e “intimidações” vindas de Washington não cessaram. Para ele, a União Europeia precisa reagir de forma mais coordenada e firme diante desse cenário.
Macron criticou o que descreveu como uma perda de determinação dos líderes europeus após o momento mais agudo das disputas tarifárias envolvendo o ex-presidente americano Donald Trump. Segundo ele, houve um recuo político assim que se alcançaram acordos pontuais, o que, em sua avaliação, não encerrou o problema.
O presidente francês citou a possibilidade de novas disputas, como em torno de tarifas sobre produtos farmacêuticos, e afirmou que pressões comerciais têm sido recorrentes. Para Macron, ceder a esse tipo de estratégia aumenta a dependência econômica da Europa e não produz resultados duradouros.
Em meio a uma semana marcada por reuniões de líderes europeus sobre competitividade e política industrial, Macron defendeu a simplificação regulatória, o fortalecimento do mercado interno da União Europeia e a diversificação de acordos comerciais com outros parceiros.
Ele também argumentou a favor da proteção da indústria europeia sem recorrer ao protecionismo clássico, propondo uma “preferência europeia” em setores considerados estratégicos, como tecnologias limpas, indústria química, siderurgia, setor automotivo e defesa. Segundo Macron, sem esse tipo de estratégia, a Europa corre o risco de perder espaço econômico.
Sobre a guerra na Ucrânia, o presidente francês afirmou que a retomada do diálogo com a Rússia deve ocorrer de forma coordenada entre os países europeus e com interlocutores limitados. Os contatos diretos com o presidente russo, Vladimir Putin, foram praticamente interrompidos desde o início do conflito.
Macron revelou que, no início de fevereiro, enviou seu conselheiro diplomático a Moscou para restabelecer canais técnicos de comunicação. De acordo com ele, os primeiros contatos indicaram que a Rússia “não quer a paz neste momento”, embora tenham permitido reabrir linhas de diálogo.


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