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O alerta da Rússia a Donald Trump

Em entrevista tornada pública na quarta-feira 18 de fevereiro, o chanceler russo Sergei Lavrov elevou o tom contra a possibilidade de um novo ataque dos Estados Unidos ao Irã, afirmando que qualquer investida adicional teria consequências graves e ampliaria o risco de descontrole regional. A declaração foi dada à emissora saudita Al-Arabiya e veio um […]

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Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, no Forum de Doha, em 7 de dezembro de 2024.

Em entrevista tornada pública na quarta-feira 18 de fevereiro, o chanceler russo Sergei Lavrov elevou o tom contra a possibilidade de um novo ataque dos Estados Unidos ao Irã, afirmando que qualquer investida adicional teria consequências graves e ampliaria o risco de descontrole regional. A declaração foi dada à emissora saudita Al-Arabiya e veio um dia depois de negociações indiretas entre Washington e Teerã em Genebra — conversas descritas como parte de um esforço para conter uma crise que volta a ganhar tração.

Lavrov ancorou seu alerta em um ponto sensível: instalações nucleares sob supervisão internacional. Segundo ele, as consequências não seriam boas, lembrando que já houve ataques contra sítios nucleares no Irã sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica. Na leitura do ministro, esses episódios já produziram riscos reais de incidente nuclear — um recado que, na prática, desloca o debate do terreno militar para o da catástrofe tecnológica e humanitária, elevando o custo político de qualquer nova ofensiva.

O chanceler descreveu também um termômetro regional que, segundo ele, desaconselha escalada. Disse estar acompanhando as reações de países árabes e monarquias do Golfo e concluiu que ninguém quer aumento de tensão: todo mundo entende que isso é brincar com fogo. A frase opera como um aviso de que, mesmo entre aliados tradicionais de Washington, cresce a aversão à faísca que pode incendiar rotas marítimas, mercados de energia e a estabilidade interna de governos já pressionados por conflitos e polarizações.

Lavrov foi além do alerta imediato e apontou o que Moscou enxerga como dano colateral estratégico: uma nova rodada de ataques poderia desfazer movimentos diplomáticos recentes no tabuleiro do Oriente Médio, incluindo a melhora nas relações entre o Irã e países vizinhos, com menção explícita à Arábia Saudita. O subtexto é direto: uma escalada militar não apenas reabre a frente EUA–Irã, como pode corroer processos de reaproximação regional que vinham reduzindo atritos e reorganizando alianças.

Do lado americano, a via diplomática segue formalmente aberta, mas sob pressão de prazos e preparativos. Um alto funcionário dos EUA afirmou que o Irã era esperado para apresentar uma proposta escrita sobre como resolver o impasse após as conversas em Genebra. Ao mesmo tempo, assessores de segurança nacional se reuniram na Casa Branca e foram informados de que as forças americanas destacadas para a região deveriam estar no lugar até meados de março — um detalhe que sugere prontidão operacional crescente enquanto a negociação tenta ganhar corpo.

O núcleo do desacordo permanece inalterado: os EUA querem que o Irã abandone seu programa nuclear; Teerã recusa e afirma não buscar arma atômica. Lavrov, por sua vez, tentou enquadrar a saída como um acordo que não viole direitos legais do Irã e que garanta um programa de enriquecimento puramente pacífico, indicando que, na narrativa russa, a chave é compatibilizar limites verificáveis com o Tratado de Não Proliferação, sem impor capitulação. Ele disse ainda que países árabes estariam sinalizando a Washington um pedido de contenção e de busca por entendimento.

Por trás do vocabulário diplomático, o recado é de alta voltagem: Moscou procura erguer uma barreira política contra novos bombardeios, usando o risco de incidente nuclear e a rejeição regional à escalada como argumentos centrais, e reafirmando que mantém contato regular com Teerã e não tem razão para duvidar de que o Irã queira resolver o impasse dentro das regras internacionais.

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