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Produção industrial da China cresce 6% em fevereiro

A produção industrial chinesa avançou 6,3% em janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período de 2025, superando todas as previsões e marcando o melhor resultado desde setembro passado. As vendas no varejo subiram 2,8% e os investimentos em ativos fixos viraram para o positivo com alta de 1,8%. Números que chegam exatamente quando o […]

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A produção industrial chinesa avançou 6,3% em janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período de 2025, superando todas as previsões e marcando o melhor resultado desde setembro passado. As vendas no varejo subiram 2,8% e os investimentos em ativos fixos viraram para o positivo com alta de 1,8%. Números que chegam exatamente quando o mundo assiste a um contraste brutal: enquanto os Estados Unidos continuam a gastar bilhões em guerras, mísseis, bombas e tarifas que geram morte, inflação energética e disrupção do comércio global, a China colhe os frutos da paz e da integração produtiva.

É uma lição de estratégia civilizacional que se repete em 2026. De um lado, Washington aprofunda seu envolvimento militar no Oriente Médio e mantém uma doutrina de protecionismo agressivo que encarece energia, fragmenta cadeias de suprimentos e custa caro ao planeta inteiro. Do outro, Pequim segue apostando no comércio, na tecnologia e na estabilidade — e os dados desta segunda-feira comprovam que a aposta está funcionando.

O salto da produção industrial foi puxado principalmente pelo boom das exportações de tecnologia de inteligência artificial, que arrastou toda a cadeia manufatureira. O feriado prolongado do Ano Novo Lunar ajudou as vendas no varejo e fez o gasto total com turismo disparar quase 19%. Até os investimentos, que encolheram 3,8% ao longo de todo 2025, mostraram reação: a infraestrutura cresceu 11,4% graças a novas linhas de financiamento dos bancos.

Mas o contraste com o modelo americano não para por aí. Enquanto o Pentágono e a Casa Branca despejam recursos em conflito e barreiras comerciais que elevam o preço do petróleo e complicam o fluxo global, a China mantém um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão acumulado no ano anterior e usa essa força para amortecer choques externos.

Hao Zhou, economista-chefe da Guotai Junan International, capturou o momento com clareza: “Enquanto os riscos para o cenário aumentaram por causa das tensões geopolíticas e das disrupções no comércio e nos mercados de energia, os dados mostram que a China começou o ano com uma base de crescimento mais firme do que se imaginava.”

É verdade que desafios internos persistem. O consumo doméstico ainda patina — vendas de carros caíram 26% e o gasto por viagem doméstica recuou 0,2%. O desemprego subiu para 5,3% e o setor imobiliário continua em contração crônica. Zhaopeng Xing, da ANZ, já alerta que a demanda interna pode sofrer pressão extra em março.

Mesmo assim, o quadro geral revela resiliência. Fu Linghui, porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, reconheceu a volatilidade do petróleo causada pela guerra, mas lembrou que os suprimentos chineses estão preparados para mitigar o impacto. Zhiwei Zhang, da Pinpoint Asset Management, resume o que vem pela frente: a turbulência no Oriente Médio vai bater mais forte nos próximos meses, mas Pequim tem espaço para responder com política fiscal — e a reunião Trump-Xi no fim de março será o grande teste.

O governo chinês fixou meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026. Os números de janeiro e fevereiro mostram que o país está no caminho. Enquanto Washington paga a conta da destruição e da disrupção, Pequim continua faturando com produção, comércio e paz relativa.

A diferença de modelo está aí, clara como nunca: um lado investe em morte e tarifas; o outro, em fábricas e mercados. E os dados desta segunda-feira já entregam o primeiro veredito do ano.

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