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Bloqueio dos EUA deixa cuba no escuro

Um apagão total em Cuba expõe as consequências humanitárias do bloqueio norte-americano e a escalada da pressão de Washington sobre a ilha caribenha. Cuba enfrentou na segunda-feira um apagão elétrico completo, deixando cerca de 11 milhões de pessoas sem energia por horas. O Ministério de Energia cubano confirmou o colapso do sistema nacional e informou […]

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Um apagão total em Cuba expõe as consequências humanitárias do bloqueio norte-americano e a escalada da pressão de Washington sobre a ilha caribenha.

Cuba enfrentou na segunda-feira um apagão elétrico completo, deixando cerca de 11 milhões de pessoas sem energia por horas.

O Ministério de Energia cubano confirmou o colapso do sistema nacional e informou que protocolos de emergência foram ativados imediatamente.

A crise não surgiu do nada.

O país acumula meses de cortes prolongados de eletricidade e escassez de combustível, resultado direto das ameaças norte-americanas de sanções contra qualquer nação que forneça petróleo à ilha. Segundo autoridades cubanas, Cuba não recebe carregamentos de óleo há pelo menos três meses, período que coincide com a intensificação da pressão da administração Trump sobre os principais parceiros energéticos de Havana.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou na última sexta-feira que o país está disposto ao diálogo com Washington “sem renunciar aos nossos princípios ou soberania”. Ele responsabilizou o que chamou de bloqueio “perverso” pelo impacto crescente sobre a população civil, incluindo crianças que dependem de assistência médica contínua.

Um dos episódios mais graves documentados foi o corte de energia no Hospital Faustino Pérez, em Matanzas, uma das principais unidades hospitalares do país. A energia foi restabelecida no local após a ativação dos protocolos de emergência, mas o ocorrido ilustrou com brutalidade os riscos que a crise elétrica representa para a vida humana.

O governo norte-americano justifica a pressão sobre Cuba citando os laços da ilha com Rússia, China, Irã e grupos armados pró-palestinos. O presidente Donald Trump utiliza esses argumentos para enquadrar o aperto econômico sobre Havana dentro de uma narrativa mais ampla de contenção de influências contrárias aos interesses de Washington no hemisfério.

A lógica por trás do bloqueio não é nova. Os Estados Unidos mantêm o embargo contra Cuba desde 1962, tornando-o o mais longo da história moderna. Ao longo de mais de seis décadas, organismos internacionais, incluindo a Assembleia Geral das Nações Unidas, votaram repetidamente pela sua suspensão, sempre com apoio esmagador e isolamento norte-americano. Em 2023, a votação na ONU foi de 187 países contra o embargo, com apenas os EUA e Israel votando a favor de sua manutenção.

A Venezuela, principal fornecedora de petróleo para Cuba, também foi alvo direto da estratégia norte-americana. No início de janeiro, segundo informações amplamente veiculadas, os EUA realizaram uma operação de captura do presidente Nicolás Maduro em território venezuelano, acusando-o de envolvimento com narcotráfico. Maduro negou as acusações ao ser apresentado perante um tribunal em Nova York. A ação impactou diretamente o fornecimento de combustível a Havana, agravando ainda mais a situação energética da ilha.

Rússia, China e a própria ONU condenaram o bloqueio como desumano, alertando que os cortes de energia atingem de forma desproporcional a população civil. Para Moscou e Pequim, a pressão norte-americana sobre Cuba é parte de um padrão mais amplo de uso de sanções econômicas como arma de guerra não declarada contra países que resistem à hegemonia ocidental.

Do ponto de vista da infraestrutura, Cuba enfrenta um desafio estrutural que vai além da política. O parque de usinas termelétricas da ilha é antigo e depende de manutenção constante e abastecimento regular de combustível para funcionar. Com o bloqueio interrompendo o fornecimento de óleo, as usinas operam abaixo da capacidade ou simplesmente param, e o sistema de distribuição entra em colapso em cascata.

O impacto cotidiano é severo. Famílias passam horas ou dias sem luz, hospitais recorrem a geradores de emergência, a produção de alimentos é prejudicada e serviços básicos ficam comprometidos. A crise elétrica cubana não é uma tragédia natural: é o resultado calculado de uma política deliberada de sufocamento econômico.

Para o Brasil, o episódio tem relevância direta. O governo Lula defende o multilateralismo e o respeito à soberania nacional como pilares da política externa brasileira, posicionamento que coloca Brasília em rota de colisão com a estratégia de isolamento promovida por Washington. Em fóruns internacionais, o Brasil tem votado consistentemente pelo fim do embargo cubano.

O apagão desta semana é mais um capítulo de uma longa guerra de atrito contra um país pequeno que, ao custo de enormes sacrifícios, resiste há décadas à pressão do vizinho do norte.

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