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Cientistas gravam gigantescos lagos de lava sob o oceano e revelam como a Terra libera energia

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 14/04/2026 17:56

Pesquisadores capturaram pela primeira vez imagens detalhadas e levantamentos digitais de campos de lava submarina que cobrem entre 65 e 100 quilômetros quadrados — áreas comparáveis a cidades médias. Essas formações ficam no vulcão Axial Seamount, na Fenda de Juan de Fuca, no Pacífico, próximo à costa dos estados de Oregon e Washington, nos EUA.

As massas de lava identificadas estão em fendas distantes do maciço vulcânico, onde fissuras afastadas do centro liberam magma. Elas alcançam até 130 metros de espessura — quase a altura de um prédio de quarenta andares — e formaram-se há cerca de 1.200 anos, período em que há indícios de um colapso explosivo da caldeira do vulcão.

Outras duas formações similares são mais antigas e também podem ter sido geradas por colapsos comparáveis. Os cientistas usaram veículos autônomos subaquáticos (AUVs) para mapear em alta resolução o assoalho oceânico e sondas operadas remotamente (ROVs) para coletar amostras de rocha e sedimentos.

Esse conjunto tecnológico permitiu observar fenômenos raros: lagos de lava que ficaram parcialmente sólidos por fora enquanto o interior se mantinha fundido. Quando a crosta externa se rompe pelas bordas ou tetos, vazamentos permitem que fluido escape sobre a superfície endurecida. Nessas regiões inchadas, conhecidas como “inflação de fluxo lobado”, a lava continua recebendo material por baixo da crosta sólida, elevando-se verticalmente.

Com o avanço desse processo, rachaduras no teto dessas coberturas podem liberar lava líquida que escorre sobre a crosta fria. Algumas dessas “bolsas” se transformam em lagos de lava que, após drenar, deixam depressões profundas — uma delas medida em aproximadamente 100 metros de profundidade.

Os pesquisadores estimam que diques — canais subterrâneos ligados à câmara magmática — transportaram grandes volumes de magma rapidamente. Modelos sugerem que esse fluxo não só produziu fluxos volumosos como também pode ter sido o gatilho para o colapso explosivo da caldeira no cume.

O estudo “Voluminous inflated lobate flows on the distal rift zones of Axial Seamount, Juan de Fuca Spreading Ridge” foi publicado em fevereiro de 2026 na revista científica Geochemistry, Geophysics, Geosystems. A equipe inclui Jennifer Paduan, D. A. Clague, D. W. Caress, R. Portner, M. Le Saout e B. Dreyer. Os autores destacam que áreas semelhantes nunca foram mapeadas com tanta clareza antes — os avanços recentes em robótica submarina e sensores permitiram essa descrição.

O Axial Seamount é um dos vulcões submarinos ativos mais estudados do mundo. Localiza-se cerca de 480 quilômetros a oeste de Cannon Beach, Oregon. Teve erupções documentadas em 1998, 2011 e 2015, monitoradas com sismógrafos, sensores de pressão, inclinômetros (tiltmeters) e microfones instalados no fundo do mar. Nenhuma dessas erupções até agora havia revelado essas vastas áreas de lagos drenados unidos a padrões de colapso tão bem preservados.

Os resultados têm impactos diretos no entendimento da formação e deformação da crosta terrestre, especialmente nos limites entre placas tectônicas. Saber que o magma se acumula simetricamente numa câmara magmática e é liberado tanto lateralmente quanto verticalmente — conforme mostram os fluxos inflados — ajuda a melhorar modelos que estimam riscos de erupções submarinas e tsunamis.

Essas descobertas podem contribuir para prever melhor quais vulcões submarinos têm potencial para erupções explosivas. Isso é importante para a segurança de populações costeiras, para planos de gestão de desastres e para o desenvolvimento científico em zonas costeiras de todo o mundo.

Com informações de ecoportal.net.

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