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Cientistas revelam planeta infernal com oceano permanente de magma

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientistas revelam planeta infernal com oceano permanente de magma. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Um grupo de astrônomos liderado pela Universidade de Oxford anunciou a descoberta de um mundo que desafia as classificações tradicionais dos exoplanetas. O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, descreve L 98-59 d como um corpo […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas revelam planeta infernal com oceano permanente de magma. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um grupo de astrônomos liderado pela Universidade de Oxford anunciou a descoberta de um mundo que desafia as classificações tradicionais dos exoplanetas. O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, descreve L 98-59 d como um corpo envolto por um oceano global de rocha derretida e saturado de enxofre, capaz de manter sua atmosfera por bilhões de anos.

Localizado a cerca de 35 anos-luz da Terra, o planeta orbita uma anã vermelha de brilho tênue e apresenta um raio 1,6 vez maior que o do nosso mundo. Sua densidade, estimada entre 2,2 e 3,45 gramas por centímetro cúbico, indica que não se trata de uma esfera rochosa comum, mas de uma estrutura inchada por gases e compostos voláteis.

Os cientistas classificam L 98-59 d como uma “super-Terra”, embora seu interior tenha pouco em comum com o planeta azul. As medições sugerem uma mistura de silicato líquido e vapores de enxofre, com gases como sulfeto de hidrogênio (H₂S) e dióxido de enxofre (SO₂) circulando em uma atmosfera densa e corrosiva.

Segundo o principal autor do estudo, o astrofísico Harrison Nicholls, da Universidade de Oxford, essa descoberta mostra que as categorias usadas para descrever pequenos planetas podem ser simplificações excessivas. Ele explica que o manto de L 98-59 d é composto por um derretimento global de silicato, que se estende por milhares de quilômetros em profundidade e atua como um reservatório lento de enxofre ao longo das eras geológicas.

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) não consegue observar diretamente a superfície do planeta, mas detectou impressões digitais químicas em seu espectro de luz. Durante trânsitos, quando o planeta passa diante de sua estrela, o JWST registrou variações que indicam a presença de compostos de enxofre em sua alta atmosfera.

Os pesquisadores combinaram essas observações com simulações que rastreiam a evolução atmosférica e interna do planeta ao longo de quase cinco bilhões de anos. Os modelos mostram que L 98-59 d nasceu rico em voláteis, com mais de 1,8% de sua massa composta por gases, e que resfriou lentamente sem jamais se solidificar por completo.

Essa combinação permitiu ao planeta reter uma atmosfera espessa mesmo sob intensa radiação estelar, algo que normalmente dispersaria gases leves. O coautor e professor de física da Universidade de Oxford, Raymond Pierrehumbert, afirmou que é “emocionante usar modelos computacionais para desvendar o interior oculto de um mundo que jamais visitaremos”.

O estudo também oferece explicações para o aparecimento de dióxido de enxofre em altitudes elevadas, onde a radiação ultravioleta é mais intensa. A equipe propõe que reações fotoquímicas impulsionadas pela luz da estrela transformam gases de enxofre em SO₂, um processo que depende fortemente da presença de vapor d’água.

Segundo o cientista Richard Chatterjee, coautor da pesquisa, o sulfeto de hidrogênio — responsável pelo odor de ovos podres — desempenha um papel fundamental na química desse mundo. Ele destaca que a combinação entre enxofre e água pode gerar radicais altamente reativos, moldando uma atmosfera em constante mutação.

Os modelos indicam que a superfície de L 98-59 d experimentou temperaturas entre 3.360 kelvin (cerca de 5.588 °F) e 1.830 kelvin (aproximadamente 2.834 °F) ao longo de sua evolução. Mesmo após bilhões de anos, o planeta permanece parcialmente fundido, com pressões superficiais estimadas em 30 kilobares — o equivalente a mais de 435 mil libras por polegada quadrada.

Embora seja inóspito para qualquer forma de vida conhecida, esse inferno cósmico ajuda a compreender as origens dos mundos rochosos. O estudo sugere que oceanos de magma foram uma etapa comum na formação de planetas como a Terra e Marte, e que o ciclo entre enxofre, hidrogênio e vapor d’água foi crucial para estabilizar suas atmosferas primitivas.

Outro ponto intrigante é que o tamanho de um planeta pode mudar com o tempo, à medida que ele esfria e perde parte de sua atmosfera. Nos modelos, L 98-59 d teria começado com um raio superior a 2,2 vezes o da Terra antes de encolher gradualmente até o que hoje chamamos de “super-Terra”, um processo que redefine a fronteira entre mundos rochosos e gasosos.

Para os astrônomos, a missão do JWST é apenas o prelúdio de uma nova era de descobertas. Projetos futuros como o Ariel e o PLATO, ambos da Agência Espacial Europeia, deverão aplicar técnicas semelhantes, combinando inteligência artificial e espectroscopia para mapear a diversidade de exoplanetas e conectar suas atmosferas aos mistérios de seus interiores.

Mais do que curiosidade astronômica, o estudo oferece uma lição sobre o poder da física planetária. O enxofre, que aqui é sinônimo de decadência e cheiro pútrido, pode ser em outros mundos o alicerce químico que mantém uma atmosfera viva sobre um oceano de fogo.


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