O ex-presidente de Cuba e líder revolucionário Raúl Castro aprovou o ambicioso pacote de reformas econômicas debatido pelo Partido Comunista de Cuba (PCC), em um esforço para mitigar a profunda crise agravada pelo recrudescimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. A manifestação de apoio ocorreu durante o Plenário Extraordinário do Comitê Central do PCC.
Castro, que atualmente não ocupa cargos oficiais, participou da reunião estratégica por meio de videoconferência. Sua palavra continua sendo uma referência incontornável na política cubana e seu endosso confere máxima legitimidade às transformações propostas pela cúpula partidária.
Segundo informações divulgadas pelo diário oficial Granma e repercutidas pelo portal RT, o General de Divisão José Amado Ricardo Guerra foi o responsável por transmitir a mensagem do líder revolucionário aos presentes. No texto, Castro afirmou estar plenamente de acordo com as propostas de mudanças apresentadas pela direção do país.
“Estou convencido de que da análise coletiva, e inclusive das discrepâncias, sempre saem as melhores ideias”, destacou o ex-mandatário na nota lida por Guerra. Para Raúl Castro, realizar as transformações estruturais “é o que mais convém hoje à Revolução”, sinalizando que a adaptação econômica não é uma concessão, mas uma necessidade urgente para a sobrevivência do projeto socialista.
As reformas avançam em um cenário de extrema hostilidade externa. O governo cubano denuncia sistematicamente o impacto devastador do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington há mais de seis décadas, intensificado brutalmente nos últimos anos para asfixiar a população e limitar o acesso a alimentos, medicamentos e combustíveis.
A crise atual, aprofundada pelos efeitos combinados da pandemia e das sanções estadunidenses, força a ilha a reinventar seu modelo. O pacote de medidas endossado por Raúl Castro busca destravar a produção nacional, incentivar setores estratégicos e corrigir distorções na economia planificada, sem abrir mão do controle estatal sobre os rumos da nação.
O aval de Raúl Castro, ex-primeiro-secretário do PCC e figura histórica da Revolução, confere um peso político monumental às reformas, demonstrando unidade interna na cúpula do Partido Comunista. A mensagem é clara: atualizar o modelo socialista é vital para resistir à guerra econômica movida por Washington.
Apesar da escassez gerada pelo cerco imperialista, a liderança cubana insiste na via das transformações internas como resposta à agressão estrangeira. As novas medidas agora seguem para implementação prática, com o imenso desafio de aliviar a crise humanitária sem jamais comprometer as conquistas sociais da Revolução.
Com informações de ACTUALIDAD.


Mariana Santos
18/06/2026
O tal do Lucas Moreira quer reduzir a questão a “monopólio estatal” como se 60 anos de bloqueio criminoso não tivessem destruído qualquer chance de desenvolvimento autônomo. É o mesmo discurso de quem acha que a solução é abrir as fronteiras pro capital estrangeiro ditar as regras – como se a gente no RJ não visse diariamente o que acontece quando o mercado decide o valor da vida. Reformas dentro do socialismo são necessárias sim, mas sem jamais esquecer que a raiz do sufoco cubano é a mesma do nosso: a sanha imperialista que não aceita um povo decidir o próprio destino.
Celio Fazendeiro
18/06/2026
Ah, mais um papo de esquerdista defendendo regime falido. Cuba que se exploda. O agro brasileiro que é a solução, índio e mato só atrapalham o progresso mesmo. Enquanto eles ficam nessa de reforma comunista, aqui a gente toca o país com trator e soja.
Mariana Oliveira
18/06/2026
Célio Fazendeiro, seu comentário é um prato cheio para uma análise interseccional, porque ele revela exatamente como o racismo estrutural e a lógica colonial operam juntos para justificar violências que parecem distantes mas estão conectadas. Quando você diz que “índio e mato só atrapalham o progresso” e defende o agro como solução enquanto manda Cuba “se explodir”, você está, sem perceber, repetindo o mesmo discurso que o oligarca do agronegócio usa contra os povos originários aqui no Brasil e que o imperialismo estadunidense usa contra a ilha caribenha. A Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos mostrou que opressões de raça, classe e território não atuam separadamente — elas se retroalimentam. O bloqueio dos EUA a Cuba e o genocídio indígena no campo brasileiro são duas faces da mesma moeda: a do capitalismo colonial que enxerga certos corpos e territórios como descartáveis em nome do lucro.
É preciso lembrar, como bell hooks ensina em “Ensinando a Transgredir”, que a crítica ao sistema não pode ser feita de forma isolada. Defender o agro como solução — um modelo que, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, é responsável pela maior parte dos conflitos fundiários e do desmatamento na Amazônia — é ignorar que esse mesmo “progresso” que você celebra se sustenta na expropriação de terras indígenas, no trabalho análogo à escravidão e na contaminação de comunidades inteiras por agrotóxicos. O agronegócio brasileiro não é a solução, Célio, ele é parte do problema estrutural que gera desigualdades profundas, assim como o bloqueio a Cuba é parte do problema da soberania dos povos.
Sua fala contra Cuba e contra os povos indígenas também carrega uma dimensão de gênero: a masculinidade tóxica que associa força bruta, trator e soja a uma ideia de “tocar o país” é a mesma que silencia mulheres, LGBTQIA+ e corpos racializados. O modelo de desenvolvimento que você defende é o mesmo que mantém o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo, com uma elite agrária que nunca fez reforma agrária e que se beneficia historicamente de um Estado que criminaliza movimentos sociais. Cuba, apesar de todas as contradições internas que eu também critico, ousa construir um projeto de soberania alimentar e acesso universal à saúde que o agro brasileiro jamais ofereceria a quem não pode pagar. Então, antes de decretar que Cuba “se exploda” e que “índio e mato atrapalham”, sugiro uma reflexão sobre quem realmente está sendo atropelado pelo trator do progresso que você tanto exalta.
Lucas Moreira
18/06/2026
Reformas de mercado no socialismo são maquiagem. O bloqueio americano é coadjuvante; o verdadeiro problema é o monopólio estatal que estrangula a economia. Enquanto não houver propriedade privada de verdade e abertura comercial, Cuba continuará afundando.
Cecília Silva
18/06/2026
Lucas, você fala em monopólio estatal como se Cuba não estivesse sob cerco há décadas. O bloqueio dos EUA não é coadjuvante, é uma arma de destruição em massa contra um povo que ousa resistir. Enquanto isso, aqui no RJ a gente sabe bem o que é ter a economia estrangulada pelo capital selvagem.