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Irã anuncia nova rodada de negociações e cobra dos EUA o fim de exigências excessivas

50 Comentários🗣️🔥 O ministro de Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante pronunciamento. (Foto: actualidad.rt.com) O Governo do Irã anunciou uma nova rodada de conversas com os Estados Unidos mediadas por Omã, abrindo caminho para uma solução diplomática no Oriente Médio. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã age com disposição positiva, mas só avançará […]

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O ministro de Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante pronunciamento. (Foto: actualidad.rt.com)

O Governo do Irã anunciou uma nova rodada de conversas com os Estados Unidos mediadas por Omã, abrindo caminho para uma solução diplomática no Oriente Médio.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã age com disposição positiva, mas só avançará se Washington abandonar o que descreveu como exigências excessivas. Araghchi comunicou o quadro durante uma série de ligações com os ministros das Relações Exteriores da Turquia, do Catar, da Arábia Saudita, do Egito, do Iraque e do Azerbaijão.

Esses países foram informados sobre as propostas e limitações que a República Islâmica considera prioritárias para estancar o conflito. O diplomata afirmou que a disposição iraniana em negociar nasce do senso de responsabilidade de preservar a paz regional, embora persista desconfiança em relação a compromissos assumidos anteriormente por Washington.

Araghchi recordou que sucessivos governos norte-americanos romperam acordos firmados, motivo pelo qual Teerã exige garantias concretas antes de qualquer concessão. Conforme reportagem do portal Actualidad RT, o chanceler reiterou que os EUA precisarão rever a retórica de ameaças e cessar ações provocativas para que o diálogo progrida.

Caso contrário, acrescentou, as Forças Armadas iranianas se mantêm em estado de vigilância plena e prontas para uma defesa firme da integridade territorial do país. O ministro reforçou que Teerã não iniciou a atual escalada, mas reage a uma campanha de pressão conduzida pelos EUA que inclui sanções econômicas, ciberataques e operações encobertas atribuídas a serviços de inteligência aliados.

Araghchi denunciou ainda que Israel participa ativamente dessa ofensiva, ampliando o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio. A participação de Omã como mediador indica, segundo analistas, que potências regionais buscam evitar uma conflagração que ameaçaria rotas energéticas estratégicas e a estabilidade de países vizinhos.

Omã mantém boas relações com Teerã e ao mesmo tempo depende de cooperação militar com Washington, posição que lhe confere margem para facilitar conversas sigilosas. Para o Irã, um entendimento passaria pela suspensão imediata das sanções que afetam sua economia e limitam importações de bens essenciais, de medicamentos a peças industriais.

Araghchi sublinhou que a retomada de compromissos internacionais deve ocorrer em bases de igualdade, sem imposições unilaterais que ferem a soberania de qualquer nação. Em Teerã, parlamentares de diferentes correntes políticas respaldaram publicamente a postura do chanceler, destacando que negociação não significa capitulação, mas sim defesa do direito ao desenvolvimento sem coerção externa.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, tem reiterado em discursos recentes a prioridade ao diálogo, desde que respeitado o princípio da dignidade nacional. Em Washington, grupos de pressão próximos à indústria de armas pedem ao governo que mantenha a postura de confronto, argumentando que qualquer alívio de sanções reduziria a capacidade de coerção sobre Teerã.

Funcionários do Departamento de Estado evitam comentar publicamente detalhes da mediação, sinal de que as tratativas ainda se encontram em fase inicial e cercadas de sigilo. Especialistas em direito internacional lembram que o impasse remonta à retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear de 2015, decisão que fragilizou a confiança mútua e reativou sanções multilaterais.

Desde então, o Irã ampliou seu programa de enriquecimento de urânio dentro dos limites que julga necessários para sua defesa, insistindo que não busca armas atômicas, mas sim independência tecnológica. Países do Golfo, tradicionalmente alinhados aos EUA, veem com cautela a possibilidade de distensão, mas também sofrem pressão para reduzir tensões que afetam o preço do petróleo e a estabilidade de investimentos.

Catar e Omã já se ofereceram para hospedar futuras rodadas de diálogo, caso o formato indireto demonstre resultados práticos. Enquanto diplomatas trocam minutas de propostas, navios de guerra dos EUA continuam patrulhando o Golfo Pérsico e a Guarda Revolucionária iraniana conduz exercícios de prontidão — cenário que mantém o risco de incidentes.

O desfecho das negociações dependerá de gestos concretos de ambos os lados. A mudança de postura em Washington representa condição essencial para Teerã.


Leia também: EUA e Irã fecham pontos centrais de acordo nuclear em negociações reservadas


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John Marshall

02/05/2026

Interessante como o Tiago Mendes traz a questão humanitária, mas acho que ele subestima o fato de que o direito ao desenvolvimento pacífico, como bem lembrou, não existe num vácuo hobbesiano: o Irã assinou o TNP e, desde então, viola suas salvaguardas de forma sistemática. A pergunta que fica, para quem gosta de Hobbes e Locke, é: até que ponto um Estado pode invocar soberania quando suas ações colocam em risco a segurança coletiva? Cobrar o fim de “exigências excessivas” é um movimento retórico previsível, mas a história nos mostra que, sem um Leviatã que imponha regras mínimas, o que temos é o estado de natureza.

Pedro

02/05/2026

Paulo, você já encheu o tanque do seu carro essa semana? Aqui na rua a gasolina não baixa faz tempo, e o IPVA só aumenta. Enquanto isso, os caras lá no Oriente Médio tão negociando igual feira livre – cada um puxando pra si. Pra mim, isso tudo é teatro pra ver quem fica com a maior fatia do petróleo.

Paulo Rocha

02/05/2026

Irã querendo negociar é piada pronta. Esse regime terrorista só sabe bancar o vitimista enquanto enriquece urânio pra ameaçar Israel e o Ocidente. Brasil pra brasileiros, e Oriente Médio pra eles se entenderem sozinhos sem ficar enrolando os EUA com esse papo de “exigências excessivas”. Vai pra Cuba, Irã!

    Tiago Mendes

    02/05/2026

    Paulo, seu discurso ignora que o Irã tem direito ao desenvolvimento nuclear pacífico, assim como qualquer nação. Rotular todo um povo de terrorista e mandá-los pra Cuba é desumanizar quem já sofre com sanções que matam crianças em hospitais. O Evangelho me ensina a buscar a paz com justiça, não a demonizar o outro pra justificar guerras.

João Martins

02/05/2026

Marta, você trouxe um ponto histórico que muita gente ignora ou prefere esquecer: sim, o programa nuclear iraniano foi uma iniciativa dos próprios EUA na era do xá. Mas isso não muda o fato de que hoje estamos diante de um jogo de pôquer geopolítico em que ambos os lados blefam com cartas marcadas. O Irã fala em “disposição positiva”, mas ao mesmo tempo mantém enriquecimento de urânio acima de 60%, algo que não tem justificativa civil crível. Os EUA, por sua vez, exigem desmantelamento total como pré-condição, o que é irrealista e sabem que Teerã nunca aceitará.

O que me incomoda nessa novela é a falta de dados concretos na discussão. O JCPOA original de 2015 funcionou razoavelmente bem em termos de monitoramento: a AIEA confirmou repetidamente que o Irã cumpriu os limites de enriquecimento até 2019. Quem matou o acordo foi Trump ao sair unilateralmente em 2018, sem que houvesse violação comprovada do Irã na época. Desde então, Teerã acelerou o programa e hoje tem estoque de urânio enriquecido suficiente para múltiplas bombas, se decidir montá-las. Esse é o custo real da saída americana.

Sobre as “exigências excessivas” mencionadas pelo chanceler iraniano, precisamos de transparência: o que exatamente Washington está pedindo agora? Se for inspeções intrusivas e limites verificáveis, é razoável. Se for desmantelamento total de infraestrutura civil, é inviável e serve apenas como pretexto para não negociar. O problema é que, sem acesso aos documentos das negociações em Omã, ficamos reféns de declarações vagas de ambos os lados. A imprensa internacional também não ajuda, tratando cada pronunciamento como fato consumado.

No fim das contas, acho que essa rodada vai produzir mais fumaça do que fogo. O Irã precisa de alívio nas sanções para segurar a economia doméstica, e os EUA precisam mostrar que ainda têm influência no Oriente Médio depois do fiasco no Afeganistão. Mas enquanto houver interesses conflitantes em iemen, Síria e o programa de mísseis balísticos iranianos, qualquer acordo nuclear será apenas uma peça de um quebra-cabeça muito maior. Vamos ver se os dados da AIEA nos próximos meses mostram desaceleração no enriquecimento ou se isso é só mais um capítulo de um teatro que já conhecemos.

Marta

02/05/2026

Meninos, meninos, sentem-se direito que a aula de história vai começar. Luan, meu filho, você misturou alhos com bugalhos: o programa nuclear iraniano existe desde os anos 1950, com apoio dos próprios Estados Unidos na época do xá Reza Pahlavi. O que mudou foi que, depois da Revolução Islâmica de 1979, o Ocidente passou a tratar o Irã como vilão, mas o direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos está garantido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual o Irã é signatário. Quem saiu do acordo nuclear em 2018 foi Trump, não os aiatolás. Então, antes de chamar país de vagabundo, estude um pouco de relações internacionais, está bem?

Clotilde, minha querida, pelo amor de Deus, não misture o preço do arroz com geopolítica do Oriente Médio. Sanções econômicas unilaterais são, sim, uma forma de guerra, como a Cecília bem lembrou. O povo iraniano sofre com inflação e desemprego por causa de medidas que nada têm a ver com seu governo, mas com a briga de gigantes. E sobre Israel, vale lembrar que o Brasil sempre defendeu a solução de dois Estados, com Jerusalém como capital compartilhada. Apoiar cegamente um lado sem olhar para os direitos do povo palestino é repetir discurso pronto de novela das oito, não é análise política.

O que me preocupa nessa notícia é o tom de “nós contra eles” que os meninos mal-educados da imprensa liberal adoram repetir. O Irã anuncia disposição para negociar, e a reação automática é desconfiar, exigir provas, impor condições. Enquanto isso, os EUA mantêm sanções criminosas que impedem a importação de medicamentos e alimentos para o povo iraniano. Cadê a tal defesa dos direitos humanos que tanto pregam? Na prática, o que vemos é um jogo de poder onde quem perde é sempre o trabalhador, seja em Teerã, seja em São Paulo. O Lula tem razão: diálogo soberano entre nações é o único caminho para a paz duradoura, e não essa patrulha ideológica de quintal.

João Batista

02/05/2026

Cecília, você acertou em cheio ao lembrar que as sanções são uma chantagem que sufoca o povo. Enquanto isso, os mesmos que pregam “paz” enchem o bolso dos fabricantes de armas. Lembra do que Jesus disse: “Bem-aventurados os pacificadores”? Mas pacificação de verdade exige justiça, não humilhação de nações inteiras.

Clotilde Pátria

02/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, esse Irã querendo negociar é a mesma coisa que o Lula querendo paz no Brasil! Enquanto eles ficam nessa conversa fiada, estão enriquecendo urânio para destruir Israel, que é o único país que nos representa na Terra Santa. Já viram o preço do arroz aqui? Tudo culpa desse governo que fica fazendo média com terrorista. Amém, virá o caos!

Ana Costa

02/05/2026

Luan, chamar o Irã de “vagabundo” só porque discorda da política externa deles é reducionismo. O fato é que o histórico de negociações mostra que ambas as partes já usaram a mesa de diálogo como tática protelatória — os EUA com sanções unilaterais, o Irã com enriquecimento de urânio. Uma mediação séria de Omã pode ser o caminho, mas sem transparência real nos dados nucleares e alívio concreto de sanções, vira só mais um round de empurra-empurra geopolítico.

Luan Silva

02/05/2026

Irã pedindo “fim de exigências excessivas”? Kkkk os caras querem bomba atômica e ainda acham que tão pedindo pouco. Vai negociar com o Hamas, vagabundo. Brasil acima de tudo, mas longe dessa turma aí.

Cecília Ramos

02/05/2026

Ana, você tocou num ponto importante: o Irã realmente usa a diplomacia como jogo de tempo, mas a recusa dos EUA em ceder nas sanções também é uma forma de chantagem econômica que sufoca o povo iraniano. Como cristã, acredito que diálogo com justiça social é caminho, mas sem hipocrisia de nenhum lado. Se os EUA querem paz, que tirem o pé do pescoço do Irã primeiro.

Ana Souza

02/05/2026

Ronaldo e João, entendo a frustração com os preços internos, mas acho que jogar tudo no mesmo saco simplifica demais uma questão geopolítica complexa. O Irã tem histórico de usar negociações como tática de ganhar tempo enquanto avança no programa nuclear, mas também é verdade que os EUA alternam entre sanções asfixiantes e recuos estratégicos. O que me falta ver nessa “boa vontade” iraniana são gestos concretos de transparência, não apenas discursos.

Maria Silva

02/05/2026

João e Ronaldo, entendo a frustração de vocês com os preços aqui no Brasil, mas acho que misturar tudo não ajuda. O Irã tem todo o direito de querer negociar sem pressões desmedidas, assim como os EUA deveriam abandonar essa postura de querer impor tudo. O que falta é bom senso dos dois lados, e não apenas ficar trocando acusações.

João Santos

02/05/2026

Pois é, Ronaldo, falou tudo. Enquanto Irã e EUA brincam de negociar, o Brasil tá aí pagando gasolina a 7 reais e imposto nas alturas. Esse papo de “boa vontade” iraniana é só cortina de fumaça pra continuar enrolando. Bandido é bandido, seja de teocracia ou de terno e gravata.

Ronaldo Silva

02/05/2026

Pois é, mais uma reunião pra lá e pra cá enquanto o povo paga a conta. Enquanto esses caras discutem exigência, aqui a gasolina não baixa e o imposto só sobe. Pra mim, essa história de boa vontade iraniana é só jogo de cena pra ver quem consegue levar vantagem.

Maria Clara Lopes

02/05/2026

Cíntia trouxe um bom recorte sobre os incentivos institucionais de ambos os lados. O Irã claramente quer alívio das sanções, mas os EUA também precisam de uma vitória diplomática no Oriente Médio antes do próximo ciclo eleitoral. A questão é se essa “boa vontade” iraniana resiste a exigências que Washington sabe que Teerã não pode aceitar sem perder credibilidade interna.

Cíntia Ribeiro

02/05/2026

É interessante ver como a thread oscila entre leituras que enxergam o Irã como vítima ou como manipulador. Acho que o ponto crucial, que o Ricardo e a Julia tocam, é que essa disposição para negociar precisa ser analisada à luz dos incentivos institucionais de ambos os lados. Um acordo sustentável depende de os EUA recalibrarem suas exigências para algo factível dentro da estrutura política iraniana, e não de uma rendição unilateral que o regime jamais aceitaria.

Ricardo Almeida

01/05/2026

Marina, “sanções criminosas” é um enquadramento que simplifica demais uma relação de forças complexa. O Irã não é vítima indefesa: é um Estado teocrático que há décadas usa a retórica anti-imperialista para consolidar o próprio poder interno enquanto negocia quando lhe convém. Tanto os EUA quanto o Irã jogam esse xadrez geopolítico com interesses muito concretos, e a população civil de ambos os lados é que paga a conta.

Marina Silva

01/05/2026

Irã negocia sob sanções criminosas e os EUA ainda se acham no direito de exigir? Hipocrisia imperialista travestida de diplomacia, como sempre.

Julia Andrade

01/05/2026

Lucas, você trouxe um ponto que eu estava esperando alguém levantar: a necessidade de ler essa “boa vontade” iraniana dentro da lógica de Estado. Mas acho que a gente pode ir um pouco além e tensionar o que significa essa disposição para negociar vinda de um governo que, sim, é autoritário e teocrático, mas que também opera dentro de um sistema de assimetria de poder brutal. Quando Abbas Araghchi diz que o Irã age com “disposição positiva”, isso não pode ser lido como mera tática de sobrevivência de um regime sitiado? A história nos mostra que sanções unilaterais dos EUA, especialmente após a saída do JCPOA em 2018, não só sufocaram a economia iraniana como também fortaleceram exatamente os setores mais linha-dura dentro do establishment iraniano – os mesmos que agora se sentam à mesa com uma retórica de “exigências excessivas”.

O que me incomoda nessa cobertura é como o Ocidente naturaliza a posição dos EUA como “negociador racional” e trata o Irã como “ator desviante que precisa ser contido”. Isso apaga décadas de intervencionismo estadunidense na região, do golpe de 1953 contra Mossadegh ao apoio a Saddam Hussein na guerra Irã-Iraque. Não estou fazendo apologia à teocracia iraniana – discordo frontalmente da opressão às mulheres, da perseguição a minorias sexuais e da repressão política interna. Mas acho ingênuo, pra não dizer desonesto, ignorar que o comportamento do Irã no cenário internacional é em grande parte uma resposta a um histórico de humilhação e violência imperialista. A pergunta que fica é: até que ponto as “exigências excessivas” que Teerã denuncia são, de fato, uma barreira para a soberania iraniana, e não apenas uma tentativa legítima de não repetir o acordo de 2015, que os EUA mesmos rasgaram? Enquanto a diplomacia for um jogo em que uma parte pode descumprir o combinado sem custos reais, a “boa vontade” iraniana vai continuar sendo lida como fraqueza, e não como um gesto de quem, apesar de tudo, ainda aposta no diálogo.

Lucas Pinto

01/05/2026

Vanessa e Cecília já trouxeram pontos importantes, mas acho que precisamos aprofundar a crítica ao enquadramento que essa notícia recebe. O “anúncio de boa vontade” do Irã precisa ser lido dentro da lógica de um Estado que, sim, é teocrático e autoritário, mas que também é produto de um século de intervenção imperialista. Desde o golpe de 1953 contra Mossadegh, patrocinado pela CIA e pelo MI6, os EUA deixaram claro que não toleram soberania nacional no Irã. O que vemos hoje é a repetição desse padrão: sanções econômicas que funcionam como bloqueio naval contra a população civil, enquanto a mídia ocidental trata qualquer resistência iraniana como “intransigência”. A pergunta que ninguém faz é: que “exigências excessivas” são essas que Washington quer impor? Inspeções que violam a soberania? Desmantelamento de capacidade civil de enriquecimento de urânio? Isso não é diplomacia, é diktat.

O Rodrigo e a Luisa caíram na armadilha do maniqueísmo raso que reduz o Oriente Médio a um jogo de futebol entre “mocinhos democratas” e “vilões teocráticos”. A realidade concreta, como Gramsci nos ensinou, é que a hegemonia se exerce também pela produção de consentimento em torno de certas narrativas. Quando a imprensa corporativa repete que o Irã “oprime mulheres” (e de fato há opressão patriarcal real, não nego), mas silencia sobre o fato de que a Arábia Saudita, aliada dos EUA, só permitiu que mulheres dirigissem em 2018, temos aí a prova de que os direitos humanos são instrumentalizados seletivamente. Não se trata de defender o regime iraniano, mas de denunciar a hipocrisia estrutural de quem usa a pauta feminista para justificar sanções que matam crianças por falta de medicamentos.

Outro ponto que ninguém tocou é a mediação de Omã. Omã é um regime monárquico absolutista, mas que historicamente serve de canal de diálogo porque não rompeu com o Irã. Isso revela algo fundamental: a diplomacia no Oriente Médio não opera por afinidade ideológica, mas por realpolitik. O Irã negocia porque está sufocado economicamente, sim. Mas os EUA também negociam porque perceberam que a política de “pressão máxima” fracassou em derrubar o regime e só fortaleceu os linha-dura. É a velha dialética: cada sanção cria as condições para a próxima crise. Foucault diria que o poder não é apenas repressivo, mas produtivo — e as sanções produzem exatamente o tipo de Estado militarizado que dizem combater.

Por fim, acho relevante notar como o debate aqui reproduz a divisão entre “ocidentalistas” e “terceiro-mundistas” que paralisa a esquerda brasileira. De um lado, quem reduz tudo a “imperialismo malvado” e ignora as contradições internas do Irã — a repressão aos protestos de 2022, a execução de manifestantes, a censura. Do outro, quem acredita que a solução é mais intervenção ocidental, como se a “democracia” fosse exportável via bombardeios. A saída não está em nenhum dos dois campos. O caminho é defender o fim das sanções unilaterais (que são crimes contra a humanidade segundo o direito internacional), mas também apoiar as lutas internas da sociedade civil iraniana — trabalhadores, mulheres, estudantes — sem tutela externa. Isso exige um pensamento dialético que a maioria dos comentários aqui, infelizmente, não alcançou.

Vanessa Silva

01/05/2026

Rodrigo, seu comentário ignora que sanções econômicas são justamente o que fortalecem os linha-dura no Irã, ao sufocar a população civil e dar pretexto para o regime culpar o Ocidente por tudo. Se o objetivo é de fato pressionar por mudanças, a história mostra que isolamento total só radicaliza — a via diplomática, por mais imperfeita que seja, ao menos cria espaço para negociações reais.

Cecília Silva

01/05/2026

Rodrigo, tu fala em “regime que oprime mulher” mas esquece que os EUA financiaram e armaram ditaduras no Oriente Médio por décadas. Enquanto isso, sanções matam criança iraniana por falta de remédio, mas isso não te comove porque não vende like pra bolsonarista. A hipocrisia de vocês cansa.

Rodrigo RedPill

01/05/2026

Cara, essa galera da esquerda adora fazer malabarismo pra defender regime teocrático que oprime mulher e persegue gay. Irã só tá nessa “boa vontade” porque as sanções tão quebrando o país e eles tão desesperados. Enquanto isso, o Brasil importa fertilizante iraniano e o governo Lula ainda manda beijo pra esses caras. Fracasso total.

    Luisa Teens

    01/05/2026

    Ah, Rodrigo, vai tomar vergonha na cara e aprender que imperialismo mata mais que teocracia, #ForaBolsonaro

Cíntia Alves

01/05/2026

Carlos e Letícia, vocês tocam num ponto crucial: a dificuldade de enxergar nuances num debate que virou torcida organizada. O Irã tem seus defeitos graves, mas achar que a solução é simplesmente demonizar e isolar o país ignora décadas de sanções que só fortaleceram os linha-dura em Teerã. Se a diplomacia tem alguma chance, ela exige que os EUA também revejam essa postura de querer tudo sem ceder nada.

Carlos Oliveira

01/05/2026

Letícia e Pedro, muito boa a leitura de vocês. É impressionante como o debate cai sempre na mesma armadilha de reduzir o outro a um inimigo sem história. O Irã tem uma teocracia que oprime seu povo, sim, mas os EUA têm um histórico de golpes e sanções que sufocam qualquer nação que ouse desafiar sua hegemonia. Enquanto a elite do agronegócio brasileiro lucra com veneno e terra grilada, a mídia nos distrai com esse maniqueísmo geopolítico. Apoiar a via diplomática, com crítica a ambos os lados, é o mínimo para quem defende a paz e a soberania dos povos.

Mariana Alves

01/05/2026

A leitura dos comentários aqui me causa uma mistura de cansaço e fascínio clínico. Observo o Major Ricardo Silva e a Maria Antonia reproduzindo com perfeição a cartilha do Departamento de Estado norte-americano: reduzem o Irã a um estereótipo unidimensional de “regime que oprime mulheres e financia terrorismo”, como se a política externa dos EUA no Oriente Médio fosse movida por algum tipo de pureza moral. Ora, desde o golpe de 1953 contra Mossadegh — orquestrado pela CIA e pelo MI6 para derrubar um governo democraticamente eleito que ousara nacionalizar o petróleo — até a invasão do Iraque em 2003, baseada em mentiras sobre armas de destruição em massa, o histórico estadunidense na região é um rosário de intervenções que mataram centenas de milhares de civis e desestabilizaram países inteiros. Falar em “terrorismo iraniano” sem mencionar que os EUA armaram e treinaram a contra-insurgência na Nicarágua, apoiaram ditaduras na América Latina e bombardeiam o Iêmen com munição fornecida a aliados é, no mínimo, uma seletividade moral que beira o cinismo.

A questão de fundo, que a maioria aqui parece ignorar, é que o Irã não surgiu do vácuo como um “eixo do mal”. O regime teocrático iraniano é, em grande medida, uma criatura das próprias potências ocidentais. O xá Reza Pahlavi, instalado e sustentado pelos EUA após o golpe de 53, governou com mão de ferro, torturou opositores e modernizou o país à força enquanto a CIA treinava sua polícia secreta, a SAVAK. Quando a Revolução Islâmica de 1979 explodiu, foi uma reação popular a décadas de intervenção estrangeira e autoritarismo interno. Claro, o resultado não foi uma democracia socialista — foi uma teocracia xiita que também oprime dissidentes e mulheres. Mas reduzir o Irã a “regime que oprime mulheres” sem contextualizar que a teocracia é uma resposta distorcida à humilhação histórica imposta pelo Ocidente é fazer o jogo da propaganda que justifica sanções econômicas que, sim, matam pessoas comuns — crianças em hospitais que não têm remédios, famílias que não têm acesso a alimentos básicos.

E aqui entramos no ponto central da notícia: a disposição iraniana para negociar, mas com a condição de que os EUA abandonem “exigências excessivas”. O que são essas exigências? Washington, sob a administração Trump, rasgou o acordo nuclear JCPOA que havia sido negociado com esforço multilateral em 2015, impôs sanções máximas e agora quer que o Irã desmantele completamente seu programa de enriquecimento de urânio, pare de apoiar grupos como o Hezbollah e o Hamas, e ainda aceite inspeções intrusivas sem contrapartidas. Isso não é diplomacia; é chantagem. O Irã, por sua vez, tem todo o direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos, como qualquer signatário do TNP. A questão não é se o regime iraniano é democrático ou não — não é, e isso é evidente —, mas sim se a comunidade internacional vai continuar permitindo que os EUA ditem os termos de qualquer negociação com base em sua própria conveniência geopolítica, enquanto ignoram que Israel, que tem um arsenal nuclear não declarado e não assina o TNP, nunca sofre sanções equivalentes.

Por fim, acho curioso que ninguém aqui tenha mencionado o papel do Brasil nessa equação. Enquanto o governo Lula tenta se posicionar como mediador global, com discursos sobre multipolaridade e paz, o Itamaraty segue uma linha de equilíbrio que muitas vezes beira o alinhamento automático com os BRICS, sem uma crítica contundente nem ao autoritarismo iraniano nem ao imperialismo estadunidense. Se o Brasil quer realmente ter protagonismo, precisa parar de tratar a geopolítica como um jogo de xadrez entre “bons” e “maus” e começar a defender uma agenda baseada em direitos humanos universais e autodeterminação dos povos — o que inclui criticar tanto as sanções que sufocam o Irã quanto a repressão interna do regime. Mas isso daria trabalho, e trabalho intelectual é justamente o que falta em comentários que se contentam com maniqueísmos de faroeste.

Letícia Fernandes

01/05/2026

A leitura dos comentários aqui me causa uma mistura de cansaço e fascínio clínico. Observo o Major Ricardo Silva e a Maria Antonia reproduzindo com perfeição a cartilha do Departamento de Estado norte-americano: reduzem o Irã a um estereótipo unidimensional de “regime que oprime mulheres e financia terrorismo”. Ora, que análise extraordinariamente superficial para quem se propõe a debater geopolítica. O Irã é, sim, uma teocracia burguesa com contradições internas brutais — a opressão às mulheres, aos curdos, aos trabalhadores e às minorias religiosas é real e deve ser denunciada sem relativismos. Mas transformar essa crítica num salvo-conduto para absolver o imperialismo estadunidense é um exercício de má-fé intelectual ou, no mínimo, de ignorância histórica voluntária.

Pedro Almeida acertou em cheio ao lembrar do golpe de 1953 contra Mossadegh. É sintomático como a direita brasileira, tão afeita a discursos moralistas sobre “direitos humanos”, simplesmente apaga 70 anos de intervenções norte-americanas no Oriente Médio que mataram centenas de milhares de pessoas, destruíram Estados inteiros e criaram as condições para o surgimento de todos os extremismos que hoje condenam. O que o Irã chama de “exigências excessivas” não é retórica vazia: é a recusa em aceitar um acordo assimétrico onde Washington exige desmantelamento do programa nuclear iraniano sem oferecer garantias reais de fim de sanções e sem reconhecer o direito iraniano ao desenvolvimento tecnológico soberano. Isso não é “joguinho diplomático”, como disse a Sofia — é a lógica do capital imperialista em ação.

A Sofia e a Renata, com sua angústia legítima sobre o preço do pão, tocam num ponto crucial que a maioria aqui ignora: a carestia no Brasil não é um fenômeno abstrato descolado da geopolítica. Enquanto os EUA mantêm sanções unilaterais contra o Irã, a Venezuela e outros países, o que vemos é a interrupção de cadeias produtivas globais, a especulação com commodities e o encarecimento de insumos básicos como fertilizantes e petróleo. O pão francês a 7 reais é a materialização, na mesa do trabalhador brasileiro, da disputa interimperialista no Oriente Médio. Mas a esquerda identitária e a direita ufanista preferem fazer disputa de narrativas morais enquanto o capital segue se valorizando sobre os escombros.

Por fim, é quase enternecedor ver o Major e a Maria Antonia exigindo que o Brasil “foque em reduzir impostos” enquanto defendem alinhamento automático com os EUA. Como se a política externa brasileira fosse um acessório descartável. Um país que se pretende soberano não pode terceirizar sua política internacional para nenhuma potência, seja ela Washington, Pequim ou Moscou. O caminho não é nem o alinhamento acrítico aos EUA nem a defesa romântica do regime iraniano — é a construção de uma política externa independente, baseada na autodeterminação dos povos e na crítica materialista às estruturas de opressão, sejam elas teocráticas ou imperialistas. Mas isso exigiria deixar de lado o maniqueísmo de faroeste e encarar a complexidade dialética do real. Coisa que, pelo visto, a maioria aqui não está preparada para fazer.

Major Ricardo Silva

01/05/2026

Maria Antonia, você foi cirúrgica. Esse regime iraniano financia terrorismo e oprime mulheres com a burca e a sharia, e ainda quer ditar regras para os EUA. Negociação com quem patrocina o Hamas e o Hezbollah é dar corda pra bandido. Enquanto isso, o Brasil deveria parar de gastar com mesada para ditadura e focar em segurança e redução de impostos.

    Pedro Almeida

    01/05/2026

    Major, sua análise peca por reduzir uma questão geopolítica complexa a uma moralidade de faroeste. O Irã é um regime autoritário e teocrático, sim, mas a política externa dos EUA no Oriente Médio, do golpe de 1953 contra Mossadegh à invasão do Iraque em 2003, tem um histórico de desestabilização que criou o terreno fértil para o próprio “terrorismo” que condenamos. Ignorar isso é fazer uma leitura seletiva da história que serve mais à propaganda do que ao entendimento.

Maria Antonia

01/05/2026

Renata, você tem razão em parte, mas o problema não é só o joguinho diplomático. Irã é um regime que financia terrorismo e oprime mulheres há décadas. Negociar com quem não respeita direitos humanos básicos é perda de tempo. Enquanto isso, o Brasil deveria focar em reduzir impostos e desburocratizar, não em fazer média com ditadura. Mercado livre e responsabilidade individual resolvem mais que mesa redonda com aiatolá.

Renata Oliveira

01/05/2026

Gente, acho que a Sofia tem um ponto: enquanto Irã e EUA ficam nesse joguinho de “exigências excessivas” pra cá e sanções pra lá, quem paga o pato é o povo comum. Sou a favor do diálogo sim, mas com sinceridade e sem hipocrisia. Se os dois lados não baixarem a bola, essa novela não acaba nunca.

Sofia García

01/05/2026

gente, irã falando em “exigências excessivas” é tipo o ex que termina e ainda quer ditar as regras do término kkkkk os eua tão cheio de sanção, irã cheio de retórica e a gente aqui pagando 7 conto no pão francês. bora parar de terceirizar a crise e olhar pro próprio quintal, né?

Bia Carioca

01/05/2026

Karina, com todo respeito, mas essa visão de que o Irã é só um regime opressor e os EUA são os bonzinhos é muito rasa. Enquanto os EUA mantêm sanções criminosas que sufocam a população iraniana, o povo brasileiro paga a conta com passagem de ônibus nas alturas e transporte público sucateado. Se o Brasil quisesse mesmo paz no Oriente Médio, começava investindo em mobilidade urbana aqui, em vez de ficar puxando saco de potência estrangeira.

Gabriel Teen

01/05/2026

Irã e EUA negociando e o Brasil aumentando imposto até no sonho, que país é esse, pqp.

Karina Libertária

01/05/2026

Ah, o Irã querendo negociar mas ainda ditando regras… típico. Enquanto isso o Brasil fica fazendo média com regime que persegue cristão e mulher. Se os EUA tão cobrando, é porque tem motivo. Quem vive de verdade no mundo real sabe que acordo com país assim tem que ter cláusula dura sim, senão eles fazem o que querem.

Eduardo Teixeira

01/05/2026

Rubens, concordo que o papo de teologia não põe arroz na mesa. Mas o problema real aqui é outro: enquanto o Irã quer negociar com os EUA, o governo brasileiro insiste em aumentar imposto sobre tudo que é produto importado do Oriente Médio. Cadê o livre mercado que tanto prometeram?

    Luizinho 16

    01/05/2026

    Livre mercado? Só existe pra quem já tem dinheiro, Eduardo — imposto sobe pra pobre e cai pra banqueiro, acorda.

Carmem Souza

01/05/2026

João Batista, entendo sua preocupação com a perseguição aos cristãos, isso realmente nos dói. Mas acho que a gente precisa separar as coisas: diálogo diplomático não é concordar com tudo que o Irã faz, é tentar evitar mais guerras e mortes. Como cristã, acredito que buscar a paz também é um mandamento, mesmo que isso signifique conversar com quem pensa diferente.

João Batista Alves

01/05/2026

Meus irmãos, que tristeza ver esse mundo sem Deus negociando com quem persegue cristãos. Enquanto o Irã aperta o cerco contra a fé, tem gente aqui defendendo diálogo com regime que apedreja mulheres. O Brasil precisa é de oração, não de acordo com quem nega a verdade.

    Caio Vieira

    01/05/2026

    João Batista Alves, sua leitura teológica do cenário geopolítico, embora sincera, opera por uma chave analítica que confunde fé com política externa — o Irã, como qualquer Estado-nação, negocia a partir de sua materialidade histórica e de suas contradições internas, não de um suposto “plano divino”. A defesa do diálogo, aqui, não é apologia ao regime teocrático iraniano, mas sim um reconhecimento gramsciano de que a hegemonia se constrói na arena das relações interestatais, e não no isolamento moralista que, paradoxalmente, fortalece os setores mais reacionários de ambos os lados.

    Cristina Rocha

    01/05/2026

    João Batista Alves, seu comentário me provoca uma reflexão que vai além do embate imediato. Como professora de filosofia, não posso deixar de notar que sua defesa da “verdade” religiosa como fundamento para a política externa ignora um dado histórico elementar: o Irã que você condena hoje é, em boa medida, uma construção das intervenções ocidentais que derrubaram Mossadegh em 1953 e depois apoiaram a ditadura do xá Reza Pahlevi. Foi a CIA e o MI6 que, em nome de interesses petrolíferos, eliminaram a única experiência democrática que o país teve no século XX. O regime teocrático que hoje apedreja mulheres e persegue minorias religiosas é, em parte, uma reação a essa violência imperialista. Não estou defendendo o apedrejamento — sou feminista, abomino isso —, mas é preciso entender que a teocracia iraniana não surgiu do nada; ela é fruto de uma história de humilhação e exploração que o Ocidente se recusa a reconhecer.

    Você fala em “perseguição a cristãos”, e isso é verdadeiro em muitos aspectos, mas reduza a questão a uma guerra do bem contra o mal é um maniqueísmo que a filosofia política já superou desde Hegel. O Irã é um Estado-nação com contradições internas profundas: há uma luta de classes ali dentro, há mulheres se organizando contra o hijab obrigatório, há uma juventude que quer respirar. Negociar com o regime não significa endossar sua teocracia; significa reconhecer que a via diplomática é a única capaz de criar brechas para que as forças progressistas iranianas ganhem espaço. Sanções econômicas, como as que os EUA impõem, não derrubam regimes — elas matam crianças, sufocam hospitais e fortalecem justamente os setores mais reacionários, que usam o sofrimento do povo para justificar o fechamento político.

    Quanto à sua sugestão de que o Brasil precisa de “oração, não de acordo”, permita-me discordar com toda a veemência que a filosofia me permite. Oração é um consolo individual, legítimo para quem crê, mas não substitui a política como ferramenta de transformação material. O Brasil precisa de estadistas que entendam que a geopolítica não se faz com fé, mas com análise concreta de interesses e correlações de forças. Lula sentar para negociar com o Irã não é um ato de cumplicidade com o apedrejamento de mulheres — é um ato de inteligência estratégica para garantir que o Brasil não seja arrastado para mais uma guerra imperialista no Oriente Médio. Se você realmente se importa com as mulheres iranianas, deveria apoiar qualquer iniciativa que abra espaço para elas respirarem, e não condenar o diálogo que pode, no longo prazo, enfraquecer o regime que as oprime.

    João Carlos da Silva

    01/05/2026

    João Batista, sua leitura reduz a complexidade geopolítica a um dualismo teológico que, se levado às últimas consequências, inviabilizaria qualquer relação diplomática com Estados que não compartilhem da mesma fé — o que, na prática, isolaria o Brasil justamente dos países onde a maioria da população mundial vive.

    Rubens O Pescador

    01/05/2026

    João Batista, lá na roça eu aprendi que quem mais fala em Deus é quem menos põe comida na mesa dos pobre. Enquanto o senhor se preocupa com negociação lá longe, aqui no Brasil o povo passava fome antes do PT e comia bem quando tinha acordo com esses países que o senhor critica.

Adalberto Livre

01/05/2026

IRÃ COBRA FIM DE EXIGENCIAS EXCESSIVAS DOS EUA? MAS ESSES MULLAHS COMUNISTAS ACHAM QUE PODEM DITAR REGRAS PRO OCIDENTE? ENQUANTO O BOSTA DO LULA LAMBE AS BOTAS DELES, O MUNDO LIVRE TEM QUE MOSTRAR FORÇA E PARAR DE NEGOCIAR COM TERRORISTA!

    Ronaldo Pereira

    01/05/2026

    Adalberto, você chama de “terrorista” um país que sofreu golpe da CIA em 1953 e vive sob sanções criminosas há décadas. Enquanto isso, os EUA vendem armas pra ditaduras do Oriente Médio e chamam de “mundo livre”. O Lula pelo menos senta pra conversar, coisa que patrão nunca fez com a classe trabalhadora na mesa de negociação.

    Marcos Andrade Niterói

    01/05/2026

    Adalberto, “mullahs comunistas” é um oxímoro que só existe na sua cabeça. O Irã negocia porque tem o que exigir, ao contrário do Brasil, que precisa de estadistas como Rodrigo Neves para não virar um caos igual à política externa belicista que você defende.

    Fernanda Oliveira

    01/05/2026

    Adalberto, chamar o Irã de terrorista enquanto ignora que os EUA já derrubaram o governo democraticamente eleito deles e impõem sanções que matam civis é um nível de hipocrisia que dói. O Lula sentar pra negociar é exatamente o que o mundo precisa: diálogo, não mais bombas e arrogância imperialista.

    João Carvalho

    01/05/2026

    Adalberto, sua confusão entre teocracia e comunismo revela um desconhecimento básico de sociologia política. O Irã é uma república islâmica com forte influência clerical – nada a ver com o materialismo histórico que você tenta associar. O problema real é que os EUA insistem em negociar com a premissa de que apenas eles podem definir o que é “exigência excessiva”, ignorando o direito iraniano de desenvolver seu programa nuclear civil, algo garantido pelo TNP.


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