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Otan realiza reuniões secretas com roteiristas de cinema e TV para ampliar narrativa militar, revela reportagem

73 Comentários🗣️🔥 Logotipo da OTAN em um painel e parte da bandeira da organização. (Foto: rt.com) Reuniões a portas fechadas entre representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte e profissionais de cinema e televisão vêm gerando acusações de propaganda e temor de que o bloco militar esteja instrumentalizando a cultura para legitimar agendas bélicas. […]

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Logotipo da OTAN em um painel e parte da bandeira da organização. (Foto: rt.com)

Reuniões a portas fechadas entre representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte e profissionais de cinema e televisão vêm gerando acusações de propaganda e temor de que o bloco militar esteja instrumentalizando a cultura para legitimar agendas bélicas.

Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, três encontros já ocorreram em Los Angeles, Bruxelas e Paris. Um quarto está marcado para Londres com membros do Writers’ Guild of Great Britain.

O convite que circula entre roteiristas britânicos informa que o encontro será coordenado pelo instituto Chatham House e terá como tema a ‘evolução da segurança na Europa e além’. A delegação da aliança deve contar com James Appathurai, vice-chefe do departamento de cibersegurança e inovação da OTAN, além de outros dirigentes ainda não identificados publicamente.

Uma mensagem interna do sindicato obtida pelo Guardian afirma que as conversas já inspiraram pelo menos três projetos audiovisuais. O roteirista irlandês Alan O’Gorman disse à publicação que muitos colegas se sentiram ofendidos ao perceber que a arte estaria sendo convocada a sustentar campanhas militares, classificando o movimento como ‘claramente propaganda’.

O’Gorman observou que cresce na mídia e em gabinetes europeus a tentativa de retratar a OTAN de forma positiva, inclusive na Irlanda, país que não integra a aliança mas vem sendo pressionado a aderir a estruturas de defesa ocidentais. Para críticos, a manobra carrega uma estratégia deliberada de amplificação do medo: ao propagar a ideia de que as defesas do continente estariam fragilizadas, o bloco estimula o aumento de orçamentos militares e reduz o espaço para a diplomacia.

Os encontros também expõem fissuras internas na aliança, pois ocorrem num momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, volta a rotular a OTAN de estrutura ineficaz. Além disso, Trump irritou governos europeus ao cogitar a anexação da Groenlândia, território dinamarquês, gesto que deteriorou a confiança transatlântica e reforçou o debate sobre a dependência estratégica europeia em relação a Washington.

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, acrescentou tensão ao declarar que a maior ameaça à aliança não vem de inimigos externos, mas de sua ‘desagregação contínua’. Em meio a esse cenário, a busca por apoio no universo do entretenimento surge, segundo analistas ouvidos pelo Guardian, como tentativa de rejuvenescer a imagem da OTAN e contornar críticas cada vez mais vocalizadas por setores culturais que defendem a paz e o multilateralismo.

A prática não é inédita: durante a Guerra Fria, roteiristas colaboraram com agências de inteligência ocidentais para inserir mensagens antissoviéticas em filmes, estratégia hoje amplamente documentada por pesquisadores do audiovisual. Desta vez, contudo, a iniciativa coincide com uma ordem internacional em transição, na qual potências emergentes e blocos como o BRICS contestam a hegemonia militar norte-atlântica e pressionam por reformas nos organismos de governança global.

A aproximação com produtoras de entretenimento também reflete, segundo especialistas em comunicação política citados pelo Guardian, a preocupação com a deterioração da imagem da aliança após conflitos prolongados no Iraque, no Afeganistão e na Faixa de Gaza. Esses conflitos alimentaram um ceticismo crescente, especialmente entre o público jovem, que se informa majoritariamente por plataformas de streaming e redes sociais, arenas onde narrativas críticas ao establishment militar prosperam com facilidade.

Roteiristas relataram desconforto ao sentir que estariam sendo convidados a validar guerras em vez de estimular reflexão crítica, sinal de resistência dentro da própria indústria cultural. O sindicato britânico afirmou que a participação na reunião é voluntária e busca apenas ‘informar’ autores sobre desafios de segurança, mas não detalhou se haverá compromisso formal ou qualquer forma de financiamento para obras futuras.

A cobertura completa do caso, incluindo detalhes sobre os bastidores das reuniões, pode ser acompanhada na reportagem da RT, que aprofunda o debate sobre os limites entre cooperação artística e produção de conteúdo institucional a serviço de um bloco militar. Para setores progressistas europeus, a chave estará em exigir transparência total sobre eventuais vínculos financeiros, impedindo que o cinema se transforme em extensão disfarçada dos gabinetes de defesa.

Com informações de RT.


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Sandra Martins

04/05/2026

Puxa, Maria Silva, você trouxe uma reflexão que toca fundo. Como cristã, acredito que devemos sim orar e vigiar, mas também questionar quando instituições usam a cultura para moldar corações e mentes sem transparência. A fé me ensina a buscar a verdade, e essa notícia me faz pensar se não estamos sendo conduzidos como ovelhas para um pasto que não escolhemos.

Ronaldo Pereira

04/05/2026

Isso aí não é novidade, companheiros. Enquanto a classe trabalhadora se mata de sol a sol na fábrica, a OTAN gasta milhões para maquiar guerra como se fosse filme de herói. Quero ver se esses roteiristas vão escrever um roteiro sobre o operário que perde o emprego quando a guerra estoura e o patrão foge com o dinheiro. A luta é uma só: contra a exploração e contra a indústria da morte.

Luciana Costa

04/05/2026

Carlos Menezes, você tocou num ponto crucial: a diferença não está no fato de influenciar, mas na transparência. Uma coisa é a China financiar abertamente um estúdio, outra é a OTAN fazer reuniões secretas com roteiristas para moldar narrativas sem que o público saiba que aquilo é material encomendado. Isso mexe com a credibilidade de qualquer produção.

Maria Silva

03/05/2026

Carlos Menezes, você trouxe um ponto sensato: todo mundo faz propaganda, mas a questão ética é quando uma aliança militar, que deveria existir para defender, usa entretenimento pra vender guerra como se fosse entretenimento. Como cristã, acho que temos que orar e vigiar — não dá pra normalizar qualquer narrativa que esconda os custos reais dos conflitos.

Carlos Menezes

03/05/2026

Pessoal, acho que a discussão vai além de demonizar a OTAN ou defender cegamente. Que existe influência cultural em operações geopolíticas, isso é fato histórico. Mas a pergunta que fica é: até que ponto isso é diferente do que qualquer grande potência faz? A China financia filmes, a Rússia tem seus canais de mídia estatal. O problema real talvez seja a falta de pluralidade real na narrativa, independente de quem está por trás.

Luan Silva

03/05/2026

OTAN metendo o bedelho em Hollywood pra vender guerra? Brasil acima de tudo, OTAN a baixo de ninguém. Faz o L nunca mais, lacradores.

Helton Barros

03/05/2026

Isso aí, Célia, falou tudo! Enquanto a OTAN paga roteirista pra fazer filme de guerra e vender intervenção globalista, tem pastor aí abençoando tanque e chamando de “defesa da liberdade”. O problema não é só Hollywood, é a igreja que perdeu a vergonha e virou cabo eleitoral de arma. Cadê o temor a Deus nessa história?

    Clarice Historiadora

    03/05/2026

    Helton, você acertou em cheio ao apontar a contradição entre o discurso de “defesa da liberdade” e a bênção a tanques. O que você talvez não saiba é que desde a Guerra Fria a OTAN financia think tanks e consultorias de mídia para moldar a percepção pública — o manual de 1955 da CIA sobre operações psicológicas já recomendava a cooptação de líderes religiosos como “multiplicadores de credibilidade”. O problema não é novo, é estrutural: a teologia da prosperidade encontrou no complexo militar-industrial um cliente fiel.

Zé do Povo

03/05/2026

ISSO É O FIM DA PICADA! 😡 OTAN QUERENDO LAVAR CÉREBRO DO POVO COM FILMINHO DE GUERRA! ENQUANTO ISSO, NOSSOS VALORES CRISTÃOS SÃO JOGADOS NO LIXO! CADÊ O BOICOTE?

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Valores cristãos jogados no lixo? Amigo, a OTAN lava o cérebro com blockbuster enquanto a igreja abençoa tanque — #AcordaZé, boicote é o lucro deles!

José dos Santos

03/05/2026

Pois é, Cecília, você tocou num ponto que me incomoda demais. Enquanto tão lá fazendo reunião secreta pra vender guerra em filme, aqui na rua a gente vê o preço da gasolina subindo toda semana e o IPVA não dá desconto pra ninguém. No final, quem paga a conta dessa brincadeira toda é o trabalhador que só quer rodar o dia em paz sem ser assaltado e sem ter que ouvir discurso de guerra alheia.

Cecília Alves

03/05/2026

Ora, mas que novidade. A OTAN usando a máquina cultural pra vender guerra é tão previsível quanto o governo brasileiro aumentando imposto. Enquanto isso, o contribuinte paga a conta de ambos os lados. Se ao menos deixassem o mercado e a propriedade privada decidirem o que produzir, em vez de financiar propaganda com dinheiro público.

Paula Santos

03/05/2026

Gente, a Sofia tem um ponto interessante com a referência cinematográfica, mas acho que precisamos tomar cuidado com o tom da conversa. Como cristã, acredito que devemos vigiar sim os discursos que nos cercam, mas sem cair em teorias da conspiração. A Otan é uma organização de defesa coletiva e é natural que queira contar sua história, mas a transparência é fundamental para não gerar desconfiança. Oremos para que nossos líderes busquem a paz e a verdade acima de tudo.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

Essa notícia não me surpreende. O Ocidente secularizado sempre usou a cultura para moldar mentes e justificar suas guerras, enquanto destrói valores tradicionais e religiosos. Enquanto isso, no mundo islâmico, somos acusados de doutrinação só por ensinar o Alcorão às crianças. Hipocrisia pura.

Sofia García

03/05/2026

gente, a OTAN chamando roteirista pra reunião secreta é tipo aquela cena de Homem de Ferro 2 onde o governo quer fazer o traje militar, só que na vida real. Luciana, vc falou tudo, isso é lavagem cerebral com orçamento de guerra mesmo. Enquanto isso, o povo aqui discutindo se pão de queijo é mineiro ou não.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Meu Deus, Adalberto, o senhor tem toda razão! Isso é o fim da picada! A Otan fazendo reunião secreta com roteirista pra doutrinar o povo, enquanto o Lula e o STF tão entregando o Brasil pro comunismo. Amanhã vão proibir a gente de falar de Deus e obrigar todo mundo a assistir filme de guerra pra virar soldado. Isso é coisa do Foro de São Paulo!

Adalberto Livre

03/05/2026

ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO DEIXAM OS COMUNISTAS CONTROLAREM A MÍDIA!!! AGORA ATÉ A OTAN TEM QUE ENSINAR ROTEIRISTA A FAZER FILME DE GUERRA DIREITO, ENQUANTO O POVO BRASILEIRO PAGA CONTA DE LUZ MAIS CARA POR CAUSA DAS USINAS DO PT!!!

Luciana Santos

03/05/2026

Pois é, Paulo Gestor RJ, “comunicação institucional” com reunião secreta e roteirista de Hollywood? Isso aí é lavagem cerebral com orçamento de guerra, meu chapa. Enquanto isso, a gente aqui no Brasil pagando passagem cara e vendo político enchendo o bolso. Podiam usar essa grana toda pra financiar filme nacional de verdade, em vez de maquiar tanque de guerra.

Paulo Ribeiro

03/05/2026

Caro Caio Vieira, sua análise é precisa ao situar essa revelação dentro da tradição crítica da geopolítica. Mas permita-me ir além: o que estamos testemunhando não é mera propaganda de guerra, e sim a manifestação mais explícita do que Gramsci chamaria de hegemonia cultural em sua fase mais aguda. A Otan, como braço armado do imperialismo tardio, compreendeu que não basta ter superioridade militar – é preciso conquistar o consentimento das massas para que aceitem como naturais as intervenções e os gastos bélicos. É aí que entra a indústria cultural, funcionando como um verdadeiro Aparelho Ideológico de Estado, nos termos de Althusser.

O que me impressiona é a sofisticação desse mecanismo. Enquanto nos anos 1960 o Departamento de Defesa americano financiava abertamente filmes de propaganda, hoje a estratégia é mais sutil: reuniões secretas com roteiristas, consultorias não declaradas, influência na construção de narrativas que parecem autônomas. É a velha tática de fazer com que o dominado acredite estar exercendo livremente sua criatividade, quando na verdade está reproduzindo a visão de mundo do dominador. Mariátegui já nos alertava sobre como a superestrutura cultural pode servir para naturalizar as relações de exploração.

Ao contrário do que sugere o Paulo Gestor RJ, não se trata de “comunicação institucional” inócua. Quando a Otan se reúne com roteiristas para “contar sua versão da história”, está disputando o senso comum, moldando o imaginário coletivo para que a guerra seja vista como solução e não como problema. É o que os frankfurtianos chamavam de indústria cultural: a produção de entretenimento que anestesia a consciência crítica e transforma cidadãos em consumidores passivos de narrativas bélicas.

A esquerda latino-americana precisa aprender com isso. Se o imperialismo investe pesado na disputa cultural, nós também precisamos ocupar esse terreno. Não basta denunciar a guerra – é preciso contrapor uma narrativa emancipatória que desnaturalize o militarismo e mostre que a verdadeira segurança coletiva vem da solidariedade entre os povos, não de tanques e bombas. Enquanto a Otan financia roteiristas para vender guerra, nós deveríamos financiar cineastas para vender paz com justiça social.

Mariana Alves

03/05/2026

A discussão levantada pelo Caio Vieira é precisa ao situar esta revelação dentro de uma tradição crítica da geopolítica, mas acho que podemos ir além. Não se trata apenas de confirmar o que já suspeitávamos, mas de compreender a sofisticação do aparato ideológico em ação. O que a Otan está fazendo não é mera propaganda grosseira, é a captura do próprio imaginário coletivo, a colonização do inconsciente estético das massas. Quando o Paulo Gestor RJ tenta reduzir isso a “comunicação institucional”, ele ignora que o poder hegemônico não precisa de tanques nas ruas quando pode ocupar as telas das salas de estar. É a velha lição gramsciana: a dominação se consolida pelo consenso antes de recorrer à força, e o cinema é hoje a mais potente fábrica de consenso.

O comentário da Ana Paula Conserva, embora parta de uma perspectiva conservadora que eu rejeito, tem o mérito de identificar que há uma disputa de valores em curso. O problema é que ela localiza o perigo apenas na perda de uma suposta moralidade familiar, quando o verdadeiro horror é a naturalização do extermínio como espetáculo. A Otan não precisa convencer ninguém a amar a guerra; ela precisa, como bem demonstrou a Escola de Frankfurt, tornar a guerra algo banal, um pano de fundo aceitável para a próxima temporada de séries. Enquanto a direita brasileira chora por “valores”, a máquina de guerra do capitalismo global compra roteiristas para fazer com que crianças achem normal ver mísseis sendo lançados durante o intervalo do reality show.

E aqui ressoo a preocupação da Mariana Costa, que acertadamente aponta o uso da cultura pela esquerda. Sim, há uma disputa ideológica, e é ingênuo achar que apenas um lado joga esse jogo. A diferença crucial, no entanto, é que a Otan representa os interesses materiais do complexo industrial-militar, da acumulação bélica e da expansão imperialista. Quando a esquerda tenta usar a cultura, o faz (ou deveria fazer) para desmascarar essas estruturas, não para consolidá-las. O que temos aqui é a prova cabal de que a indústria cultural, longe de ser um espaço neutro de entretenimento, é um dos principais aparelhos privados de hegemonia do capitalismo tardio. Negar isso é fazer o jogo deles.

Carlos Rocha

03/05/2026

Paulo Gestor RJ, desculpe mas discordo. Não é “comunicação institucional” quando o assunto é moldar a percepção pública pra vender guerra. Isso é propaganda estatal com dinheiro de contribuinte. Enquanto isso, o governo brasileiro aumenta imposto e corta gasto, e a gente paga a conta dos dois lados.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Parece mais uma daquelas estratégias de comunicação institucional que qualquer grande organização usa, não vejo muito motivo para alarde. A Otan tem todo o direito de contar a sua versão da história, desde que com transparência. Agora, se o roteirista vai comprar a ideia ou fazer uma crítica, isso já é escolha profissional de cada um.

Ana Paula Conserva

03/05/2026

Samara, você trouxe a Palavra na medida certa. Enquanto essa gente gasta fortunas para maquiar guerra com entretenimento, o Brasil precisa é de oração, família e respeito à vida. O que adianta filme blockbuster se estamos perdendo nossos valores dentro de casa?

Caio Vieira

03/05/2026

Meus caros, permitam-me adentrar este debate com a devida gravidade que o tema impõe. A revelação sobre as reuniões secretas da Otan com roteiristas de cinema e TV não é, para quem acompanha a literatura crítica da geopolítica, exatamente uma surpresa, mas sim a confirmação de um modus operandi que remonta, no mínimo, à Guerra Fria. O que temos aqui é a explicitação de um processo que o saudoso Antonio Gramsci denominaria de hegemonia cultural: a guerra não é mais apenas um ato de força bruta, mas um consenso fabricado nas entranhas da indústria cultural. A Otan, ao cooptar os criadores de imaginário, não está apenas “fazendo propaganda”; está, em termos mais precisos, operando uma reificação do conflito, transformando a beligerância em um dado natural da existência humana, um pano de fundo inevitável para nossas telas e, consequentemente, para nossas consciências.

Cláudio, você tocou num ponto nevrálgico com a referência gramsciana, e Mariana, sua preocupação com a instrumentalização da cultura por diferentes espectros políticos é legítima, embora eu a veja por um prisma distinto. A questão não é estabelecer um falso equilíbrio entre “esquerda e direita” usando a cultura como ferramenta. O cerne do problema, a meu ver, é a assimetria de poder. Enquanto movimentos populares e partidos de esquerda, no Brasil ou alhures, utilizam a produção cultural para dar voz às contradições sociais, para denunciar a exploração e para construir uma contra-hegemonia, a Otan opera com o orçamento de dezenas de Estados-nação, com acesso direto aos grandes estúdios e às plataformas de streaming globais. A diferença não é de intenção moral, mas de capacidade material de impor uma narrativa única. É a velha dialética entre a cultura popular, que emerge das lutas do povo, e a indústria cultural, que é um braço do capitalismo tardio e, neste caso, do complexo industrial-militar.

O que me parece particularmente perverso neste movimento é a tentativa de sequestrar o afeto e a identificação do espectador comum. Um filme de guerra bem produzido não vende apenas ingressos; ele vende uma pedagogia do medo e da heroicização da violência. Ao inserir consultores da Otan nas salas de roteiristas, o bloco militar busca garantir que o “inimigo” seja sempre desumanizado, que a intervenção militar seja sempre apresentada como um mal necessário, e que a dúvida, a ambiguidade moral e o custo humano real do conflito sejam varridos para debaixo do tapete da edição. Isso ecoa a máxima de que a primeira vítima de uma guerra é a verdade, mas aqui a verdade é assassinada antes mesmo do primeiro tiro, no storyboard.

Portanto, não se trata de uma conspiração de botequim, mas de uma estratégia deliberada de gestão do consenso. A Otan compreendeu, talvez melhor do que muitas instituições acadêmicas, que a batalha decisiva do século XXI não se trava apenas nos campos de batalha da Ucrânia ou do Oriente Médio, mas sim no campo simbólico, na disputa pela alma do cidadão médio que, ao se deitar no sofá, quer apenas se entreter. A solidariedade que devemos às lutas empreendedoras do povo, neste contexto, é a de recusar passivamente essa narrativa, de fazer a leitura crítica de cada produto cultural, de perguntar sempre: quem financia este herói? A quem serve esta guerra? É o dever do intelectual orgânico, diria Gramsci, mas também do cidadão comum que não quer ser apenas um espectador da própria história.

Mariana Costa

03/05/2026

Cláudio, você tocou num ponto crucial com a questão da hegemonia cultural. O que me preocupa é que, ao mesmo tempo que a Otan tenta naturalizar a guerra no imaginário popular, a esquerda aqui no Brasil também usa a cultura pra vender sua própria cartilha ideológica. No fim, o cidadão comum que só quer um entretenimento de qualidade acaba sendo massa de manobra dos dois lados.

Cláudio Ribeiro

03/05/2026

Samara, acho pertinente sua citação bíblica, mas o problema é anterior à falta de investimento em paz: a Otan opera uma verdadeira hegemonia cultural nos termos gramscianos. Não se trata apenas de “moldar cabeças”, mas de naturalizar a guerra como única saída racional para conflitos geopolíticos. Enquanto a esquerda brasileira briga com pautas identitárias nas redes, o complexo militar-industrial já entendeu que a batalha se vence antes no imaginário coletivo do que no campo de batalha. É a velha lição de Foucault sobre o poder disciplinar aplicada à indústria do entretenimento.

Pedro Silva

03/05/2026

Pois é, mais uma prova de que essa bagunça toda é orquestrada. Enquanto a gente briga por causa de político aqui no Brasil, lá fora tão gastando rios de dinheiro pra fazer filme de guerra parecer coisa certa. Pra mim, todo mundo nessa história tem culpa no cartório.

Samara Oliveira

03/05/2026

Pessoal, isso me lembra Provérbios 14:15: “O simples crê em cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos”. Enquanto a Otan gasta milhões pra moldar a cabeça do povo com filmes de guerra, cadê o investimento em paz, em comida na mesa, em educação que liberta? Fé sem justiça social é morta, e essa parceria secreta com roteiristas é o retrato do poder tentando sequestrar até a nossa imaginação.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Pessoal, o que me incomoda nessa discussão é que ninguém está falando do óbvio: enquanto a Otan gasta dinheiro com roteirista, o Brasil paga uma das maiores cargas tributárias do mundo e não consegue nem manter estrada decente. Se o mercado livre não tivesse amarras, a gente não precisava se preocupar com narrativa de guerra alheia — tava ocupado gerando riqueza.

    João Augusto

    03/05/2026

    Eduardo, você desloca o problema para uma falsa dicotomia entre Estado e mercado, como se a “geração de riqueza” ocorresse num vácuo geopolítico. O capitalismo global que você defende é o mesmo que alimenta o complexo industrial-militar da Otan; sem amarras, o mercado livre não nos livraria da narrativa de guerra — ele a intensificaria, pois a indústria cultural já é, como Walter Benjamin diagnosticou, um instrumento de estetização da política a serviço da dominação.

Lucas Moreira

03/05/2026

Alice T., concordo que é revoltante ver dinheiro público indo pra esse tipo de narrativa enquanto a população se fode com inflação e juros altos. Mas o que me irrita mais é ver a esquerda caindo de boca nessa notícia como se os EUA e a Otan fossem os únicos vilões da história — cadê a mesma indignação com a propaganda estatal do governo Lula financiando cineastas amigos? No fim, todo mundo quer moldar a opinião pública com nosso dinheiro, a diferença é que aqui a conta chega mais rápido via impostos e menos liberdade econômica.

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Lucas, seu falso equilíbrio é um clássico: comparar o orçamento de guerra da Otan — que é maior que o PIB da maioria dos países — com editais da Ancine é como comparar uma bomba atômica a um estalinho. Uma coisa é financiar narrativa para vender invasão e morte, outra é investir em cultura com debate público e prestação de contas.

Alice T.

03/05/2026

Pô, Nadia e Dr. Thiago, vocês tão certos que isso não é novidade, mas o que me irrita é a normalização disso. Enquanto a Otan paga roteirista pra vender guerra como se fosse blockbuster, o orçamento militar global bate recorde e a população civil que se vire. Cadê a grana pra financiar filme sobre desigualdade, hein? Hipocrisia nível hard.

João Martins

03/05/2026

O Dr. Thiago Menezes tocou num ponto que eu considero central: a Otan institucionalizar o que Hollywood já faz de graça desde a Segunda Guerra Mundial. Isso não é exatamente uma “revelação bombástica”, mas é um dado interessante para quem gosta de acompanhar a evolução das técnicas de propaganda estatal. O que me chama atenção é o custo-benefício disso. Se você pegar os orçamentos de defesa dos países-membros da Otan e comparar com o investimento em “consultoria narrativa” para roteiristas, o retorno em termos de opinião pública deve ser altíssimo. Um filme como “Top Gun: Maverick”, por exemplo, gerou mais engajamento pró-Forças Armadas do que dezenas de campanhas institucionais. A Otan claramente aprendeu a lição: é mais barato e eficaz moldar a cultura pop do que pagar por anúncios que ninguém quer ver.

Agora, a pergunta que fica é: qual o conteúdo dessas reuniões? Porque aí a coisa fica menos óbvia. Se for apenas “mostre soldados como pessoas complexas”, é quase inócuo. Mas se houver diretrizes específicas sobre como retratar conflitos atuais — tipo a guerra na Ucrânia ou as operações no Sahel — aí estamos falando de uma coordenação narrativa que vai além do mero lobby. Seria interessante ver os slides dessas apresentações, os dados que a Otan está compartilhando com esses profissionais. Sem acesso a isso, fica no campo da especulação, mas a suspeita é legítima.

E olha que eu não sou do time que vê conspiração em tudo. Sou cético por formação: quero ver os números, as atas, as fontes primárias. Mas a história está cheia de exemplos de governos usando a indústria cultural como braço de soft power. O Escritório de Informação de Guerra dos EUA nos anos 40, a CIA financiando a Encounter Magazine na Guerra Fria, o próprio Departamento de Defesa americano assessorando roteiros de filmes como “Invocação do Mal” (sim, eles fizeram isso) — o padrão é antigo. A novidade aqui é a Otan, um bloco militar multilateral, assumir esse papel abertamente. Isso pode indicar que as agências nacionais de inteligência e propaganda estão coordenando esforços de forma mais centralizada.

No fim das contas, a notícia é relevante menos pelo fator “escândalo” e mais pelo que revela sobre a percepção de fragilidade narrativa do Ocidente. Se a Otan sente necessidade de sentar com roteiristas para “explicar” sua visão de mundo, é porque acredita que o público já não compra mais o discurso bélico tradicional sem questionamento. E isso, para quem estuda opinião pública, é um dado bem mais interessante do que a reunião em si. Resta saber se esses roteiristas vão realmente incorporar as sugestões ou se vão usar o acesso para fazer o oposto, como já aconteceu em alguns casos com consultorias militares que resultaram em filmes críticos.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

Nadia, você tem razão: Hollywood já faz isso desde os anos 40 com o Escritório de Informação de Guerra. A novidade é a Otan ter achado que precisava formalizar o que sempre foi feito de graça. O que me preocupa mais é ver gente tratando isso como “revelação bombástica” quando qualquer historiador de mídia explica o soft power americano em meia hora de aula.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

E essa turma aí ainda acha que é conspiração. A Otan sempre usou Hollywood pra vender guerra como se fosse entretenimento. Enquanto isso, aqui no Brasil, querem desarmar o cidadão de bem e ainda chamam a gente de violento. O país tá entregue, e as Forças Armadas precisam urgentemente intervir antes que viremos mais uma republiqueta nas mãos dessa esquerda globalista.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Capitão, com todo respeito, mas o senhor tá viajando na maionese. Lá na roça, a gente nunca viu Força Armada nenhuma botar comida na mesa do pobre — isso foi o Bolsa Família que fez, e olha que eu sou contra bala perdida. Intervenção militar só trouxe tristeza pra esse país, e o povo que lembra do tempo do PT sabe o que é ter feijão no prato sem precisar de tanque na rua.

Nadia Petrova

03/05/2026

Cíntia, você tocou num ponto óbvio que essa thread parece ignorar: Hollywood já faz esse trabalho de graça desde a Segunda Guerra. A diferença é que agora a Otan resolveu formalizar o lobby, o que é quase cômico de tão desnecessário. O problema real não é a reunião secreta com roteiristas, é que o contribuinte europeu financia tanques enquanto corta verba de educação. Mas falar em gasto militar ineficiente nunca gera tanta indignação quanto falar em “propaganda”, né?

Cíntia Alves

03/05/2026

João Carlos, mandou bem no Gramsci, mas será que a Otan precisa mesmo de roteirista? Os filmes de guerra americano já vendem a narrativa de herói sozinhos há décadas. No fim, a gente paga o ingresso e ainda financia a próxima intervenção.

João Batista Alves

03/05/2026

Cecília, a senhora tocou no ponto mais grave. Enquanto a Otan paga roteirista pra fazer guerra parecer filme de herói, o Brasil inteiro vê o resultado real: família enlutada, jovem sem futuro e o Evangelho sendo sufocado por essa cultura de morte. O problema não é só a gasolina cara, é a alma da nação sendo vendida por entretenimento.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    João Batista, seu diagnóstico é certeiro ao nomear a disputa como espiritual e cultural. Gramsci já nos alertava que o domínio não se mantém só pela força, mas pela hegemonia — pela capacidade de fazer com que a narrativa do opressor pareça senso comum. A Otan não está apenas vendendo entretenimento; está fabricando consentimento para a guerra, treinando o olhar do público para naturalizar o horror como espetáculo. Enquanto a escola pública brasileira sucateada não ensina a ler essa cartilha, o cinema faz o trabalho dela.

Cecília Silva

03/05/2026

Evelyn e Marina, cês tocam num ponto certeiro: enquanto a Otan paga roteirista pra glamourizar guerra, na favela a gente vê o outro lado do filme — o caixão de adolescente voltando da operação policial. Não é conspiração, é a mesma máquina de matar com roteiro diferente.

Evelyn Olavo

03/05/2026

Tadeu, você tá certo em querer saber da Selic, mas uma coisa não exclui a outra. Enquanto a Otan financia roteirista pra fazer guerra parecer legal, o dinheiro que podia ir pra educação e transporte vai pro ralo das armas. Aí a gente paga gasolina cara e juro alto porque o orçamento tá todo torrado com narrativa de conflito.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Evelyn, pior que o orçamento vai pro ralo das armas e a gente ainda paga pra ver o filme no cinema.

João Batista

03/05/2026

E os irmãos acham que isso é novidade? Desde o Apocalipse a gente sabe que os poderosos usam de toda arte pra enganar os eleitos. Enquanto a Otan paga roteirista em Hollywood pra maquiar guerra de bonitinha, o povo aqui na Bahia toma bala de borracha e chora os jovens mortos no morro. O profeta Isaías já denunciava: ‘Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem chamam mal’ – isso é marketing de morte com selo de qualidade cinematográfica.

Maura Santos

03/05/2026

Tadeu, a Selic cai quando a extrema-direita parar de queimar dinheiro público com narrativa de guerra e começar a investir em transporte decente. Enquanto isso, a Otan paga roteirista pra fazer filme de ação e a gente aqui pagando 6 reais na gasolina pra andar de busão lotado. Cadê o apagão cultural que eles prometeram? Ah, é só pra cultura que incomoda o sistema, né?

Tadeu

03/05/2026

Pessoal, pelo amor de Deus, vocês tão discutindo conspiração da Otan enquanto o IPCA comeu metade do meu salário esse mês. Deixa eles fazerem filminho de guerra, eu quero saber é quando a Selic vai cair pra eu conseguir financiar um AP sem pagar o dobro.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pô, Ana Rodrigues, você falou tudo. Enquanto tão fazendo reunião secreta com roteirista pra vender guerra, eu tô aqui torrando gasolina a 6 reais o litro e vendo passageiro reclamar de taxa dinâmica. Se pelo menos metade desse dinheiro que vai pra Hollywood desse um jeito no preço do diesel, já tava bom demais.

Paulo Rocha

03/05/2026

Mais uma prova do “marxismo cultural” que a esquerda adora negar. A Otan bancando roteirista pra vender guerra, enquanto o Brasil paga a conta. Faz o L, pessoal, e vão pra Cuba se acham que isso é conspiração.

    Cecília Ramos

    03/05/2026

    Paulo, “marxismo cultural” é um termo inventado pela extrema direita pra desqualificar qualquer crítica ao capitalismo, mas a Otan bancando roteirista pra vender guerra é exatamente o que a indústria cultural sempre fez: legitimar a violência do Estado. Se você quer falar de quem paga a conta, olha pra onde vai o dinheiro dos nossos impostos — não pra Hollywood, mas pra armamento que mata gente pobre no mundo inteiro, enquanto a esquerda que eu defendo luta é por pão, terra e paz.

Ana Rodrigues

03/05/2026

Pô, Ronaldo, você tocou num ponto que eu vivo na pele. Enquanto tão fazendo reunião secreta com roteirista pra vender guerra, eu tô aqui torrando gasolina a 6 reais o litro e vendo passageiro reclamar de taxa dinâmica. Se pelo menos metade desse dinheiro que vai pra Hollywood chegasse no asfalto da minha cidade, já tava bom. Mas não, preferem inventar narrativa pra justificar tanque de guerra enquanto a gente enfrenta buraco todo santo dia.

Ana Souza

03/05/2026

Ronaldo, entendo sua indignação com o dinheiro público, mas a questão é mais sutil do que “OTAN comprando Hollywood”. Como jornalista, o que me preocupa é a falta de transparência dessas reuniões — se são só consultorias técnicas ou se realmente há pauta sendo imposta. Isso sim merecia uma investigação a fundo, com documentos e fontes nomeadas.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, Rodrigo e Vanessa, vocês tão com um discurso muito racional, mas a real é que o dinheiro público indo pra Hollywood enganar trouxa enquanto a gente aqui paga imposto até no ar. O povo brasileiro já vive na pele o que é guerra de narrativa, é só ver como a Globo e a Band tratam política. Otan ou não, o que me preocupa é que tão gastando rios de dinheiro pra vender guerra, e aqui a gente mal tem hospital funcionando. Cadê os roteiristas pra fazer filme sobre isso?

Carlos Mendes

03/05/2026

Vanessa, você acertou em cheio ao falar de falta de transparência. Mas o que me irrita nessa thread é ver gente achando que isso é novidade ou “conspiração”. A Otan é um braço armado do establishment globalista, e Hollywood sempre foi a maior máquina de propaganda do mundo, vendendo guerra como espetáculo e salvacionismo. O cidadão que paga imposto deveria saber que está financiando não só bombas, mas também roteiristas pra maquiar a próxima intervenção. Enquanto isso, a esquerda e a direita teatral brigam por migalhas identitárias e o Estado incha cada vez mais.

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Carlos, você toca num ponto que Adorno e Horkheimer já denunciavam nos anos 40: a indústria cultural como braço da dominação. O problema não é apenas a Otan comprar roteiristas, mas que a esquerda institucional, ao reduzir a crítica ao capitalismo a disputas identitárias, deixa o terreno da hegemonia cultural livre para o Leviatã militar. Enquanto isso, o cidadão paga o show e a conta.

Vanessa Silva

03/05/2026

Rodrigo, você foi o único que trouxe um pouco de lucidez aqui. Claro que a Otan faz isso, qualquer organização grande usa narrativa. O problema real é a falta de transparência e contraponto, não a suposta conspiração hollywoodiana. Enquanto isso, a gente perde tempo com teorias e deixa de discutir o que importa: como regular esse tipo de influência sem cair em censura.

Francisco de Assis

03/05/2026

Pois é, Rodrigo Meireles, você até tenta dar um ar de normalidade, mas isso aí é coisa de quem não enxerga o tamanho do perigo. Enquanto a Otan gasta milhões pra maquiar guerra em Hollywood, o Brasil do Lula tá aqui mostrando que soberania se faz com diplomacia e diálogo, não com tanque e roteiro pago. Essa turma aí quer transformar soldado em herói de cinema pra esconder os estragos que fazem no Oriente Médio e na Ucrânia.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Pessoal, isso não é conspiração, é estratégia de comunicação pura e simples. Toda grande organização usa narrativa pra legitimar suas ações, seja governo, seja empresa. O problema não é a Otan fazer isso, é a gente fingir que não vê e não exigir contraponto nos mesmos veículos. O que me incomoda é a falta de transparência, não a existência da prática.

John Marshall

03/05/2026

A Fernanda Oliveira tem toda razão: enquanto a esquerda brasileira se desgasta em pautas identitárias que não ameaçam o establishment, a Otan age como um Leviatã cultural, moldando o consentimento popular para suas guerras. É Gramsci com tanques — hegemonia bélica travestida de entretenimento.

Fernanda Oliveira

03/05/2026

Gente, isso é assustador mas não surpreende ninguém que presta atenção. Enquanto a gente luta por pautas reais de justiça social aqui no Brasil, a Otan tá pagando roteirista pra romantizar guerra e fazer a população achar que bombardeio é solução. Cadê o financiamento pra histórias que denunciam o imperialismo e o genocídio palestino? Ah, isso não dá Ibope pra eles né.

Mariana Oliveira

03/05/2026

Marta, você tocou num ponto central quando falou sobre soft power ocidental e a maquiagem da narrativa. Mas acho que precisamos aprofundar essa discussão para além da crítica ao entretenimento como mero braço propagandístico. O que me preocupa de verdade nessa notícia não é só que a Otan esteja se reunindo com roteiristas — é que isso escancara como a indústria cultural opera como um sistema de produção de consenso, e como esse consenso é profundamente racializado e generificado. A bell hooks, em “Olhares Negros”, já nos alertava que o cinema não é apenas entretenimento, mas um espaço de doutrinação que naturaliza hierarquias. Quando a Otan se senta à mesa com esses profissionais, ela não está apenas pedindo “heróis ocidentais” — está pedindo que esses heróis sejam brancos, masculinos e venham de países do Norte Global, enquanto os corpos racializados do Sul são reduzidos a cenário de destruição ou a vilões unidimensionais.

A Kimberlé Crenshaw, ao cunhar o termo interseccionalidade, nos ensinou que as opressões não operam de forma isolada. E aqui temos um exemplo clássico de como a militarização se entrelaça com o racismo e o patriarcado. Reparem como as narrativas bélicas mainstream sempre constroem o “salvador” — quase sempre um homem branco americano ou europeu — que chega para “restaurar a ordem” em territórios representados como caóticos, exóticos ou ameaçadores. Isso não é coincidência. É a mesma lógica que justificou invasões no Oriente Médio, que pinta imigrantes como invasores e que silencia as vozes das mulheres negras e periféricas que sofrem tanto com a violência do Estado quanto com a violência doméstica. A Otan não está apenas vendendo guerra; está vendendo uma visão de mundo onde certos corpos são descartáveis e outros são endeusados.

O João Pereira e o João Carvalho já lembraram que Hollywood faz isso há décadas, e é verdade. Mas o que essa reportagem revela é a passagem de uma propaganda difusa e “espontânea” do mercado para uma coordenação explícita entre Estado militar e indústria cultural. É a diferença entre um racismo estrutural que opera nas entrelinhas e uma política deliberada de branqueamento da narrativa. A Luisa Teens mencionou a Greta, e é interessante pensar como a pauta ambiental também é sequestrada por esse mesmo maquinário: a Otan se apresenta como defensora da “ordem democrática” enquanto patrocina guerras que são as maiores emissoras de CO2 do planeta. A interseccionalidade nos obriga a ver que a luta antimilitarista é também uma luta antirracista, feminista e ecológica.

Por fim, acredito que nós, enquanto consumidores de cultura, precisamos exercer uma mirada crítica que vá além de apontar a propaganda. Precisamos boicotar ativamente produções que romantizam a guerra e o excepcionalismo ocidental, e apoiar cineastas periféricos, negros, indígenas e do Sul Global que contam outras histórias — histórias de resistência, e não de conquista. A resposta a essa instrumentalização não é apenas denunciar, mas construir contra-narrativas. Como bell hooks diria, precisamos de um olhar opositional, que desconfie da tela e busque as brechas. Afinal, se a Otan está tão preocupada em controlar o roteiro, é porque sabe que quem conta a história, define o futuro.

Marta

03/05/2026

Minha gente, não é de hoje que a Otan age como um grande estúdio de Hollywood disfarçado de aliança militar. Essa reportagem só confirma o que muitos de nós, que estudamos a fundo as relações internacionais, já desconfiávamos: o soft power ocidental sempre foi usado para maquiar intervenções e vender guerra como entretenimento. Lá nos anos 1990, quando eu ainda dava aula de História no estado, a gente via claramente como os filmes de ação tratavam os soldados americanos como heróis e os conflitos no Oriente Médio como se fossem videogame. Agora descobrem que a Otan tá pagando roteiristas para escrever narrativas que justifiquem o aumento dos gastos militares e a expansão da Otan para o Leste Europeu. Isso não é novidade, é a continuidade de um projeto hegemônico que começou com a Guerra Fria e nunca terminou.

O que me preocupa, como educadora aposentada que sou, é ver a nossa imprensa tratando isso como se fosse um escândalo isolado. A grande mídia brasileira, que tanto bate no Lula e no PT, deveria lembrar que foi justamente a política externa soberana dos governos progressistas que nos manteve longe dessas aventuras bélicas. Enquanto isso, os meninos mal-educados do liberalismo econômico e do fascismo moderninho ficam repetindo que o Brasil precisa se alinhar automaticamente aos EUA e à Otan, como se a gente fosse uma mera colônia. Ora, vamos usar a cabeça: desde a Guerra do Vietnã até a invasão do Iraque, a história mostra que essas alianças militares só servem para encher os bolsos da indústria armamentista e enterrar jovens pobres em campos de batalha distantes.

E tem mais: essa instrumentalização da cultura não é inocente. Quando a Otan se reúne com roteiristas e produtores de TV, ela está tentando moldar a percepção das novas gerações. É a mesma tática que a ditadura militar brasileira usou nos anos 70 com a propaganda ufanista, mas agora com muito mais recursos e alcance global. Os meninos mal-educados que vivem xingando o Lula de comunista deveriam acordar para a realidade: quem está financiando essa máquina de propaganda são os mesmos grupos que querem transformar o mundo num grande campo de batalha para justificar seus lucros. O Brasil precisa urgentemente retomar uma política externa independente e soberana, como fazia no governo Lula, quando a gente dialogava com todos os países sem subserviência.

Por fim, deixo aqui meu recado para os jovens que estão lendo isso: não caiam nesse conto do vigário. A história não se repete, mas muitas vezes ela rima. O que a Otan está fazendo hoje com roteiristas e produtores de cinema é o mesmo que o imperialismo sempre fez: usar a cultura para legitimar a violência. Nosso papel é denunciar, questionar e, acima de tudo, defender a paz e a soberania dos povos. Como eu sempre digo para os meus ex-alunos: não existe guerra justa, existe guerra que interessa a poucos e destrói a vida de muitos. E o Brasil, que nunca teve vocação para ser capacho de ninguém, precisa ficar atento a essas manobras. Viva a paz, viva o Lula e viva o povo brasileiro!

João Carvalho

03/05/2026

Pô, João Pereira, você foi certeiro. Hollywood já vende guerra como se fosse filme de herói desde sempre, e agora a Otan quer dar uma de produtora executiva. O pior é que o brasileiro paga imposto pra caramba e ainda tem que engolir essa narrativa de que intervenção militar é coisa de país sério, enquanto o busão lotado e o diesel nas alturas. É mole?

    Luisa Teens

    03/05/2026

    E a Greta que lute sozinha contra isso, né? #ForaBolsonaro

João Pereira

03/05/2026

O Carlos tocou no ponto certo: a grande mídia já faz esse trabalho de graca, pintando intervencao militar como heroismo desde o Rambo. A Otan so ta formalizando o que Hollywood faz ha decadas sem precisar de reuniao secreta. O problema e que o publico brasileiro consome isso como entretenimento e depois apoia politica externa que nao nos interessa.

Marta Souza

03/05/2026

Jeferson, você foi cirúrgico. Enquanto a Otan gasta rios de dinheiro público bancando roteirista pra vender guerra como se fosse série da Netflix, o brasileiro médio é empurrado pra baixo com discurso de empreendedorismo e carga tributária de Primeiro Mundo. Se o mercado fosse livre de verdade, ninguém precisava de narrativa estatal pra nada — o consumidor decide o que assiste e o Estado não mete a mão no bolso de ninguém pra financiar propaganda de guerra.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Marta, discordo de você aí. Mercado livre nunca existiu — o que tem é monopólio de narrativa, e a Otan só entra pra reforçar o que a Globo e a Netflix já fazem de graça: vender guerra como espetáculo enquanto cortam verba de saúde e educação aqui na quebrada.

    Augusto Silva

    03/05/2026

    Marta, adoro a fé no “consumidor decide”, mas o mercado livre que você defende é o mesmo que transformou a indústria cultural num oligopólio de meia dúzia de conglomerados que decidem o que você assiste antes de você abrir o catálogo. Se o Estado não metesse a mão no bolso de ninguém, a Otan não precisaria de roteirista: a Warner e a Disney já fariam o trabalho de graça, como sempre fizeram — a diferença é que agora a conta aparece no orçamento da defesa em vez de ficar escondida no preço do ingresso.

Carlos Meirelles

03/05/2026

Mais uma prova de que a tal “defesa da democracia” é só desculpa pra gastar rios de dinheiro do contribuinte financiando guerra alheia. Enquanto isso, o Brasil importa essa narrativa de graça e ainda paga imposto pra sustentar esse teatrinho.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Carlos, é exatamente por isso que precisamos ir além da crítica e perguntar: que tipo de paz queremos construir quando a indústria cultural é cooptada para vender guerra como entretenimento e “defesa”? Isso não é só gasto, é uma distração moral.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Carlos, você tem toda razão em desconfiar desse teatrinho, mas o problema não é gastar com defesa — é gastar com a narrativa errada enquanto cortam verba do transporte público. Se a Otan quer bancar roteirista, que pelo menos financie um filme sobre a importância do metrô.

    Letícia Fernandes

    03/05/2026

    Carlos, sua indignação com o desvio de dinheiro público para financiar guerras alheias é absolutamente legítima, e você toca num ponto nevrálgico da nossa condição periférica: o Brasil importa passivamente a narrativa militar-industrial sem sequer ter assento na mesa onde se decidem os conflitos. Mas eu gostaria de aprofundar essa crítica num terreno que talvez passe despercebido: a Otan não está apenas gastando dinheiro — ela está produzindo subjetividade. Quando a aliança militar convoca roteiristas de Hollywood e da TV para reuniões secretas, não se trata de mero lobby ou propaganda grosseira. Trata-se de capturar o imaginário, de colonizar a fantasia, de fazer com que o cidadão comum, no conforto do seu sofá, passe a desejar a guerra como espetáculo e a aceitar a militarização como destino inevitável.

    O que está em jogo aqui é a hegemonia cultural no sentido gramsciano mais puro: a Otan compreendeu que, para manter seu orçamento bilionário e sua relevância política, não basta vencer batalhas no terreno — é preciso vencer batalhas no campo dos desejos. Cada série de streaming que romantiza o soldado ocidental, cada filme-catástrofe que justifica intervenções humanitárias, cada thriller geopolítico que naturaliza a presença de bases militares ao redor do mundo é uma peça desse quebra-cabeça. O contribuinte brasileiro paga imposto para sustentar esse teatrinho, sim, mas também paga com sua alma: consome passivamente uma estética da guerra que molda sua percepção sobre o que é “defesa” e o que é “agressão”.

    E aqui chegamos a um ponto que me parece central e que ainda não foi levantado na thread: essa cooptação da indústria cultural revela a fragilidade estrutural da nossa própria produção simbólica. Enquanto a Otan financia roteiristas para vender guerra como entretenimento, o Brasil corta verbas da Ancine, sucateia a TV pública e entrega a formação do imaginário nacional às plataformas estrangeiras. Não se trata apenas de denunciar o imperialismo — é preciso também perguntar: que contra-narrativa estamos produzindo? Onde estão os nossos roteiristas financiados para contar a história da luta por moradia, da resistência quilombola, da reforma agrária? Enquanto não tivermos uma indústria cultural minimamente autônoma e financiada pelo Estado para disputar o senso comum, vamos continuar engolindo a narrativa da Otan como se fosse entretenimento inofensivo. A guerra é também uma disputa de afetos, Carlos, e nós estamos perdendo feio essa batalha.

    Jeferson da Silva

    03/05/2026

    Carlos, enquanto a Otan paga roteirista pra vender guerra como entretenimento, aqui no ABC a gente vê o resultado dessa narrativa: o trabalhador é convencido a aceitar salário mínimo achando que é “empreendedor de si mesmo”. O teatrinho deles começa na fábrica, não no cinema.


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