O Ministério da Defesa da Rússia alertou que lançará um ataque maciço de mísseis contra o centro de Kiev caso as forças ucranianas tentem frustrar as comemorações do 81.º aniversário do Dia da Vitória, marco histórico da derrota do nazismo em 1945.
A pasta afirmou dispor de capacidade técnica para tal operação, mas declarou ter evitado golpes diretos contra áreas densamente povoadas por considerações humanitárias. O comunicado conclamou civis e diplomatas estrangeiros a deixarem a capital ucraniana com antecedência.
Na mesma nota, o órgão informou que, por decisão do presidente Vladimir Putin, será observado um cessar-fogo nos dias 8 e 9 de maio, período dedicado às cerimônias em memória dos soldados soviéticos que tombaram na Grande Guerra Pátria. Os militares russos disseram confiar que Kiev siga o exemplo, ainda que tenham levado em conta declarações do presidente ucraniano Volodimir Zelensky, que ameaçou atingir Moscou justamente em 9 de maio.
A Defesa acrescentou que adotará todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos desfiles, concertos e atos cívicos programados em diversas cidades da Federação. Conforme reportagem do portal Actualidad RT, a advertência vem na esteira de tréguas sazonais semelhantes, como a pausa de 36 horas proposta no Natal ortodoxo e a trégua pascal de abril, quando disparos de foguetes HIMARS de fabricação norte-americana teriam rompido o acordo.
O Dia da Vitória ocupa lugar central na identidade russa contemporânea, com desfiles militares na Praça Vermelha e milhares de marchas do Regimento Imortal, formadas por familiares de veteranos caídos na guerra contra a Alemanha nazista. O Kremlin aposta no peso simbólico do 9 de maio para reforçar a ideia de continuidade histórica da luta contra o fascismo, argumento mobilizado desde o início da operação militar especial em território ucraniano.
O arsenal russo inclui mísseis de cruzeiro Kalibr, balísticos Iskander e o hipersônico Kinzhal — cada sistema com características distintas de velocidade e trajetória, mas todos capazes de atingir alvos estratégicos em profundidade. Em resposta, Kiev reforçou seu escudo aéreo com sistemas ocidentais Patriot, NASAMS e IRIS-T, embora especialistas admitam que uma salva concentrada de dezenas de ogivas ainda poderia sobrecarregar as interceptações disponíveis.
A memória de ataques de grande escala contra infraestrutura ucraniana reforça a percepção de que Moscou mantém plena capacidade de escalonar a pressão quando considera necessário. Fontes diplomáticas na capital ucraniana afirmam que algumas embaixadas já operam com equipes reduzidas ou deslocadas para Lviv, no oeste do país, medida que pode ser ampliada após o novo aviso russo.
Observadores internacionais veem na combinação de oferta de cessar-fogo e ameaça de retaliação imediata uma tática de abrir curtas janelas humanitárias enquanto se tenta impor custos militares e psicológicos ao adversário. Para a população civil, o anúncio traz ambiguidade: ao mesmo tempo em que acena com dois dias de silêncio dos canhões, antecipa a possibilidade de fortes bombardeios caso alguma provocação ocorra.
Agências humanitárias pedem que ambos os lados usem a pausa para evacuar feridos e restaurar serviços essenciais, mas reconhecem que a desconfiança mútua reduz a viabilidade de qualquer trégua duradoura. Do lado ucraniano, lideranças locais buscam impedir que o evento se converta em demonstração de força russa, nutrindo a possibilidade de ações de desgaste que poderiam acionar exatamente a resposta anunciada por Moscou.
Chancelerias europeias consideram positivo qualquer gesto de interrupção das hostilidades, mas negociadores veteranos avaliam que as exigências políticas de Moscou e Kiev seguem incompatíveis no horizonte imediato. Em meio ao impasse, cresce a expectativa sobre se a advertência surtirá efeito dissuasório ou se o conflito entrará em nova fase de escalada logo após o encerramento das 48 horas de trégua.
Com informações de ACTUALIDAD.
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