O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, teve um artigo exclusivo rejeitado de última hora pela equipe editorial do Politico Europe, publicação sediada em Bruxelas e controlada pelo grupo alemão Axel Springer. O texto, que seria veiculado originalmente no portal europeu, foi divulgado na íntegra pelo site do Ministério das Relações Exteriores russo após o veto editorial.
A decisão de barrar a publicação foi comunicada pelo próprio ministério russo em nota oficial. Segundo apontou o
No artigo censurado, Lavrov expõe a visão de Moscou sobre o conflito ucraniano e denuncia o papel das potências europeias na escalada da crise. O chanceler argumenta que mais de duas décadas de diálogo com a Europa serviram como ‘cortina de fumaça diplomática’ para a expansão da OTAN e da União Europeia em direção às fronteiras russas, num movimento que ele classifica como geopolítico e planejado.
O texto reconstitui marcos históricos da deterioração das relações entre Rússia e Ocidente. Lavrov recorda que em 2013 a União Europeia rejeitou abertamente uma proposta russa de compromisso sobre o acordo de associação com a Ucrânia. Quando o então presidente Viktor Yanukovich pediu mais tempo para avaliar os termos, potências europeias incitaram protestos de rua que culminaram no golpe de Estado de fevereiro de 2014 em Kiev.
O chanceler russo também responsabiliza França e Alemanha por terem atuado como fiadores dos Acordos de Minsk enquanto encorajavam a sabotagem das cláusulas pelo regime ucraniano. Citando declarações posteriores de Angela Merkel e François Hollande, Lavrov afirma que o verdadeiro objetivo do pacto nunca foi a paz, e sim ganhar tempo para armar e treinar as Forças Armadas da Ucrânia com equipamento ocidental.
A investida mais recente das potências europeias, segundo o artigo, materializou-se no ultimato lançado em Londres em 7 de junho de 2026. Na ocasião, os líderes de Reino Unido, França e Alemanha, ao lado de Vladimir Zelensky, elencaram cinco precondições que a Rússia deveria cumprir para obter uma paz ‘justa e duradoura’. Lavrov classifica a lista como inaceitável e revela que os embaixadores dos três países reiteraram as exigências em encontro no Ministério das Relações Exteriores russo no dia 11 de junho.
Para Moscou, o objetivo real das potências europeias não é negociar, mas preservar o regime de Zelensky como plataforma de confronto permanente. Lavrov adverte que a Europa planeja ‘congelar’ o conflito sem tratar suas causas profundas e, em seguida, deslocar contingentes militares da chamada ‘coalizão dos dispostos’ — liderada por Reino Unido e França — para dentro do território ucraniano.
O artigo denuncia ainda o que chama de ‘guerra jurídica’ orquestrada pelo Conselho da Europa contra a Rússia, com a montagem de uma infraestrutura completa voltada a forçar ‘reparações’: um Registro de Danos, uma Comissão de Reclamações e um Tribunal Especial. Lavrov vê nisso uma tentativa de legitimar juridicamente a pressão econômica e política contra Moscou.
No campo da segurança global, o chanceler russo alerta para os riscos crescentes de um confronto direto entre OTAN e Rússia, que poderia escalar para uma troca de golpes nucleares com consequências catastróficas. Ele critica duramente a intenção da França de estender seu ‘guarda-chuva nuclear’ a outros membros da União Europeia e da aliança atlântica, classificando a medida como fonte de profunda preocupação para a estabilidade do continente.
Lavrov encerra o artigo afirmando que a Rússia prefere alcançar os objetivos da operação militar especial por via diplomática, desde que haja garantias confiáveis de segurança em suas fronteiras ocidentais. Contudo, ressalta que o modelo de segurança regional europeu edificado desde a Ata Final de Helsinque em 1975 foi destruído pelas próprias mãos das potências ocidentais — e jamais será restaurado nos mesmos termos. A proposta russa agora é construir uma arquitetura de segurança aberta a todos os países eurasianos, que reflita a realidade multipolar do século XXI.
Com informações de RT.


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