A Embaixada de Cuba na Bélgica emitiu um comunicado veemente condenando a resolução aprovada pelo Parlamento Europeu contra a ilha caribenha durante sessão plenária em Estrasburgo. A missão diplomática classificou a votação como um exercício de manipulação política impulsionado por setores de direita e extrema direita.
Segundo a representação cubana, o texto aprovado responde às agendas mais extremistas e hostis promovidas pelo governo dos Estados Unidos. A eurocâmara, denunciou a embaixada, atua seguindo a mesma linha das políticas de asfixia econômica impostas por Washington contra o povo cubano.
A resolução foi aprovada por 283 votos a favor, 199 contra e 85 abstenções. Nela, eurodeputados condenaram a repressão sistemática do regime cubano e pediram profundas mudanças econômicas e políticas, chegando a afirmar que Cuba está “perto de ser um Estado falido” devido ao seu próprio modelo, e não ao embargo externo.
Conforme reportagem da Telesur e outras agências internacionais, o comunicado cubano destaca que setores políticos europeus terminam por subordinar os interesses soberanos da União Europeia à agenda agressiva estadunidense e às campanhas de grupos extremistas anticubanos. A instituição parlamentar, em vez de defender o diálogo, optou pela confrontação e hostilidade.
Entre as exigências da resolução, está a de que a União Europeia adote sanções direcionadas contra os responsáveis pela repressão, incluindo o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e a liderança da GAESA, o conglomerado militar que controla quase metade da economia da ilha. O Parlamento registrou um número recorde de 1.281 prisioneiros políticos em Cuba em maio de 2026, exigindo sua libertação imediata e incondicional.
A representação cubana também criticou a postura do Parlamento Europeu em matéria de direitos humanos. Apontou que os mesmos parlamentares que se apresentam como defensores da democracia aprovaram, 24 horas antes e com slogans racistas e xenófobos, a expulsão de famílias migrantes, incluindo crianças.
Um ponto crítico da denúncia cubana aborda a insistência da eurocâmara em solicitar a suspensão do Acordo de Diálogo Político e Cooperação (ADPC) vigente entre Cuba e a União Europeia. O ADPC foi assinado em dezembro de 2016 e endossado em julho de 2017, marcando uma nova fase nas relações bilaterais, pondo fim à “Posição Comum” de 1996.
A embaixada esclareceu que o ADPC tem caráter político, integral e bilateral, baseado na igualdade soberana e no respeito mútuo, não constituindo um tratado comercial. Além disso, a eurocâmara carece de competências legais sobre o acordo, que pertence estritamente ao âmbito da política exterior comunitária.
A resolução do Parlamento Europeu ignorou emendas propostas por eurodeputados socialistas e verdes que buscavam reconhecer o papel do embargo dos EUA na crise humanitária cubana. Em vez disso, a maioria parlamentar atribuiu as dificuldades do país “diretamente ao modelo e falhas do próprio regime”.
Essa perspectiva desconsidera os alarmantes dados humanitários. O Escritório de Direitos Humanos da ONU estima que Cuba tem acesso a apenas cerca de 30% de suas necessidades básicas de medicamentos, enquanto a UNICEF reporta que a mortalidade infantil na ilha quase dobrou desde 2018. O Programa Mundial de Alimentos da ONU também informou sobre milhares de toneladas de ajuda nutricional paradas em portos cubanos por falta de combustível para distribuição.
A nota acrescenta que a resolução foi aprovada enquanto o povo cubano enfrenta as graves consequências do recrudescimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos. Também pesam as novas medidas de cerco energético e as crescentes ameaças contra a ilha, incluindo declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a disposição de “agir militarmente” em Cuba, e do secretário de defesa Pete Hegseth, que afirmou que seu departamento estaria “preparado para qualquer contingência”.
Apesar das tentativas de isolamento, o comunicado agradece aos movimentos de solidariedade e cidadãos do mundo que continuam respaldando a soberania e a paz de Cuba. Mais de uma centena de pessoas, entre ativistas sociais, eurodeputados, parlamentares belgas e intelectuais, uniram-se em caravanas em diversas cidades europeias.
Frente à sede do Parlamento em Estrasburgo e em outras capitais europeias como Bruxelas, Paris e Berlim, eurodeputados e ativistas participaram da caravana “Let Cuba Breathe – Europe wakes up”, exigindo o levantamento do bloqueio e o respeito à soberania da nação caribenha. Um comboio humanitário de quatro toneladas de medicamentos também chegou à ilha em março de 2026, em uma demonstração concreta de apoio.
Com informações de TELESURTV.


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