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Mapa subterrâneo dos EUA expõe risco de blecautes por tempestades solares

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Ilustração editorial sobre Mapa subterrâneo dos EUA expõe risco de blecautes por tempestades solares. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um novo mapa elétrico do subsolo dos Estados Unidos revela caminhos de baixa resistência que podem intensificar os efeitos de tempestades solares, gerando descargas de milhares de volts em linhas de transmissão.

O estudo foi realizado pelo United States Magnetotelluric Array ao longo de 18 anos, com dados de mais de 1.800 estações de medição. Ele apresenta a mais detalhada representação tridimensional da condutividade sob o território norte-americano, expondo vulnerabilidades críticas na infraestrutura energética dos EUA.

A geofísica Anna Kelbert, pesquisadora do U.S. Geological Survey (USGS), destacou que o método magnetotelúrico registra variações naturais dos campos elétrico e magnético na superfície terrestre. Essas medições são transformadas em mapas de resistividade, que abrangem desde camadas sedimentares até o manto da Terra.

De acordo com Kelbert, essa técnica complementa a sismologia ao identificar fluidos, fusões parciais e minerais como grafite e sulfetos, que conduzem eletricidade com facilidade. Esses materiais também revelam vestígios de antigos choques tectônicos no subsolo americano.

O impacto potencial desse mapeamento fica evidente ao relembrar o apagão de nove horas que atingiu Quebec, no Canadá, em 1989, causado por uma tempestade geomagnética. Na ocasião, campos de 22,79 volts por quilômetro foram registrados em um ponto do estado do Maine, nos EUA.

Kelbert alertou que operadoras de energia consideram perigoso qualquer valor acima de 1 volt por quilômetro. Em linhas de transmissão de 200 quilômetros, um campo de 20 volts pode resultar em 4 mil volts de corrente quase contínua, sobrecarregando transformadores projetados apenas para corrente alternada.

Essa sobrecarga, se prolongada, gera calor excessivo capaz de deformar núcleos de aço e carbonizar óleos isolantes em equipamentos essenciais. A destruição desses componentes, que levam meses para ser substituídos, pode desencadear crises prolongadas na economia e nos serviços básicos.

Diferentemente de modelos unidimensionais obsoletos, o novo atlas mostra que a vulnerabilidade da rede elétrica varia drasticamente a cada poucos quilômetros. Isso permite a criação de alertas específicos, substituindo recomendações genéricas que muitas vezes subestimam ou exageram os riscos locais.

Os dados coletados alimentam um sistema de monitoramento em tempo real gerido pela NOAA e pelo USGS, que cruza a resistência do terreno com leituras instantâneas de campos geomagnéticos. Assim, é possível estimar a tensão induzida em cada subestação espalhada pelo território dos EUA.

Conforme reportado pelo Phys.org, o mapa tridimensional também auxilia geólogos a rastrear raízes de crosta continental com mais de um bilhão de anos. Além disso, ajuda a identificar antigas zonas de subducção inativas e a prospectar reservas de minerais críticos a dezenas de quilômetros de profundidade.

Kelbert enfatizou que o próximo passo é evoluir da detecção em tempo real para modelos preditivos que antecipem, com horas de antecedência, o perfil de campo elétrico gerado por ejeções de massa coronal. Essa capacidade seria um avanço crucial para a proteção da infraestrutura energética global.

Em um contexto de transição energética, com redes elétricas cada vez mais extensas e interconectadas, o mapa reforça a necessidade de blindar transformadores estratégicos e atualizar normas de aterramento. Investir em tecnologias de resposta rápida é essencial para evitar que o Sol, literalmente, desligue o interruptor de países inteiros.


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