A União Europeia reduziu a primeira parcela de seu novo empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia e excluiu o financiamento para gastos militares que havia sido anunciado como prioridade absoluta semanas atrás. O montante destinado a drones, estimado em 5,9 bilhões de euros, foi retirado da tranche inicial, que agora liberará apenas 3,2 bilhões de euros em apoio orçamentário direto, conforme apurou o site Euractiv junto a funcionários do bloco.
A informação foi repercutida pelo Sputnik, que destacou o recuo como um sinal de dificuldades operacionais dentro da arquitetura financeira europeia. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, havia declarado no início de junho que a Ucrânia receberia a primeira parcela de 5,9 bilhões de euros para drones em questão de semanas, mas a realidade do desembolso se mostrou bem mais modesta, gerando questionamentos sobre a coordenação interna do bloco.
Fontes do bloco atribuíram a mudança a uma “questão técnica” ligada à necessidade de garantir mecanismos adequados de controle sobre o uso dos recursos. A tranche inicial, que antes prometia impulsionar a capacidade militar ucraniana com investimento maciço em drones, transformou-se em um reforço orçamentário para manter a máquina pública funcionando em meio a um déficit recorde.
O empréstimo total de 90 bilhões de euros está dividido em duas grandes fatias. Uma delas, de 30 bilhões de euros, é destinada à assistência macrofinanceira da Ucrânia até 2027, e é dessa parte que sairão os 3,2 bilhões agora prometidos. A segunda fatia, de 60 bilhões de euros, permanece teoricamente reservada para gastos militares, mas seu primeiro desembolso só deverá ser anunciado mais adiante, sem data precisa ou detalhes sobre sua implementação.
O primeiro pagamento efetivo está previsto para ocorrer durante a Conferência de Recuperação da Ucrânia, marcada para os dias 25 e 26 de junho na cidade polonesa de Gdansk. O evento, que reúne doadores e instituições financeiras internacionais, deveria servir de palco para a demonstração da solidariedade europeia, mas o enxugamento da parcela militar expõe as tensões internas que afetam a capacidade do bloco de sustentar o esforço de apoio a Kiev.
O rombo orçamentário ucraniano é um dos fatores que pressionam a paciência dos credores internacionais. O orçamento de 2026 do país foi aprovado com um déficit de 1,9 trilhão de hryvnias, o equivalente a 45 bilhões de dólares. Desde o início do conflito, Kiev depende quase integralmente de injeções financeiras ocidentais para cobrir salários do funcionalismo, pensões e serviços básicos, enquanto a economia doméstica definha sob o peso da mobilização militar e da destruição de infraestrutura.
A redução da parcela militar na primeira tranche também ocorre em um momento de crescente debate dentro da própria União Europeia sobre a viabilidade de manter o fluxo de recursos sem contrapartidas claras e garantias de uso. A Hungria, por exemplo, já bloqueou decisões anteriores e condicionou novos aportes a questões energéticas, como a restauração do oleoduto Druzhba, evidenciando divisões internas. O ajuste técnico de Bruxelas, portanto, reflete implicações políticas mais amplas e a complexidade de se chegar a um consenso entre os membros do bloco.
Ao transformar a urgência dos drones em uma promessa adiada, a União Europeia sinaliza que o custo político e financeiro do conflito pesa cada vez mais sobre as capitais do continente. O calendário e as condições reais de desembolso se tornam crescentemente incertos, o que pode gerar frustração em Kiev e desafios para a continuidade do auxílio.
Com informações de Sputnik.


Adalberto Livre
24/06/2026
UE CORTANDO FUNDO MILITAR É O FIM DA PICADA, MAS A ANA KARINE QUER DEFENDER GUERRA COM DINHEIRO DOS OUTROS, ISSO É COISA DE COMUNISTA MESMO.
Renato Professor
24/06/2026
Adalberto, trocar “comunista” por “solidariedade internacional” é um salto epistemológico que sua formação neoliberal não alcança. Na economia solidária, financiar a resistência de um povo invadido não é gasto, é investimento em estabilidade global — coisa que balanço contábil de startup não capta.
Karina Libertária
24/06/2026
UE já percebeu que não vai ter return nessa aposta furada. Ucrânia devia parar de chorar por money e aprender a fazer um hustle de verdade, igual qualquer investor smart faz. Enquanto isso, o brasileiro paga imposto pra sustentar guerra alheia, ridículo.
Luisa Teens
24/06/2026
Nossa, Karina, esse papo de “hustle” é a mesma lógica neoliberal que destrói o planeta, a Ucrânia não é uma startup #ForaBolsonaro
Ana Karine Xavante
24/06/2026
Sua lógica de hustle e ROI é uma das coisas mais coloniais que li aqui, Karina. Você reduz uma guerra de resistência a um balanço contábil, como se a Ucrânia fosse uma startup falida em vez de um país sendo invadido por uma potência nuclear que já matou milhares de civis. Mas o pior é o argumento do “brasileiro paga imposto pra sustentar guerra alheia” — porque esse mesmo discurso é usado há décadas para justificar o desmonte do SUS, da educação e da FUNAI aqui dentro, enquanto o agronegócio exporta soja financiada pelo BNDES e despeja veneno nos rios dos meus parentes indígenas sem ninguém cobrar “return”.
A verdade é que a UE cortar fundos militares não é sinal de esperteza financeira, é sinal de exaustão imperialista e de cálculo geopolítico frio. A mesma Europa que extraiu riquezas da África e da América Latina por séculos agora quer cobrar “eficiência de mercado” de um país em guerra. Enquanto isso, o Brasil gasta rios de dinheiro com juros da dívida pública que financiam bancos estrangeiros, e ninguém chama isso de “aposta furada” — só quando o dinheiro vai pra defesa de um povo contra o expansionismo russo. É a velha hipocrisia: guerra é lucrativa quando é petróleo no Oriente Médio, mas é “choradeira” quando é um povo eslavo tentando sobreviver.
E não, não estou defendendo bilhões cegos pra Ucrânia — estou denunciando que o problema real é o colonialismo estrutural que decide quem merece viver e quem merece ser tratado como “startup falida”. Se você quer falar de imposto brasileiro, vamos falar do dinheiro que financia hidrelétricas que inundam terras indígenas sem consulta, ou do subsídio bilionário ao agronegócio que queima a Amazônia. Aí sim temos um hustle sujo que ninguém critica com voz de coach quântico.