Cultura - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/cultura/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 19 Jul 2026 14:29:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Cultura - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/cultura/ 32 32 Venda ilegal de documentos históricos preocupa Arquivo Nacional https://www.ocafezinho.com/2026/07/19/venda-ilegal-de-documentos-historicos-preocupa-arquivo-nacional/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/19/venda-ilegal-de-documentos-historicos-preocupa-arquivo-nacional/#respond Sun, 19 Jul 2026 14:29:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/07/19/venda-ilegal-de-documentos-historicos-preocupa-arquivo-nacional/ O Arquivo Nacional criará um setor específico para enfrentar o comércio ilegal de documentos históricos, que cresceu no país. Nos últimos três anos, pelo menos dez casos de venda ilegal em leilões foram identificados. A medida visa recuperar esse patrimônio e devolvê-lo à guarda da União.

Nos últimos três anos, pelo menos dez casos de venda ilegal de documentos históricos brasileiros em leilões foram identificados pelo Arquivo Nacional. Segundo o órgão federal, responsável pela guarda dessa documentação, este tipo de comércio criminoso vem crescendo recentemente no país.

Por isso, o Arquivo Nacional está montando um setor específico para lidar com essas ocorrências e garantir a recuperação desses documentos.

“A gente está percebendo que há um comércio muito grande de documentação pública. O que o Arquivo Nacional tem feito é, cada vez mais, analisar essas ofertas que estão em sites de leilões espalhados pelo Brasil inteiro e indo atrás dessa documentação”, explica o diretor de Processo Técnico, Preservação e Acesso Técnico ao Acervo do Arquivo Nacional, Thiago Vieira.

Segundo ele, o objetivo é restituir o patrimônio público para “o seu local, que é aqui no Arquivo Nacional”.

Há três anos, por exemplo, o Arquivo Nacional conseguiu recuperar cinco documentos que estavam sendo leiloados ilegalmente na internet, com a ajuda da Polícia Federal. Um deles, assinado por Duque de Caxias, registra a instalação de uma linha terrestre de telégrafo que conectaria dois estados brasileiros.

“São documentos que são representativos de momentos emblemáticos da nossa história. Ajudam a contar nossa história, ajudam a preencher lacunas onde nossa historiografia ainda não chegou”, afirma a chefe do Serviço de Diplomática e Paleografia do Arquivo, Alícia Duhá Lose.

Com informações de Fernanda Cruz – Repórter da TV Brasil

Fonte: Agência Brasil

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O fator geopolítico do cinema brasileiro (entrevista exclusiva com Leonardo Edde, presidente da RioFilme) https://www.ocafezinho.com/2026/06/29/o-fator-geopolitico-do-cinema-brasileiro-entrevista-exclusiva-com-leonardo-edde-presidente-da-rio-filmes/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/29/o-fator-geopolitico-do-cinema-brasileiro-entrevista-exclusiva-com-leonardo-edde-presidente-da-rio-filmes/#comments Mon, 29 Jun 2026 12:54:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260973 13 Comentários 🔥]]> A disputa pelo audiovisual deixou de ser uma briga entre estúdios e virou um capítulo da geopolítica. É assim que Leonardo Edde, presidente da RioFilme, resume a transformação do setor que acompanha há quase três décadas como produtor.

Edde é citado nos bastidores do setor audiovisual como um dos nomes cotados para presidir a Ancine a partir da próxima vaga que abrir na instituição, o que pode acontecer nos próximos meses. Boa parte da diretoria deve ser renovada, o que vai ajudar a destravar, segundo ele, as inovações necessárias para melhorar a situação do cinema nacional.

O adversário das cinematografias nacionais não é mais Hollywood no sentido antigo, segundo Edde. São hoje as maiores empresas do mundo, Alphabet, Amazon, Netflix e Apple, que tratam conteúdo como isca para vender assinatura e não como produto cultural.

Edde lembra que essa disputa sempre teve natureza política. “O cinema sempre foi político. A arte sempre foi política”, diz, antes de observar que a novidade é a escala, agora verdadeiramente global, num momento em que distribuir um filme pelo mundo se tornou um processo extremamente simplificado pela revolução digital e pela concentração das plataformas.

“Não é mais o Exército que protege as nações, é a cultura”, afirma.

Os Estados Unidos entenderam isso logo após a Segunda Guerra, quando transformaram o cinema no motor do seu soft power. O cinema americano vende, antes de tudo, o próprio modo de vida americano.

A Coreia do Sul fez a leitura mais inteligente das últimas décadas. Quando um único blockbuster de Hollywood ocupou as salas coreanas nos anos 1990, o governo percebeu que saía mais dinheiro do país para os estúdios americanos do que entrava com a exportação de carros.

A resposta foi uma política pública de Estado, perene e ambiciosa. O ápice veio com o Oscar de Parasita, que abriu caminho para as séries, a música, a culinária e até o idioma coreano conquistarem o mundo.

O Brasil tem a matéria-prima e desperdiça a oportunidade. Segundo Edde, o país exporta pouco demais para uma indústria que pretende ser sustentável, já que toda indústria audiovisual saudável é exportadora.

Hollywood tira entre 60% e 70% da receita de seus filmes do mercado externo. Sem exportar, o cinema brasileiro não se sustenta nem ajuda a projetar o país no tabuleiro internacional.

Há ainda um efeito interno pouco discutido. Filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto só alcançam grande bilheteria doméstica depois de ganharem relevância em festivais lá fora.

Edde chama isso de “exportação de produto e importação de relevância”. É o atalho contra o que ele descreve como uma “cabeça colonizada”, a velha síndrome de vira-lata que ainda leva o público brasileiro a desprezar o que é nacional.

Nesse ponto a conversa encontra os Brics. Para o presidente da RioFilme, o Brasil tem a chance de deixar de ser apenas exportador de commodity e passar a liderar uma narrativa cultural própria num mundo multipolar.

O problema é que a política pública brasileira chega atrasada justamente à parte que mais cresce. O streaming, segmento mais expandido do consumo audiovisual, é o único elo da cadeia que segue sem regulação no país.

Todos os outros segmentos são regulados e contribuem para garantir espaço ao produto nacional. O ambiente digital, onde está a maior parte da audiência, escapa dessa lógica.

O resultado aparece nos números da própria agência reguladora. A [última pesquisa da Ancine](https://www.gov.br/ancine/pt-br/oca) aponta que apenas 5% do conteúdo disponível nos streamings no Brasil é nacional.

É pouco demais para o lugar onde o público de fato assiste. “É premente que a gente possa regular os streamings”, afirma, sob pena de o país perder investimento, distribuição e a disputa pela própria tela.

Edde não é inimigo das regras. “Eu sou a favor da burocracia, aliás eu nem sei o que seria sem ela”, diz, mas defende apenas a burocracia necessária, aquela que dá segurança jurídica sem asfixiar a criação.

Falta, na sua avaliação, uma política de Estado que nenhum governo possa desmontar com uma canetada. O que ele descreve como um tripé institucional, formado por Conselho Superior do Cinema, Ancine e Ministério da Cultura, virou a partir do golpe de 2016 “um monopé”, que “não para em pé sozinho”.

Há também um problema no desenho do setor. São 12 mil produtoras independentes no Brasil, a maioria no nível de entrada e muitas abertas apenas para acessar editais.

Misturar estreantes e grandes produtoras nas mesmas regras acaba travando todo mundo. A saída, para Edde, é separar políticas, com mais liberdade e mais cobrança para quem disputa o mercado mundial e mais apoio para quem ainda tenta entrar nele.

Na entrevista ao Cafezinho, Edde também foi perguntado sobre o financiamento obscuro do filme Dark Horse, bancado com dinheiro de Daniel Vorcaro, um dos maiores fraudadores financeiros da história brasileira. A operação parte justamente de quem vive tentando demonizar o sistema de financiamento público do cinema nacional.

Sua resposta foi recusar o enquadramento. “Falta de ética é falta de ética”, disse, lembrando que o senador Flávio Bolsonaro, autor do projeto sobre o pai, sequer é do ramo. “Nem ele é um produtor de cinema. Tá longe de ser.”

Para Edde, quem quer enganar ou roubar fará isso em qualquer indústria, sob qualquer pretexto. “Não é sobre cinema. É sobre corrupção, é sobre fraude.”

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O cristofascismo bolsonarista https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/o-cristofascismo-bolsonarista/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/o-cristofascismo-bolsonarista/#respond Fri, 26 Jun 2026 22:19:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260849 O reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro, autorizou a licença para capacitação do professor de literatura Vitor Cei Santos para realizar um estágio de pesquisa em Portugal. O projeto acadêmico visa analisar os primeiros romances do escritor Machado de Assis sob a ótica do conceito de cristofascismo bolsonarista, cuja ideologia e manifestações frequentemente pautam debates sobre a condenação de extremistas no judiciário.

A pesquisa tem por título oficial ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista’. O afastamento concedido terá duração de noventa dias no segundo semestre e será desenvolvido na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Durante a estada em território português, o docente brasileiro será supervisionado pelo diretor do Instituto de Filosofia, o filósofo João Constâncio. A aprovação da licença seguiu os trâmites institucionais regulares previstos pela legislação federal e obteve a homologação de todas as instâncias do Departamento de Letras.

A pesquisa também recebeu apoio financeiro público do governo estadual após o pesquisador concorrer em edital aberto de incentivo científico. O projeto obteve a nota final de noventa e seis vírgula vinte e cinco pontos e alcançou a segunda colocação geral entre quatorze docentes participantes de todas as áreas do conhecimento.

O professor Vitor Cei Santos possui uma trajetória consolidada em estudos machadianos e publicou livros de destaque baseados em suas investigações acadêmicas na última década. Sua tese de doutorado foi defendida na Universidade Federal de Minas Gerais com período de intercâmbio na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.

Essa cooperação internacional reforça o intercâmbio científico e a produção intelectual do corpo docente da instituição de ensino capixaba. A seguir, apresentamos os detalhes da portaria do Diário Oficial da União e as manifestações oficiais dos órgãos envolvidos no processo.


Reitor da Ufes autoriza afastamento de professor para pesquisar Machado de Assis sob o viés do cristofascismo bolsonarista

Por Manoela Alcântara, reescrito pela redação do O Cafezinho

O reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro, autorizou oficialmente a licença para capacitação do professor de literatura Vitor Cei Santos. O docente realizará estágio técnico-científico em Portugal, com o objetivo de desenvolver um projeto de pesquisa focado nos primeiros romances do escritor Machado de Assis sob a ótica do conceito de ‘cristofascismo bolsonarista’.

A portaria autorizativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A pesquisa, intitulada ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista’, terá duração de 90 dias, estendendo-se de 1º de setembro a 29 de novembro deste ano. O estudo será sediado no Instituto de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, sob a supervisão do filósofo João Constâncio.

A licença foi formalizada na modalidade de ônus limitado para a Ufes, o que significa que o docente mantém a remuneração integral de seu cargo, mas sem despesas de diárias ou passagens aéreas por parte da universidade brasileira. O projeto já havia sido aceito pela instituição de ensino portuguesa antes da concessão da licença pela reitoria da Ufes.

Além da dispensa para a capacitação profissional, a pesquisa obteve financiamento estadual por intermédio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). O resultado preliminar da seleção garantiu um apoio financeiro de R$ 32.890 para a realização do estágio científico no exterior, após o pesquisador alcançar a segunda colocação geral em processo de concorrência com 14 docentes de variadas áreas do conhecimento.

Em nota, a reitoria da universidade e a coordenação do Departamento de Letras esclareceram que as licenças solicitadas por docentes seguem regras regimentais, passando pela câmara e conselho do departamento antes do encaminhamento final. Por sua vez, o professor Vitor Cei Santos frisou que a aprovação acadêmica por bancas brasileiras e internacionais atesta a seriedade e relevância científica da pesquisa de pós-doutorado, que se baseia em mais de dez anos de investigações prévias.

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A escola estava certa; nós é que estávamos olhando pela janela https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/a-escola-estava-certa-nos-e-que-estavamos-olhando-pela-janela/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/a-escola-estava-certa-nos-e-que-estavamos-olhando-pela-janela/#respond Mon, 15 Jun 2026 12:59:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=258603  

Por Rollo — criado em sala de aula sem ar-condicionado, formado na universidade do ônibus lotado e vacinado contra a turma que jurava que nunca usaria matemática porque tinha uma calculadora.

 

A adolescência é uma fase extraordinária da vida. Não porque seja fácil, mas porque é provavelmente o único período em que alguém consegue ouvir uma explicação útil, gratuita e potencialmente transformadora e concluir que aquilo jamais terá qualquer serventia. É uma confiança impressionante. Aos quinze anos, a pessoa mal sabe o que vai almoçar no dia seguinte, mas tem absoluta certeza de que determinado conhecimento nunca será utilizado. Anos depois, a vida, que possui um senso de humor particularmente cruel, costuma organizar uma sequência de situações dedicadas exclusivamente a provar o contrário. E faz isso sem prova de recuperação, sem trabalho extra e sem a menor preocupação com a sua nota final.

Existe uma mentira que atravessa gerações com a mesma velocidade de uma cola passada por baixo da carteira durante uma prova: “Eu nunca vou usar isso na vida.” Todo estudante já disse isso pelo menos uma vez. Normalmente cinco minutos antes de descobrir que passaria o resto da existência usando exatamente aquilo. A professora de Física explicava que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Você estava no fundão desenhando guitarra, escrevendo bilhetinho ou planejando matar aula para ir ao cinema do shopping. Anos depois, chega a vida adulta. O metrô para. A porta abre. Seis pessoas tentam sair. Doze tentam entrar. Ninguém consegue. E, de repente, Sir Isaac Newton surge, espiritualmente dentro da estação, gritando pelos alto-falantes: — EU AVISEI! A aula estava certa. Os corpos continuam não ocupando o mesmo lugar. O problema é que o brasileiro insiste em tentar.

A Matemática também sofreu injustiças históricas. “Professor, quando vou usar regra de três?” Todo mundo perguntava. A resposta era simples: todos os dias. Você usa regra de três para dividir a conta do bar. Para descobrir quantos quilômetros o carro faz por litro. Para calcular desconto. Para saber se o salário dura até o fim do mês. Aliás, a vida adulta inteira é uma gigantesca regra de três tentando sobreviver à inflação gerada pelo mercado ávido por lucrar.

Já a porcentagem merece um pedido coletivo de desculpas. Metade do país passou a adolescência reclamando dela. A outra metade passou a vida adulta sendo enganada por ela. “Promoção imperdível! 70% de desconto!” Você entra feliz. Sai com três parcelas, um carnê e a sensação de que financiou a expansão do comércio mundial. Se tivesse prestado atenção na aula, talvez descobrisse que alguns descontos são tão verdadeiros quanto promessa de político de direita em ano eleitoral.

A Química também não teve o reconhecimento que merecia.  Lembra quando a professora falava sobre misturas homogêneas e heterogêneas? Você achava inútil. Hoje sabe exatamente a diferença. Homogênea é o café quando o açúcar dissolve. Heterogênea é o grupo da família no WhatsApp discutindo política. A Química também explicou reações. Misture água sanitária com determinados produtos e dá problema. Misture futebol, cerveja e comentário político no churrasco e também. A ciência sempre esteve tentando salvar vidas

E já que estamos falando de Química, vale lembrar daquela velha conhecida pendurada na parede da sala de aula: a Tabela Periódica. Na época, parecia um álbum de figurinhas de elementos com nomes estranhos que jamais serviriam para nada. Lítio, neodímio, cobalto, terras raras… quem precisava decorar aquilo? Pois bem. Décadas depois, descobrimos que o celular no bolso, o carro elétrico, o computador, os satélites, os painéis solares e boa parte da disputa geopolítica do século XXI giram justamente em torno daqueles quadradinhos coloridos. Como vimos no meu artigo sobre as terras raras, o mundo moderno não funciona apenas com aplicativos e telas brilhantes: ele funciona porque alguém cavou minerais do subsolo, refinou metais e transformou química em tecnologia. No fim das contas, a professora não estava ensinando uma tabela. Estava apresentando o elenco principal da civilização moderna. Nós é que achávamos que a aula era sobre decorar símbolos para uma prova na sexta-feira.

A Sociologia, então, foi tratada como se fosse um hobby. Até o dia em que a internet transformou qualquer caixa de comentários num laboratório humano. A professora falava sobre comportamento de grupo, pressão social, construção de identidade, bolhas sociais. Anos depois surgiram as redes sociais e provaram que ela estava sendo até otimista. Nunca foi tão fácil observar uma multidão concordando com algo apenas porque todo mundo em volta concordou também.

A Literatura sofreu talvez a maior injustiça de todas. “Pra que eu preciso ler Machado de Assis?” perguntava o adolescente. Para identificar manipuladores, reconhecer narradores mentirosos, para perceber ironias. Para entender que nem todo mundo que parece confiável é confiável. Em outras palavras: para sobreviver ao LinkedIn. Machado talvez fosse o único autor do século XIX plenamente preparado para explicar a internet.

Já o Português foi acusado durante décadas de ser perseguição gratuita. Concordância, pontuação, interpretação, crase. Coisas chatas. Até que surgiu o clássico: “Vamos comer, gente.” e “Vamos comer gente.” Uma simples vírgula separando um convite para o almoço de uma denúncia criminal soe canibalismo. Ou outra coisa… De repente, concordância, pontuação e interpretação de texto deixaram de parecer implicância da professora. O português não era frescura. Era equipamento básico de sobrevivência. Era defesa pessoal! A crase parecia uma conspiração das professoras de Português contra a juventude brasileira. Até o dia em que você precisou escrever um e-mail profissional e descobriu que um simples acento pode separar quem escreve de quem apenas aperta teclas. Durante anos, muita gente achou que a crase era um detalhe inútil. Hoje ela continua sendo ignorada por milhões de pessoas, para o desespero silencioso de revisores, professores e placas de trânsito. A crase é como o cinto de segurança da gramática: ninguém percebe quando está correta, mas quando falta, o estrago costuma ficar visível para todo mundo.

A História também teve sua vingança. Porque quem dizia que não precisava estudar passado hoje passa horas assistindo documentários, podcasts, séries históricas e vídeos explicando por que o mundo está como está. A diferença é que agora chama conteúdo. Quando era prova, chamava tortura. O fato é que a escola nunca esteve tentando ensinar apenas fórmulas. Ela estava tentando entregar um manual de sobrevivência disfarçado de matéria obrigatória. O problema é que adolescentes possuem uma habilidade extraordinária: confundir conhecimento útil com inconveniência temporária. Só depois dos boletos, das filas, dos relacionamentos, dos grupos de WhatsApp, dos financiamentos e dos ônibus lotados é que a ficha cai.

A aula de Física estava no metrô. A Matemática estava no mercado. A Química estava na cozinha. A Sociologia estava nas redes sociais. A Literatura estava na política. O Português estava nos contratos. E a História estava em todos os lugares onde alguém dizia: “Isso nunca aconteceu antes.” Aconteceu. Sempre aconteceu. A professora provavelmente explicou. Você é que estava olhando pela janela. E talvez essa seja a maior lição que a escola ensinou sem que quase ninguém percebesse: o conhecimento não serve para passar na prova. Serve para evitar que a vida aplique uma prova muito mais difícil depois. E essa, infelizmente, não tem recuperação.

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi.

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A fotografia e a biografia https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/a-fotografia-e-a-biografia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/a-fotografia-e-a-biografia/#respond Thu, 11 Jun 2026 15:27:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257600 Por Sara Goes

Em 2006, o Presidente Lula inaugurava um conjunto habitacional em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. No meio da multidão, um menino de sete anos chamado Everton Conceição Santos tentava se aproximar. Um vizinho o ergueu sobre os ombros e, naquele instante, Ricardo Stuckert registrou uma das fotografias mais conhecidas da política brasileira recente.

Anos depois, a imagem ganhou um significado ainda maior. Em 2017, durante a Caravana Lula pelo Brasil, Everton reencontrou o ex-presidente. Já não era a criança da fotografia. Tinha 18 anos, morava na própria casa e sonhava ingressar numa universidade por meio do Enem ou do Prouni. A fotografia deixava de ser apenas o registro de um encontro para se transformar numa narrativa sobre mobilidade social. Havia uma história antes da imagem e continuou existindo uma história depois dela.

Nos últimos dias, uma fotografia feita por Mateus Dantas durante uma agenda de Ciro Gomes no tradicional Beco do Cotovelo, em Sobral, chamou minha atenção. Nela, uma criança também aparece erguida sobre os ombros de um adulto para cumprimentar um líder político. Não creio que a semelhança seja casual. Tampouco me parece resultado de um encontro espontâneo registrado por acaso. Quando campanhas passam a ser conduzidas por profissionais experientes em linguagem visual, a repetição de determinados enquadramentos costuma obedecer menos ao acaso do que à intenção de ativar memórias já existentes no imaginário político do eleitor.

Ricardo Stuckert / Mateus Dantas

O local também importa. O Beco do Cotovelo ocupa um lugar singular na história política de Sobral e da própria família Ferreira Gomes. Não se trata apenas de um espaço de circulação popular. Trata-se de um território carregado de memória política. O fato de a fotografia surgir justamente ali, numa cidade em que Ciro sofreu uma derrota eleitoral recente, reforça a impressão de que a imagem procura comunicar algo além do instante registrado pela câmera. Ela dialoga com a ideia de retorno, reconquista e restauração de uma relação política que se enfraqueceu nos últimos anos.

Quem acompanha as movimentações recentes de Ciro percebe que sua pré-campanha é fortemente apoiada numa construção imagética. Há uma ocupação intensa dos espaços públicos por militantes, cartazes, bandeiras e palavras de ordem. Vídeos produzidos pelos próprios apoiadores mostram ambientes frequentemente dominados por demonstrações de força, confrontos verbais e uma estética de campanha marcada pela virulência. A lógica lembra menos as antigas caminhadas eleitorais e mais uma cenografia cuidadosamente organizada para produzir imagens de impacto.

Nesse aspecto, a estratégia guarda semelhanças com um recurso amplamente utilizado pelo bolsonarismo. Durante anos, Jair Bolsonaro transformou cenas banais em instrumentos de comunicação política. Suas famosas mesas de café da manhã não eram apenas cafés da manhã. Eram cenários. O pão francês, o copo americano, a toalha simples e os enquadramentos cuidadosamente escolhidos buscavam transmitir uma ideia específica de proximidade popular. A imagem era tão importante quanto a mensagem.

A fotografia de Sobral parece cumprir função semelhante. Ela não registra apenas uma caminhada. Ela procura comunicar uma história.

Essa hipótese ganha ainda mais força quando se observa quem está por trás da construção da campanha. O publicitário João Santana, responsável pela campanha da reeleição do Presidente Lula em 2006, atua como principal estrategista da campanha de Ciro Gomes para o Governo do Ceará em 2026. Não se trata, portanto, de uma campanha conduzida por amadores ou dependente exclusivamente da espontaneidade das ruas. Trata-se de uma operação de comunicação dirigida por alguém que conhece profundamente o poder simbólico das imagens políticas e que participou da construção de algumas das fotografias mais marcantes da trajetória eleitoral de Lula.

Foi lendo um excelente artigo de Miguel do Rosário, publicado no Cafezinho sob o título “Colapso catastrófico ou vitória redentora?”, que compreendi melhor qual história é essa. Miguel escreve de maneira muito diferente da minha. Eu costumo observar símbolos, narrativas e movimentos culturais. Ele trabalha com pesquisas, dados e tendências eleitorais. Muitas vezes, Miguel demonstra com números aquilo que eu tento desenhar em forma de ensaio.

Seu argumento central é que a eleição de 2026 será uma disputa existencial para Ciro Gomes. Não se trata apenas de vencer ou perder o Governo do Ceará. Trata-se de definir o significado político de toda a sua trajetória recente.

Se vencer, Ciro poderá reorganizar retrospectivamente sua biografia. As derrotas presidenciais, os rompimentos, os conflitos internos e até mesmo a aproximação com setores da direita e da extrema direita poderão ser apresentados como etapas necessárias de uma caminhada difícil, mas bem-sucedida. A vitória transformaria anos de desgaste numa narrativa de perseverança.

A política costuma operar dessa forma. Quando alguém vence, o passado ganha coerência. As derrotas deixam de ser fracassos e passam a ser interpretadas como degraus.

Foi exatamente isso que ocorreu com Lula após 2002. As três derrotas presidenciais anteriores deixaram de representar insucessos eleitorais e passaram a integrar uma história de persistência e superação. O homem derrotado transformou-se no homem que insistiu até vencer.

Miguel sugere que Ciro parece apostar numa operação semelhante. A diferença é que Lula atravessou esse percurso permanecendo no mesmo campo político e preservando sua relação com a base social que o acompanhava desde as greves do ABC.

A trajetória recente de Ciro aponta para outro caminho. Em Barbalha, durante a tradicional festa de Santo Antônio, ele apareceu ao lado de lideranças do bolsonarismo cearense, entre elas Alcides Fernandes e Capitão Wagner. O episódio terminou marcado pela intervenção pública de um padre que pediu respeito ao ambiente religioso diante das manifestações políticas que ocorriam durante a celebração. Pouco depois vieram as vaias dirigidas à comitiva durante sua passagem pelas ruas da cidade.

Questionado por Camilo Santana sobre sua aproximação com o bolsonarismo, Ciro não negou o movimento. Preferiu defender seus novos aliados, classificando-os como “homens honrados”. Ao mesmo tempo, o PL articula a visita de Flávio Bolsonaro ao Ceará para fortalecer seu projeto eleitoral no estado.

Observados isoladamente, esses fatos poderiam parecer episódios desconectados. Observados em conjunto, revelam uma estratégia bastante clara: a construção de uma ampla frente anti-PT capaz de disputar o Ceará em 2026.

É justamente aí que a análise de Miguel e a minha se encontram. Miguel observa que essa estratégia pode produzir uma vitória redentora ou um colapso político. Eu observo que a própria campanha já parece organizada em torno dessa narrativa de redenção. As caminhadas pelo Interior, os vídeos cuidadosamente produzidos, os ambientes tomados por militantes, a estética do reencontro com o povo e até fotografias como a do Beco do Cotovelo parecem compor uma mesma dramaturgia política.

A imagem da criança erguida sobre os ombros não é apenas uma fotografia. Ela funciona como um símbolo de uma história que a campanha deseja contar. A história do líder derrotado que retorna ao convívio popular e prepara sua volta por cima.

O problema é que histórias não se consolidam porque foram bem encenadas. Elas precisam ser confirmadas pelos acontecimentos.

A fotografia de Everton tornou-se histórica porque registrou uma transformação social que continuou existindo depois que a câmera foi desligada. O menino da imagem reapareceu anos mais tarde trazendo consigo uma história concreta de ascensão e expectativa de futuro.

A fotografia de Sobral aponta para outra direção. Ela não registra uma trajetória consolidada. Registra uma aposta política. E é exatamente isso que está em jogo em 2026. Não apenas a disputa pelo Governo do Ceará, mas a tentativa de decidir se os últimos anos da trajetória de Ciro Gomes serão lembrados como a longa preparação para uma redenção política ou como o caminho que conduziu ao seu isolamento definitivo.

Sara Goes é uma jornalista, apresentadora, colunista, comunicadora e designer.

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Bienal de Humor Político em Cuba premia artistas internacionais https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/bienal-de-humor-politico-em-cuba-premia-artistas-internacionais/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/bienal-de-humor-politico-em-cuba-premia-artistas-internacionais/#comments Wed, 10 Jun 2026 09:03:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/bienal-de-humor-politico-em-cuba-premia-artistas-internacionais/ 4 Comentários 🔥]]> A II Bienal Internacional de Humor Político, realizada em Havana, premiou quatro artistas internacionais, destacando a importância da sátira como ferramenta de resistência cultural e crítica ao colonialismo.

A artista colombiana Elena Ospina conquistou o primeiro lugar com sua obra ‘América’, que aborda as ambições geopolíticas que transformam zonas de paz em territórios de guerra. O artista visual chinês Kuang Zuhai ficou em segundo lugar com ‘Variação’, uma peça que utiliza um jogo de palavras entre ‘símil’ e ‘míssil’.

O terceiro lugar foi para o caricaturista venezuelano Iván Lira, com ‘Enredos’, que critica a dominação das tecnologias digitais na sociedade contemporânea. Seyran Caferli, do Azerbaijão, recebeu menção especial por sua obra sem título, que ironiza o abuso de poder nas dinâmicas sociais.

O evento contou com a participação de mais de 350 obras de 38 países e foi inaugurado com a presença de autoridades cubanas, incluindo o ministro da Cultura de Cuba, Alpidio Alonso, e o intelectual Abel Prieto Jiménez, presidente da Casa de las Américas.

Prieto destacou o papel do humor gráfico na resistência histórica de Cuba e denunciou a campanha de idiotização massiva global. a bienal consolidou-se como um espaço importante para a expressão artística e a defesa da cultura no contexto internacional.

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Lula lança plataforma Tela Brasil com 555 obras e critica enlatados estrangeiros https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-com-555-obras-e-critica-enlatados-estrangeiros/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-com-555-obras-e-critica-enlatados-estrangeiros/#comments Fri, 05 Jun 2026 00:34:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-com-555-obras-e-critica-enlatados-estrangeiros/ 1 Comentário 🔥]]> O governo federal lançou a plataforma de streaming Tela Brasil durante o evento Rio2C, em São Paulo, com o objetivo de ampliar o acesso a filmes nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a ocasião para criticar o consumo passivo de produções estrangeiras e vincular o novo serviço à compreensão da identidade nacional.

O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos, afirmou Lula diante de uma plateia que reunia representantes de gigantes do entretenimento como Globo, Netflix, Disney e Warner Bros. O lançamento ocorre em um momento em que a produção cinematográfica brasileira, majoritariamente financiada com recursos públicos, enfrenta dificuldades para alcançar espectadores.

Segundo reportagem da Carta Capital, a plataforma estreou com 555 obras realizadas entre 1910 e 2025, incluindo 267 curtas, 139 longas-metragens, além de telefilmes e séries. Nos primeiros dias, os títulos mais acessados foram A Hora da Estrela (1985) e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964).

O investimento total foi de 10,1 milhões de reais, valor equivalente a dois longas-metragens modestos no Brasil. Desse montante, 3,8 milhões foram destinados a um edital de licenciamento, 570 mil reais à aquisição de 19 filmes que representaram o país no Oscar e 5,6 milhões ao desenvolvimento tecnológico.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, destacou que a iniciativa atualiza programas anteriores como a Programadora Brasil e o Cine Mais Cultura, promovendo a democratização digital com conteúdo 100% brasileiro e gratuito. A curadoria dá ênfase a recortes de cinema negro, cinema indígena e produções dirigidas por mulheres.

Parte do acervo inicial veio de instituições vinculadas ao Ministério da Cultura, como a Cinemateca Brasileira e a Funarte, com acordos previstos para incorporar também o conteúdo da EBC e da TV Brasil. O acesso é feito por login no gov.br, e um aplicativo para celular deve ser lançado em 30 dias.

Daniel Queiroz, da distribuidora Embaúba, vê na plataforma uma chance de romper o nicho dos festivais e salas de cinema especializadas, levando o cinema autoral brasileiro a cidades do interior. O que veremos com o tempo é se os filmes mais relevantes que as pessoas querem ver estarão na plataforma.

O projeto, no entanto, esbarra na realidade do mercado audiovisual, onde a exclusividade é moeda valiosa e grandes sucessos como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto já estão licenciados por Globoplay e Netflix. A ausência de uma regulação específica para o streaming no país também projeta incertezas sobre a capacidade do poder público de manter um catálogo competitivo.

Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que apenas 5,3% dos mais de 138 mil títulos disponíveis em 106 plataformas são obras brasileiras. A Netflix, por exemplo, tem apenas 2,8% de conteúdo nacional entre suas 7,8 mil obras.

O lançamento da Tela Brasil representa um passo concreto para escoar uma produção que frequentemente permanece invisível, ao mesmo tempo em que evidencia a urgência de políticas estruturais que garantam presença brasileira no ambiente digital. A plataforma já nasce como a maior oferta pública de filmes nacionais em streaming gratuito no país.

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O leque: do Império Chinês ao “VRAAA!” das paradas https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/o-leque-do-imperio-chines-ao-vraaa-das-paradas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/o-leque-do-imperio-chines-ao-vraaa-das-paradas/#respond Thu, 04 Jun 2026 09:50:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=256257

Por Rollo —  que acha que um mundo sem leques seria muito mais quente. E muito menos divertido

 Há objetos que servem para alguma coisa. E há objetos que contam histórias. O leque faz as duas coisas. Nasceu para espantar o calor, atravessou impérios, sobreviveu a reis, rainhas, revoluções, modismos e à invenção do ar-condicionado. Qualquer outro acessório histórico teria se aposentado com dignidade. O leque preferiu continuar causando. Hoje ele está nos palcos, nas festas, nas redes sociais, nos memes, nas figurinhas do WhatsApp e, principalmente, nas mãos de quem entende que um simples VRAAA! pode dizer mais do que um discurso inteiro. Este artigo não fala apenas sobre um objeto. Fala sobre criatividade, liberdade, humor, arte e pertencimento. Fala sobre como algo aparentemente simples conseguiu atravessar séculos e se transformar em símbolo de expressão para milhões de pessoas — LGBT ou não. Porque, no fim das contas, o leque pertence a quem quiser abri-lo. E se a história da humanidade pode ser contada por guerras, tratados e grandes invenções, ela também pode ser contada por pequenos gestos. Alguns deles coloridos, barulhentos e cheios de personalidade. Talvez seja por isso que, tantos séculos depois de sua invenção, o leque continue firme, forte e absolutamente incapaz de passar  despercebido. E que continue assim.

Existe uma pergunta que a humanidade simplesmente se recusou a fazer: como um objeto criado há milhares de anos conseguiu sobreviver a impérios, guerras, revoluções, pandemias, modismos, ao TikTok e à invenção do ar-condicionado? A resposta é simples. Porque o leque entendeu uma coisa que muita gente nunca aprende: aparecer é uma arte. Enquanto milhares de objetos históricos desapareceram sem deixar saudade, o leque continua firme, forte e fazendo barulho. Literalmente! Porque existe um som capaz de atravessar gerações, classes sociais e orientações sexuais. É o lendário VRAAA! Se você ouviu esse som na sua cabeça ao ler esta palavra, parabéns. Você já faz parte da história.

O primeiro influencer da humanidade

Muito antes de existirem influencers vendendo chá detox, o leque já dominava a arte da imagem. Os primeiros registros aparecem na Ásia há milhares de anos. China. Japão. Coreia. Reinos antigos. Cortes imperiais. Cerimônias religiosas.  Ali estava ele. Sempre elegante. Sempre útil. Sempre fotogênico. Aliás, o leque talvez tenha sido o primeiro objeto da história criado simultaneamente para resolver um problema e gerar um close.

O acessório que se recusou a morrer

Pense em quantas coisas ficaram ultrapassadas. Fax. Pager. Locadora. Orkut. DVD. CD. Blu-ray. Mas o leque? O leque olhou para todos eles e respondeu: — Queridos, eu sobrevivi à queda de impérios. Vocês acham mesmo que vou ser derrotado por um ventilador portátil? E não foi. Pelo contrário, saiu dos palácios, entrou nos teatros, conquistou os bailes. Invadiu o cinema. Dominou a dança. E ainda encontrou tempo para virar figurinha de WhatsApp. Currículo respeitável.

Quando a comunidade LGBT encontrou o leque

E então aconteceu aquele tipo de encontro que parece ter sido organizado pelo universo. De um lado, um objeto dramático, exagerado. Expressivo, barulhento, impossível de ignorar. Do outro, uma comunidade que transformou criatividade, estilo e autenticidade em forma de resistência. Era praticamente um casamento marcado pelas estrelas. Ou pelo glitter. O leque deixou de ser apenas um acessório. Virou linguagem, atitude, resposta. Virou comentário. Virou legenda ambulante. Um simples movimento pode significar: “Arrasou!”, “Concordo”, “Discordo”. “Socorro!”, “Que absurdo!”, “Eu sabia!”, “Tô passada!”. Tudo sem gastar uma sílaba. Isso é eficiência comunicativa. A invenção mais divertida depois do sarcasmo.

Existe um detalhe que os historiadores raramente mencionam. As crianças sempre entenderam o leque antes dos adultos. Porque criança não precisa de seminário sobre simbolismo cultural. Ela vê um objeto colorido, que abre, que fecha, que faz barulho. E imediatamente pensa: “Eu preciso disso!”. A mesma lógica do bambolê, da pipa, do ioiô. E de qualquer brinquedo que faz os pais perguntarem: “Mas qual é a graça disso?”. A graça é justamente essa. O leque venceu a internet. E vencer a internet não é tarefa simples. A internet transformou pessoas comuns em celebridades e celebridades em memes. Mas o leque sobreviveu. Virou GIF, virou sticker. Virou reação. Virou emoji não oficial. Virou linguagem universal. Hoje é perfeitamente possível participar de uma discussão inteira no WhatsApp usando apenas figurinhas de leque. E, honestamente? Muitas vezes a qualidade do debate melhora.

Muito além do calor

Argentinos German Rocha e Emiliano na 29ª Parada do Orgulho LGBT+ – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Vamos ser sinceros: se a missão fosse apenas refrescar, um ventilador resolveria. O leque sobrevive há milênios porque ele faz algo muito mais importante. Ele chama atenção. Ele cria presença. Ele transforma um gesto simples em espetáculo. E talvez seja justamente por isso que ele encontrou um lugar tão especial na cultura LGBT. Porque, no fundo, ambos compartilham a mesma mensagem: existir também pode ser uma forma de arte.

De olho em junho

Com a chegada do Mês do Orgulho e da Parada LGBT de São Paulo, o leque volta ao seu habitat natural: as ruas, os palcos, as redes sociais e qualquer lugar onde haja calor, alegria e vontade de celebrar. Depois de milhares de anos de história, ele continua fazendo exatamente aquilo que sempre fez: chamar a atenção, só que agora com mais cores, mais glitter. E muito mais personalidade. VRAAA! 🌈

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi.

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Lula lança Tela Brasil e defende cultura como política de Estado https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/lula-lanca-tela-brasil-e-defende-cultura-como-politica-de-estado/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/lula-lanca-tela-brasil-e-defende-cultura-como-politica-de-estado/#respond Mon, 01 Jun 2026 12:38:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/lula-lanca-tela-brasil-e-defende-cultura-como-politica-de-estado/
Ilustração editorial sobre Lula lança Tela Brasil e defende cultura como política de Estado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a plataforma Tela Brasil, um streaming público e gratuito de conteúdo audiovisual nacional. A iniciativa, realizada no Rio de janeiro, representa um avanço na democratização do acesso à cultura brasileira.

Lula defendeu que a promoção da cultura deve ser uma política de Estado, não apenas de governo. ‘Se for apenas uma política do governo, qualquer um que entra pode tirar, porque tirar as coisas é muito fácil. Consertar é que é difícil’, afirmou.

O presidente destacou o poder transformador da cultura na sociedade. ‘Há uma coisa com a cultura que os ignorantes não gostam: a cultura ensina, abre a cabeça, abre horizontes e faz a gente enxergar um pouco mais longe’, declarou.

A marca de 16 mil Pontos de Cultura foi celebrada durante o evento. Esses projetos, financiados pelo Ministério da Cultura, são executados por entidades públicas e não governamentais em todo o país.

Lula criticou as privatizações realizadas durante o governo Jair Bolsonaro, como a venda da BR Distribuidora e da Liquigás. ‘O que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR? O que melhorou no posto de gasolina?’, questionou.

O presidente argumentou que medidas para conter a alta nos preços dos combustíveis seriam mais eficazes se o Estado ainda controlasse uma distribuidora. ‘A gente não tem uma distribuidora para controlar, porque eles acharam que era bom vender’, lamentou.

Durante a Semana da África, Lula detalhou os intercâmbios educacionais entre universidades federais brasileiras e instituições africanas. Em junho, serão inauguradas novas estruturas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana em Foz do Iguaçu.

O presidente defendeu a ampliação de convênios com países latino-americanos e a oferta de cursos a distância. Encerrou conclamando a sociedade a participar de uma revolução cultural para que o Brasil seja ‘dono do seu nariz, da sua história e das suas coisas’.

Leia mais sobre o assunto na agenciabrasil.ebc.com.br.


Leia também: Lula lança plataforma Tela Brasil e reforça soberania cultural


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Fadiga do streaming impulsiona retorno do áudio offline e players hi-res https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fadiga-do-streaming-impulsiona-retorno-do-audio-offline-e-players-hi-res/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fadiga-do-streaming-impulsiona-retorno-do-audio-offline-e-players-hi-res/#respond Mon, 01 Jun 2026 08:21:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fadiga-do-streaming-impulsiona-retorno-do-audio-offline-e-players-hi-res/
Um Walkman da Sony com fones de ouvido laranja, exibindo o design icônico do dispositivo de áudio portátil.

A praticidade do streaming dominou o consumo musical por anos, mas a fadiga com playlists infinitas e qualidade comprimida abriu espaço para o retorno do áudio offline. Em 2026, consumidores redescobrem o prazer de ouvir música em players dedicados e formatos de alta resolução.

Uma reportagem do Canaltech destaca que o movimento não se limita à nostalgia do Walkman clássico. Equipamentos portáteis com DAC dedicado e suporte a arquivos FLAC ganham mercado, atendendo a um público que valoriza a posse da música em vez do acesso efêmero das plataformas.

O fenômeno acompanha o renascimento dos formatos físicos, com o vinil consolidado como líder e o CD mantendo relevância. O cassete, embora ainda restrito a nichos, também registra interesse crescente, impulsionado por estratégias de marketing e referências no cinema.

Horácio De Bonis, proprietário da loja Sonic Discos em Curitiba, avalia que o cassete não avança por falta de interesse massivo. “O que pode acontecer é uma volta com todo um marketing em cima, todo um charme”, afirma. Ele cita o cinema como fator de influência, semelhante ao que ocorreu com o vinil, mas acredita que o CD ainda tem potencial de crescimento.

A fadiga com o streaming está no centro dessa mudança. O consumo fragmentado de playlists reduziu o hábito de ouvir álbuns completos, criando um vazio que o áudio offline preenche. Usuários baixam discos inteiros, organizam bibliotecas digitais e escolhem conscientemente o que ouvir.

O ritual de escutar música com atenção plena explica o crescimento de aparelhos como os novos Walkman digitais da Sony. Além da nostalgia, a qualidade sonora é decisiva, pois formatos como FLAC, DSD e WAV preservam mais informações que os arquivos comprimidos do streaming.

De Bonis ressalta que a qualidade depende do equipamento. “O vinil bem prensado é o que tem a melhor qualidade. Depois eu colocaria o CD e, por último, o cassete”, explica. Ele destaca que um CD player antigo, conectado a um bom amplificador, pode surpreender pela fidelidade sonora.

O novo Walkman não busca substituir o Spotify, mas oferecer uma experiência paralela para momentos específicos. Poucos usuários abandonarão o celular no dia a dia, mas cresce o nicho que reserva o áudio offline para desacelerar e se reconectar com a música de forma mais profunda.

O colecionismo impulsiona essa tendência. De Bonis revela que, entre maio e julho, chegaram ao mercado 2.546 LPs, 1.677 CDs e apenas 65 fitas cassete. “Existe um interesse real por formatos físicos, mas concentrado principalmente em vinil e CD”, observa, indicando que o cassete permanece como item de nicho extremo.

Seja com um Walkman moderno, um discman ressuscitado ou uma vitrola, a tendência é clara: ouvir música com toda a atenção que ela merece. A fadiga do streaming devolveu à experiência musical o caráter humano, libertando-a da lógica algorítmica das plataformas.


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Tela Brasil: streaming público estreia com mais de 550 obras https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/tela-brasil-streaming-publico-estreia-com-mais-de-550-obras/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/tela-brasil-streaming-publico-estreia-com-mais-de-550-obras/#respond Sun, 31 May 2026 11:21:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/tela-brasil-streaming-publico-estreia-com-mais-de-550-obras/ O governo lançou oficialmente neste sábado (30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro.

A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional.

A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site Gov.br.

No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros conheçam a si mesmos.

“A Tela Brasil vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”

O presidente também criticou o excesso de conteúdos estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade.

“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.

O presidente também chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional.

“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.

Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora, faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”

O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade.

Histórias ainda não contadas

Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.

“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”

Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.”

Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo das figuras históricas do país.

“O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”

Acervo da nova plataforma

O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.

O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça climática e sustentabilidade.

A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025.

Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais brasileiras, divididas em:

  • 267 curtas-metragens;
  • 139 longas-metragens;
  • 85 médias-metragens ou telefilmes;
  • 64 obras seriadas.

Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são outras obras de destaque.

O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.

Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade.

Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e contemporaneidade.

Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.

Perfis de utilização

Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:

Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.

Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.

Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo de 30 dias.

Parcerias

Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta, a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o audiovisual brasileiro.

A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Fonte: Agência Brasil

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Lula lança plataforma Tela Brasil e reforça soberania cultural https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-e-reforca-soberania-cultural/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-e-reforca-soberania-cultural/#respond Sun, 31 May 2026 00:35:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-plataforma-tela-brasil-e-reforca-soberania-cultural/
Ilustração editorial sobre Lula lança plataforma Tela Brasil e reforça soberania cultural. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação da Plataforma Tela Brasil, serviço público de streaming dedicado exclusivamente a produções audiovisuais nacionais. A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, utiliza tecnologia 100% nacional.

Durante cerimônia no Rio de Janeiro, Lula enfatizou o papel estratégico da cultura para o desenvolvimento econômico e social do país. O presidente afirmou que a produção cultural gera pertencimento e mobiliza centenas de profissionais em toda a cadeia produtiva.

Segundo Lula, a cultura representa um vetor econômico ainda subestimado nas métricas tradicionais. Cada obra audiovisual, mesmo as de menor porte, movimenta uma extensa rede de trabalhadores e contribui para a economia criativa.

A Tela Brasil surge como alternativa às plataformas estrangeiras dominantes no mercado digital. O projeto visa ampliar o acesso da população a filmes, documentários e outras obras brasileiras que circulam restritamente em festivais e mostras.

O governo espera que a plataforma fortaleça o setor audiovisual nacional, com atenção especial aos produtores independentes. A iniciativa chega em momento estratégico, quando o país busca consolidar políticas públicas de fomento à diversidade cultural no ambiente digital.

O desenvolvimento da plataforma contou com a expertise acadêmica da UFAL e a gestão pública do MinC. A opção por tecnologia nacional reforça a diretriz governamental de reduzir dependência de soluções estrangeiras e fortalecer a infraestrutura digital brasileira.

Lula destacou que a cultura transcende o entretenimento, funcionando como instrumento de transformação social. O presidente defendeu que investimentos no setor audiovisual geram retorno econômico mensurável, apesar de frequentemente subdimensionado.

A Tela Brasil reunirá um acervo diversificado de obras independentes, incluindo clássicos restaurados e lançamentos contemporâneos. A plataforma pretende se tornar referência para quem busca produções brasileiras de qualidade fora dos catálogos comerciais.

A iniciativa também promove a descentralização da produção cultural no país. Realizadores de todas as regiões terão oportunidade de exibir suas obras em vitrine nacional, impulsionando a economia criativa em estados historicamente marginalizados pelos grandes circuitos de exibição.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Lula lança Tela Brasil, plataforma pública de streaming com 3 mil horas de conteúdo


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Documentário Alma Negra expõe apagamento do soul brasileiro pela ditadura https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/documentario-alma-negra-expoe-apagamento-do-soul-brasileiro-pela-ditadura/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/documentario-alma-negra-expoe-apagamento-do-soul-brasileiro-pela-ditadura/#respond Sat, 30 May 2026 12:46:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/documentario-alma-negra-expoe-apagamento-do-soul-brasileiro-pela-ditadura/
Ilustração editorial sobre Documentário Alma Negra expõe apagamento do soul brasileiro pela ditadura. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O documentário Alma Negra – Do Quilombo ao Baile, dirigido por Flavio Frederico, chegou aos cinemas brasileiros com a missão de resgatar um capítulo essencial da história cultural do país. A obra de 102 minutos mergulha no movimento dos bailes black que floresceu nos anos 1970 durante a ditadura militar.

A produção reúne depoimentos de figuras como a socióloga Edneia Gonçalves, o produtor cultural Dom Filó e o historiador Carlos Alberto Medeiros. Eles ajudam a reconstruir a narrativa de resistência cultural negra no Brasil, sistematicamente apagada da história oficial.

A música era o centro daquele momento, com artistas como Tim Maia, Jorge Ben, Hyldon, Cassiano, Carlos Dafé, Gerson King Combo e Tony Tornado. Eles construíram uma identidade sonora que dialogava com a diáspora africana e a luta por direitos civis nos Estados Unidos.

O filme investiga como o racismo operou para sufocar o movimento black e retirá-lo da narrativa oficial. O apagamento não foi acidental, mas resultado de uma articulação que via na expressão cultural negra uma ameaça à ordem estabelecida.

O documentário aborda a reação de direita e esquerda à ascensão do movimento negro influenciado pela música americana. Para a direita, tratava-se de um ativismo perigoso inspirado nos Panteras Negras que precisava ser contido.

Setores da esquerda viam a manifestação como uma investida do imperialismo americano. Essa dupla pressão revela como o movimento black enfrentou resistências de ambos os lados, mas ainda assim deixou marcas profundas na música brasileira.

O longa reforça o papel central do quilombo como espaço de resistência histórica e sociabilidade. A trajetória dos quilombos coloniais aos bailes soul demonstra a continuidade da luta por afirmação cultural e política da população negra.

As imagens de arquivo são um dos pontos altos da produção. Elas transportam o espectador para a atmosfera dos bailes e da efervescência cultural da década de 1970, resgatando cenas que as narrativas oficiais tentaram apagar.

O resgate promovido pelo documentário chega em um momento em que a música brasileira contemporânea revisita o soul e o funk dos anos 1970. A obra funciona como uma ponte entre gerações, conectando o passado de luta à criatividade atual.

Ao trazer esse legado com rigor histórico, Alma Negra presta um serviço à memória coletiva brasileira. O documentário reafirma a potência da cultura negra como força transformadora em um país que ainda enfrenta o racismo estrutural.

Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.


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Lula lança Tela Brasil, plataforma pública de streaming com 3 mil horas de conteúdo https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-tela-brasil-plataforma-publica-de-streaming-com-3-mil-horas-de-conteudo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-tela-brasil-plataforma-publica-de-streaming-com-3-mil-horas-de-conteudo/#respond Sat, 30 May 2026 11:41:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/lula-lanca-tela-brasil-plataforma-publica-de-streaming-com-3-mil-horas-de-conteudo/
Ilustração editorial sobre Lula lança Tela Brasil, plataforma pública de streaming com 3 mil horas de conteúdo. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança neste sábado a Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming, durante o Rio2C, maior encontro de criatividade da América Latina. O evento ocorre no Rio de Janeiro com a presença de autoridades e artistas.

A TV Brasil integrará o catálogo da plataforma com mais de 150 títulos e 3 mil horas de programação disponíveis gratuitamente. A cerimônia de lançamento será apresentada por Cissa Guimarães, que comanda o programa Sem Censura na emissora pública.

A iniciativa resulta de parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o Ministério da Cultura (MinC). O acordo reúne produções de diferentes gêneros para ampliar o acesso ao conteúdo audiovisual brasileiro.

A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, destacou que a plataforma levará ao público parte importante da história da comunicação pública do país. Ela afirmou que a parceria representa a união entre MinC e TV Brasil para oferecer conteúdo gratuito, acessível e de qualidade.

Os próximos contratos de licenciamento de filmes da TV Brasil já preverão a exibição das obras na Tela Brasil. A medida reforça o compromisso com a democratização do acesso ao audiovisual nacional, conforme informou o portal Metrópoles.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


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Raro manuscrito medieval do Rei Arthur é leiloado por mais de US$ 2 milhões https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/raro-manuscrito-medieval-do-rei-arthur-e-leiloado-por-mais-de-us-2-milhoes/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/raro-manuscrito-medieval-do-rei-arthur-e-leiloado-por-mais-de-us-2-milhoes/#respond Thu, 28 May 2026 01:01:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/raro-manuscrito-medieval-do-rei-arthur-e-leiloado-por-mais-de-us-2-milhoes/
Manuscrito medieval com iluminuras retratando cenas do ciclo arturiano, em exposição. (Foto: smithsonianmag.com)

Um manuscrito medieval do ciclo do Rei Arthur, datado entre 1290 e 1310, será leiloado e pode alcançar mais de US$ 2 milhões.

A obra, conhecida como Clermont-Tonnerre Grail, é a mais antiga das três versões do Ciclo da Vulgata em mãos privadas. Contém 126 miniaturas ilustradas com tinta e ouro polido, criadas pelo Mestre do Apocalipse de Liège.

O manuscrito narra lendas arturianas, incluindo histórias de Merlim, Lancelote e a busca do Santo Graal. Eugenio Donadoni, especialista da Christie’s, destacou a importância cultural e artística da peça, ressaltando o uso de ouro brunido nas ilustrações.

Irene Fabry-Tehranchi, especialista da Biblioteca da Universidade de Cambridge, explicou que a obra foi produzida para patronos aristocráticos. O texto inclui um final resumido, prática comum na escrita medieval para atender ao gosto do público.

As iluminuras retratam cenas como Merlim transformado em cervo falante e cavaleiros em combates. O estilo do Mestre do Apocalipse de Liège é marcado por figuras de traços ágeis e contrastes de cores vibrantes.

O manuscrito integra o Ciclo da Vulgata, base para obras como Le Morte d’Arthur, de Thomas Malory. Sua permanência em coleções privadas limitou o acesso de pesquisadores, que esperam que seja adquirido por uma instituição pública.

A Christie’s estima que o valor ultrapasse US$ 2 milhões, destacando a raridade e a excelência artística do volume. A expectativa é de grande interesse no mercado de arte e literatura.

Leia mais sobre o assunto na smithsonianmag.com.


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Como parar de ser tão duro consigo mesmo https://www.ocafezinho.com/2026/05/26/como-parar-de-ser-tao-duro-consigo-mesmo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/26/como-parar-de-ser-tao-duro-consigo-mesmo/#respond Tue, 26 May 2026 17:42:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=251724 Você faria com um amigo o que faz consigo mesmo todos os dias? Provavelmente não. Quando alguém próximo erra, nossa tendência é oferecer compreensão, palavras de apoio e um ombro amigo. Mas quando o erro é nosso, a reação costuma ser bem diferente: crítica implacável, vergonha e uma voz interna que não poupa ninguém — nem a si mesma.

Essa contradição é mais comum do que parece. E, segundo pesquisadores que estudam o tema há décadas, ela tem consequências reais para a saúde mental e a capacidade de enfrentar adversidades. A boa notícia é que existe uma saída: a autocompaixão. E praticá-la é mais acessível do que muita gente imagina.

Antes de tudo, vale desfazer um equívoco frequente. Autocompaixão não é fraqueza, nem comodismo, nem desculpa para não melhorar. Trata-se, essencialmente, de tratar a si mesmo com o mesmo cuidado que você ofereceria a outra pessoa em sofrimento.

Kristin Neff, professora associada de psicologia educacional na Universidade do Texas em Austin e uma das maiores referências mundiais no tema, define bem essa distinção: “Podemos dizer: ‘Cometi um erro’, em vez de dizer: ‘Eu sou um erro’. É uma alternativa mais saudável à autoestima, porque não se trata de se julgar positivamente, mas sim de ser gentil e prestativo consigo mesmo.”

A diferença entre as duas frases parece sutil, mas muda tudo. Uma reconhece o erro sem destruir quem errou. A outra transforma o deslize em identidade — e isso tem um custo alto.

Além disso, autocompaixão não é autoindulgência. Enquanto a indulgência leva a comportamentos prejudiciais a longo prazo, a autocompaixão, ao contrário, reduz o esgotamento e aumenta a capacidade de cuidar dos outros. Ou seja: quem cuida bem de si mesmo cuida melhor do coletivo também.

Por que somos tão duros com nós mesmos?

A autocrítica excessiva não surge do nada. Ela tem raízes culturais, sociais e, muitas vezes, econômicas. Vivemos numa sociedade que valoriza produtividade acima de tudo, pune o erro e confunde descanso com preguiça. Nesse contexto, não surpreende que tantas pessoas internalizem uma voz interna severa e inflexível.

“A grande maioria das pessoas é significativamente mais compassiva com os outros do que consigo mesma”, observa Neff. Essa assimetria não é natural — ela é construída. E, por isso, pode ser desconstruída.

Pesquisas na área mostram que pessoas com maior nível de autocompaixão enfrentam situações estressantes com mais resiliência. Elas não ignoram o sofrimento, mas também não se afogam nele. Conseguem reconhecer a dor sem deixar que ela defina quem são.

Steven C. Hayes, psicólogo clínico e criador da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), vai além na definição: a autocompaixão “é o empoderamento de ser você mesmo, de sentir o que está sentindo, plenamente e sem defesas desnecessárias”. Não é fuga — é presença.

Técnicas concretas para praticar a autocompaixão

A teoria é importante, mas o cotidiano exige prática. Felizmente, existem formas simples e comprovadas de desenvolver uma relação mais gentil consigo mesmo.

Fale bem de você — todos os dias. Parece óbvio, mas pouquíssimas pessoas fazem isso de forma consciente. Observe como você se dirige a si mesmo ao longo do dia. Você se encoraja ou se sabotar? Se a autocrítica domina, experimente mudar o tom. Trate-se como trataria um bom amigo na mesma situação.

Use o método RAIN. A psicóloga Tara Brach, autora de “Aceitação Radical”, desenvolveu uma abordagem estruturada em quatro etapas: Reconhecer, Permitir, Investigar e Nutrir. Primeiro, identifique a emoção que está sentindo. Depois, deixe-a existir sem reprimi-la. Em seguida, observe como o corpo reage — há tensão no peito? Um nó no estômago? E, por fim, pergunte a si mesmo: do que essa parte que sofre mais precisa agora?

“Esse é provavelmente o maior sofrimento que as pessoas têm: ‘Não sou amável, estou aquém, deveria estar fazendo mais'”, diz Brach. O método RAIN ajuda a interromper esse ciclo antes que ele vire espiral.

Às vezes, o corpo responde antes da mente. Um estudo com 135 estudantes universitários mostrou que dedicar apenas 20 segundos por dia a colocar as mãos sobre o coração e o abdômen — enquanto se pensa em algo como “como posso ser meu próprio amigo neste momento?” — reduziu o estresse e aumentou a autocompaixão após apenas um mês.

Vinte segundos. O tempo de uma respiração profunda. O tempo que qualquer pessoa, independentemente da rotina ou da condição financeira, consegue encontrar no dia.

Esse dado importa porque desmonta a ideia de que cuidar de si exige dinheiro, tempo livre ou acesso a terapia. Obviamente, quando esses recursos existem, fazem diferença. Mas a autocompaixão começa antes — começa numa frase gentil dita para si mesmo no espelho de manhã.

Aqui entra uma dimensão que vai além do indivíduo. Cultivar autocompaixão não significa se fechar no próprio umbigo — pelo contrário. Hayes explica que, ao desenvolver compaixão por si mesmo, a pessoa se torna mais capaz de oferecer cuidado genuíno aos outros. “Mostre a eles que não estão sozinhos. Precisamos de pessoas que sejam mais autocompassivas e compassivas com os outros.”

Neff vai ainda mais longe. Para ela, a autocompaixão pode se transformar numa força de transformação social. Ela pode se expressar no estabelecimento de limites saudáveis em relações abusivas, no engajamento em causas coletivas, no voluntariado, na participação política. “Parte do cuidado com nós mesmos significa tentar acabar com o dano também no nível da sociedade. É algo maior do que apenas o nosso indivíduo.”

Nesse sentido, ser gentil consigo mesmo não é um ato de resignação — é um ato de resistência. Numa cultura que lucra com a insegurança alheia, que vende autoajuda cara e culpa quem não consegue “se superar”, cuidar de si com compaixão é, também, uma forma de não se dobrar ao que o sistema espera.

Não existe fórmula perfeita nem ponto de chegada definitivo. A autocompaixão é uma prática — e como toda prática, exige repetição, paciência e, sim, compaixão com os próprios tropeços no caminho.

O convite é simples: da próxima vez que você errar, pausar antes da autocrítica automática. Respirar. E perguntar: o que eu diria para um amigo que estivesse passando por isso? Depois, dizer exatamente isso para si mesmo.

É um começo. E começos importam.

Com informações de NYT* 

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Festival cultural e acadêmico reúne artistas e especialistas essa semana em Niterói https://www.ocafezinho.com/2026/05/26/festival-cultural-e-academico-reune-artistas-e-especialistas-essa-semana-em-niteroi/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/26/festival-cultural-e-academico-reune-artistas-e-especialistas-essa-semana-em-niteroi/#respond Tue, 26 May 2026 14:35:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=251660 O FANDOM acontecerá nos dias 26, 27 e 28 no IACS-UFF, no campus do Gragoatá

O Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (IACS-UFF) promove o primeiro FANDOM – Festival Acadêmico, Novos Desenvolvimentos e Outros Movimentos. O evento é destinado não apenas à comunidade do IACS e de toda a UFF, como ao público geral. Serão três dias de festival, de 26 a 28 de maio, com atividades diversas, muita cultura e troca acadêmica, com participação de todos os dez cursos do Instituto.

O objetivo principal do FANDOM é conectar saberes e culturas, fomentar a inovação e reflexão crítica e oferecer uma programação diversificada. Serão com apresentações culturais, oficinas, palestras, debates, rodas de conversa, workshops, aulas abertas, exposições e seminários.

O festival promoverá, ao longo de três dias, uma integração entre diferentes áreas do conhecimento acadêmico e manifestações culturais, fomentando uma troca entre a comunidade, além de criar um espaço dinâmico para o compartilhamento de ideias e discussões sobre o papel da educação no desenvolvimento cultural e social.

Programação diversa

O evento de abertura oficial do festival acontecerá na noite do dia 25 e já tem participação confirmada da vereadora Benny Briolly (PT).

As atividades são divididas em seis eixos temáticos que envolvem cultura, território, juventude, oportunidades, equidade, inclusão, sustentabilidade e economia criativa. Serão muitas atividades sobre culturas diversas, tecnologia, esportes, cinema e audiovisual, além de outros eventos e festivais que acontecerão dentro do FANDOM.

A programação conta com aula aberta sobre narrativas femininas no anime e mangá shoujo, oficina de graffiti, debate sobre a inteligência artificial generativa em sala de aula, oficina de reciclagem, workshop de forró, show da cantora e compositora Bel Cortez, e muitas outras atividades e presenças confirmadas, divulgadas no perfil do FANDOM no Instagram (@fandomiacs) e no site www.fandomiacs.com.br.

Destaques

Abrindo o debate sobre inclusão, o festival receberá a ativista PcD, palestrante e influenciadora digital Isabella Savaget, que conduzirá a palestra “Inclusão PcD: do discurso organizacional à prática”.

Os amantes de fotografia e de esporte já têm programação garantida com palestra e roda de conversa sobre fotografia de futebol com o fotógrafo do Flamengo, Adriano Fontes, além da palestra “Futuros Visíveis: autoinscrição negra e tecnopoéticas visuais com IA”, com o fotógrafo, pesquisador e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Daniel Meirinho. O festival também oferecerá uma aula aberta de introdução à fotografia analógica com o fotógrafo Brenner Ribeiro.

O time do audiovisual também já tem compromisso agendado com a exibição do longa-metragem “A Maldita”, de Tetê Mattos, seguida de debate com a diretora, e com a locutora Selma Boiron. Outro filme que será exibido no festival é “Cheiro de diesel”, que retrata os traumas coletivos da militarização das favelas do Rio de Janeiro ocupadas pelas Forças Armadas durante os megaeventos esportivos, acompanhado de um debate conduzido pelas professoras Carla Baiense e Geisa Rodrigues. Será oferecida também uma aula aberta sobre a história do cinema queer brasileiro, com Bruny Derotzi.

A palestra “Referência e história não são nostalgia – são vantagens competitivas” com Mário Barreto, membro da equipe de Hans Donner — designer responsável pelas grandes vinhetas da TV Globo —, é uma das grandes oportunidades para quem atua ou pretende atuar com audiovisual.

Outra grande oportunidade é a presença de duas representantes do time de audiovisual da Sony Music Brasil, a gerente de artistas e repertório (A&R), Roberta Salomone, e a analista A&R, Luiza Catalani, para ministrar a palestra “Sem corte: o que a câmera não mostra sobre o mercado audiovisual”.

A apresentação cultural “Roda de trocas e danças: Exu, comunicação e movimento” com a bailarina, professora de danças de matriz africana e coreógrafa, Aline Valentim, é outra grande promessa do evento, voltando o olhar à cultura e à ancestralidade.

Oportunidades

O festival também busca ser um palco de oportunidades para estudantes e profissionais. Sob o tema “O futuro do emprego na economia do conhecimento”, serão oferecidas uma aula aberta com a secretária de inovação da Prefeitura de Niterói, Juliana Benício, e uma oficina com Vaniza Schuch e Flavio Ceccon.

Além disso, a oficina de marca pessoal, com Tânia Martins e Gisele Karam, busca ajudar profissionais a criarem sua própria marca. A palestra “Conheça sua marca pessoal: narrativa em marketing digital e de mídias sociais para carreiras criativas na economia digital”, com a Ph.D em Marketing e professora clínica na Culverhouse College of Business da Universidade do Alabama, Drª. Virginia Rolling, é outra iniciativa voltada a auxiliar profissionais na criação de sua marca, pensando no ambiente digital.

Outro participante que vai cruzar o continente americano para trazer sua contribuição é o Ph.D em Educação Científica e professor assistente na Universidade Estadual da California, Dr. Jonathan L. Hall, que ministrará a palestra “Tornando-se mulheres na ciência: identidade, mundos relacionais e caminhos para a equidade em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática)”.

A roda de conversa “Da caixa-preta ao set de novela: juventudes, audiovisual e oportunidades” com o assistente de direção da Globo, Bruno Rossi, e o professor Guilherme Lima da UFF, busca traçar um horizonte de oportunidades no mercado audiovisual. A palestra “Para de esperar por um milagre: game jams, comunidade e o primeiro passo para criar jogos” com Júlia Gabina Jogaib Lobo é outra excelente oportunidade, destinada a quem deseja ingressar no mercado de criação de jogos.

Para fomentar ainda mais o encontro entre interesse e oportunidade, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) também estará presente com uma mesa para divulgação de vagas de estágio.

SERVIÇO

Se interessou? Anote na agenda: o FANDOM IACS acontece nos dias 26, 27 e 28 de maio, no campus da UFF no Gragoatá, das 14h às 21h. E só chegar!

Confira a programação completa no perfil do FANDOM no Instagram (@fandomiacs) e no site www.fandomiacs.com.br. Algumas atividades têm vagas limitadas e, para participar, é necessário realizar inscrição pelo site em: https://www.fandomiacs.com.br/schedule.

 

Para mais informações:

Assessoria de Imprensa – Isabella Cirne e Maria Clara Machado

E-mails: isabellacirne@gmail.com / claramachado@id.uff.br

Telefones: Isabella (21) 98349-5206 / Clara (21) 97666-5602

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Queda de estrutura de iluminação em show de Fábio Porchat fere seis pessoas em São Paulo https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/queda-de-estrutura-de-iluminacao-em-show-de-fabio-porchat-fere-seis-pessoas-em-sao-paulo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/queda-de-estrutura-de-iluminacao-em-show-de-fabio-porchat-fere-seis-pessoas-em-sao-paulo/#comments Mon, 18 May 2026 03:21:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/queda-de-estrutura-de-iluminacao-em-show-de-fabio-porchat-fere-seis-pessoas-em-sao-paulo/ 5 Comentários 🔥]]>
Ilustração editorial sobre Queda de estrutura de iluminação em show de Fábio Porchat fere seis pessoas em São Paulo. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um acidente durante a montagem do espetáculo do humorista Fábio Porchat no Teatro Humboldt, localizado em Interlagos, zona sul de São Paulo, deixou seis pessoas feridas após a queda de parte da estrutura de iluminação. Uma técnica que ajustava equipamentos caiu de altura considerável, provocando o desabamento de caixas de luzes sobre espectadores que aguardavam o início da apresentação.

O incidente resultou no cancelamento imediato das duas sessões programadas para o dia. Cinco pessoas do público foram atingidas pelos equipamentos que despencaram, além da própria profissional de iluminação que sofreu a queda inicial.

O ator e humorista Fábio Porchat comunicou o ocorrido por meio de suas redes sociais, informando que a técnica ferida passa bem e que os espectadores atingidos receberam atendimento médico sem registros de ferimentos graves. Ele garantiu o ressarcimento integral dos ingressos adquiridos e anunciou que uma nova data será agendada para as apresentações canceladas.

O Colégio Humboldt, instituição que abriga o teatro, divulgou nota oficial lamentando o acidente. A escola informou que sua equipe de suporte prestou atendimento imediato às vítimas, disponibilizando ambulância para os primeiros socorros e encaminhamentos necessários.

A instituição declarou que colabora com as autoridades para apuração das causas do incidente. O colégio afirmou ainda que mantém assistência às vítimas e seus familiares enquanto a investigação prossegue.

O Teatro Humboldt foi inaugurado em 2003 com patrocínio da Fundação Alemã Quandt e possui capacidade para 430 espectadores. O espaço conta com acessibilidade para pessoas com deficiência e integra a infraestrutura cultural da zona sul paulistana.

Leia mais sobre o assunto na noticias.uol.com.br.


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Distribuir Fanon https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/distribuir-fanon/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/distribuir-fanon/#respond Thu, 14 May 2026 13:59:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=247012 Por Priscila Miranda Rosário

A distribuição sempre foi tratada como o gargalo do cinema. O lugar onde alguns filmes passam e outros não. Durante muito tempo, isso fez sentido. Hoje, não faz mais.

Porque os filmes existem. Eles estão aí. As plataformas ampliaram brutalmente a oferta. Nunca se produziu tanto, nunca se teve tanto disponível. Então o problema não é mais chegar.

O problema é existir.

E existir, hoje, é outra coisa.

Especialmente para o cinema independente, que nunca foi distribuído da mesma forma que o cinema americano, mainstream, empurrado por máquinas de mídia. Esse cinema sempre precisou de validação. E essa validação, historicamente, vem dos festivais.

Os festivais são, em teoria, o lugar da descoberta. O lugar que revela o novo, que aponta caminhos, que legitima.

Mas os festivais também têm seus limites.

Eles têm seus interesses, suas zonas de conforto, suas agendas. E, no fim das contas, tudo passa por economia. Por decisão. Por escolha.

Porque ninguém chega a um filme só pelo tema. Existe todo um conjunto de sinais que fazem esse filme aparecer como escolha possível — quem dirige, quem atua, o que já foi dito sobre ele, onde ele circulou. O reconhecimento vem antes.

Existe uma cinefilia atenta ao novo, ao diferente — mas ela é um recorte. Para além disso, existe um público que precisa ser conquistado. E esse trabalho não é automático.

E aí entra uma mudança que pouca gente quer encarar de frente.

O streaming ampliou a oferta, sim. Mas ele também organizou essa oferta.

Ele deixou muito claro que existe um tipo de conteúdo que é feito para estar ali.

E, ao mesmo tempo, reforçou outra coisa: para você sair de casa e ir ao cinema, precisa ser por um motivo.

Ir ao cinema hoje não é mais um gesto automático.

É quase um ato de posição.

É quase como ir a uma manifestação.

Você se desloca, você escolhe, você decide estar ali.

E essa decisão passa, inevitavelmente, por identificação, por urgência, por representatividade.

Então a distribuição hoje não é criar desejo.

E também não é simplesmente escolher um filme.

A distribuição hoje é ter posicionamento.

É entender o que você coloca em circulação e por quê.

É assumir publicamente quais histórias você considera que precisam ocupar espaço.

Porque nem todo filme precisa — e nem deveria — estar no cinema.

E isso o próprio streaming já deixou evidente.

Ao mesmo tempo, existe algo fundamental: a sala de cinema ainda é um espaço mais democrático.

Porque ali não existe um executivo de streaming decidindo sozinho o que vai aparecer com mais destaque, baseado apenas em lógica comercial e algoritmo.

Graças às salas independentes — e isso é muito importante dizer — ainda existe um espaço onde certos filmes podem existir.

Filmes que, muitas vezes, não teriam lugar em nenhum outro circuito.

E é exatamente nesse ponto que entra Fanon, de Jean-Claude Barny.

Um filme que eu considero um filme missão.

Fanon não é qualquer personagem. Ele é um dos maiores intelectuais do século XX. Psiquiatra, filósofo, pensador central do decolonialismo. Um homem que morreu aos 36 anos e, ainda assim, produziu uma obra que atravessa o século.

 

Isso não é simples de transformar em cinema.

E, ainda assim, o filme consegue.

É uma obra de duas horas e vinte minutos que consegue fazer algo raro: dar forma cinematográfica a um pensamento complexo sem esvaziá-lo. Não é um filme frio. É um filme atravessado por emoção, por conflito, por vida.

E, justamente por isso, ele não entrou nos grandes festivais europeus.

Isso precisa ser dito.

Porque ainda existem temas que não circulam com facilidade.

E o colonialismo é um deles.

A Europa sabe o que fez. E não gosta de olhar para isso.

Então o filme foi recusado.

Mas foi lançado.

Na França, por uma distribuidora independente, uma mulher tunisiana, que entendeu a importância desse projeto. Ela fez o que a gente faz: construiu o caminho.

Pouca mídia.

Pouco espaço.

78 salas.

E aí o público respondeu.

O filme cresceu. Foi de 78 para 300 salas.

Eu estava lá. Eu vi.

Vi sessões cheias. Vi um público diverso. Vi, inclusive, salas majoritariamente de franceses brancos profundamente impactados pelo filme.

Isso desmonta uma ideia muito confortável: de que certos filmes falam só para determinados públicos.

Não.

Quando o filme é forte, ele atravessa.

Foi nesse momento que eu entendi que Fanon precisava estar no Brasil.

E, para mim, isso não é só uma decisão profissional.

Eu sou bisneta de um homem que nasceu escravizado.

Meu bisavô saiu de Minas Gerais e chegou ao Rio de Janeiro já liberto, com a avó dele.

Essa história não é distante de mim.

Ela me atravessa.

E Fanon atravessa essa história.

Esse filme foi distribuído em pouquíssimos lugares. França, Canadá, territórios ligados à origem do diretor. E só.

E, ainda assim, quando Jean-Claude Barny fez o primeiro post sobre o filme, brasileiros começaram a aparecer.

A perguntar.

A querer ver.

Existe uma percepção clara: o Brasil é um lugar para esse filme existir.

Mas existir não é automático.

A gente vai repetir aqui o que já aconteceu lá: pouco espaço, pouca mídia, necessidade de construir tudo.

E é por isso que esse não é um lançamento qualquer.

É um chamado.

A comunidade cinéfila precisa estar.

A comunidade progressista precisa estar.

A comunidade preta precisa estar.

Porque, no fim, a pergunta é simples:

quem nos representa?

Distribuir Fanon não é só lançar um filme.

É ter posicionamento.

É afirmar o que precisa existir.

É disputar espaço.

É disputar narrativa.

É disputar memória.

E, no fim, é sobre se ver representado na tela.

Nossos heróis.

FANON – PROGRAMAÇÃO

Região Sudeste

São Paulo

  • Cine SESC: 17h
  • IMS Paulista: 15h30, 15h40, 19h30, 19h40 e 21h30
  • Cinesystem Belas Artes: 15h40
  • CCSP (Sala Lima Barreto): 17h00 (Exceto dia 15/05, que será às 14h00)
  • Cine Sala FAAP: 20h30
  • Espaço Petrobras de Cinema: 20h50
  • Casa Belas Artes (Ribeirão Preto): 19h00

Rio de Janeiro

  • Estação Net Rio: 14h30 e 16h25 (Sex/Qua) | 16h00 e 21h00 (Sáb/Dom)
  • Cinecarioca José Wilker: 20h10
  • Estação Net Gávea: Sáb, Seg e Qua (Consulte horários específicos)

Minas Gerais

  • Cineart Ponteio (BH): 16h30
  • IMS Poços: 19h

Região Sul

  • Paradigma Cine Arte (Florianópolis): 14h00
  • Cine Multi (Florianópolis): 21h00
  • Cineplex Batel (Curitiba): 14h00 e 20h
  • Cinema Ulisses Geremias (Caxias do Sul): 15h30

Região Nordeste

  • Cine Glauber Rocha (Salvador): 19h20
  • Saladearte UFBA (Salvador): 19h50

Região Norte

  • Cinex Araguaína (TO): 19h35
  • Cinex Gurupi (TO): 19h35

Região Centro-Oeste

  • Cine Aurum Oscar Niemeyer (Goiânia): 19h15
  • Mostra de Goiânia: 19h e 19h15
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Feira literária resgata história afro-brasileira no bairro do Bixiga https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/feira-literaria-resgata-historia-afro-brasileira-no-bairro-do-bixiga/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/feira-literaria-resgata-historia-afro-brasileira-no-bairro-do-bixiga/#respond Fri, 01 May 2026 14:01:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/01/feira-literaria-resgata-historia-afro-brasileira-no-bairro-do-bixiga/ Neste mês de abril de 2026, a 2ª edição da Feira Literária da Rocha (Flir) resgata a história afro-brasileira no bairro do Bixiga, em São Paulo. Com programação diversa e gratuita, o palco é a própria Rua Rocha, que dá nome ao evento e reúne espaços ligados à cultura e lazer.

As autoras Cidinha da Silva, Geni Núñez, Lilia Schwarcz, Luiza Romão, Márcia Tiburi e Micheliny Verunschk são alguns dos destaques da programação. Elas participarão de mesas de conversa e aulas públicas ao longo desta edição.

A mesa de abertura, prevista para as 10h30 de sexta-feira, terá expoentes do pensamento sobre o bem viver.

O político Alberto Acosta, o escritor Kaká Werá Jecupé e a jornalista Juliana Gonçalves abordam o conceito a partir das cosmologias indígenas, das formulações andinas e da perspectiva das mulheres negras.

Ainda neste contexto, a escritora e multiartista negra Thereza Santos (1930-2012), que integrou o Partido Comunista e foi ativista do movimento negro e pelos direitos humanos, é a homenageada deste ano no evento.

A vida e a trajetória de Thereza serão lembradas e celebradas em mesa de conversa marcada para sábado (2 de maio de 2026), às 18h.

O evento reunirá mais de 60 editoras e livrarias, além de promover cerca de 70 atividades culturais gratuitas. Organizada pela Livraria Simples, com apoio de outros livreiros e organizações do Bixiga, a feira incluirá atividades para crianças, apresentações musicais e roteiros de turismo.

Um dos roteiros é o Negros do Bixiga, que percorrerá a herança afro-brasileira do bairro.

Anelis Assumpção e Claudia Balthazar vão tratar, em mesa de conversa, sobre lutas e caminhos para preservação da memória negra, partindo das experiências do Museu Itamar Assumpção e do coletivo Mobiliza Saracura Vai Vai.

Os escritores e jornalistas Fernando Morais e Cecília Olliveira discutirão temas relacionados às dinâmicas políticas no país e o acirramento da violência. O economista e político Eduardo Suplicy analisa, em aula pública, a realidade brasileira e o projeto da Renda Básica de Cidadania.

Além da programação voltada à literatura, organizações do bairro vão promover atividades como oficinas de reciclagem, de bordado, de tricô, orientação jurídica, atividades físicas e troca de mudas de plantas.

A programação completa está no site da Flir.

Fonte: Agência Brasil

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