DUBAI - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/dubai/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 16 Mar 2026 08:59:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png DUBAI - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/dubai/ 32 32 Dubai em ruínas: como os EUA traíram os árabes e destruíram o maior hub aéreo do mundo https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/dubai-em-ruinas-como-os-eua-trairam-os-arabes-e-destruiram-o-maior-hub-aereo-do-mundo/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/dubai-em-ruinas-como-os-eua-trairam-os-arabes-e-destruiram-o-maior-hub-aereo-do-mundo/#respond Mon, 16 Mar 2026 08:59:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227370 O aeroporto internacional de Dubai, outrora o maior hub de conexões aéreas do planeta, é agora uma zona de risco onde drones iranianos atingem tanques de combustível e voos são suspensos por horas a fio.

Nesta segunda-feira, mais um ataque forçou a paralisação de mais de sete horas nas operações — a mais longa desde o início da guerra — antes que a Emirates anunciasse a retomada de um número limitado de voos.

É o terceiro incidente no aeroporto desde 28 de fevereiro, e cada um deles crava mais fundo o prego no caixão da Dubai que o mundo conhecia.

Os números são devastadores. Segundo o WTTC (World Travel & Tourism Council), o setor de turismo do Oriente Médio perde 600 milhões de dólares por dia em gastos de visitantes internacionais, e a projeção para 2026 aponta um declínio de até 27% nas chegadas internacionais à região — uma perda de 34 a 56 bilhões de dólares em relação ao cenário pré-guerra. Dubai, que movimentava uma indústria turística de mais de 30 bilhões de dólares anuais, viu as reservas de hotéis despencarem mais de 60%, com os palácios de luxo do Palm Jumeirah convertidos em salões vazios.

A bolsa de Dubai fechou por dois dias consecutivos no início do conflito — algo inédito na história dos Emirados. Investidores globais que haviam se instalado em Dubai para aproveitar isenções fiscais estão migrando para Singapura e Hong Kong, levando consigo bilhões em capital. Khalid Almezaini, professor da Universidade Zayed, alertou que se a situação persistir, “os alicerces da economia — aviação, imóveis e negócios de expatriados — serão abalados”.

Mas a pergunta que ninguém faz em voz alta é a mais óbvia: quem destruiu Dubai? A resposta não está em Teerã — está em Washington. Os Emirados Árabes Unidos são atacados pelo Irã porque abrigam em seu território a base aérea de Al Dhafra, de onde operam ativos da Força Aérea e do Exército americano. A Guarda Revolucionária Iraniana foi explícita: disse que todos os ativos americanos na região são alvos legítimos e exigiu o fechamento das bases no Golfo. O Irã chegou a pedir que civis evacuassem as proximidades de portos, docas e instalações militares dos EUA nos Emirados.

E aqui reside a grande traição. Os Emirados proibiram o uso de suas bases e de seu espaço aéreo para ataques contra o Irã — uma posição que, como demonstrou a CNN, “não fez nada para isolá-los”. As monarquias do Golfo acreditaram durante décadas que as bases americanas em seus territórios eram um escudo de proteção. Descobriram, da forma mais brutal possível, que eram alvos pintados nas costas. Essas bases nunca foram para proteger os árabes — foram para controlá-los. E quando Washington decidiu atacar o Irã, os países anfitriões viraram moeda de troca num conflito que não era deles.

O mais amargo é que os árabes tentaram comprar a paz com Trump. O Qatar presenteou o presidente americano com um Boeing 747-8 avaliado em 400 milhões de dólares — um “palácio voador” que Trump aceitou sem constrangimento. A Arábia Saudita prometeu 600 bilhões em investimentos nos EUA, incluindo 142 bilhões em compras de armas. Jared Kushner, genro de Trump, recebeu 2 bilhões de dólares do fundo soberano saudita logo após deixar a Casa Branca. Joias, adagas, espadas, mantos — a lista de presentes é longa como o catálogo de uma casa de leilões.

Nada disso adiantou. Os países do Golfo imploraram para que a guerra não acontecesse. Sabiam que o Irã retaliaria contra seus territórios. Sabiam que suas economias, construídas sobre turismo, aviação e finanças, seriam as primeiras vítimas. Trump admitiu à CNN que a disposição do Irã para atacar os vizinhos árabes foi “a maior surpresa da guerra” — uma confissão involuntária de que sequer calculou as consequências para seus supostos aliados.

Hoje, Dubai é um aeroporto que funciona por “corredores aéreos seguros” — um eufemismo para dizer que aviões decolam rezando para não serem atingidos. Ninguém mais quer fazer conexão num hub onde drones atingem tanques de combustível. Os turistas europeus e asiáticos desapareceram. Os bancos internacionais tiraram seus funcionários. As conferências foram canceladas ou transferidas. A imagem que Dubai levou duas décadas construindo — a de ponte segura entre Ocidente e Oriente — foi pulverizada em duas semanas.

Os Emirados interceptaram mais de 90% das ameaças — 268 mísseis balísticos, 15 mísseis de cruzeiro e mais de 1.500 drones desde o início do conflito. Mas bastam os 10% que passam para transformar a narrativa de segurança em ficção. Seis pessoas morreram. E o prejuízo de imagem é incalculável: quem vai investir bilhões num país que pode ser atingido a qualquer momento?

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã produziu um efeito que nenhum adversário de Dubai jamais conseguiu: esvaziou seus hotéis, paralisou seu aeroporto, afugentou seu capital e revelou que o “escudo americano” era, na verdade, o ímã que atraía os mísseis.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/dubai-em-ruinas-como-os-eua-trairam-os-arabes-e-destruiram-o-maior-hub-aereo-do-mundo/feed/ 0
A liderança da China na corrida pela aviação urbana https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/a-lideranca-da-china-na-corrida-pela-aviacao-urbana/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/a-lideranca-da-china-na-corrida-pela-aviacao-urbana/#respond Sun, 09 Nov 2025 19:22:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220884 Mais do que um feito técnico, o voo com um carro simboliza a ascensão da China como potência da inovação e o início de uma era em que dirigir também será decolar

Em um domingo que entrou para a história da tecnologia mundial, o céu de Dubai foi cortado por algo mais do que um simples veículo voador — foi atravessado por um símbolo de transformação. O voo bem-sucedido do carro voador chinês da XPENG AEROHT, filial da XPENG, não é apenas um feito de engenharia. É um sinal de mudança na geopolítica da inovação, um lembrete de que o futuro não pertence mais exclusivamente ao eixo tecnológico do Ocidente.

O “Porta-Aviões Terrestre”, como foi batizado o veículo, não é apenas uma curiosidade futurista: é o resultado concreto de uma visão de desenvolvimento que coloca a ciência e a tecnologia a serviço do progresso nacional. A aeronave — uma combinação engenhosa de um carro terrestre e um módulo aéreo destacável — encarna a estratégia chinesa de disputar, de igual para igual, o espaço que por décadas foi dominado por gigantes norte-americanos e europeus.

Mas há algo mais profundo aqui. Ao contrário da retórica de “inovação pela inovação” que costuma dominar os discursos corporativos do Vale do Silício, o voo em Dubai mostra como a China tem usado a tecnologia como instrumento de soberania, inclusão e independência econômica. Em vez de entregar o futuro da mobilidade aos monopólios privados que veem o planeta como um grande mercado, o país asiático investe em pesquisa, em indústria nacional e em cooperação internacional com base no respeito mútuo — valores tão raros no cenário global dominado pela lógica neoliberal.

Durante a demonstração, a XPENG AEROHT apresentou uma máquina que é, ao mesmo tempo, simples e sofisticada. O veículo decola, voa e pousa automaticamente com um único toque. O controle manual, feito por uma alavanca única, concentra seis comandos em um só joystick. A precisão da tecnologia impressiona, mas o que mais chama atenção é o sentido de propósito coletivo por trás dessa inovação: reduzir congestionamentos, democratizar o transporte aéreo de curta distância e construir cidades mais sustentáveis e conectadas.

A China, ao investir nesse tipo de projeto, reafirma um modelo de desenvolvimento que entende o progresso como bem público, não como privilégio de poucos. Isso contrasta com a lógica de empresas ocidentais que, sob o pretexto de inovação, criam bolhas de exclusividade — tecnologias voltadas apenas para quem pode pagar caro por elas, reforçando as desigualdades que o capitalismo global insiste em perpetuar.

Não é coincidência que esse voo histórico tenha acontecido em Dubai, epicentro de uma região que busca se reinventar no pós-petróleo. A presença da cônsul-geral chinesa Ou Boqian e a ênfase na cooperação tecnológica entre China e Emirados Árabes Unidos mostram que o futuro da inovação pode — e deve — ser multipolar, baseado na solidariedade entre nações emergentes.

A recepção de 600 encomendas do novo modelo é mais do que um sucesso comercial. É um recado claro: o mundo está disposto a apostar em alternativas fora do eixo ocidental. O “Porta-Aviões Terrestre” é um produto chinês, mas também é um símbolo global de que o Sul pode, sim, liderar a revolução tecnológica.

O fundador da XPENG AEROHT, Zhao Deli, destacou que Dubai foi escolhida por sua “abertura à inovação” e pela demanda por soluções futuristas. No entanto, há algo mais significativo: foi escolhida também porque representa o encontro entre duas visões de mundo que se recusam a aceitar a dependência tecnológica imposta por décadas. China e Oriente Médio caminham juntas em direção a um modelo de desenvolvimento mais autônomo, mais equilibrado e mais sustentável.

O voo terminou sob aplausos e flashes, com o piloto acenando e o público maravilhado. Mas o verdadeiro espetáculo aconteceu acima das nuvens: a consolidação da China como protagonista da nova era da mobilidade aérea. Um protagonismo que incomoda, porque desestabiliza a ordem estabelecida.

Enquanto o Ocidente discute como taxar a inovação e proteger patentes de poucos, o Oriente constrói o futuro com base na cooperação e na partilha de conhecimento. E é justamente isso que o voo em Dubai representa: uma vitória do trabalho coletivo sobre o monopólio, da engenharia sobre a especulação, da esperança sobre o medo.

O carro voador chinês pode ter decolado em Dubai, mas o que ele realmente fez foi abrir o caminho para um mundo onde o progresso não é privilégio, e sim direito.

O futuro da mobilidade acaba de ganhar asas — e, ao que tudo indica, essas asas são vermelhas.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/a-lideranca-da-china-na-corrida-pela-aviacao-urbana/feed/ 0
Carro voador chinês faz voo histórico em Dubai https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/carro-voador-chines-faz-voo-historico-em-dubai/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/carro-voador-chines-faz-voo-historico-em-dubai/#respond Sun, 09 Nov 2025 19:17:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220883 O modelo “Porta-Aviões Terrestre” une solo e ar em uma engenharia ousada, transformando carros em aeronaves com um simples toque e desafiando os congestionamentos

O céu de Dubai foi palco de um momento que parece ter saído diretamente da ficção científica, mas que agora é realidade. A empresa chinesa XPENG AEROHT, afiliada da fabricante de veículos elétricos XPENG realizou um voo de demonstração do seu mais novo carro voador, marcando um avanço expressivo na corrida tecnológica global por aeronaves de baixa altitude.

O evento, que atraiu a atenção de autoridades, empresários e curiosos, apresentou ao público o modelo mais recente da companhia: o inovador “Porta-Aviões Terrestre”, uma combinação engenhosa de veículo terrestre, conhecido como “nave-mãe”, e um módulo aéreo destacável. Essa estrutura permite que o carro se transforme em aeronave em poucos instantes, abrindo caminho para um futuro em que os congestionamentos urbanos poderão ser superados literalmente pelos ares.

A demonstração exibiu as funcionalidades que tornam o projeto da XPENG AEROHT um marco tecnológico. O veículo pode operar em dois modos: automático e manual. No modo automático, a decolagem, o voo e o pouso são realizados com apenas um toque, graças a um sistema de planejamento de rotas inteligente. Já no modo manual, o piloto utiliza um controle de alavanca única, que concentra seis operações em um só joystick, permitindo um manejo ágil e intuitivo — tudo com apenas uma mão.

Durante o voo, o público pôde acompanhar toda a sequência de desprendimento e reconexão do módulo aéreo, uma das principais inovações do projeto. A precisão e a estabilidade da aeronave impressionaram os presentes e reforçaram o papel da XPENG AEROHT como uma das empresas líderes na transição para a mobilidade aérea urbana.

Carro voador desenvolvido pela empresa chinesa XPENG AEROHT é visto durante voo de demonstração em Dubai, Emirados Árabes Unidos, em 12 de outubro de 2025.
Com 600 pedidos confirmados no Oriente Médio, o projeto chinês consolida uma parceria tecnológica com os Emirados e redefine o conceito de transporte inteligente / Reprodução

A demonstração não foi apenas simbólica — ela também marcou um grande avanço comercial. A XPENG AEROHT confirmou ter recebido 600 encomendas do modelo “Porta-Aviões Terrestre” na região do Oriente Médio, representando a maior venda internacional da companhia até o momento.

Durante a cerimônia, a cônsul-geral da China em Dubai, Ou Boqian, destacou a importância da cooperação entre os dois países no campo da inovação tecnológica. Ela afirmou que tanto a China quanto os Emirados Árabes Unidos enxergam a ciência e a tecnologia como pilares fundamentais do crescimento econômico, ressaltando que essa parceria cria um ambiente fértil para novos investimentos e colaborações entre empresas dos dois lados.

O fundador da XPENG AEROHT, Zhao Deli, também esteve presente e se mostrou confiante no potencial do Oriente Médio como um dos principais mercados para a mobilidade aérea. Segundo ele, a abertura de Dubai à inovação, aliada à forte demanda por soluções de transporte futuristas e ao apoio governamental às novas tecnologias, foram fatores decisivos na escolha da cidade para sediar o voo de estreia.

Zhao revelou ainda que a empresa pretende lançar oficialmente o carro voador no mercado regional até 2027, consolidando sua presença em um setor que promete transformar radicalmente a maneira como as pessoas se deslocam.

Imagens do evento mostraram o entusiasmo dos espectadores. O piloto acenou ao público após pousar suavemente, enquanto Zhao Deli abriu as portas do veículo para demonstrar a praticidade do design e concedeu entrevistas à imprensa. A atmosfera era de celebração e otimismo — um retrato claro de como o futuro da mobilidade está mais próximo do que muitos imaginavam.

Com o voo bem-sucedido em Dubai, a XPENG AEROHT não apenas reforça o protagonismo da China no desenvolvimento de aeronaves de baixa altitude, mas também simboliza o início de uma nova era em que carros e aviões se fundem em um único conceito de transporte inteligente e sustentável.

O horizonte da mobilidade urbana acaba de ganhar asas — e, desta vez, o ponto de partida foi o coração tecnológico dos Emirados Árabes Unidos.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/09/carro-voador-chines-faz-voo-historico-em-dubai/feed/ 0
Dubai vê o primeiro voo da era da mobilidade aérea https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/dubai-ve-o-primeiro-voo-da-era-da-mobilidade-aerea/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/dubai-ve-o-primeiro-voo-da-era-da-mobilidade-aerea/#respond Wed, 15 Oct 2025 08:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220886 O que até ontem pertencia ao reino da ficção científica pousou suavemente no solo de Dubai neste domingo, 12 de outubro de 2025. Mas não se engane: o espetáculo não foi para todos. Foi uma festa privada do 1%.

Sob o olhar atento de autoridades e, claro, de investidores multibilionários, um veículo que minutos antes rodava no asfalto desacoplou seu módulo aéreo, subiu verticalmente e cortou o horizonte da cidade. Não foi um trailer de filme. Foi a demonstração pública e histórica do mais novo carro voador da XPENG AEROHT, o braço de inovação da gigante de veículos elétricos XPENG.

Mais do que um voo de teste, o evento simbolizou o início de uma nova era na mobilidade aérea de baixa altitude. Uma era, no entanto, que escancara o abismo social do nosso tempo. Consolidou-se ali uma parceria tecnológica multibilionária no Oriente Médio, provando que o capital não tem pátria, mas sempre encontra seus pares.

O protagonista do dia não é apenas um “carro que voa”. É um conceito modular batizado com a grandiloquência que só o hipercapitalismo pode conceber: “Porta-Aviões Terrestre”.

A estrutura é uma engenhosa combinação de um veículo terrestre robusto, apelidado de “nave-mãe”, e um módulo aéreo destacável. Diante do público selecionado, a máquina realizou a sequência completa: o desprendimento e, após o voo, a reconexão. A precisão e a estabilidade da aeronave impressionaram, mostrando que a transição entre solo e ar pode, de fato, ser uma realidade prática.

Mas para quem? A promessa é clara e profundamente reveladora: um futuro onde os congestionamentos urbanos são um problema que se resolve “olhando para cima”.

Esta é a lógica final do neoliberalismo. Não se trata de resolver o congestionamento com transporte público de massa, eficiente e barato. Não se trata de redesenhar cidades para o bem-estar coletivo. Trata-se de criar uma rota de fuga individual, aérea e exclusiva, para que a elite possa, literalmente, passar por cima dos problemas que ela mesma criou. O congestionamento fica para os que rodam no asfalto, na “nave-mãe” que fica para trás.

O que mais chamou a atenção foi a simplicidade da operação, desenhada não para técnicos, mas para consumidores de luxo. A XPENG AEROHT demonstrou duas formas de pilotagem que eliminam a complexidade das aeronaves tradicionais:

  • Modo Automático: Com apenas um toque, o sistema de planejamento inteligente assume. Ele calcula a rota, realiza a decolagem, executa o voo e pousa sozinho. A automação completa para quem não pode perder tempo nem com o ato de dirigir.
  • Modo Manual: Para quem prefere assumir os comandos, a experiência se assemelha a um videogame de alta tecnologia. Um único controle de alavanca, que pode ser operado com apenas uma mão, concentra six operações diferentes, permitindo um manejo ágil e intuitivo.

Ao final da demonstração, o piloto acenou para a multidão, e a atmosfera era de otimismo palpável. O otimismo de quem sabe que seu lugar no futuro está garantido, bem longe do chão. O futuro parecia ter acabado de estacionar na garagem dos bilionários.

Este evento estava longe de ser apenas simbólico. A demonstração em Dubai foi um movimento comercial estratégico. A cortina de fumaça da “inovação” esconde o verdadeiro motor: o lucro.

A XPENG AEROHT confirmou ter recebido 600 encomendas firmes do modelo “Porta-Aviões Terrestre” provenientes da região do Oriente Médio. Seiscentos indivíduos ou corporações que terão o privilégio de sobrevoar o trânsito comum.

Este número representa, de longe, a maior venda internacional da companhia até o momento e sinaliza que a demanda por essa tecnologia já não é especulativa. Ela é real, financiada por uma classe que acumulou tanto capital que seu único problema é como se mover de forma mais rápida entre seus complexos de luxo.

O fundador da XPENG AEROHT, Zhao Deli, que acompanhou tudo de perto e fez questão de abrir as portas do veículo para a imprensa, explicou por que Dubai foi o palco de estreia. Segundo ele, a cidade foi a escolha decisiva pela sua notória abertura à inovação.

Entenda-se “abertura à inovação” como um eufemismo para um paraíso desregulado, com forte apoio governamental a novas tecnologias (desde que sirvam ao capital) e por uma demanda local genuína por soluções de transporte futuristas (leia-se: uma concentração de riqueza que anseia por novos símbolos de status).

Zhao revelou que a empresa não pretende parar na demonstração: o plano é lançar oficialmente o carro voador no mercado regional até 2027. O relógio está correndo para a nova segregação urbana: a vertical.

A importância do evento foi além da esfera corporativa, tocando a diplomacia do capital. A cônsul-geral da China em Dubai, Ou Boqian, presente na cerimônia, fez questão de destacar a profundidade da cooperação entre os dois países.

Ela afirmou que tanto a China quanto os Emirados Árabes Unidos enxergam a ciência e a tecnologia como pilares fundamentais do crescimento econômico. Para a cônsul, essa visão compartilhada cria um “ambiente fértil” para novos investimentos e colaborações estratégicas.

O que vemos não é uma cooperação Sul-Sul em prol dos povos, mas uma aliança entre o capitalismo de estado chinês e o petro-capital das monarquias do Golfo. É um “ambiente fértil” para negócios, onde a tecnologia é o pilar do crescimento econômico, mas silencia-se sobre quem colhe os frutos desse crescimento.

O voo bem-sucedido não apenas reforça o protagonismo da China na corrida global pelas aeronaves de baixa altitude, mas também prova que a mobilidade aérea urbana está saindo do papel. O problema é para quem ela está saindo do papel.

Em Dubai, o horizonte acaba de ganhar asas. Mas não se iluda: essas asas não são para todos. São a mais nova e sofisticada barreira entre os que têm e os que não têm

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/dubai-ve-o-primeiro-voo-da-era-da-mobilidade-aerea/feed/ 0
Um exemplo da ascensão da China como potência da inovação https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/um-exemplo-da-ascensao-da-china-como-potencia-da-inovacao/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/um-exemplo-da-ascensao-da-china-como-potencia-da-inovacao/#respond Mon, 13 Oct 2025 19:12:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220885 O que até ontem pertencia ao reino da ficção científica pousou suavemente no solo de Dubai neste domingo, 12 de outubro de 2025. Sob o olhar de autoridades e investidores, um veículo que minutos antes rodava no asfalto desacoplou seu módulo aéreo, subiu verticalmente e cortou o horizonte da cidade.

Não foi um trailer de filme. Foi a demonstração pública e histórica do mais novo carro voador da XPENG AEROHT, o braço de inovação da gigante de veículos elétricos XPENG. Mais do que um voo de teste, o evento simbolizou o início de uma nova era na mobilidade aérea de baixa altitude e consolidou uma parceria tecnológica multibilionária no Oriente Médio.

O protagonista do dia não é apenas um “carro que voa”. É um conceito modular batizado de “Porta-Aviões Terrestre”. A estrutura é uma engenhosa combinação de um veículo terrestre robusto, apelidado de “nave-mãe”, e um módulo aéreo destacável.

Diante do público, a máquina realizou a sequência completa: o desprendimento e, após o voo, a reconexão. A precisão e a estabilidade da aeronave impressionaram, mostrando que a transição entre solo e ar pode, de fato, ser uma realidade prática. A promessa é clara: um futuro onde os congestionamentos urbanos são um problema que se resolve olhando para cima.

O que mais chamou a atenção foi a simplicidade da operação. A XPENG AEROHT demonstrou duas formas de pilotagem que eliminam a complexidade das aeronaves tradicionais.

  • Modo Automático: Com apenas um toque, o sistema de planejamento inteligente assume. Ele calcula a rota, realiza a decolagem, executa o voo e pousa sozinho.
  • Modo Manual: Para quem prefere assumir os comandos, a experiência se assemelha a um videogame de alta tecnologia. Um único controle de alavanca, que pode ser operado com apenas uma mão, concentra seis operações diferentes, permitindo um manejo ágil e intuitivo.

Ao final da demonstração, o piloto acenou para a multidão, e a atmosfera era de otimismo palpável. O futuro parecia ter acabado de estacionar.

Este evento estava longe de ser apenas simbólico. A demonstração em Dubai foi um movimento comercial estratégico. A XPENG AEROHT confirmou ter recebido 600 encomendas firmes do modelo “Porta-Aviões Terrestre” provenientes da região do Oriente Médio.

Este número representa, de longe, a maior venda internacional da companhia até o momento e sinaliza que a demanda por essa tecnologia já não é especulativa.

O fundador da XPENG AEROHT, Zhao Deli, que acompanhou tudo de perto e fez questão de abrir as portas do veículo para a imprensa, explicou por que Dubai foi o palco de estreia. Segundo ele, a cidade foi a escolha decisiva pela sua notória abertura à inovação, pelo forte apoio governamental a novas tecnologias e por uma demanda local genuína por soluções de transporte futuristas.

Zhao revelou que a empresa não pretende parar na demonstração: o plano é lançar oficialmente o carro voador no mercado regional até 2027.

A importância do evento foi além da esfera corporativa, tocando a diplomacia. A cônsul-geral da China em Dubai, Ou Boqian, presente na cerimônia, destacou a profundidade da cooperação entre os dois países.

Ela afirmou que tanto a China quanto os Emirados Árabes Unidos enxergam a ciência e a tecnologia como pilares fundamentais do crescimento econômico. Para a cônsul, essa visão compartilhada cria um “ambiente fértil” para novos investimentos e colaborações estratégicas.

O voo bem-sucedido não apenas reforça o protagonismo da China na corrida global pelas aeronaves de baixa altitude, mas também prova que a mobilidade aérea urbana está saindo do papel. Em Dubai, o horizonte acaba de ganhar asas.

Com informações de Xinhua*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/13/um-exemplo-da-ascensao-da-china-como-potencia-da-inovacao/feed/ 0
Sachs martela mais um prego no caixão da narrativa pró-Otan sobre a guerra na Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/sachs-martela-mais-um-prego-no-caixao-da-narrativa-pro-otan-sobre-a-guerra-na-ucrania/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/sachs-martela-mais-um-prego-no-caixao-da-narrativa-pro-otan-sobre-a-guerra-na-ucrania/#respond Wed, 19 Feb 2025 12:42:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202142

O renomado economista e professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, discursou nesta quarta-feira (13) no World Government Summit 2025, em Dubai, Emirados Árabes Unidos. Em sua fala, Sachs criticou duramente a política externa dos Estados Unidos, especialmente a expansão da OTAN para o Leste Europeu, apontando-a como uma das principais causas da atual crise geopolítica global.

Sachs relembrou que, em 1990, o governo dos EUA prometeu ao então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que a OTAN não se expandiria “nem uma polegada para o leste”. No entanto, segundo o professor, essa promessa foi quebrada repetidamente ao longo das décadas seguintes. Ele destacou que a decisão de expandir a aliança militar foi consolidada em 1994, durante o governo Bill Clinton, tornando-se um projeto de longo prazo que independeu da administração de diferentes presidentes americanos.

“A ideia era simplesmente continuar avançando para o leste, cercando a Rússia, expandindo a influência dos EUA sobre a antiga esfera soviética”, afirmou Sachs, diante de uma plateia composta por líderes governamentais, especialistas e empresários de diversas partes do mundo. O economista também mencionou que essa política foi levada ao extremo sob o governo de George W. Bush, quando sete países do Leste Europeu foram incorporados à aliança militar em 2004.

Segundo Sachs, a ruptura definitiva nas relações entre Rússia e Ocidente ocorreu em 2002, quando os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), que por décadas havia servido como um pilar da segurança global. “Esse tratado era um mecanismo essencial para evitar uma guerra nuclear. Mas os EUA decidiram ignorá-lo e começaram a instalar sistemas de mísseis em países próximos à Rússia”, argumentou.

O professor também abordou a guerra na Ucrânia, apontando que o conflito poderia ter sido evitado se os EUA tivessem respeitado a neutralidade do país. Ele recordou a eleição de Viktor Yanukovych em 2010, um presidente ucraniano que defendia a não adesão do país à OTAN. “Mas os EUA não aceitaram isso. Em 2014, participaram ativamente da derrubada de Yanukovych, e foi a partir desse momento que a guerra começou de fato”, disse Sachs.

O economista destacou ainda que, pela primeira vez em décadas, um governo dos EUA começou a admitir publicamente que a expansão da OTAN foi um erro estratégico. Ele se referia a declarações recentes do novo secretário de Defesa americano, que reconheceu que a Ucrânia não entrará para a aliança militar. “Foi a primeira vez que disseram a verdade”, afirmou Sachs, sugerindo que essa mudança de postura pode ser o primeiro passo para uma solução pacífica.

A fala do professor Jeffrey Sachs no World Government Summit 2025 ocorreu em um contexto de intensas discussões sobre a nova ordem mundial, a transição para um mundo multipolar e a necessidade de cooperação global para enfrentar desafios como conflitos regionais, mudanças climáticas e crises econômicas. O evento, realizado anualmente em Dubai, reúne líderes internacionais para debater o futuro da governança global.

 Abaixo link do vídeo legendado em português.

https://twitter.com/ocafezinho/status/1892191994111213630

***

Leia abaixo a transcrição completa da fala do professor Sachs:

“Foi uma ideia muito ruim dos Estados Unidos, tomada em 1994.

É um projeto.

O projeto era expandir a OTAN para sempre, para qualquer lugar.

Apenas continuar avançando.

E avançar não apenas para a primeira onda, que incluiu o país do primeiro-ministro, Hungria, República Tcheca e Eslováquia, mas depois seguir para o leste, mais perto da antiga União Soviética, entrar na antiga União Soviética, cercar a Rússia na região do Mar Negro, ir até um pequeno país no Cáucaso do Sul, a Geórgia.

Era algo de deixar a mente perplexa.

Clinton assinou isso em 1994.

Isso se tornou o que chamamos de Projeto do Estado Profundo, o que significa que não importava realmente quem era o presidente.

Cada presidente assumia e basicamente era informado:

‘A OTAN está se movendo para o leste. Você faz parte desse processo.’

Então, Clinton começou isso em 1994, e como o primeiro-ministro Orbán mencionou brevemente, em 1990, no dia 9 de fevereiro de 1990, em termos inequívocos e claros, os Estados Unidos disseram ao presidente Mikhail Gorbachev: ‘A OTAN não avançará nem uma polegada para o leste.’

E se você tiver alguma dúvida sobre isso, todos os documentos estão agora disponíveis online. Você pode examinar tudo.

Hans-Dietrich Genscher, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, disse a mesma coisa no mesmo dia. Ele está gravado, explicando: ‘Não, não, eu não quero dizer apenas dentro da Alemanha Oriental. Quero dizer em qualquer lugar.’

Clinton sendo Clinton, e o Estado Profundo dos EUA sendo o Estado Profundo dos EUA, começou esse projeto em 1994. Eles já tinham a ideia, aliás, em 1991, 1992, assim que a União Soviética acabou.

‘Aha. Agora avançamos, agora avançamos para o leste. Agora controlamos tudo. Agora somos a única superpotência.’

Então, isso continuou por 30 anos, e cada presidente entrou nessa.

Sob George W. Bush, mais sete países foram adicionados: Estônia, Letônia, Lituânia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia, em 2004.

Depois, em 2007, o presidente Putin disse na cúpula que está acontecendo agora, a Cúpula de Segurança de Munique: ‘Parem. Vocês nos disseram que não haveria expansão, nem uma expansão para o leste, nem mesmo uma polegada. Vocês já fizeram isso com 10 países. Parem.’

Perfeitamente razoável. Parem.

Eu não acho que nosso presidente Donald Trump gostaria muito de ver a China e a Rússia construindo suas bases militares na América Central.

É assim que os russos viram isso. ‘Por que vocês estão vindo para nossa fronteira quando disseram que não se moveriam?’

E havia mais uma coisa muito importante nisso, que provavelmente é a mais decisiva e quase não é reconhecida.

Em 2002, os EUA fizeram algo realmente, realmente desestabilizador: saíram unilateralmente do Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM).

Esse era um elemento central da estratégia para evitar uma guerra nuclear entre as duas superpotências. Porque o que o ABM fez por 30 anos foi dizer: ‘Cada um de nós tem dissuasão. Se você nos atacar, podemos retaliar. Vamos limitar nossos mísseis antibalísticos para que ambos os lados mantenham a dissuasão.’

Em 2002, os Estados Unidos, unilateralmente e sem provocação, saíram do ABM e disseram: ‘Não, não vamos mais fazer isso. Vamos colocar sistemas de mísseis antibalísticos nos territórios que fazem fronteira com a Rússia.’

Os russos disseram: ‘Vocês estão brincando?’

Os EUA disseram: ‘Qual é o seu problema? Nós fazemos o que queremos.’

Então, em 2007, Putin disse: ‘Já chega.’

Em 2008, George W. Bush dobrou a aposta, como os americanos normalmente fazem, e disse: ‘Ok, agora estamos indo para a Ucrânia e para a Geórgia.’

Foi por isso que essa guerra ocorreu.

Mas a Ucrânia ainda tinha um fio de esperança, e isso foi que elegeram um presidente em 2010 que não queria fazer parte da OTAN, e o público também não queria.

Por quê? Porque sabiam que isso era muito perigoso. Por que entrar nessa situação provocativa?

O nome dele era Viktor Yanukovych.

Os americanos não gostam de neutralidade, mas Yanukovych estava tentando ser neutro entre os dois lados.

E os EUA desempenharam um papel bastante infeliz em 22 de fevereiro de 2014, na derrubada violenta dessa pessoa.

E foi aí que a guerra começou.

E já se passaram 10 anos, e nenhum presidente contou a verdade até ontem.

Aliás, ontem foi um dia histórico porque houve uma ligação entre o presidente Putin e o presidente Trump.

Foi a primeira ligação, se é que houve alguma ligação curta antes entre os dois. Mas não houve nenhuma ligação entre Biden e Putin, com a guerra acontecendo por três anos, nenhuma ligação.

E agora houve uma ligação.

E o resumo do lado americano foi excelente.

O que o presidente Trump disse na ligação foi: ‘Nós respeitamos a Rússia. Nós ouvimos as preocupações da Rússia. Lutamos do mesmo lado na Segunda Guerra Mundial.’

Um ponto interessante, aliás, verdadeiro. A Rússia, a União Soviética, perdeu 27 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial e foi aliada dos Estados Unidos.

O fato de isso não ter sido mencionado por anos e anos e anos pelo presidente Biden, e então o novo secretário de Defesa disse ontem a verdade pela primeira vez: que a Ucrânia não vai entrar na OTAN.

Essa é a base para a paz. Essa é absolutamente a base para a paz.

E eles não conseguiram contar a verdade por três décadas. Eles não conseguiram admitir o que qualquer um de nós sabia.

Porque eu estive envolvido com essa região por 36 anos, em detalhes. Eu me sentei com Boris Yeltsin. Eu me sentei com Mikhail Gorbachev.

Mas os americanos não contariam a verdade publicamente até ontem, que isso foi tão provocativo.

Era um jogo. Eles pensaram que ganhariam o jogo.

Eu não sei quantas pessoas aqui jogaram ou jogaram na infância o jogo de War.

O jogo de War era um grande jogo para mim. Você queria suas peças em cada parte do mapa mundial. Esse era o jogo: quando você dominava o mundo inteiro, a Hegemonia Mundial, como chamamos agora. Você ganhava.

Eles estavam jogando esse jogo até esta administração.

Então, as duas coisas mais importantes, três coisas importantes, na minha opinião, aconteceram nesta administração até agora.

Primeiro, nosso novo secretário de Estado, Marco Rubio, disse a verdade fundamental: ‘Estamos em um mundo multipolar.’

Foi a primeira vez que essa frase foi dita. Ele disse a verdade. O que isso significa? A mentalidade americana por 30 anos foi: ‘Nós mandamos no pedaço.’ Marco Rubio disse: ‘Bem, nós não mandamos no pedaço. Vivemos com outros países poderosos.’

Ótimo começo.

Segundo e terceiro foram os dois eventos de ontem.

Então, eu estou sentindo que a paz é algo que realmente aconteceu ontem.

Se eles seguirem adiante, sabemos como é Washington. Há todo tipo de ideia maluca circulando.

Ainda assim, um projeto de 30 anos não acaba necessariamente com uma ligação ou uma declaração do secretário de Defesa.

Mas é muito importante que isso tenha sido dito tão publicamente e de forma tão visível.

E, claro, a Europa está em polvorosa porque a Europa assinou o projeto dos EUA.

Todos esses políticos na Europa estão onde estão porque faziam parte do projeto dos EUA.

E agora os EUA estão revertendo seu projeto.

E vocês não nos avisaram. O que devemos fazer? Estamos totalmente expostos.

E então eles estão completamente confusos.

E eu tenho que dizer, eu disse a eles pessoalmente, muitos desses líderes, e quero dizer pessoalmente, um por um, por anos: ‘Vocês vão se enroscar nisso.'”

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/02/19/sachs-martela-mais-um-prego-no-caixao-da-narrativa-pro-otan-sobre-a-guerra-na-ucrania/feed/ 0
Rússia quer triplicar exportações de gás líquido até 2030 https://www.ocafezinho.com/2024/12/28/russia-quer-triplicar-exportacoes-de-gas-liquido-ate-2030/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/28/russia-quer-triplicar-exportacoes-de-gas-liquido-ate-2030/#respond Sat, 28 Dec 2024 15:45:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199535 Os EUA usam a guerra como pretexto para sancionar o gás líquido russo para asfixiar um concorrente comercial.

O presidente russo Vladimir Putin adotou a instalação Arctic LNG 2, que entrou em operação em dezembro, como um projeto de prestígio nacional. É uma oportunidade para mostrar a tecnologia do país, mas também busca provar que as sanções ocidentais – impostas após a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022 – não impedirão o comércio do país.

A análise da Bloomberg de dados de empresas, imagens de satélite e informações de rastreamento de navios mostra até onde Moscou parece estar disposta a ir para capturar participação de mercado. No curto prazo, isso pode fornecer algum lucro em tempos de guerra, mas o objetivo final do governo é triplicar as exportações de GNL até 2030 como um dos pilares de qualquer economia pós-conflito – especialmente depois de perder a Europa como seu principal cliente de gás canalizado.

A importância do GNL para a economia foi destacada por Putin em um discurso no ano passado, quando a entrega da primeira linha de produção para a instalação do Ártico começou. Tais projetos “proporcionam um efeito abrangente para toda a economia, permitem-nos ganhar a participação de mercado necessária no mercado global de GNL e permitem-nos desenvolver indústrias adjacentes”, disse ele.

Desde a invasão da Ucrânia, a indústria petrolífera russa conseguiu construir uma chamada “frota fantasma” de centenas de navios para transportar seu petróleo restrito. Até agora, o valor bruto das exportações marítimas de petróleo bruto do país foi de cerca de US$ 210 bilhões no ponto de carregamento, com base em dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg e preços de exportação de petróleo bruto russo fornecidos pela Argus Media.

Moscou agora parece estar imitando a estratégia com o GNL. Washington respondeu rapidamente implementando sanções, intensificando a disputa comercial pelo GNL entre a Rússia e os EUA – o maior fornecedor mundial. O Arctic LNG 2 foi colocado sob sanções em novembro de 2023 antes mesmo de iniciar a produção. Os compradores, ansiosos por não violar as restrições dos EUA, foram alertados sobre o gás da planta, e a entrega de navios especializados que podem atravessar águas geladas foi interrompida.

O gás está efetivamente preso no Ártico. A Rússia é o quarto maior exportador de GNL do mundo. As exportações dos EUA superaram as rivais devido ao boom do gás de xisto.

Encurralada, a Rússia está tomando medidas cada vez mais desesperadas e potencialmente perigosas para tentar manter o fluxo de combustível, chegando até a oferecer grandes descontos para persuadir clientes relutantes, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto. A Bloomberg conversou com mais de duas dezenas de traders de GNL, executivos de empresas e corretores de navios para esta história. Todos pediram para não ser identificados descrevendo deliberações privadas.

“Putin reconhece que o mercado de GNL é a commodity mais importante nos próximos 10 a 15 anos”, diz Maximilian Hess, autor de Economic War: Ukraine and the Global Conflict between Russia and the West, “e ele quer que a Rússia desempenhe um papel nesse mercado.”

Moscou tem grandes esperanças para o Arctic LNG 2, a maior planta de gás da Rússia, que eventualmente poderá produzir até 20 milhões de toneladas de combustível por ano. A construção em grande escala começou em 2019 com o objetivo de capturar uma fatia maior do mercado na Ásia, onde a demanda deve crescer 40% até 2030. A Rússia tem a ambição de controlar 20% do mercado global até o final da década, em comparação com apenas 8% no ano passado. Isso a coloca em competição direta com os fornecedores dos EUA, que esperam dobrar suas exportações totais de GNL nesta década. Ambos veem a China, o maior comprador do mundo, como um cliente-chave.

Após engenheiros ocidentais se retirarem devido à invasão da Ucrânia, a Novatek PJSC – a empresa privada que detém 60% do empreendimento que administra o Arctic LNG 2 – teve que concluir a construção enquanto navegava pelas restrições comerciais. Encerrar as operações não era uma opção.

“Desistir do Arctic LNG 2 não significa apenas fechar ou adiar um projeto”, diz Malte Humpert, fundador do Arctic Institute, um think-tank com sede em Washington, “é simbólico para uma Rússia ressurgente.”

As instalações existentes de GNL do país – incluindo Yamal e Sakhalin-II – não estão sob sanções e continuam a operar normalmente, entregando combustível russo para a Ásia e Europa, o que ajudou a evitar uma escassez global de gás.

Oficiais do governo russo agora buscam mercados para o GNL do Arctic 2, por meio de uma rede de empresas encarregadas de criar uma frota de navios e compradores dispostos a iniciar as exportações da instalação bloqueada. O porta-voz de Putin não respondeu a um pedido de comentário sobre se o governo está envolvido na criação de uma frota clandestina de GNL.



Com informações da Bloomberg.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/12/28/russia-quer-triplicar-exportacoes-de-gas-liquido-ate-2030/feed/ 0
Irã alerta países árabes para não apoiarem Israel https://www.ocafezinho.com/2024/10/12/ira-alerta-paises-arabes-para-nao-apoiarem-israel/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/12/ira-alerta-paises-arabes-para-nao-apoiarem-israel/#respond Sat, 12 Oct 2024 19:45:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194746 Teerã avisou que qualquer nação que permitir a Israel o uso de seu espaço aéreo poderá desencadear um conflito de grandes proporções no Oriente Médio


Preparando-se para uma possível retaliação de Israel, o Irã solicitou a seus vizinhos árabes que não permitam o uso de seu espaço aéreo por Israel, segundo dois diplomatas de países do Golfo, que falaram à NBC News nesta sexta-feira (11).

Israel, que prometeu responder ao ataque de mísseis balísticos lançado pelo Irã na semana passada, levou Teerã a alertar os países vizinhos de que qualquer assistência a Israel poderia resultar em uma escalada para um conflito mais amplo, afirmou um dos diplomatas. Ambos os diplomatas pediram anonimato, pois não estavam autorizados a discutir publicamente o tema sensível.

“O Conselho de Cooperação do Golfo não quer ser envolvido em um confronto direto”, disse um dos diplomatas, destacando que “a prioridade é a desescalada”.

Nações árabes como a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos abrigam bases militares e instalações petrolíferas dos EUA, essenciais para a economia global. A advertência do Irã de não apoiar Israel aumenta os temores de que esses locais possam ser alvos em um possível confronto.

Outro diplomata destacou que é improvável que qualquer país árabe permita o uso de seu espaço aéreo para um ataque israelense contra o Irã.

Iniciativa diplomática do Irã

Após esses eventos, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi iniciaram uma forte campanha diplomática, buscando apoio dos vizinhos do Golfo e persuadindo-os a usar sua influência em Washington para moderar a resposta de Israel.

Araghchi visitou o Catar e a Arábia Saudita, onde manteve conversas com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Uma grande faixa em Teerã retrata os ataques com mísseis / NBC News

Pezeshkian também se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin à margem de um fórum internacional em Ashgabat, no Turcomenistão, para discutir a crise no Oriente Médio. O Kremlin confirmou na sexta-feira que Pezeshkian aceitou um convite formal de Putin para uma visita de Estado.

Antes da reunião, Pezeshkian, considerado um líder relativamente moderado, disse à televisão estatal russa que Israel deveria “parar de matar inocentes” e acusou os EUA e a União Europeia de apoiar essas ações.

Promessas de retaliação de Israel

Israel prometeu que o Irã enfrentaria consequências pelo lançamento de cerca de 200 mísseis, embora o exército israelense tenha relatado que a maioria foi interceptada, resultando em apenas uma fatalidade: Sameh Khadr Hassan Al-Asali, um palestino de 38 anos atingido por estilhaços na Cisjordânia.

O ataque iraniano foi uma retaliação pelos assassinatos do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, e do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, além de um ataque ao consulado iraniano em Damasco que matou dois generais iranianos.

Escalada das tensões

Nasrallah foi morto em um ataque aéreo israelense logo após vários líderes do Hezbollah serem mortos por dispositivos explosivos, em um ataque amplamente atribuído a Israel. Tanto o Hamas quanto o Hezbollah recebem apoio do Irã, e Pezeshkian afirmou que o Irã estava “exercendo contenção”, aguardando dois meses após a morte de Haniyeh para retaliar.

O momento e a natureza da resposta de Israel permanecem incertos, mas o ministro da Defesa israelense Yoav Gallant afirmou que a resposta seria “mortal, precisa e, acima de tudo, surpreendente”.

Apesar de algumas pressões internas e externas para que Israel lance um ataque ambicioso às instalações nucleares iranianas, o presidente Joe Biden disse que não apoiaria tal ação. Além disso, o conselheiro sênior do aiatolá Ali Khamenei, Rasoul Sanaei-Rad, advertiu que atacar as instalações nucleares iranianas “cruzaria linhas vermelhas regionais e globais”.

Tensões regionais e preocupações energéticas

Biden também alertou Israel contra ataques a instalações petrolíferas iranianas, com os estados do Golfo fazendo lobby para evitar que suas próprias instalações se tornem alvos.

Abu al-Askari, porta-voz militar do Kataib Hezbollah, uma milícia apoiada pelo Irã, afirmou que o mundo perderia “12 milhões de barris de petróleo por dia” caso o Irã fosse atacado, e ameaçou retaliar contra interesses americanos no Iraque e na região.

Apesar dessas tensões, Matthew Savill, diretor do Royal United Services Institute, sugeriu que Israel poderia ignorar os protestos da Síria e do Iraque e optar por rotas aéreas alternativas para atacar o Irã.

Consequências humanitárias

Enquanto isso, no Líbano e em Gaza, as pessoas estão lidando com as consequências dos ataques israelenses. No Líbano, pelo menos 22 pessoas foram mortas e 117 ficaram feridas em ataques a Beirute, segundo o Ministério da Saúde libanês. Em Gaza, 28 pessoas morreram em um ataque aéreo a uma escola usada como abrigo. A IDF alegou que o local estava sendo utilizado como um centro de comando do terrorismo.

Com informações da NBC*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2024/10/12/ira-alerta-paises-arabes-para-nao-apoiarem-israel/feed/ 0