Google - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/google/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 05 Jun 2026 20:33:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Google - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/google/ 32 32 Google pagará US$ 920 milhões mensais à SpaceX por supercomputação de IA antes de IPO bilionário https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/google-pagara-us-920-milhoes-mensais-a-spacex-por-supercomputacao-de-ia-antes-de-ipo-bilionario/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/google-pagara-us-920-milhoes-mensais-a-spacex-por-supercomputacao-de-ia-antes-de-ipo-bilionario/#respond Fri, 05 Jun 2026 20:33:28 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/google-pagara-us-920-milhoes-mensais-a-spacex-por-supercomputacao-de-ia-antes-de-ipo-bilionario/ A SpaceX anunciou um contrato com o Google no valor de US$ 920 milhões por mês para fornecimento de capacidade computacional de alto desempenho. O acordo, divulgado em documento regulatório, dá ao Google acesso a aproximadamente 110 mil GPUs NVIDIA, CPUs e outros componentes de data center a partir de outubro de 2026 até junho de 2029.

O valor mensal equivale a cerca de 74% do que a empresa de inteligência artificial Anthropic pagará à SpaceX por acesso semelhante. No contrato anunciado no final de maio, a Anthropic desembolsará US$ 1,25 bilhão por mês pelo mesmo período, usando o data center Colossus 1, originalmente construído pela xAI perto de Memphis, Tennessee.

O Google, que já é um investidor histórico na empresa de Elon Musk, não especificou qual centro de dados utilizará, mas a companhia espacial indicou que o Colossus 2 provavelmente será reservado para a xAI. Com o IPO da SpaceX marcado para a próxima semana na Nasdaq, o contrato revela a dimensão do negócio de computação em nuvem da empresa, que deve arrecadar cerca de US$ 75 bilhões com uma avaliação de US$ 1,75 trilhão.

Ambos os acordos incluem cláusulas de cancelamento mútuo após 31 de dezembro de 2026, com aviso prévio de 90 dias, segundo a documentação regulatória. Além disso, o Google terá um período de implantação até setembro com taxas reduzidas, e caso a SpaceX não entregue o volume comprometido de GPUs até 30 de setembro de 2026, a gigante de buscas pode rescindir o contrato ou aceitar uma quantidade menor com redução proporcional da mensalidade.

A participação do Google na SpaceX, estimada em mais de US$ 100 bilhões após a abertura de capital, mostra a profundidade da parceria entre as duas empresas. As companhias também discutem a construção de data centers orbitais, um componente central dos planos futuros da SpaceX pós-IPO, conforme reportou o TechCrunch.

Esse movimento consolida a posição da SpaceX como potência não apenas em lançamentos espaciais, mas também em infraestrutura de computação para inteligência artificial. Com a corrida global pela IA, o acesso a milhares de GPUs de última geração se torna um ativo estratégico crítico, e a SpaceX se posiciona como fornecedora de capacidade massiva para as principais empresas de tecnologia do planeta.

O anúncio ocorre em um momento em que empresas de tecnologia buscam alternativas à concentração de poder computacional nas mãos de poucos fornecedores, como Amazon e Microsoft. A SpaceX, com sua estrutura de data centers de última geração e acesso privilegiado a hardware de ponta, desafia a hegemonia tradicional do setor de nuvem.

O IPO da SpaceX, aguardado para os próximos dias na Nasdaq, promete ser um dos maiores da história, refletindo a confiança do mercado na diversificação e no potencial de geração de receita recorrente da empresa. O contrato com o Google reforça que a companhia de Elon Musk está a caminho de se tornar uma das corporações mais valiosas do mundo.

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Alphabet realiza maior venda de ações da história para financiar inteligência artificial https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/alphabet-realiza-maior-venda-de-acoes-da-historia-para-financiar-inteligencia-artificial/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/alphabet-realiza-maior-venda-de-acoes-da-historia-para-financiar-inteligencia-artificial/#respond Wed, 03 Jun 2026 23:33:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/alphabet-realiza-maior-venda-de-acoes-da-historia-para-financiar-inteligencia-artificial/ A Alphabet, controladora do Google, realizou a maior venda de ações da história corporativa, levantando US$ 85 bilhões para financiar seus negócios de inteligência artificial. O volume recorde, anunciado no início desta semana, superou todas as expectativas iniciais e alimenta o debate sobre a bolha bilionária da IA.

A oferta estava originalmente planejada em US$ 40 bilhões, mas a demanda foi tão avassaladora que a primeira tranche alcançou US$ 45 bilhões, segundo o CEO Sundar Pichai. Entre os compradores, destacou-se a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, que adquiriu US$ 10 bilhões em ações, sinalizando que até os investidores mais cautelosos estão apostando pesado na tecnologia.

A Alphabet planeja vender mais US$ 40 bilhões no próximo trimestre, completando o total de US$ 85 bilhões. O montante supera o recorde anterior, de US$ 70 bilhões, estabelecido pela Petrobras em 2010.

A empresa matriz do Google registrou receita de US$ 110 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com margens elevadas e crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O destino dos recursos captados será exclusivamente a inteligência artificial, conforme enfatizou Pichai.

Parte da nossa estratégia de investimento plurianual para aproveitar a oportunidade da IA e atender à demanda que vemos de empresas e consumidores, afirmou o executivo. Durante o evento Google I/O do mês passado, ele revelou que a companhia espera investir entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões em infraestrutura de IA e data centers ainda este ano.

O movimento da Alphabet sinaliza um marco para o pipeline de IPOs de inteligência artificial. A Anthropic, concorrente da OpenAI, prepara-se para abrir capital, e a estreia da SpaceX também promete quebrar recordes de avaliação e captação.

Segundo reportagem do TechCrunch, investidores institucionais com grande capacidade financeira estão prontos para injetar bilhões no setor. A OpenAI também aguarda sua vez de acessar os mercados públicos.

O contexto envolve um compromisso de quase US$ 8 trilhões em gastos com IA nos próximos cinco anos, segundo estimativas. Esse volume exigirá uma combinação de receitas próprias, empréstimos e vendas de ações, testando a capacidade de absorção dos mercados globais.

A escala desses investimentos reflete a centralidade que a inteligência artificial assumiu na economia global, mas também levanta preocupações sobre uma possível bolha especulativa. A concentração de capital em poucas gigantes tecnológicas pode aprofundar as desigualdades no sistema internacional.

Enquanto isso, países do Sul Global acompanham a corrida bilionária com a perspectiva de que a soberania tecnológica digital será o próximo campo de disputa geopolítica. Resta saber se os mercados financeiros terão fôlego para sustentar esse apetite voraz por muito mais tempo.

A confiança dos investidores no futuro da IA parece inabalável, mas o risco de uma correção severa permanece. O recorde da Alphabet é, portanto, tanto um sinal de vitalidade quanto um alerta sobre a fragilidade do atual modelo de desenvolvimento tecnológico concentrado em poucas corporações.

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Google pede autorização para liberar 64 milhões de mosquitos com bactéria nos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/google-pede-autorizacao-para-liberar-64-milhoes-de-mosquitos-com-bacteria-nos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/google-pede-autorizacao-para-liberar-64-milhoes-de-mosquitos-com-bacteria-nos-eua/#respond Wed, 03 Jun 2026 20:51:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/google-pede-autorizacao-para-liberar-64-milhoes-de-mosquitos-com-bacteria-nos-eua/ A gigante tecnológica Google apresentou pedido à Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos para liberar até 64 milhões de mosquitos infectados com a bactéria natural Wolbachia pipientis em regiões da Califórnia e Flórida. O objetivo é reduzir populações do mosquito Culex quinquefasciatus, espécie invasora capaz de transmitir doenças como o vírus do Nilo Ocidental e a encefalite de St. Louis.

Segundo reportagem do portal Live Science, a iniciativa faz parte do projeto Debug, desenvolvido pelo Google. A estratégia utiliza mosquitos machos não picadores portadores da bactéria Wolbachia, que provoca um fenômeno chamado incompatibilidade citoplasmática. Quando esses machos acasalam com fêmeas não infectadas, os embriões resultantes não são viáveis. Já as fêmeas que carregam a mesma bactéria geram descendentes que também herdam a Wolbachia, reduzindo gradualmente a população de mosquitos transmissores de doenças.

Cientistas destacaram o potencial da abordagem. Karthikeyan Chandrasegaran, professor da Universidade da Califórnia em Riverside, afirmou que as estratégias com Wolbachia são espécie-específicas e não introduzem novas toxinas no ambiente. Ele ressaltou que a bactéria é um simbionte natural presente em muitas espécies de insetos, tornando-a uma ferramenta de controle mais conservadora em comparação com inseticidas de largo espectro.

Eric Caragata, professor da Universidade da Flórida, explicou que a técnica já é utilizada desde 2011 para controlar mosquitos. O foco do Google é combater o Culex quinquefasciatus, espécie que se tornou um problema de saúde pública nos EUA. A EPA classificou o pedido como de relevância regional e nacional e abriu um período de comentários públicos, que se encerra em breve.

Após essa etapa, a agência poderá autorizar a liberação de até 32 milhões de mosquitos na Califórnia e outros 32 milhões na Flórida ao longo de dois anos. O Google utiliza máquinas automatizadas e inteligência artificial para produzir milhões de mosquitos e separar os machos das fêmeas, garantindo que apenas insetos não picadores sejam liberados. Experiências anteriores com mosquitos Aedes aegypti, vetores da dengue e zika, já demonstraram resultados expressivos. Em Singapura, onde o Google também atua, a liberação de machos portadores de Wolbachia reduziu em até 90% a população de mosquitos transmissores e diminuiu em 70% o risco de contrair dengue.

Os pesquisadores não preveem impactos ecológicos significativos. Chandrasegaran apontou que a maioria dos predadores de mosquitos é generalista e se alimenta de uma ampla variedade de insetos, de modo que a supressão local do Culex quinquefasciatus não deve provocar desequilíbrios na cadeia alimentar. O vírus do Nilo Ocidental é a principal causa de doença transmitida por mosquitos nos Estados Unidos, com cerca de 2.000 casos diagnosticados anualmente. Na Califórnia, desde 2003, já foram registrados mais de 8.000 casos humanos e mais de 400 mortes.

Especialistas avaliam que os benefícios à saúde pública superam eventuais riscos ecológicos, especialmente diante da resistência crescente dos mosquitos aos inseticidas tradicionais. O projeto Debug representa uma aposta em soluções naturais e de precisão para um problema que, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC), causa entre 500 mil e mais de um milhão de mortes por ano no mundo.

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Reino Unido obriga Google a criar botão de fuga para sites em buscas de IA https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/#respond Wed, 03 Jun 2026 20:34:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/ O Reino Unido impôs barreiras legais ao avanço das buscas com inteligência artificial do Google, forçando a empresa a oferecer uma rota de escape para publishers. A partir de agora, qualquer site poderá optar por não ter seu conteúdo exibido nos recursos generativos de busca da empresa, como os populares AI Overviews e AI Mode.

O anúncio foi feito pelo próprio Google, em cumprimento às exigências da Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA). A companhia habilitou um novo interruptor em seu Search Console — ferramenta gratuita usada por administradores de sites para gerenciar sua presença nos resultados de busca — que permite remover instantaneamente o conteúdo de um domínio de todas as funcionalidades de IA generativa.

Segundo reportagem do TechCrunch, a medida é descrita pela CMA como uma estreia mundial na devolução do controle aos produtores de conteúdo. O órgão regulador britânico destaca que a nova regra coloca organizações jornalísticas e outros publishers em posição mais forte para negociar acordos comerciais com o Google pelo uso de seus materiais nos recursos de inteligência artificial.

O Google, naturalmente, fez questão de exibir sua musculatura no mesmo comunicado em que anunciou a conformidade regulatória. A empresa revelou que seus AI Overviews já ultrapassaram 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o AI Mode — uma experiência de busca inteiramente generativa — superou a marca de um bilhão de usuários por mês.

A CMA havia designado o Google como detentor de status estratégico de mercado em outubro do ano passado, pavimentando o terreno para intervenções regulatórias mais duras. Em janeiro, o órgão pressionou a empresa a dar aos editores de sites uma escolha real sobre se seu conteúdo seria agregado nos recursos de IA ou usado para treinar modelos autônomos.

Além da opção de exclusão, o Google também foi obrigado a garantir que o conteúdo de publishers exibido nos recursos de IA seja devidamente atribuído, com links claros e visíveis. A empresa afirmou que está cumprindo essa exigência, tendo aumentado recentemente o número de links incorporados diretamente em suas respostas geradas por inteligência artificial e adicionado prévias de sites para incentivar os cliques.

Um ponto crucial para acalmar os receios dos editores: a decisão de um site de se retirar das buscas generativas de IA não será usada como sinal de ranqueamento na busca tradicional do Google. Ou seja, quem optar por sair do ecossistema de IA não será punido com quedas nas posições orgânicas convencionais.

A gigante de Mountain View, no entanto, não larga o osso sem uma estratégia de persuasão. O Google apresentará novas métricas em seu Search Console para tentar demover publishers que estejam considerando a exclusão, incluindo dados de impressões e informações sobre quais páginas aparecem nas respostas de IA e em quais países. O teste inicial da funcionalidade de opt-out será conduzido com um subconjunto de publishers do Reino Unido antes de sua implementação global.

A empresa prometeu que mais métricas serão adicionadas ao longo do tempo, em uma clara tentativa de convencer os produtores de conteúdo de que vale a pena permanecer dentro de seu ecossistema de inteligência artificial. A regulação britânica representa um contrapeso importante ao poder concentrado das plataformas americanas de tecnologia, que nos últimos anos passaram a sugar e reorganizar o conteúdo da web sem qualquer consentimento explícito de quem o produziu. Resta saber se outros países seguirão o exemplo e imporão limites semelhantes ao extrativismo digital das big techs.

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Android estreia verificação de chamadas que desmascara golpistas com voz clonada por IA https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/android-estreia-verificacao-de-chamadas-que-desmascara-golpistas-com-voz-clonada-por-ia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/android-estreia-verificacao-de-chamadas-que-desmascara-golpistas-com-voz-clonada-por-ia/#respond Tue, 02 Jun 2026 20:21:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/android-estreia-verificacao-de-chamadas-que-desmascara-golpistas-com-voz-clonada-por-ia/ O Google iniciou a distribuição de um novo recurso de segurança no Android que realiza validação digital em tempo real para confirmar se uma chamada telefônica realmente parte do aparelho do contato exibido na tela. A ferramenta bloqueia tentativas de fraude com vozes sintéticas e está incorporada ao discador nativo do sistema. O mecanismo será liberado para todos os celulares com Android 12 ou superior e utiliza o protocolo RCS para enviar um sinal silencioso de confirmação entre os dispositivos durante a chamada.

Quando a verificação falha, um alerta pop-up informa o usuário sobre possível tentativa de golpe e remove imediatamente a foto do contato da tela. Segundo demonstração exclusiva obtida pelo portal Wired, a tecnologia foi projetada para combater ataques que combinam falsificação de número de telefone com imitação de voz gerada por inteligência artificial, capazes de reproduzir em tempo real a fala de familiares ou conhecidos da vítima.

Dave Kleidermacher, vice-presidente de segurança e privacidade do Android, afirmou que a empresa optou por uma solução de alta confiabilidade, evitando depender apenas de ferramentas de IA para detectar vozes clonadas. Segundo o executivo, essa abordagem geraria falsos positivos e alimentaria uma corrida armamentista entre criminosos e sistemas de defesa. Eugene Liderman, diretor de segurança e privacidade do Android, reforçou que o recurso funciona quando ambos os usuários estão em contatos mútuos e utilizam o discador do Google com a funcionalidade ativada.

Após sinalizar uma chamada fraudulenta, o registro no histórico do celular passa a exibir “Chamador desconhecido” em vez do nome do contato. O Google construiu a tecnologia sobre o padrão RCS para ampliar a interoperabilidade com diferentes plataformas, incluindo potencialmente o iOS. A Apple não se manifestou sobre planos de adotar mecanismo semelhante em seus aparelhos.

Kleidermacher destacou que o dano individual desses golpes pode ser devastador, com vítimas perdendo grandes quantias em situações de alto estresse psicológico. A empresa espera que a verificação baseada em hardware ajude a desmontar um tipo de crime que explora a confiança depositada em vozes familiares.

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Fundador da Box critica ‘psicose de IA’ entre CEOs e cobra uso real das ferramentas https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fundador-da-box-critica-psicose-de-ia-entre-ceos-e-cobra-uso-real-das-ferramentas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fundador-da-box-critica-psicose-de-ia-entre-ceos-e-cobra-uso-real-das-ferramentas/#respond Mon, 01 Jun 2026 03:39:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fundador-da-box-critica-psicose-de-ia-entre-ceos-e-cobra-uso-real-das-ferramentas/
Ilustração editorial sobre Fundador da Box critica ‘psicose de IA’ entre CEOs e cobra uso real das ferramentas.

O fundador e CEO da Box, Aaron Levie, acendeu um debate intenso no setor de tecnologia ao sugerir que CEOs estão ‘exclusivamente propensos à psicose de IA’. A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais e analisada em profundidade pelo podcast Equity, do portal TechCrunch. Levie não está rejeitando as ferramentas de inteligência artificial, mas insistindo que os executivos precisam realmente utilizá-las para compreendê-las de forma efetiva.

O alerta surge em meio a um crescente movimento de rejeição à IA, que inclui desde estudantes universitários vaiando menções à tecnologia até a migração de usuários para buscadores alternativos como o DuckDuckGo. O buscador concorrente do Google registrou um aumento de 30% nas instalações após o anúncio de que a gigante das buscas integraria mais inteligência artificial à experiência de pesquisa. Para Kirsten Korosec, uma das apresentadoras do podcast Equity, o Google está ‘perseguindo algo que sente que precisa fazer para acompanhar, mas está mexendo com aquilo que as pessoas mais associam à marca, e não está melhorando’.

A polarização em torno da inteligência artificial é tamanha que convivem simultaneamente a percepção de que ‘todo mundo está usando e amando’ e de que ‘ninguém está usando e todos odeiam’. Anthony Ha, também do TechCrunch, destacou que grandes contingentes de usuários se encaixam perfeitamente em ambas as realidades contraditórias. O caso do Google ilustra com clareza essa tensão: a empresa tenta incorporar IA de forma cada vez mais agressiva, enquanto parte significativa do público reage com desconfiança e debandada para alternativas.

O DuckDuckGo, que antes também experimentava recursos de IA, agora se posiciona abertamente como uma opção ‘anti-IA’, percebendo que existe um nicho real de mercado para quem rejeita a automação invasiva. Sean O’Kane, outro participante do podcast, apontou que há um movimento de convergência em direção à abordagem da Anthropic, que busca entender profundamente o que se quer oferecer às pessoas e se ater a isso. Enquanto isso, o Google continua apostando em múltiplas frentes, mas sem favorecer sua própria imagem ao ser vago sobre os reais benefícios para o usuário comum.

A empresa também coleciona tropeços constrangedores, como o episódio em que sua IA não soube responder quantas letras ‘P’ existem na palavra ‘Google’, afirmando incorretamente que são duas. Para Korosec, esses deslizes revelam uma empresa que corre atrás de uma tendência sem garantir que o produto central – a recuperação de informação – permaneça confiável. A crítica de Levie se aprofunda ao apontar que a psicose de IA atinge especialmente os CEOs por estarem ‘suficientemente distantes da última milha do trabalho que ainda precisa acontecer para gerar a maior parte do valor com IA’.

Em outras palavras, o fundador da Box alerta que não basta olhar slides prometendo eficiência extraordinária se o executivo nunca coloca a mão na massa para testar as ferramentas. O debate também alcança a questão das demissões e da transformação da força de trabalho, com startups e grandes empresas sonhando em operar com equipes reduzidas graças à inteligência artificial. Contudo, a realidade do uso efetivo das ferramentas ainda está longe de corresponder ao otimismo dos investidores e executivos que aprovam cortes baseados em promessas de produtividade.

O momento atual, avaliam os analistas do TechCrunch, representa uma oportunidade para startups que consigam capturar o público cético em relação à IA sem alienar os entusiastas. A chave, segundo sugerem, está em oferecer transparência e controle real sobre como e quando a inteligência artificial intervém na experiência do usuário. A advertência de Aaron Levie ecoa como um chamado à sobriedade em um setor frequentemente dominado pelo hype e por decisões tomadas a partir de apresentações corporativas.

Usar as ferramentas, compreender suas limitações e só então tomar decisões estratégicas parece um conselho básico, mas claramente negligenciado por quem comanda a revolução da inteligência artificial. A análise do TechCrunch destaca a importância de uma abordagem mais cautelosa e focada, evitando a corrida cega por inovações que podem não trazer os benefícios prometidos.


Leia também: Artista do meme ‘This is fine’ encerra disputa com startup de IA após acordo


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Estudante de arqueologia revela metrópole maia perdida na 16ª página de uma busca no Google https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/estudante-de-arqueologia-revela-metropole-maia-perdida-na-16a-pagina-de-uma-busca-no-google/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/estudante-de-arqueologia-revela-metropole-maia-perdida-na-16a-pagina-de-uma-busca-no-google/#respond Mon, 01 Jun 2026 03:09:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/estudante-de-arqueologia-revela-metropole-maia-perdida-na-16a-pagina-de-uma-busca-no-google/
Ilustração editorial sobre Estudante de arqueologia revela metrópole maia perdida na 16ª página de uma busca no Google. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A maioria das grandes descobertas arqueológicas exige anos de trabalho de campo em selvas densas e muito suor nas escavações. O feito de Luke Auld-Thomas, porém, dependeu sobretudo de paciência para percorrer página após página de resultados do Google.

Estudante de doutorado da Universidade de Tulane, Auld-Thomas mergulhou em uma busca on-line até chegar à página 16 do buscador. Ali encontrou um levantamento a laser realizado por uma organização ambiental mexicana que o deixou estupefato.

Em entrevista à BBC em 2024, o pesquisador relatou ter tropeçado no arquivo sem jamais imaginar o que viria a seguir. A organização havia coletado os dados para monitoramento ambiental e ignorava ter sobrevoado uma cidade perdida.

O arquivo utilizava a tecnologia LiDAR, que dispara pulsos de laser de uma aeronave para medir distâncias ao solo. Ao remover digitalmente a vegetação, a técnica expõe estruturas ocultas sob a copa das árvores.

Foi assim que emergiram pirâmides, praças, aquedutos e campos para o jogo de bola mesoamericano, além de milhares de edificações no sudeste do estado mexicano de Campeche. Auld-Thomas e um colega arqueólogo batizaram o sítio de Valeriana, em homenagem a uma lagoa próxima.

Os números impressionam: a cidade teria abrigado entre 30 mil e 50 mil habitantes entre aproximadamente 750 e 850 d.C. Essa densidade populacional supera a da região atualmente e só fica atrás de Calakmul, o maior sítio maia conhecido na América Latina, situado a cerca de 100 quilômetros dali.

Pesquisadores acreditam que Valeriana pode ter funcionado como uma capital regional. A descoberta foi detalhada em estudo com a coautoria do professor Marcello Canuto, antropólogo da Universidade de Tulane.

Canuto afirmou que o achado desafia a suposição ocidental de que regiões tropicais eram lugares onde a civilização ia para morrer. Ao contrário, esses ambientes abrigavam assentamentos densos, intensamente desenvolvidos e sofisticados centros urbanos.

No conjunto de três sítios mapeados na selva, a equipe catalogou 6.674 construções, número que surpreendeu até os analistas mais experientes. O dado foi descrito no artigo acadêmico que coroou o garimpo digital de Auld-Thomas.

O levantamento original foi conduzido por uma agência mexicana focada em conservação florestal, sem qualquer objetivo arqueológico. O arquivo bruto permaneceu em um servidor público até que o olhar aguçado do estudante o resgatasse.

Valeriana se estende por dezenas de quilômetros quadrados e sua densidade perdia apenas para Calakmul. A metrópole permanece intocada: nenhuma fotografia ou escavação foi feita, pois até hoje o sítio não recebeu uma única visita presencial.

O caso de Valeriana insere-se em uma revolução mais ampla na arqueologia impulsionada pelo LiDAR. A técnica já havia reescrito o que se sabia sobre civilizações antigas ao revelar redes urbanas massivas ao redor de Angkor, no Camboja, em estudo de 2013, e mais de 60 mil estruturas na selva guatemalteca em 2018.

O LiDAR permite que arqueólogos desmatem digitalmente paisagens que levariam várias vidas para serem percorridas a pé. O que torna Valeriana impressionante é que ninguém precisou sair do lugar para localizá-la.

Os dados já haviam sido coletados e estavam disponíveis gratuitamente on-line, aguardando alguém curioso o bastante para clicar até a 16ª página. Segundo reportagem do Upworthy, a organização ambiental não tinha a menor ideia de que seu voo escondia uma metrópole maia.

A professora Elizabeth Graham, da University College London, reforçou que a paisagem está definitivamente povoada por vestígios do passado, e não desabitada ou selvagem como aparenta a olho nu. A declaração ecoa o espanto de uma comunidade científica que vê o LiDAR demolir velhas certezas.

Canuto espera obter mais financiamento para mapeamentos com drones nos próximos anos. Ele projeta que, dentro de 10 a 20 anos, a cobertura de LiDAR deverá dobrar, sugerindo que há mais Valerianas escondidas à espera de um clique curioso.

Outras regiões maias provavelmente guardam megacidades ainda não detectadas. A história de Auld-Thomas lembra que a próxima grande descoberta pode estar a poucos cliques de distância, e não no coração da selva.

A arqueologia computacional se consolida como ferramenta indispensável para recuperar o passado sem um único golpe de pá. O feito do estudante prova que a persistência digital pode ser tão revolucionária quanto a expedição mais heroica.


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Justiça da Índia condena Google por venda de marcas como palavras-chave https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/justica-da-india-condena-google-por-venda-de-marcas-como-palavras-chave/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/justica-da-india-condena-google-por-venda-de-marcas-como-palavras-chave/#comments Sat, 30 May 2026 05:51:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/justica-da-india-condena-google-por-venda-de-marcas-como-palavras-chave/ 5 Comentários 🔥]]>
Escultura do logotipo do Google em frente a uma parede de plantas. (Foto: techcrunch.com)

A Alta Corte de Delhi responsabilizou o Google por violação de marca registrada em decisão que expõe práticas abusivas da gigante de buscas no mercado de publicidade digital. A sentença, proferida em 22 de maio, atendeu ao pedido da fabricante indiana de metais sanitários Hindware, que acusou a plataforma de vender sua marca como palavra-chave para concorrentes.

A juíza Mini Pushkarna determinou o pagamento de 3 milhões de rúpias, cerca de 31.600 dólares, em danos à empresa. Em sua sentença de 163 páginas, a magistrada rejeitou o argumento do Google de que atuava como mero intermediário na exibição de anúncios.

O tribunal concluiu que o Google, por meio de sua plataforma AdWords, permitiu que rivais da Hindware usassem o nome da marca para direcionar anúncios a consumidores. A prática configura infração ao direito de uso exclusivo da marca previsto na Lei de Marcas indiana.

A decisão repercutiu entre empresários e fundadores de startups indianas, que manifestaram apoio público ao veredito. O fundador da Zerodha, Nithin Kamath, e o fundador da Zoho, Sridhar Vembu, denunciaram a prática como extorsão comercial no modelo de negócios da plataforma.

Kamath afirmou que sua corretora enfrenta o problema há mais de uma década, com concorrentes aparecendo nos primeiros resultados quando clientes buscam pela Zerodha. O tráfego que deveria ser direcionado legitimamente à empresa é desviado para anúncios de competidores.

O Google declarou que sua política de anúncios para palavras-chave de marcas registradas não permite que anunciantes usem termos protegidos no texto dos anúncios. Um porta-voz afirmou que a política é aplicada globalmente e que a empresa alinhará suas operações aos marcos legais locais.

A Índia é um mercado estratégico para o Google, com mais usuários de internet do que qualquer outro país, exceto a China. O país tem adotado postura assertiva na regulação de plataformas digitais e na defesa de sua soberania legal sobre gigantes estrangeiras.

Especialistas jurídicos ponderam que o alcance da decisão pode ser limitado. A sócia do escritório AZB & Partners, Aprajita Rana, explicou que a sentença exigirá que plataformas revisem seus processos automatizados para evitar o uso indiscriminado de marcas registradas.

Rana ressaltou que a decisão não altera significativamente a responsabilidade das plataformas online na Índia. Os tribunais já estabeleceram que empresas de internet perdem proteções legais quando participam ativamente de atividades ilícitas.

A decisão ocorre em momento de crescente escrutínio global sobre o domínio do Google no mercado de publicidade digital. O caso indiano soma-se a investigações antitruste nos EUA e na Europa que questionam práticas anticompetitivas da empresa.

Leia mais sobre o assunto na techcrunch.com.


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Google detalha como equipes no Brasil protegem a IA Gemini contra ataques https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/google-detalha-como-equipes-no-brasil-protegem-a-ia-gemini-contra-ataques/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/google-detalha-como-equipes-no-brasil-protegem-a-ia-gemini-contra-ataques/#respond Fri, 29 May 2026 11:10:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/google-detalha-como-equipes-no-brasil-protegem-a-ia-gemini-contra-ataques/
Logotipo do Google em painel de metal, em referência às atividades da empresa no Brasil. (Foto: canaltech.com.br)

O Google mantém equipes de engenharia no Brasil dedicadas a proteger o modelo de inteligência artificial Gemini contra ataques sofisticados e usos abusivos da plataforma. A informação é do diretor sênior de engenharia de software do Google no país, Alex Freire, em entrevista ao Podcast Canaltech.

As equipes operam dentro do Google Safety Engineering Center (GSEC), que, segundo Freire, opera em duas frentes principais. A primeira envolve a proteção clássica dos usuários contra fraudes, golpes, spam e conteúdos abusivos em produtos como Gmail e Google Maps.

A segunda frente, mais estratégica, trata diretamente da segurança do Gemini e da defesa contra ataques originados em sistemas de inteligência artificial de terceiros. Freire afirma que a empresa desenvolve o modelo de forma ousada, mas com enorme responsabilidade, garantindo que ele não seja exposto nem gere conteúdo abusivo.

Essa estrutura tem raízes profundas no Brasil, nascendo em Belo Horizonte durante a era do Orkut. Na época, engenheiros perceberam a necessidade de detectar e remover conteúdos abusivos de forma sistemática, tecnologia que evoluiu ao longo de duas décadas e hoje opera com times distribuídos entre Belo Horizonte, São Paulo e outros escritórios globais.

O GSEC adota o princípio de zero confiança como base de sua estratégia de segurança, em vez da simples ocultação de informações sobre o funcionamento dos sistemas. O Google publica o arcabouço SAFE (Secure AI Framework), com boas práticas para desenvolvimento responsável de IA, e adota padrões abertos como o FIDO para autenticação por hardware.

Para antecipar falhas, a equipe brasileira utiliza a própria inteligência artificial em processos de red teaming, testando ativamente os produtos contra vulnerabilidades. O monitoramento abrange desde tentativas de prompt hijacking com fins de entretenimento até ataques orquestrados por atores maliciosos, com respostas que escalam de educação para infrações leves a cancelamento de conta para reincidências.

Freire alerta que ferramentas de terceiros sem mecanismos de proteção equivalentes são frequentemente usadas para tentar acessar contas, roubar propriedade intelectual ou obter dados sensíveis. Há ainda uma equipe dedicada no Brasil a encontrar e corrigir falhas em programas de código aberto dos quais a empresa depende, trabalho que beneficia diretamente órgãos públicos e empresas privadas brasileiras.


Leia também: Google reconhece vulnerabilidade em IA e desenvolvedores enfrentam cobranças milionárias


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Me dá um Pisk ou a economia a olho nu https://www.ocafezinho.com/2026/05/25/me-da-um-pisk-ou-a-economia-a-olho-nu/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/25/me-da-um-pisk-ou-a-economia-a-olho-nu/#respond Mon, 25 May 2026 15:17:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=251283

Por Rollo —  criado no olho no olho e desconfiado de toda “facilidade” que cobra depois. Escrevendo sobre o pisk porque a nova moeda mora na pálpebra: piscou, pagou. Num mundo onde olhar virou contrato, quem controla o piscar controla o mercado — e quem pisca fora de hora… paga!

O Banco Central ainda não confirmou, mas a cidade já está testando: acabou o dinheiro físico, acabou o pix, acabou a vergonha. A partir de agora, paga-se tudo com uma piscada. Um PISK resolve o café, outro parcela o aluguel e dois bem dados limpam a consciência — até chegar o agiota, que cobra com base na Lei de Talião e prefere pagamento à vista, olho por olho. Com chip na córnea, score na pupila e inflação na pálpebra, a nova economia promete transparência total: quem não olha, não compra; quem não pisca, não vive. Prepare o colírio, ajuste os cílios e encare a realidade — o mercado abriu e está de olho em você.

O problema do Pix é que ele nasceu como solução brasileira e terminou como religião nacional. Hoje o sujeito não pede mais “dinheiro emprestado”. Pede “um pix rapidinho”. “Rapidinho”, no Brasil, virou unidade oficial de desespero financeiro. O país inteiro vive dentro de um QR Code emocional. E como toda invenção que funciona no Brasil vira imediatamente patrimônio afetivo, surgiu também a disputa mais brasileira de todas: quem quer ser o pai da criança. Até Bolsonaro resolveu reivindicar a paternidade do Pix — o que é curioso, porque político brasileiro adora posar de pai de obra pronta, principalmente quando não precisa pagar pensão tecnológica depois. O Banco Central criou, os bancos odiaram, o povo adotou e os golpistas profissionalizaram. Resultado: o Pix virou aquilo que o brasileiro mais respeita — algo que funciona mais rápido que o Estado, mais rápido que o salário e, em muitos casos, mais rápido que a dignidade.

 

Mas em um futuro bem próximo, a moeda virtual será substituída por algo mais moderno. Mais rápido. Mais íntimo. Mais sincero — ou pelo menos mais difícil de esconder. PISK. Não é Pix. Não é cripto. Não é blockchain (que é basicamente um caderninho de fiado coletivo, público e paranoico, onde todo mundo anota tudo ao mesmo tempo, ninguém pode apagar nada depois, e todo mundo jura que isso é descentralização — quando, na prática, é só a versão nerd do “tá escrito aqui, ó” com criptografia, energia elétrica e gente falando inglês em palestra. nem promessa de banco digital). É uma piscada. Um gesto mínimo. Um músculo cansado. Um acordo silencioso. Você entra no bar. Pede a cerveja. O garçom olha. Você pisca. Tá pago! No Uber, mesma coisa. Na padaria, idem. No motel, atenção: dois pisks confirmam, três parcelam, quatro é golpe. Ou seja, a economia do futuro será ocular. Quem tem olho tem crédito. Quem tem dois manda. Quem não tem… aprende a baixar a cabeça.

 

Para garantir segurança, rastreabilidade e aquela sensação reconfortante de vigilância permanente, o sistema do Pisk funcionará por meio de um microchip implantado diretamente na córnea, invisível a olho nu (ironia involuntária), conectado a leitores de globo ocular espalhados por postes, vitrines, balcões, ônibus, catracas e rostos humanos treinados. Cada piscada será interpretada em tempo real por algoritmos que analisam frequência, intensidade, lateralidade, intenção emocional e histórico de piscar do cidadão, cruzando dados com consumo, renda presumida, humor do dia e propensão ao calote. O chip não armazena dinheiro — armazena você. Seu olhar vira carteira, senha, assinatura e confissão. Piscar não será mais reflexo: será ato econômico consciente. Ou quase. Os bancos fecham. No lugar deles, clínicas oftalmológicas. Análise de risco vira exame de fundo de olho. Score de crédito medido pela firmeza do piscar. Olho seco? Risco alto. Olho marejado? Histórico emocional comprometido. Olho que pisca rápido demais? Ansiedade. Parcelamento automático. Olho parado demais? Psicopatia. Cartão black.

 

E como todo sistema econômico que se preze cobra seu preço fisiológico, surge o mercado farmacêutico ocular: colírio vira moeda auxiliar, glaucoma passa a ser classificado como risco sistêmico e vista cansada entra na lista de vulnerabilidades sociais. Quem pisca pouco desenvolve olho seco e é acusado de avareza; quem pisca demais sofre desvalorização cambial por excesso de emotividade. O colírio lubrificante vira subsídio estatal — pingou, ganhou fôlego financeiro — enquanto o colírio para glaucoma é tratado como política de austeridade: reduz a pressão, mas corta prazer. Óculos de leitura denunciam baixa liquidez cognitiva, lentes progressivas indicam classe média em transição, e quem vive de colírio vencido entra automaticamente no cadastro do Pisk paralelo. No fim, enxergar bem deixa de ser questão de saúde e passa a ser infraestrutura econômica básica: sem boa vista, não há crédito; sem colírio, não há futuro.

 

No comércio popular, o sistema funciona melhor do que qualquer fintech. Na feira, a banana não custa dois reais. Custa um pisk curto. A laranja? Dois pisks e meio. O feirante olha. Você olha de volta. Pisca. Pago. Se piscar torto, ele pesa errado. Se piscar confiante, ele joga uma laranja a mais. Economia afetiva. Capitalismo raiz. No camelô, o pisk substitui o regateio. Nada de “faz por quanto?”. É tudo resolvido no olhar. Piscar rápido: turista. Piscar firme: morador. Piscar com medo: policial à vista. Óculos escuros no Saara são declaração de guerra econômica. — “Esse aí não quer pagar.” No boteco, o fiado ganha tecnologia de ponta. Nada de caderneta. Nada de nome sujo. O dono do bar confia na sua pupila. Se a pupila dilata, tem crédito. Se contrai, paga antes. A frase clássica muda:

— “Anota aí pra mim?” vira

            — “Me olha direito!”

 

Piscar bêbado invalida transação. Piscar apaixonado gera dívida emocional. Piscada safada vira juros compostos. Nos mercadinhos de bairro, o pisk vira sistema antifraude. Câmera nenhuma substitui o olho treinado da dona Maria. Ela sabe quem pisca de culpa. Quem pisca de medo. Quem pisca porque deve. Quem entra sem olhar… já tá devendo.

 

Mas toda economia madura enfrenta duas perguntas fundamentais: como se devolve o troco? e como funciona o câmbio? O troco vem no olhar.Você paga a banana com um pisk inteiro. O feirante devolve meio pisk. Troco dado. Meia piscada vale centavos. Pálpebra tremida, troco quebrado. Olhar demorado demais vira gorjeta involuntária. Por isso ninguém pisca à toa. Piscada agora tem valor facial. No boteco, o troco vem em camadas. Um pisk curto devolve cinquenta centavos. Um levantar de sobrancelha resolve o resto. Se o dono do bar pisca e sorri, pronto: “deixa assim”. No camelô, o troco é psicológico. Você pisca esperando. Ele pisca dizendo que não tem. Ou nem pisca.  Se piscam juntos, empata. Se só você pisca, perdeu.

Já o câmbio… ah, o câmbio entrega tudo. Cada país desenvolve sua taxa de piscada. No Brasil, a piscada é larga, emocional, cheia de subtexto. Vale menos dinheiro, mas mais afeto. Na Alemanha, piscou, pagou. Sem meio-pisk. Sem choro. Na França, a piscada vem com julgamento moral incluso. Nos EUA, piscada é rápida e descartável. Olhou, piscou, seguiu. Na China, quase não se pisca. Piscada é fraqueza cambial. Resultado: o Pisk brasileiro vive desvalorizado. Surgem casas de câmbio ocular:

— “Compramos piscadas estrangeiras”

            — “Esse pisk é muito emotivo.”

            — “Aqui não rende.”

 

Turista sofre. Piscam demais. Gastam tudo no primeiro dia. A inflação chega. Piscada que antes pagava almoço agora mal compra um cafézinho. O Banco Central recomenda: “Evitem piscar em excesso.” Fracassa. O povo pisca porque vive. Pisca porque sente. Pisca porque não tem escolha. Surge o Pisk paralelo. Piscada clandestina. Piscada fora do sistema. Meia-piscada combinada. Piscar de canto. Piscar com um olho só. E claro, os agiotas continuam firmes. Só modernizam a pedagogia. Lei de Talião. Olho por olho. Pisk por Pisk. Não pagou? Não pisca mais. Nada de ameaça vaga. Nada de “vou sujar seu nome”. Agora é: — “Me deve? Então me olha, porra!” E quem não olha… não vê mais.

 

Por isso a importância dos cílios. Cílios longos. Cílios fortes. Cílios como escudo social. Cílios viram investimento. Rímel é ativo financeiro. Extensão de cílios é previdência privada. O botox se reinventa. Não é vaidade. É estratégia econômica. Botox para os mãos-de-vaca. Quem não quer pagar, paralisa o piscar. — “Desculpa, fiz procedimento.” Fraude? Não. Planejamento financeiro. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. No capitalismo do Pisk, quem tem dois vira banco central. Dinheiro nunca foi número. Nunca foi justo. Nunca foi igual. Sempre foi isso: quem encara e quem aceita ser olhado. O Pisk só tirou a maquiagem. Então, antes de sair de casa, confira: chaves, carteira, celular… e principalmente: seus olhos. Porque no novo mercado, quem não olha não compra, não vende e não existe. Agora, por favor… me dá um Pisk aí?

 

(*) Rollo é ator profissional e ex-integrante do Conselho Estadual de Política Cultural do RJ na cadeira do Audiovisual. Atualmente, integra o elenco do espetáculo teatral “O Bem Amado”, de Dias Gomes, ao lado de Diogo Vilela, com direção de Marcus Alvisi.

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Google reconhece vulnerabilidade em IA e desenvolvedores enfrentam cobranças milionárias https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/google-reconhece-vulnerabilidade-em-ia-e-desenvolvedores-enfrentam-cobrancas-milionarias/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/google-reconhece-vulnerabilidade-em-ia-e-desenvolvedores-enfrentam-cobrancas-milionarias/#respond Mon, 25 May 2026 01:31:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/google-reconhece-vulnerabilidade-em-ia-e-desenvolvedores-enfrentam-cobrancas-milionarias/
Logotipo do Google Cloud em destaque. (Foto: techcrunch.com)

O CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, defendeu a adoção de uma abordagem de plataforma para a segurança da inteligência artificial, ressaltando a importância de proteger sistemas desde o início. Em entrevista ao TechCrunch, Kurian alertou que a estratégia de IA deve ir acompanhada de uma estratégia de dados e segurança.

Ele chamou atenção para o uso de ferramentas de consumo por funcionários sem supervisão organizacional, conhecido como ‘IA sombra’, e destacou a necessidade de exigir segurança, governança e auditabilidade desde o início. Kurian também ressaltou que os modelos defensivos antigos são insuficientes para responder aos ataques modernos que evoluem em segundos.

Contudo, a realidade dos desenvolvedores que utilizam a infraestrutura do Google Cloud mostra uma disparidade entre a retórica e a operação. O The Register documentou casos de desenvolvedores surpreendidos por cobranças de cinco dígitos após chamadas de API não autorizadas aos modelos Gemini, serviços que muitos não haviam ativado intencionalmente.

Rod Danan, CEO da plataforma Prentus, relatou que sua conta atingiu 10.138 dólares em aproximadamente 30 minutos após a exploração de uma chave de API comprometida originalmente criada para o Google Maps. O desenvolvedor Isuru Fonseka, de Sydney, acordou com cobranças de cerca de 17.000 dólares australianos, acreditando que um limite de gastos de 250 dólares estava ativo em sua conta.

O problema foi agravado pela atualização automática dos níveis de cobrança pelo Google, que elevou os limites para até 100.000 dólares sem consentimento explícito. A empresa reembolsou os desenvolvedores após a publicação das reportagens, mas não planeja alterar sua política de atualização automática de níveis, priorizando a continuidade do serviço.

Uma pesquisa da empresa de segurança Aikido revelou uma vulnerabilidade preocupante: mesmo quando um desenvolvedor detecta e exclui uma chave comprometida, os atacantes podem continuar utilizando-a por até 23 minutos. Joseph Leon, pesquisador, explicou que, durante essa janela, as taxas de sucesso são imprevisíveis, permitindo a exfiltração de arquivos e dados de conversas armazenados no Gemini.

Leon observou que o problema não parece ser uma limitação técnica, já que formatos de credenciais mais novos do Google revogam o acesso em cerca de cinco segundos. A janela de 23 minutos reflete uma questão de prioridades da empresa, segundo o pesquisador, e não uma restrição de engenharia em escala.

Kurian também ressaltou o risco de agentes de IA acessando repositórios de dados esquecidos em sistemas corporativos, como servidores SharePoint com controles de acesso desatualizados. A resposta proposta pelo executivo é a implementação de uma defesa agêntica totalmente nativa de IA, supervisionada por humanos, mas não mais liderada por eles.

A diretora de segurança da informação do LinkedIn, Lea Kissner, alertou que o setor precisará de profissionais para lidar com o ‘bug-pocalipse’ e que não espera que a indústria compreenda a segurança da IA de forma sustentável por vários anos. Enquanto as plataformas prescrevem soluções de segurança abrangentes, a experiência concreta de desenvolvedores expõe um descompasso que a própria indústria ainda precisa resolver na prática.

Leia mais sobre o assunto na techcrunch.com.


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Cientistas de IA revelam limites da linguagem na pesquisa científica https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/cientistas-de-ia-revelam-limites-da-linguagem-na-pesquisa-cientifica/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/cientistas-de-ia-revelam-limites-da-linguagem-na-pesquisa-cientifica/#respond Sun, 24 May 2026 23:00:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/cientistas-de-ia-revelam-limites-da-linguagem-na-pesquisa-cientifica/
Imagem abstrata de uma estrutura que remete a uma célula ou rede neural, em fundo escuro. (Foto: phys.org)

Dois novos sistemas de inteligência artificial projetados para acelerar descobertas científicas estão mostrando resultados promissores, mas ao mesmo tempo escancaram uma limitação profunda: palavras e grandes modelos de linguagem, por si sós, não conseguem fazer ciência de verdade.

Os sistemas Robin e Co-Scientist, recém-apresentados em artigos publicados na revista Nature, foram desenvolvidos para colaborar com pesquisadores humanos na geração de hipóteses, análise de literatura e identificação de novos medicamentos.

O Co-Scientist, criado pelo Google DeepMind, é um sistema multiagente que simula tarefas cognitivas abstratas, como um ‘agente de reflexão’ que atua como revisor crítico de hipóteses e ‘agentes de ranqueamento’ que debatem ideias em torneios internos simulados. Já o Robin, construído pela organização sem fins lucrativos Future House, é mais voltado a tarefas específicas de reposicionamento de fármacos, com agentes dedicados a selecionar testes experimentais e analisar dados biomédicos complexos.

Em um experimento com leucemia mieloide aguda, o Co-Scientist selecionou 30 candidatos a fármacos e, após refinamento feito por oncologistas, cinco drogas foram testadas em laboratório, com três mostrando resultados positivos e uma delas exibindo potencial particularmente animador. O Robin, por sua vez, foi empregado na busca de tratamentos para a degeneração macular seca relacionada à idade, propondo 30 candidatos e identificando dois medicamentos promissores após várias rodadas de análise e debate com cientistas humanos.

Ambos os sistemas pararam antes da validação experimental direta e dependeram intensamente da intervenção humana para definir as perguntas científicas centrais, filtrar previsões e priorizar quais hipóteses mereciam investigação aprofundada. Os próprios pesquisadores envolvidos reconheceram que a comunicação baseada apenas em linguagem, por mais natural que pareça, carrega imprecisões e ambiguidades incompatíveis com o rigor que a ciência exige.

O coração do problema está no fato de que a ciência real opera sobre dados estruturados, medições quantitativas e relações causais que vão muito além da mera conexão estatística entre palavras. Os grandes modelos de linguagem conseguem navegar com destreza pelo vasto corpo de artigos e textos científicos acumulados ao longo de décadas, mas tropeçam quando precisam modelar a complexidade dos sistemas naturais que esses mesmos textos apenas descrevem.

Modelos que integram o melhor dos dois mundos já estão no horizonte, combinando dados quantitativos estruturados com os conceitos e relações que sustentam os fatos científicos centrais. Essa nova geração promete ancorar o raciocínio científico em sequências genômicas, estruturas proteicas e imagens celulares, superando a barreira da linguagem para capturar a complexidade real dos fenômenos naturais. Até lá, os ‘cientistas de IA’ seguirão como assistentes valiosos, mas não como substitutos do julgamento humano.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


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Agu notifica big techs e exige ação contra fraudes no Novo Desenrola https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/agu-notifica-big-techs-e-exige-acao-contra-fraudes-no-novo-desenrola/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/agu-notifica-big-techs-e-exige-acao-contra-fraudes-no-novo-desenrola/#respond Sun, 24 May 2026 16:42:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/agu-notifica-big-techs-e-exige-acao-contra-fraudes-no-novo-desenrola/
O programa Desenrola Brasil exibido na tela de um celular e em um monitor ao fundo. (Foto: cartacapital.com.br)

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou as gigantes de tecnologia Google, Meta, Tiktok, Kwai e Microsoft para colaborarem no combate a fraudes digitais relacionadas ao programa Novo Desenrola Brasil – Famílias. A medida visa coibir golpes que exploram indevidamente a marca do governo federal e prejudicam famílias em situação de vulnerabilidade financeira.

A notificação solicita providências em três frentes de serviços exploradas por criminosos: intermediação de publicidade, lojas de aplicativos e serviços de correio eletrônico. A AGU determinou que as plataformas implementem avaliações criteriosas de anúncios que façam alusão ao programa, removendo imediatamente conteúdos enganosos ou fraudulentos.

No documento, a AGU ressaltou que os golpes digitais, além de explorar a vulnerabilidade de beneficiários, fragilizam a confiança social em políticas públicas legítimas e configuram um dano coletivo à credibilidade das ações estatais. A preocupação central é que a disseminação de fraudes mine a efetividade de uma política pública voltada à renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Conforme reportagem da Carta Capital, a notificação foi enviada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), unidade da AGU responsável por defender a integridade de políticas públicas federais. O órgão atua diretamente na proteção da credibilidade das ações do governo junto à população.

A mesma exigência de triagem vale para as lojas de aplicativos, onde aplicativos fraudulentos costumam se passar por canais oficiais do programa. A AGU quer barrar a distribuição desses aplicativos antes que alcancem potenciais vítimas.

No caso dos correios eletrônicos, a AGU demanda que provedores monitorem ativamente mensagens com uso indevido da marca do governo ou alusões ao Novo Desenrola. O objetivo é que esses conteúdos sejam rapidamente classificados como spam e bloqueados nas caixas de entrada dos usuários.

O Novo Desenrola é um programa do governo federal destinado a apoiar famílias brasileiras na renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A iniciativa surge em um momento em que o endividamento das famílias ainda é uma das principais preocupações econômicas do país.

A notificação da AGU às big techs reforça a responsabilidade das grandes plataformas de tecnologia na proteção de políticas públicas. As empresas notificadas são esperadas para adotar medidas técnicas com celeridade para interromper o fluxo de golpes. O combate à desinformação e às fraudes financeiras passa, cada vez mais, pela ação coordenada entre Estado e plataformas digitais.

Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.


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Google testa o futuro do Android em canal restrito https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/google-testa-o-futuro-do-android-em-canal-restrito/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/google-testa-o-futuro-do-android-em-canal-restrito/#respond Sun, 24 May 2026 01:31:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/google-testa-o-futuro-do-android-em-canal-restrito/
Ilustração de um smartphone com o logotipo do Android e um pássaro, com o texto “Android Canary”. (Foto: canaltech.com.br)

O Google utiliza um laboratório de experimentos para moldar o futuro do sistema operacional Android, e a maioria dos usuários não está ciente dessa ferramenta. O Android Canary funciona como uma plataforma onde ideias inovadoras são testadas antes mesmo de chegarem às versões Beta que entusiastas costumam instalar em seus aparelhos.

Diferente do Android Beta, que já oferece uma prévia relativamente estável do que está por vir, o Canary opera em uma fase muito mais crua e experimental do desenvolvimento. É nesse ambiente que o Google avalia mudanças visuais, novos comportamentos de aplicativos, ajustes profundos de segurança e até reformulações completas de interface que podem jamais ser implementadas.

De acordo com o Canaltech, a versão Canary 2605 trouxe testes de efeitos de desfoque e alterações na interface que sinalizam possíveis direções para o Android 17. Essas pistas são valiosas para desenvolvedores e para a imprensa especializada, que conseguem antecipar tendências do ecossistema móvel muito antes dos anúncios oficiais.

Para o usuário comum, a importância do Canary está justamente nessa função de sinalizador precoce. Melhorias na gestão de bateria, novas formas de proteção de dados pessoais e adaptações para telas maiores costumam aparecer primeiro nesse canal de testes antes de migrarem para os aparelhos do dia a dia.

No entanto, o Google não recomenda a instalação do Canary para uso cotidiano. As compilações podem apresentar bugs severos, travamentos inesperados e instabilidades que comprometem funções básicas do telefone, e sair do canal exige a formatação completa do dispositivo.

O Canary é executado principalmente em aparelhos da linha Pixel e no Android Emulator, mas suas repercussões se estendem a todo o universo Android, incluindo tablets, televisores e dispositivos de fabricantes variados. O que começa como um experimento restrito pode se transformar na próxima grande funcionalidade que milhões de pessoas usarão diariamente.

Sites de tecnologia acompanham cada atualização do Canary porque pequenas alterações no código revelam intenções estratégicas do Google. Um novo menu de configurações, um botão reposicionado ou uma forma diferente de os aplicativos acessarem funções do sistema são indícios do que está sendo planejado nos laboratórios da empresa.

A existência desse canal de testes mostra como o amadurecimento de um sistema operacional moderno depende de camadas sucessivas de experimentação, com o Canary representando o estágio mais embrionário e arriscado dessa cadeia. É o espaço onde falhas são permitidas e onde o Android do futuro começa a tomar forma, muito antes de qualquer usuário comum sequer suspeitar das transformações que estão por vir.

Leia mais sobre o assunto na canaltech.com.br.


Leia também: Google fecha parceria com gigante chinesa para desenvolver óculos com IA em realidade aumentada


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Gemini Canvas revoluciona criação de conteúdo com ambiente interativo de inteligência artificial https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/gemini-canvas-revoluciona-criacao-de-conteudo-com-ambiente-interativo-de-inteligencia-artificial/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/gemini-canvas-revoluciona-criacao-de-conteudo-com-ambiente-interativo-de-inteligencia-artificial/#respond Mon, 18 May 2026 07:00:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/18/gemini-canvas-revoluciona-criacao-de-conteudo-com-ambiente-interativo-de-inteligencia-artificial/
Um smartphone exibe a interface do aplicativo Gemini, com a mensagem “Olá, Marcelo”. (Foto: canaltech.com.br)

O Gemini Canvas, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google, está transformando a maneira como usuários criam e editam conteúdos digitais. Ao contrário dos tradicionais chats de IA que apenas respondem perguntas de forma isolada, o Canvas oferece um ambiente de trabalho completo que permite escrever, revisar e reorganizar textos em tempo real, eliminando a necessidade de copiar e colar materiais em outros editores para ajustes posteriores.

A plataforma é descrita pelo Google como um ambiente interativo para criar, refinar e compartilhar documentos e códigos, conforme detalhado pelo portal Canaltech. O acesso à ferramenta ocorre através do menu ‘Ferramentas’ no Gemini, onde os usuários podem iniciar um documento com comandos claros e específicos, como ‘crie um e-mail profissional’ ou ‘monte um roteiro de viagem de três dias’.

A clareza do comando inicial é fundamental para obter resultados precisos que demandem menos ajustes manuais ao longo do processo criativo. Comandos vagos como ‘faça um texto bom’ tendem a gerar conteúdos genéricos e pouco úteis, representando um dos erros mais comuns entre usuários iniciantes da plataforma.

O uso de comandos no Canvas é especialmente recomendado para alterações estruturais no texto, como encurtar, expandir ou reorganizar tópicos de forma automatizada. Já ajustes mais delicados, como correção de nomes próprios e datas específicas, são melhor realizados manualmente para garantir precisão absoluta nas informações.

Entre as aplicações práticas mais populares da ferramenta estão a criação de e-mails profissionais, roteiros de viagem, resumos de estudo, planejamentos semanais e estruturação de artigos. Cada um desses fluxos de trabalho pode ser adaptado com comandos específicos, como solicitar para ‘deixar o tom mais cordial’ ou ‘adicionar opções gratuitas’ ao conteúdo gerado.

Especialistas alertam que é importante evitar aceitar a primeira versão do texto sem revisão criteriosa, especialmente em documentos que envolvem informações sensíveis ou dados técnicos. A revisão final antes de exportar ou compartilhar o conteúdo permanece crucial para garantir precisão factual e adequação ao tom desejado pelo autor.

O Gemini Canvas representa um avanço significativo na integração de inteligência artificial com processos criativos profissionais. A plataforma oferece não apenas respostas a comandos isolados, mas facilita a interação contínua e a personalização progressiva do conteúdo ao longo de múltiplas iterações.

Essa inovação promete alterar a forma como profissionais de diversas áreas abordam a criação de documentos no cotidiano. O processo se torna mais intuitivo e colaborativo, com a IA atuando como assistente permanente em vez de ferramenta de consulta pontual.


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Chatbots de IA estão vazando números de telefone reais de pessoas comuns https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/chatbots-de-ia-estao-vazando-numeros-de-telefone-reais-de-pessoas-comuns/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/chatbots-de-ia-estao-vazando-numeros-de-telefone-reais-de-pessoas-comuns/#respond Thu, 14 May 2026 08:51:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/chatbots-de-ia-estao-vazando-numeros-de-telefone-reais-de-pessoas-comuns/
Mulher com expressão de preocupação rodeada por telefones, em ilustração sobre privacidade de dados. (Foto: technologyreview.com)

Uma série de relatos expôs uma nova e perturbadora falha de privacidade na era da inteligência artificial generativa. Chatbots como o Gemini, do Google, o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, estão entregando números de telefone reais de pessoas comuns aos usuários que pedem informações de contato de empresas ou indivíduos.

O caso mais emblemático foi narrado por um usuário do Reddit, que afirmou estar ‘desesperado por ajuda’ após passar cerca de um mês recebendo ligações ininterruptas de estranhos. Os interlocutores procuravam um advogado, um designer de produtos e até um chaveiro, todos direcionados erroneamente pela IA generativa do Google ao seu número pessoal.

O desenvolvedor de software israelense Daniel Abraham, de 28 anos, foi contatado via WhatsApp por um desconhecido que buscava atendimento do aplicativo de pagamentos PayBox. O Gemini havia inventado que o número pessoal de Abraham era o canal oficial da empresa, segundo apurou a MIT Technology Review.

O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando Abraham testou novamente a ferramenta. O chatbot do Google ofereceu, em uma nova consulta, o número de WhatsApp de outra pessoa aleatória, e numa terceira tentativa entregou o contato de uma operadora de cartão de crédito que faz negócios com a PayBox.

A escala do problema é considerável. A empresa DeleteMe, que ajuda clientes a remover informações pessoais da internet, registrou um aumento de 400% nas consultas relacionadas a vazamentos por IA generativa nos últimos sete meses, segundo seu cofundador e presidente, Rob Shavell.

Das reclamações recebidas pela DeleteMe, 55% mencionam o ChatGPT, 20% o Gemini, 15% o Claude e 10% outras ferramentas. Shavell explica que os clientes relatam dois padrões principais, um em que perguntam algo inócuo sobre si mesmos e recebem endereços residenciais, números de telefone e nomes de familiares, e outro em que descobrem que dados pessoais alheios estão sendo distribuídos pelos chatbots.

O caso da pesquisadora Yael Eiger, da Universidade de Washington, ilustra como as proteções falham. Sua amiga e colaboradora, Meira Gilbert, estava brincando com o Gemini e, ao digitar ‘informações de contato de Yael Eiger’, recebeu não apenas um resumo acadêmico, mas também o número de celular pessoal da pesquisadora, dado que estava praticamente invisível em buscas comuns do Google.

Os especialistas atribuem o fenômeno à presença massiva de informações pessoalmente identificáveis nos dados de treinamento dos modelos. Conjuntos de dados gigantescos como o DataComp CommonPool já foram flagrados contendo cópias de currículos, carteiras de motorista e cartões de crédito raspados da internet pública.

A situação tende a piorar conforme dados públicos ‘se esgotam’ e as empresas de IA buscam novas fontes de treinamento. De acordo com o registro de corretores de dados da Califórnia, 31 das 578 empresas de data brokers operando no estado admitiram ter compartilhado ou vendido dados de consumidores para desenvolvedores de sistemas de IA generativa no último ano.

Pesquisadores também alertam que modelos de linguagem têm a tendência de memorizar e reproduzir literalmente trechos dos dados de treinamento. Estudos recentes mostram que mesmo informações que aparecem poucas vezes podem ser regurgitadas pelos sistemas.

As salvaguardas técnicas adotadas pelas empresas falham com frequência. As três pesquisadoras da Universidade de Washington testaram o ChatGPT pedindo dados de um professor e, embora a ferramenta inicialmente tenha negado a informação, ela própria sugeriu uma ‘abordagem mais investigativa’, solicitando pistas como bairro provável de residência e nome de coproprietário do imóvel.

Ao receber essas pistas, o ChatGPT entregou endereço residencial, valor de compra do imóvel e nome do cônjuge do professor, extraídos de registros municipais. Taya Christianson, representante da OpenAI, disse não poder comentar o caso sem ver as capturas de tela e enviou documentos sobre como a empresa lida com privacidade.

A questão de fundo, segundo Shavell, é estrutural. As empresas de IA podem instalar barreiras, mas os chatbots são desenhados primordialmente para serem eficazes em responder perguntas, e essa contradição mina qualquer proteção robusta.

O problema não se limita aos três grandes. O Grok, da xAI de Elon Musk, também foi flagrado fornecendo endereços residenciais, números de telefone e endereços comerciais a partir de buscas simples por nomes.

Não existem soluções claras no horizonte. Jennifer King, pesquisadora de privacidade do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Humano da Universidade de Stanford, observa que nem mesmo o Google parece ter infraestrutura para confirmar a um usuário individual quais dados sobre ele estão no conjunto de treinamento, muito menos para deletá-los ou corrigi-los.

Legislações como a californiana CCPA e o GDPR europeu não alcançam adequadamente as informações ‘publicamente disponíveis’ raspadas para treinar os modelos. O usuário do Reddit que sofre com as ligações afirma ter enviado pedido formal de remoção ao Google sem resposta, enquanto o desenvolvedor israelense Abraham esperou semanas para receber uma resposta do suporte que apenas pedia documentos já enviados.


Leia também: Inteligência artificial já consegue projetar toxinas e vírus letais e acende alerta global de biossegurança


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Google negocia com SpaceX para lançar data centers de IA na órbita terrestre https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/google-negocia-com-spacex-para-lancar-data-centers-de-ia-na-orbita-terrestre/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/google-negocia-com-spacex-para-lancar-data-centers-de-ia-na-orbita-terrestre/#comments Thu, 14 May 2026 04:50:02 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/14/google-negocia-com-spacex-para-lancar-data-centers-de-ia-na-orbita-terrestre/ 2 Comentários 🔥]]>
Ilustração de data centers orbitais em torno da Terra, representando a negociação entre Google e SpaceX. (Foto: canaltech.com.br)

O Google está em negociações com a SpaceX para colocar infraestrutura de inteligência artificial diretamente no espaço, com início previsto para 2027.

Segundo o Canaltech, que repercutiu reportagem do Wall Street Journal, o plano envolve o envio de satélites equipados com chips especializados de IA para a órbita da Terra. A iniciativa está ligada ao chamado Projeto Suncatcher, revelado pelo Google no final do ano passado.

O projeto prevê o lançamento de satélites carregando Unidades de Processamento Tensor (TPUs), os chips proprietários do Google desenvolvidos especificamente para tarefas de inteligência artificial. A SpaceX surge como parceira natural do empreendimento por conta de sua posição dominante no mercado global de lançamentos de foguetes.

A companhia já demonstrou interesse no setor ao solicitar autorização à FCC, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, para lançar até um milhão de satélites dedicados ao processamento de dados. O custo estimado do projeto é de proporções históricas: as duas empresas devem gastar entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões para viabilizar o plano.

O principal obstáculo é econômico e imediato. Os cálculos internos do Google para o Projeto Suncatcher indicam que o equilíbrio financeiro da operação só seria atingido com um custo de lançamento de aproximadamente US$ 200 por quilo — patamar ainda distante das capacidades operacionais atuais, mesmo com os avanços do Starship, o foguete reutilizável da SpaceX projetado para derrubar esse tipo de barreira.

Sem uma redução drástica nesse valor, o projeto permanece financeiramente inviável no curto prazo. Do ponto de vista técnico, porém, a ideia tem fundamentos sólidos.

Data centers orbitais teriam acesso contínuo à energia solar, sem as interrupções causadas por ciclos de dia e noite ou por condições atmosféricas. O ambiente espacial também oferece condições naturais para a dissipação de calor, eliminando a necessidade dos complexos e caros sistemas de refrigeração que consomem enormes quantidades de energia nos centros de dados terrestres.

O argumento ambiental também está no centro da proposta. Um grande data center convencional pode demandar energia suficiente para abastecer cidades inteiras, além de gerar impactos significativos no entorno imediato — consumo massivo de água para resfriamento e pressão sobre redes elétricas locais.

A corrida espacial corporativa, no entanto, carrega suas próprias contradições ambientais. O aumento exponencial no número de satélites em órbita baixa já preocupa astrônomos e agências espaciais pelo risco de colisões e pela poluição luminosa. Um eventual lançamento de milhares de satélites de processamento de dados adicionaria pressão considerável sobre um ambiente orbital cada vez mais congestionado.

O projeto ainda está em fase de negociação e enfrenta barreiras técnicas, econômicas e regulatórias. A data de 2027 mencionada pelo Google para os primeiros lançamentos deve ser lida como uma ambição declarada, não como um compromisso firmado.


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Google planeja integrar inteligência artificial ao mouse e reinventar o periférico mais antigo do computador https://www.ocafezinho.com/2026/05/13/google-planeja-integrar-inteligencia-artificial-ao-mouse-e-reinventar-o-periferico-mais-antigo-do-computador/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/13/google-planeja-integrar-inteligencia-artificial-ao-mouse-e-reinventar-o-periferico-mais-antigo-do-computador/#comments Wed, 13 May 2026 11:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/13/google-planeja-integrar-inteligencia-artificial-ao-mouse-e-reinventar-o-periferico-mais-antigo-do-computador/ 3 Comentários 🔥]]>
Um mouse de computador sobre o teclado de um notebook. (Foto: olhardigital.com.br)

O Google está desenvolvendo planos para integrar inteligência artificial diretamente ao mouse de computador, um dos periféricos mais estáveis da história da informática.

A informação foi abordada na coluna Fala AI do Olhar Digital pelo físico e especialista em aprendizado de máquina Roberto Spinelli. Spinelli é formado em física pela Universidade de São Paulo e tem especialização em Machine Learning pela Universidade de Stanford.

A proposta transformaria um dispositivo acionado centenas de vezes por dia sem que o usuário perceba sua presença. O mouse deixaria de ser um simples transmissor de coordenadas e cliques para se tornar um ponto de interface ativa com sistemas de IA.

O periférico passaria a interpretar intenções do usuário, antecipar ações e sugerir comandos a partir dos padrões de uso registrados em tempo real. A iniciativa se insere num movimento mais amplo das grandes empresas de tecnologia de incorporar IA em camadas cada vez mais profundas da experiência computacional.

O mouse seria, nesse contexto, uma porta de entrada privilegiada. Está na mão do usuário o tempo todo, captura dados de comportamento de forma contínua e opera em praticamente todos os ambientes de trabalho digital.

A coluna também trouxe uma descoberta de pesquisadores que desenvolveram um método para fazer sistemas de IA admitirem quando não têm certeza sobre uma resposta. Essa é uma limitação histórica dos modelos de linguagem, que tendem a apresentar informações inventadas com a mesma confiança com que expõem fatos verificados.

Essa capacidade de reconhecer a própria incerteza é considerada um avanço crítico para aplicações sensíveis, como medicina, direito e finanças. Modelos que sabem o que não sabem representam uma mudança concreta em relação aos sistemas atuais, que frequentemente erram com aparência de certeza absoluta.

Outro tema abordado foi o caso em que o Google interceptou o primeiro ataque cibernético do tipo zero-day criado com auxílio de inteligência artificial. Ataques zero-day exploram vulnerabilidades desconhecidas em sistemas antes que os desenvolvedores tenham chance de corrigi-las.

O fato de que a IA já está sendo usada para criar esse tipo de ataque representa uma inflexão no cenário de cibersegurança global. A mesma tecnologia que promete tornar o mouse mais inteligente e os modelos de linguagem mais honestos também está sendo mobilizada por agentes maliciosos para automatizar e sofisticar ataques digitais.


Leia também: Google reinventa o Android Auto com vídeos, widgets e IA integrada na maior atualização da plataforma em dez anos


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Google reinventa o Android Auto com vídeos, widgets e IA integrada na maior atualização da plataforma em dez anos https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-reinventa-o-android-auto-com-videos-widgets-e-ia-integrada-na-maior-atualizacao-da-plataforma-em-dez-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-reinventa-o-android-auto-com-videos-widgets-e-ia-integrada-na-maior-atualizacao-da-plataforma-em-dez-anos/#comments Tue, 12 May 2026 22:20:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-reinventa-o-android-auto-com-videos-widgets-e-ia-integrada-na-maior-atualizacao-da-plataforma-em-dez-anos/ 3 Comentários 🔥]]>
Imagem conceitual da nova interface do Android Auto com navegação, mensagens e reprodução de música. (Foto: olhardigital.com.br)

O Google anunciou a maior reformulação do Android Auto desde o lançamento da plataforma, há dez anos.

As novidades foram apresentadas durante o Android Show: I/O Edition e incluem novo design visual, suporte a widgets, reprodução de vídeos pelo YouTube, áudio espacial com Dolby Atmos e integração profunda com o assistente de inteligência artificial Gemini.

O vice-presidente de Android Automotive do Google, Patrick Brady, classificou o conjunto de mudanças como a atualização mais significativa da história do sistema. As novidades chegam tanto ao Android Auto — versão que conecta o smartphone ao carro — quanto aos veículos com Google built-in, que rodam o Android Automotive diretamente no hardware do veículo.

Uma das mudanças mais visíveis é o novo design “full bleed”, que permite que aplicativos ocupem toda a área da tela do carro, independentemente do formato do display. O Google citou exemplos de telas circulares, curvas e painéis de formatos menos convencionais adotados por algumas montadoras, todos agora plenamente suportados pelo sistema.

A interface também passa a adotar a linguagem visual Material 3 Expressive, já presente no Android para smartphones. O sistema exibirá novas animações, fontes e papéis de parede inspirados no celular conectado, criando uma experiência mais coesa entre o telefone e o painel do veículo.

Outra novidade é o suporte a widgets diretamente na tela do carro. Os usuários poderão adicionar atalhos para contatos favoritos, previsão do tempo, abertura de portão de garagem e controles de casa inteligente, tudo acessível sem sair da interface principal do Android Auto.

O Google Maps no Android Auto também ganha o modo “Immersive Navigation”, que exibe mapas em 3D com detalhes como prédios, viadutos, faixas de rolamento, semáforos e placas de parada. Em veículos com Google built-in compatíveis, o recurso usa a câmera frontal do carro para identificar em tempo real a faixa em que o motorista está trafegando, oferecendo orientação de faixa ao vivo.

Quando o veículo estiver estacionado ou em carregamento, o Android Auto passará a permitir a reprodução de vídeos em aplicativos como o YouTube, com suporte a resolução Full HD em até 60 quadros por segundo nos carros compatíveis. Ao retomar a direção, o conteúdo pode continuar em modo somente áudio nos apps que suportarem o recurso.

O sistema também receberá suporte a áudio espacial com Dolby Atmos, com YouTube Music e Spotify entre os aplicativos citados como parceiros iniciais do recurso. A funcionalidade depende de compatibilidade tanto do veículo quanto do aplicativo utilizado.

O Gemini chega ao Android Auto com funções inéditas, entre elas o recurso “Magic Cue”, que analisa o contexto de mensagens recebidas e sugere respostas rápidas. Se um contato pedir um endereço por mensagem, o assistente pode localizar a informação em e-mails, calendário ou histórico de mensagens do usuário e propor uma resposta com um único toque na tela.

O Google também demonstrou o Gemini realizando pedidos em aplicativos como o DoorDash diretamente pelo Android Auto, com o usuário fazendo solicitações por voz e confirmando o pedido na tela do carro. Nos veículos com Google built-in, o Gemini poderá ainda responder perguntas relacionadas ao próprio veículo, como o significado de luzes no painel ou se um objeto cabe no porta-malas.

Conforme detalhou o Olhar Digital, as atualizações para o Android Auto e para os carros com Google built-in começarão a ser liberadas ao longo de 2026, sem uma data única de lançamento. A abrangência das novidades dependerá da compatibilidade de cada veículo e dos aplicativos parceiros.


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Google detecta e bloqueia primeiro ataque de dia zero desenvolvido com inteligência artificial https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-detecta-e-bloqueia-primeiro-ataque-de-dia-zero-desenvolvido-com-inteligencia-artificial/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-detecta-e-bloqueia-primeiro-ataque-de-dia-zero-desenvolvido-com-inteligencia-artificial/#comments Tue, 12 May 2026 14:49:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/google-detecta-e-bloqueia-primeiro-ataque-de-dia-zero-desenvolvido-com-inteligencia-artificial/ 3 Comentários 🔥]]>
Mão robótica digita em teclado de computador, representando o uso de inteligência artificial. (Foto: canaltech.com.br)

O Google Threat Intelligence Group (GTIG) identificou e neutralizou, pela primeira vez, um ataque de dia zero desenvolvido com auxílio direto de inteligência artificial.

O incidente envolveu um grupo de cibercriminosos descrito pelo próprio GTIG como proeminente. O alvo era uma vulnerabilidade em uma ferramenta de administração de sistemas open-source baseada na web.

O vetor de ataque consistia em um código malicioso embutido em um script Python. O código foi projetado especificamente para contornar a autenticação de dois fatores da ferramenta visada.

Para que a exploração fosse bem-sucedida, os invasores ainda precisariam de credenciais válidas de acesso. Essa barreira adicional limitou o alcance imediato da ameaça.

Vulnerabilidades de dia zero são consideradas as mais graves na área de cibersegurança. Elas representam falhas completamente desconhecidas pelos desenvolvedores do software ou hardware afetado, deixando empresas e usuários sem qualquer janela de defesa.

O Google colaborou com o fornecedor da ferramenta para corrigir a falha. Uma atualização de segurança já está disponível.

Conforme detalhado no relatório do GTIG, o código malicioso apresentava características que apontavam para a participação de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) em sua criação. Entre as evidências estavam docstrings educacionais — comentários explicativos inseridos automaticamente — e formatação estruturada típica de respostas de IA.

Os analistas também identificaram um score CVSS gerado de forma incorreta. Eles interpretaram o erro como uma alucinação do modelo — uma saída confiante, porém factualmente errada, produzida pela IA.

O score CVSS é uma métrica padronizada que quantifica a gravidade de vulnerabilidades de segurança em uma escala de 0 a 10. Quando um modelo de IA gera esse valor incorretamente e o insere no código com aparente autoridade, isso revela que a ferramenta foi usada para automatizar etapas técnicas do ataque sem supervisão humana rigorosa.

O Google afirmou não acreditar que seu próprio modelo Gemini tenha sido utilizado no desenvolvimento do exploit.

O relatório também destacou o interesse crescente de grupos ligados à China, à Coreia do Norte e à Rússia em explorar a IA para ampliar suas capacidades ofensivas no ciberespaço. O grupo norte-coreano APT45 foi citado nominalmente como ator estatal que passou a utilizar IA para escalar seus métodos de ataque.

Hackers russos foram registrados atacando redes ucranianas com malwares gerados por modelos de linguagem.

John Hultquist, analista-chefe do GTIG, avalia que o número real de ataques de dia zero com participação de IA pode ser consideravelmente maior do que os casos detectados até agora. Segundo ele, a tecnologia tem potencial para aumentar a velocidade, a escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos de forma exponencial, tornando a detecção precoce cada vez mais difícil para equipes de defesa tradicionais.

Com informações de CANALTECH.


Leia também: Google intercepta primeiro ataque zero-day criado com inteligência artificial


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