juros - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/juros/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 02 Jul 2026 16:00:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png juros - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/juros/ 32 32 Mercado imobiliário afunda https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/mercado-imobiliario-afunda/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/02/mercado-imobiliario-afunda/#comments Thu, 02 Jul 2026 14:54:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261235 Imagine, por um instante, quem hoje tenta vender uma casa recém-construída. Provavelmente, as reuniões de vendas parecem tiradas direto do cinema: vendedores desanimados ouvindo discursos motivacionais que prometem que “o dinheiro está lá fora” e que a ordem é sempre “fechar o negócio”. O problema, porém, é simples e cruel: e se o dinheiro, de fato, não estiver disponível?

A escalada das taxas de juros dos financiamentos imobiliários, somada à instabilidade econômica global, adiou qualquer esperança de recuperação rápida. Ainda que a economia global não tenha vivido o pior cenário imaginado no início dos conflitos no Oriente Médio — em boa parte graças à redução das importações de petróleo pela China —, o impacto sobre o setor imobiliário já é evidente.

Mesmo depois de um acordo de paz reduzir as expectativas sobre taxas de juros e aliviar um pouco as condições de financiamento, os efeitos negativos ainda reverberam pela economia. Assim, o setor da construção civil se vê obrigado a tomar decisões que já não podem mais esperar.

Setor imobiliário perde otimismo com juros no Brasil

O cenário brasileiro caminha na mesma direção — e a confiança do setor já começa a esfriar. Segundo o InfoMoney, diferentemente do otimismo compartilhado no fim de 2025, o setor de incorporação não sustenta mais a mesma expectativa de queda de juros no Brasil. Esse foi o tom predominante nas declarações de executivos durante o Summit ABRAINC 2026, realizado na última quinta-feira, 25 de junho, em São Paulo.

Logo na abertura do evento, Luiz França, CEO da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), fez um apelo direto pela redução dos juros, que, segundo ele, permanecem em patamar elevado demais para destravar o setor. Afinal, sem crédito acessível, o sonho da casa própria continua distante para boa parte da população brasileira.

Vale lembrar que, no último Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central decidiu por um terceiro corte seguido na taxa básica de juros, de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando a Selic para 14,25% ao ano. Ainda assim, especialistas consideraram a decisão branda diante de uma deterioração da inflação já admitida pelo próprio BC na última Ata do Copom.

Diante desse cenário, o clima entre os executivos mudou visivelmente. “A expectativa de queda que se falava no fim do ano mudou. Hoje se fala em aumento de juros”, afirmou Ricardo Gontijo, CEO da Direcional (DIRR3), durante um painel no evento. Segundo ele, os juros afetam diretamente a produção do setor imobiliário e, ainda mais, o ciclo do cliente, que depende de financiamentos longos para viabilizar a compra do imóvel.

Para o CEO da Direcional, inclusive, os juros atuais devem impactar até a demanda por imóveis de alta renda nos próximos dois anos. “O mercado de alta renda vai sofrer, exceto os compactos. A venda dos apartamentos compactos estão voando, mas isso tem um limite. Ninguém tira dinheiro do banco com essa remuneração de quase 15%”, avaliou.

Por outro lado, fora do programa Minha Casa, Minha Vida — cujas taxas seguem subsidiadas, entre 4% e 8% ao ano —, os juros do financiamento imobiliário no primeiro semestre de 2026 variaram entre 12% e 14%, a depender do banco e do perfil de crédito de cada cliente. Ou seja, quem não se enquadra no programa social sente o peso dos juros de forma ainda mais direta.

Nesse contexto, alguns executivos aproveitaram o evento para refletir sobre as raízes estruturais do problema. “Durante muitos anos a gente era feliz e não sabia. Tínhamos uma poupança cheia de recursos e isso foi minando. As pessoas passaram a compreender melhor o mercado financeiro. Vieram alternativas [de funding] interessantes, como LGI, LCI. Elas ficaram mais fortes. No ano passado o governo ajudou, liberou mais recursos da poupança para o setor, mas isso é finito (…) O mercado financeiro evoluiu demais. Tenho certeza que quando tivermos uma taxa de juros razoável, isso [financiamento do setor] vai voar mais ainda”, disse Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar.

A fala de Veiga, portanto, resume bem o dilema atual do setor: por décadas, o financiamento imobiliário brasileiro dependeu quase exclusivamente dos recursos da poupança, uma fonte que, aos poucos, perde força diante de opções mais rentáveis no mercado financeiro. Sem uma alternativa robusta e permanente de funding, o setor segue refém das decisões de política monetária — e, por consequência, das oscilações da Selic.

O diagnóstico: sem juros mais baixos e sem apoio mais consistente do poder público, dificilmente o mercado imobiliário conseguirá destravar sozinho o acesso à moradia digna.

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Juros do Banco Central sabotam ajuste fiscal apontado pela IFI https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/juros-do-banco-central-sabotam-ajuste-fiscal-apontado-pela-ifi/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/juros-do-banco-central-sabotam-ajuste-fiscal-apontado-pela-ifi/#respond Fri, 26 Jun 2026 13:52:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260782 O novo relatório da Instituição Fiscal Independente recoloca o debate fiscal brasileiro no ponto que a conversa pública costuma evitar: a trajetória da dívida não será enfrentada seriamente enquanto o país tratar juros estratosféricos como fenômeno natural. O documento projeta que a dívida bruta do governo, hoje em 80,1% do PIB, pode chegar a 115% do PIB em 2036, patamar descrito pelo próprio relatório como “um nível de endividamento extremamente elevado”.

O dado aparece no Relatório de Acompanhamento Fiscal 113, divulgado pela IFI e registrado pela Agência Senado. A instituição, vinculada ao Senado Federal, cumpre aqui uma função técnica relevante: mostra que o próximo presidente da República receberá um quadro duro, que não será resolvido com frases de efeito, chantagem contra aposentados ou caça ritual ao funcionalismo público.

A pergunta incômoda é outra. Se o endividamento avança em ritmo perigoso, por que a imprensa corporativa insiste em mirar quase sempre o gasto social, enquanto preserva a política de juros como se fosse uma cláusula pétrea da República? É nesse ponto que o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, deixa de ser apenas um operador técnico e passa a ocupar o centro de um conflito político de primeira grandeza.

A política monetária sob comando do Banco Central mantém o país preso a juros reais excepcionalmente elevados, com efeito direto sobre o Tesouro Nacional e sobre a capacidade do Estado de financiar políticas públicas. Dados oficiais do IBGE em parceria com o Tesouro Nacional indicam que o Governo Geral gastou R$ 971 bilhões com pagamento de juros da dívida pública em 2024, cifra que ajuda a explicar por que qualquer regra fiscal vira uma corrida contra uma esteira ligada no máximo.

O contraste é brutal porque revela a assimetria do debate. Cálculos da pesquisadora Tatiana Pinheiro, da Fundação Getulio Vargas, apontam que estabilizar a trajetória da dívida exigiria superávit primário próximo de 2,5% do PIB, algo em torno de R$ 450 bilhões. Apenas nos primeiros onze meses de 2024, o Tesouro Nacional desembolsou R$ 559,8 bilhões com juros nominais, valor superior ao esforço fiscal anual estimado para recolocar as contas em rota sustentável.

Essa comparação não elimina a necessidade de escolhas orçamentárias difíceis, mas muda a hierarquia do problema. Quando o custo parcial dos juros supera em mais de R$ 100 bilhões o ajuste anual apontado como necessário, fica difícil sustentar a fantasia de que o drama fiscal brasileiro se explica sobretudo por salários, aposentadorias ou programas sociais. A conta que sangra o orçamento tem endereço conhecido: a remuneração da dívida em um país submetido a uma política monetária que favorece o rentismo.

O roteiro preferido da grande imprensa é conhecido e, por isso mesmo, cada vez menos convincente. Dramatiza-se o gasto primário, transforma-se previdência em suspeita permanente, coloca-se o servidor público no banco dos réus e se preserva a renda financeira como se ela habitasse uma esfera moral superior. O problema é que a dívida não cresce apenas porque o Estado gasta, mas porque paga caro demais para rolar a própria dívida.

O próprio Banco Central reconhece, em seus dados fiscais, que a incorporação de juros nominais é um dos principais fatores de aumento da Dívida Bruta do Governo Geral. Em maio de 2026, a autoridade monetária detalhou que a alta do endividamento foi puxada pelo crescimento dos juros. É o velho efeito bola de neve: quando a taxa de juros real supera o crescimento da economia, a dívida engorda por inércia, mesmo quando o governo tenta conter despesas primárias.

Galípolo conhece essa engrenagem por dentro e isso torna sua posição ainda mais sensível. Antes de chegar à presidência do Banco Central, ele participou de decisões do Comitê de Política Monetária em que defendeu cortes mais fortes na Selic e chegou a classificar o patamar dos juros no Brasil como uma «anomalia» estrutural. A questão política, agora, é que a cadeira de comando cobra mais do que diagnóstico elegante: cobra capacidade de romper com a lógica que transforma o arcabouço fiscal em peça decorativa diante da voracidade financeira.

O alerta da IFI ganha força justamente porque não autoriza uma leitura simplória de terra arrasada. O IBGE informou que o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior e chegou a R$ 3,3 trilhões, com altas nos três grandes setores. O Relatório de Política Monetária do Banco Central de junho de 2026 também registrou esse desempenho, sinal de que a economia real não confirma o catastrofismo usado para justificar arrocho permanente.

O próximo governo terá, sim, decisões fiscais difíceis, e a IFI presta serviço público ao colocar números incômodos na mesa. Mas a decisão mais difícil talvez seja enfrentar a blindagem ideológica que protege a renda financeira enquanto exige sacrifício de quem depende de serviço público, aposentadoria e salário. Se a discussão continuar tratando juros como detalhe técnico e gasto social como pecado original, o país seguirá chamando de responsabilidade fiscal aquilo que, na prática, funciona como transferência bilionária para os detentores da dívida.

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Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/#respond Thu, 18 Jun 2026 10:22:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/copom-reduz-taxa-selic-para-1425-ao-ano/ O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (17) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano.

Esta é a terceira vez consecutiva que o comitê reduz os juros.

O BC utiliza a Selic, os juros básicos da economia, como um instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e, com isso, tentar controlar a inflação.

Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo.

Quando há redução, a perspectiva é de estímulo para a economia e de um menor risco de descontrole nos preços.

Na reunião anterior, em abril, o comitê apontou como justificativa para um ritmo menor na queda dos juros as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.

O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.

Consequências do conflito

O Copom apontou a permanência de incertezas sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos como determinantes para a decisão de cortar a taxa de juros.

Segundo a instituição, o cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, disse o Copom em comunicado.

Em relação ao ambiente doméstico, o comitê disse que o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, “com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.”

Nesse cenário, as expectativas de inflação cheia aceleraram, distanciando-se da meta para a inflação, inclusive superando o limite superior da banda, com projeções de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

A meta para a inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de menos 1,50 ponto percentual e mais 1,50 ponto percentual, isto é, de 1,50% a 4,50%.

“O comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o comunicado.

Segundo o comitê, os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, mas que o cenário segue sendo marcado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

O comitê informou ainda que o tamanho total do ajuste dos juros dependerá dos próximos dados econômicos, com o objetivo de garantir que a inflação volte à meta.

“Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o Copom.

Fonte: Agência Brasil

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Mercado financeiro eleva previsão da Selic para 13,75% ao ano https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/mercado-financeiro-eleva-previsao-da-selic-para-1375-ao-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/mercado-financeiro-eleva-previsao-da-selic-para-1375-ao-ano/#respond Mon, 15 Jun 2026 13:52:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/15/mercado-financeiro-eleva-previsao-da-selic-para-1375-ao-ano/ Pela segunda semana seguida, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o mercado financeiro elevou a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic. A previsão dos analistas para os juros, até o final de 2026, passou de 13,5% ao ano para 13,75% ao ano.

A informação está no boletim Focus desta segunda-feira (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 12% ao ano e 10,25% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa, que é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, deve chegar a 10% ao ano.

O Copom faz, nesta semana, nova reunião para decidir sobre a Selic e a previsão do mercado financeiro é que ela seja mantida em 14,5% ao ano neste encontro. Na última reunião, em abril, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida, apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros num cenário de queda da inflação, no entanto, a guerra no Oriente Médio impactou a economia do país, com o aumento dos preços de combustíveis e de alimentos pressionando a inflação.

A reunião do Copom ocorre nesta terça (16) e quarta-feira (17).

Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 5,11% para 5,3% este ano. Com as pressões econômicas da guerra no Oriente Médio, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela décima quarta semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em maio, o preço dos alimentos pressionou a inflação oficial, que fechou em 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já fora do teto da meta de inflação. Para 2027, a projeção da inflação passou de 4,03% para 4,1%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,68% e 3,5%, respectivamente.

No primeiro trimestre de 2026, a economia do país cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025. No acumulado de 12 meses, houve expansão de 2%, de acordo com o IBGE. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,25.

Fonte: Agência Brasil

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Fazenda projeta desaceleração do PIB e aposta em juros baixos para reanimar economia https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fazenda-projeta-desaceleracao-do-pib-e-aposta-em-juros-baixos-para-reanimar-economia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fazenda-projeta-desaceleracao-do-pib-e-aposta-em-juros-baixos-para-reanimar-economia/#comments Mon, 01 Jun 2026 05:43:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/fazenda-projeta-desaceleracao-do-pib-e-aposta-em-juros-baixos-para-reanimar-economia/ 7 Comentários 🔥]]>
Notas de reais sobreposta à bandeira do Brasil, ilustrando tema econômico.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Ministério da Fazenda divulgou nota técnica projetando perda de fôlego na atividade econômica nos próximos meses, mas aposta na redução dos juros para impulsionar a economia no quarto trimestre.

O documento da Secretaria de Política Econômica (SPE), obtido pelo Metrópoles, indica que a dissipação dos efeitos de políticas públicas levará à desaceleração. A queda do custo do crédito, porém, poderá compensar parcialmente esse movimento. A indústria manufatureira deve ganhar tração no fim do ano em resposta à flexibilização monetária em curso.

A agropecuária liderou o crescimento no período, com alta de 2%, seguida pela indústria, que avançou 1%. O setor de serviços registrou expansão de 0,5%. A formação bruta de capital fixo recuou, sinalizando queda nos investimentos tanto na comparação interanual quanto em relação ao trimestre anterior.

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o ciclo de cortes da taxa Selic em março, reduzindo-a de 15% para 14,75% ao ano. Nova diminuição para 14,5% foi implementada posteriormente. A ata da reunião de abril não trouxe sinalização clara sobre os rumos do próximo encontro, marcado para os dias 16 e 17 de junho.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária monitora os impactos da guerra no Oriente Médio e do fenômeno El Niño sobre os preços. O objetivo é distinguir choques de oferta, como a alta do petróleo, de riscos que possam contaminar a inflação de forma mais duradoura.

O professor Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), avalia como arriscado depender de novos cortes de juros para sustentar o crescimento. Ele destaca que a incerteza diminuiu, mas os dados de investimento não são animadores, com quedas sucessivas nos últimos períodos.

As projeções para o acumulado do ano revelam cenário cauteloso entre analistas. O Ministério da Fazenda mantém estimativa de alta de 2,3% para o PIB de 2026. O boletim Focus do mercado financeiro aponta 1,89%, enquanto o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Banco Central projetam expansão de 1,6%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 1,9% para a economia brasileira neste ano. Se confirmado, o Brasil poderá retornar à lista das dez maiores economias globais, posição que já ocupou em anos anteriores e que reforça sua relevância geopolítica e capacidade de atrair investimentos.

A equipe econômica trabalha com a expectativa de que a inflação ceda gradualmente, permitindo novos cortes de juros no segundo semestre. A continuidade da flexibilização monetária, no entanto, depende da evolução dos conflitos no Oriente Médio e dos impactos do Super El Niño, que podem pressionar preços de alimentos e energia.

A economia brasileira apresenta sinais contraditórios. O PIB mantém-se positivo, mas o investimento encolhe e a indústria de transformação enfrenta dificuldades. A retomada sustentada exigirá ambiente externo menos adverso e política monetária mais flexível, combinação que governo e mercado acompanham com atenção.


Leia também: Fazenda projeta PIB de 2,3% em 2026 e vê indústria como motor da economia em ano eleitoral


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Dívidas em recorde assombram as famílias brasileiras https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/dividas-em-recorde-assombram-as-familias-brasileiras/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/dividas-em-recorde-assombram-as-familias-brasileiras/#respond Sat, 30 May 2026 01:23:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/dividas-em-recorde-assombram-as-familias-brasileiras/ O Brasil atingiu, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, segundo o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Esse índice é impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico. O aumento do comprometimento da renda das famílias também acendeu um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento no país.

Diante do cenário, especialistas apontam que o problema vai além do consumo e já afeta diretamente o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento das famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional discute medidas para ampliar a proteção aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegociação, como o Novo Desenrola Brasil, relançado pelo governo federal em maio deste ano (MP 1.355/2026).

Para o senador Flávio Arns (PSB-PR), propostas estruturais são necessárias para impedir que milhões de brasileiros permaneçam presos em ciclos permanentes de inadimplência.

— Em um país com os juros mais altos do mundo, precisamos avançar em mecanismos permanentes de proteção às famílias e em políticas de educação financeira para evitar o efeito bola de neve das dívidas.

Por outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) entende que programas de renegociação de dívidas não reduzem a inadimplência nem enfrentam o problema estrutural do endividamento da população.

— [O primeiro Desenrola] levava em consideração a possibilidade de haver uma troca de dívidas antigas por dívidas novas, com taxas de juros melhoradas. O resultado é que, dois anos após, o calote do que foi renegociado cresceu 15%.

Dívidas e inadimplência

O mês de abril de 2026 registrou um marco crítico para as finanças domésticas no Brasil, atingindo o recorde histórico de 80,9% de famílias endividadas. Este foi o quarto mês consecutivo de alta na série da Peic, superando significativamente os patamares registrados no mesmo período entre 2022, quando a pesquisa passou a fazer o boletim mensal, e 2025.

Embora o número total de endividados tenha crescido, a inadimplência apresentou uma relativa estabilidade na margem, com 29,7% das famílias possuindo contas em atraso, comparado aos 29,1% de abril do ano anterior. No entanto, um dado preocupante é que 12,3% dessas famílias declararam que não terão condições de quitar suas dívidas.

Custo do crédito

O cenário de endividamento recorde registrado no Brasil em abril de 2026 é acompanhado por um custo de crédito elevado. As diferentes modalidades de taxas de juros revelam a profundidade da pressão sobre o orçamento doméstico.

De acordo com os dados do Banco Central, o cartão de crédito rotativo consolida-se como a linha mais dura do mercado, com taxas que podem atingir entre 428% e 440,5% ao ano. O cartão é o principal fator de endividamento para 83,6% das famílias e compromete, sozinho, 54% da renda familiar.

Segundo a economista Catarina Carneiro, da CNC, o peso do cartão de crédito acaba reduzindo diretamente a capacidade de consumo das famílias.

— Essa grande parcela de dívidas acumulada no cartão, a modalidade com a maior taxa de juros do mercado, freia a intenção de consumo para os próximos meses, fazendo com que as famílias analisem com cautela suas condições de arcar com os pagamentos futuros e consumam menos do que fariam com crédito menos custoso — explica.

Outras modalidades de crédito voltadas ao consumo também apresentam patamares alarmantes: o cartão parcelado registra juros de 181,2% ao ano, enquanto o cheque especial e o crédito pessoal não consignado mantêm-se em níveis de aproximadamente 130% e 106,6%, respectivamente. Mesmo a taxa de crédito livre médio para pessoas físicas, que serve como um termômetro geral para o consumidor, situa-se no patamar de 59,4% ao ano.

Para o economista Rodrigo Saraiva Marinho, CEO do Instituto Livre Mercado — organização que acompanha debates sobre economia, crédito e ambiente de negócios —, o problema dos juros elevados começa no próprio desequilíbrio das contas públicas brasileiras.

— Não há como falar sobre esse tema sem falar no nível de endividamento do próprio Estado brasileiro. O Estado é muito endividado e isso faz com que os juros sejam muito altos. O governo não consegue se sustentar com aquilo que arrecada de tributos e precisa de empréstimos para complementar seus gastos – afirma.

Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, afirma que os juros e a dívida pública se alimentam mutuamente, tornando a solução do problema cada vez mais inexequível.

— Os juros altos praticados historicamente no país constituem o principal fator de crescimento da dívida pública. O volume acumulado de juros nominais da dívida supera o estoque da dívida líquida do setor público, ou seja, temos uma dívida de juros sobre juros. O Tribunal de Contas da União já demonstrou em audiência pública ao Senado Federal que nenhuma despesa orçamentária classificada como investimentos foi custeada com recursos advindos da venda de títulos da dívida pública. Isso significa que a dívida pública tem servido apenas para financiar os gastos financeiros com a própria dívida, principalmente os juros exorbitantes.

Essa estrutura de juros é sustentada por fatores macroeconômicos persistentes, como o endividamento do país e o valor comparativo da moeda com o dólar, e pela taxa Selic (taxa básica definida pelo Banco Central). Para Marcos Melo, professor do IBMEC Brasília e mestre em finanças, a taxa básica de juros é hoje um dos principais fatores por trás do avanço do endividamento no país.

— A taxa básica Selic no Brasil é de 14,5% ao ano, uma taxa muito alta. Ela é uma referência para todas as outras taxas de juros no Brasil. Quando ela está muito elevada, os bancos passam a emprestar a taxas ainda maiores, o que prejudica diretamente as famílias e empresas.

A referência da Selic eleva o custo do crédito de forma generalizada e coloca o Brasil com a segunda maior taxa real de juros do mundo (9,3%), atrás apenas da Rússia.

Renda comprometida

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas apresenta uma trajetória de crescimento consistente, e também atinge recordes em 2026. Essa métrica representa a relação entre os pagamentos esperados para o serviço da dívida e a renda mensal disponível.

Segundo dados do Banco Central, a fatia de renda das famílias que está comprometida com dívidas saltou de aproximadamente 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025. Isso significa que quase um terço do orçamento doméstico já está carimbado para as dívidas antes mesmo de outras despesas básicas serem pagas.

O avanço do comprometimento da renda também afeta diretamente a atividade econômica, especialmente o comércio e os serviços. Com menos renda disponível, as famílias reduzem gastos considerados não essenciais. O professor Marcos Melo avalia que os juros elevados acabam afetando toda a dinâmica econômica do país.

— Além da situação das famílias, a taxa de juros tão alta significa menor oferta de emprego, prejudica a renda do trabalhador e permite uma disfunção no mercado de trabalho — afirma.

Além da pressão dos juros, novos fatores estruturais — como o impacto das apostas online (bets) no consumo e a alta nos custos de vida com alimentação e moradia — têm forçado as famílias, especialmente as de baixa renda, a utilizarem o crédito como complemento salarial. Como resultado, o endividamento total das famílias em relação à renda acumulada atingiu o recorde histórico de 49,9%, sinalizando que metade de tudo o que as famílias recebem e produzem em um ano já está comprometido com dívidas.

Fatores internacionais, como conflitos e oscilações no mercado global, também impactam diretamente preços e consumo no Brasil e podem pressionar ainda mais a economia brasileira e afetar diretamente o orçamento das famílias.

Novo Desenrola

Programas de refinanciamento de dívidas e ações de assistência social são ferramentas para ajudar as pessoas a organizarem suas vidas financeiras quando as contas saem do controle. O principal exemplo atual é o Novo Desenrola Brasil (Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias), lançado em maio de 2026, que funciona como um grande mutirão para que brasileiros, estudantes e até pequenas empresas consigam negociar o que devem com condições facilitadas.

A iniciativa foi instituída pela Medida Provisória (MP) 1.355/2026, publicada em 4 de maio e já em vigor. A MP criou o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias – Novo Desenrola Brasil, vinculado ao Ministério da Fazenda, com o objetivo de promover a renegociação e regularização de dívidas em atraso junto ao sistema financeiro.

Segundo o senador Flávio Arns, programas como o Novo Desenrola possuem impacto social imediato relevante, especialmente entre as famílias de baixa renda, mas são apenas o começo.

— Seus efeitos ainda são paliativos. São necessárias medidas estruturais de médio e longo prazo, voltadas para geração de emprego, aumento da renda, acesso ao crédito mais barato e educação financeira da população.

O senador Rogério Marinho critica escolhas feitas na formatação do Novo Desenrola.

— O governo nos oferece velhas fórmulas, as mesmas práticas, e nós já sabemos o resultado. Vão usar recursos de saque do FGTS para pagamento de dívidas, ou seja, segregar o recurso para fortalecer o sistema financeiro brasileiro.

Para que o auxílio chegue a quem precisa, o programa foi dividido em diferentes categorias:

O Desenrola Famílias é focado em pessoas que ganham até cinco salários mínimos e possuem dívidas atrasadas de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos.

O Desenrola Fies ajuda estudantes a regularizarem seus financiamentos educativos, oferecendo descontos que podem chegar a 99% para quem está há muito tempo sem conseguir pagar.

Existem também versões específicas para ajudar pequenos negócios e produtores rurais a recuperarem seu crédito.

As vantagens oferecidas por esses programas são pensadas para que o pagamento caiba no bolso do cidadão. Entre os principais benefícios estão:

Descontos generosos: As dívidas podem ser reduzidas em até 90% do valor total.

Juros mais baixos: O programa define um teto de juros de 1,99% ao mês, taxa muito menor do que a do cartão de crédito rotativo, que pode passar de 400% ao ano.

Nome limpo mais rápido: Para dívidas de até R$ 100, o nome do consumidor é retirado dos órgãos de proteção ao crédito (como SPC e Serasa) logo no início do programa.

Uso do FGTS: O trabalhador pode usar uma parte do seu saldo do FGTS para ajudar a pagar a dívida negociada.

Além de facilitar o pagamento, esses programas também trazem medidas de proteção social. Uma regra importante de 2026 é que quem participar da renegociação terá o seu CPF bloqueado para realizar apostas online (bets) por 12 meses. O objetivo é garantir que o dinheiro economizado com o desconto da dívida seja usado para o bem-estar da família e não gasto em atividades de alto risco.

A MP do Novo Desenrola tem previsão de duração de 90 dias, e ainda precisa ser analisada e aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva.

Peso das bets

O cenário de recorde histórico no endividamento das famílias brasileiras é sustentado por uma combinação de fatores macroeconômicos persistentes e novas causas estruturais. No centro desse problema está a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, recentemente ajustada para 14,5% a 14,75% ao ano, o que encarece o crédito de forma generalizada. Para o professor Marcos Melo, do IBMEC, a redução sustentável dos juros depende diretamente do equilíbrio fiscal do país.

— É preciso um trabalho muito grande de maior responsabilidade fiscal, gastar menos e gastar melhor, para que num futuro mais adiante seja possível diminuir a taxa básica de juros. Só assim os problemas relacionados ao endividamento das famílias, das empresas e do crescimento do país acabam sendo resolvidos ao longo do tempo — avalia.

Esse custo elevado do dinheiro se agrava pela alta concentração bancária, que permite aos cinco maiores bancos do país manterem um spread bancário de 34,6 pontos percentuais. O spread representa a diferença entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados dos clientes nos empréstimos. Esse valor é drasticamente superior à média global de 6 p.p., calculada pelo Banco Mundial.

Como reflexo direto dessas taxas, o uso do cartão de crédito cria uma “bola de neve” financeira que atinge severamente as famílias de baixa renda (até 3 salários mínimos), que muitas vezes recorrem ao crédito para cobrir despesas como alimentação, saúde e moradia.

Somando-se aos fatores tradicionais, as apostas online (bets) surgiram como uma nova e relevante causa estrutural entre 2024 e 2025, passando a ser o principal fator associado ao endividamento em certas faixas da população e superando o impacto do acesso ao crédito comum. De acordo com a economista Catarina Carneiro, da CNC, embora os juros altos continuem sendo o principal fator de inadimplência, as apostas passaram a agravar significativamente o problema.

— As apostas online deixaram de ser um gasto de entretenimento residual e passaram a atuar como um dreno severo na restrição orçamentária das famílias brasileiras, afetando de forma desproporcional as classes de menor renda.

Um estudo econométrico realizado pela CNC estima que, desde a regulamentação das plataformas em 2023, cerca de R$ 30 bilhões por mês deixaram de circular no consumo tradicional para abastecer sites de apostas.

Propostas do Senado

Para tentar mitigar esse ciclo, tramitam no Poder Legislativo propostas como o PL 2.944/2022, que trata do superendividamento de consumidores. O projeto redefine o chamado “mínimo existencial”, que é a quantia que não pode ser comprometida na renegociação de dívidas e na concessão de crédito. Atualmente, um decreto estabelece o mínimo existencial no valor de 25% do salário mínimo.

Autor do projeto, o ex-senador Mecias de Jesus (RR), argumenta que o crescimento do endividamento das famílias brasileiras exige mecanismos capazes de impedir que consumidores comprometam recursos indispensáveis à própria sobrevivência para conseguir quitar dívidas bancárias. Para ele, um valor fixo — e tão reduzido — não atende a esse objetivo.

“O valor estabelecido foi considerado por especialistas em direito do consumidor muito baixo para o pagamento de despesas básicas, o que compromete a efetividade da lei e as condições de sobrevivência dos brasileiros superendividados. O conceito não deveria se basear em um critério fixo, mas sim em um índice de comprometimento de renda a ser aplicado caso a caso. Esse modelo levaria em conta a realidade de cada consumidor individualmente”, escreveu Mecias na justificativa para o projeto.

O projeto já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e aguarda decisão final na Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC).

Para o senador Flávio Arns, que participou da aprovação do texto na CAS, a proposta é necessária diante do avanço do superendividamento no país. O senador também defende o fortalecimento de políticas públicas de educação financeira como forma de prevenção ao descontrole das finanças pessoais.

— O Congresso discute políticas de educação financeira, inclusive projetos para torná-la obrigatória na educação básica e também no ensino superior. A lógica dessas propostas é preventiva: formar hábitos de consumo, poupança e uso do crédito antes que o endividamento se torne estrutural.

Outra iniciativa é o PL 2.356, de 2024, do senador Jayme Campos (União-MT), que incorpora a educação financeira ao currículo de todos os níveis da educação básica. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e está na Comissão de Educação (CE).

“A escola não cumprirá sua missão civilizadora se for incapaz de formar cidadãos preparados para se inserir na vida produtiva de forma empreendedora e com competências financeiras”, argumenta ele na justificativa.

Fonte: Agência Senado

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Altos juros no Brasil premiam o ócio e sufocam o desenvolvimento https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/altos-juros-no-brasil-premiam-o-ocio-e-sufocam-o-desenvolvimento/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/altos-juros-no-brasil-premiam-o-ocio-e-sufocam-o-desenvolvimento/#respond Thu, 21 May 2026 23:41:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/21/altos-juros-no-brasil-premiam-o-ocio-e-sufocam-o-desenvolvimento/
Ilustração editorial sobre Altos juros no Brasil premiam o ócio e sufocam o desenvolvimento. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Brasil enfrenta desafios no cenário internacional, com a desorganização das cadeias de suprimentos impactada por pandemias e conflitos globais. A reconstrução das instituições democráticas e o papel do Estado foram retomados no governo Lula III, após o período de interrupção entre 2016 e 2022.

O novo paradigma da divisão internacional do trabalho substitui a visão liberal do suprimento pelo menor custo pela segurança de fornecimento, alterando significativamente a localização das cadeias internacionais de suprimentos. O governo Lula III desenvolveu importante esforço de reconstituição das instituições democráticas e a retomada do papel do Estado nas políticas públicas para o desenvolvimento.

Os avanços econômicos incluem o crescimento superando expectativas, o desemprego mais baixo desde 2014 e a recuperação da renda média. A retomada de programas sociais de elevado impacto, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, contribuiu para esse desempenho favorável. Na área tributária, houve progresso na tributação indireta, reduzindo distorções e tornando o sistema mais transparente.

Um dos grandes entraves ao desenvolvimento está nas políticas macroeconômicas, especialmente as taxas de juros. Os juros elevados por longo período geram enormes distorções, representando um “prêmio” ao ócio, pois o retorno esperado de qualquer empreendimento dificilmente supera o “custo de oportunidade” representado pelos juros.

O pagamento dos juros da dívida consumiu 1 trilhão de reais no último ano, representando 8% do PIB. Grande parte do esforço fiscal, seja na elevação da arrecadação, seja na contenção de gastos, é desperdiçada no pagamento de juros. Outra distorção é o enorme peso das emendas parlamentares, que chegaram a 51 bilhões de reais, restringindo a capacidade de investimentos do Executivo.

As eleições gerais de 2026 representam um ponto relevante de definição do futuro do País. Mais que uma disputa polarizada, trata-se da necessidade de afirmação do Estado Democrático de Direito, dos valores republicanos e do relevante papel das instituições. A nação não pode admitir qualquer retrocesso e concessão a programas e projetos de poder que só favoreçam alguns em detrimento do todo.

Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.


Leia também: Indústria brasileira resiste aos juros altos: produção de bens de capital cresce 7% em 12 meses


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Lula anuncia ampliação do Desenrola e prevê uso do FGTS para reduzir dívidas das famílias https://www.ocafezinho.com/2026/05/03/lula-anuncia-ampliacao-do-desenrola-e-preve-uso-do-fgts-para-reduzir-dividas-das-familias/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/03/lula-anuncia-ampliacao-do-desenrola-e-preve-uso-do-fgts-para-reduzir-dividas-das-familias/#comments Sun, 03 May 2026 15:22:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/03/lula-anuncia-ampliacao-do-desenrola-e-preve-uso-do-fgts-para-reduzir-dividas-das-familias/ 51 Comentários 🔥]]>
Pessoa utiliza calculadora e lápis sobre documentos, em imagem que remete a finanças e endividamento. (Foto: metropoles.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou no Dia do Trabalhador um pacote que amplia o Desenrola Brasil e prevê o uso do FGTS para reduzir dívidas das famílias e estimular a economia.

No centro da proposta está a segunda fase do Desenrola Brasil, redesenhada para alcançar dívidas bancárias e não bancárias com descontos mais agressivos que os da primeira rodada. A ideia é permitir abatimentos expressivos sobre saldos já negativados para que milhões de brasileiros voltem a ter crédito.

Técnicos da Fazenda afirmam que os acordos poderão envolver cartão de crédito, cheque especial, contas de serviços e débitos com varejistas. Credores serão estimulados por incentivos tributários e garantias públicas que diminuem o risco de calote.

O governo pretende acionar o Fundo Garantidor de Operações para compartilhar parte do risco com os bancos. Essa ação visa alongar prazos e reduzir parcelas a um patamar acessível para a renda familiar.

Outra frente libera parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar ou amortizar dívidas de alto custo. O mecanismo troca encargos elevados por recursos que já pertencem ao trabalhador.

A equipe econômica também quer reforçar o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Essa modalidade apresenta inadimplência mais baixa e pode competir com o rotativo do cartão, que costuma superar 400% ao ano.

Regras mais simples de portabilidade de crédito permitirão que consumidores migrem empréstimos caros para instituições dispostas a cobrar menos. A estratégia busca aumentar a concorrência bancária e pressionar os spreads.

O Executivo avalia limitar o uso de benefícios sociais em plataformas de apostas e proibir contratos estruturados sobre resultados esportivos, políticos ou de entretenimento. A resolução do Conselho Monetário Nacional que veda esses derivativos entra em vigor em 4 de maio.

O pacote chega em ambiente de Selic a 14,75% ao ano, patamar que encarece todas as formas de financiamento. O uso do cartão rotativo bateu recordes, segundo dados do Banco Central.

Economistas do governo sustentam que a inadimplência elevada consome potencial de crescimento. Famílias superendividadas cortam gastos e atrasam contas básicas, o que compromete a reativação da indústria, do comércio e da arrecadação tributária.

Especialistas independentes apontam que o uso de garantias públicas pode reduzir spreads de forma imediata. O sucesso do programa, porém, exigirá educação financeira contínua para evitar a reincidência do problema.

O plano inclui campanhas nacionais em escolas, postos de atendimento e redes sociais para ensinar conceitos de orçamento, juros e planejamento de longo prazo. A Secretaria de Reformas Econômicas aposta que a informação qualificada ajuda a evitar dependência de crédito caro.

Microempreendedores individuais, pequenos negócios e estudantes de programas como o Fies também entrarão no rol de beneficiários, conforme detalhou o portal Metrópoles. A inclusão desses grupos amplia o alcance social da medida e reforça a visão de que o endividamento afeta não só famílias, mas a própria capacidade produtiva do país.

O texto final do programa foi formalizado em decreto e portarias subsequentes, entrando em vigor imediatamente após a publicação. A primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, renegociou valores bilionários e limpou o nome de milhões de pessoas.

A nova etapa pretende dobrar esses números, utilizando base de dados atualizada dos birôs de crédito e sistemas de conciliação digital. A Fazenda também discute criar um painel público com indicadores de adesão, descontos médios e volume de dívidas renegociadas em tempo real.

A transparência pretende estimular competição entre bancos e mostrar à sociedade a efetividade do gasto público com garantias.


Leia também: Lula lança Desenrola 2.0: descontos de até 90% em dívidas e uso estratégico do FGTS


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Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/#respond Thu, 30 Apr 2026 04:03:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/entidades-do-setor-produtivo-cobram-cortes-maiores-da-selic/ A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em abril de 2026, foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.

Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.

“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.

Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também”, disse.

A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.

Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.

Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.

A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.

“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.

Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.

A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.

Pressão por novos cortes

Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.

O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.

Fonte: Agência Brasil

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Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano/#respond Wed, 29 Apr 2026 23:31:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/banco-central-reduz-juros-basicos-para-145-ao-ano/ Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela segunda vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom.

O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.

Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por causa do falecimento de um parente de primeiro grau.

Em nota, o Copom não deu pistas sobre a evolução dos juros. O texto informou que está monitorando a guerra no Oriente Médio e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.

“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, destacou o comunicado.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.

O IPCA cheio de abril só será divulgado em 12 de maio.

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou, de 3,5% para 3,6%, a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.

Crédito menos caro

A redução da taxa Selic impulsiona a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve em 1,6% a previsão de crescimento da economia em 2026.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Fonte: Agência Brasil

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Juros elevados mantêm pressão sobre endividamento das famílias https://www.ocafezinho.com/2026/04/28/juros-elevados-mantem-pressao-sobre-endividamento-das-familias/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/28/juros-elevados-mantem-pressao-sobre-endividamento-das-familias/#respond Tue, 28 Apr 2026 09:01:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/28/juros-elevados-mantem-pressao-sobre-endividamento-das-familias/ As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), indicam que as famílias seguem pressionadas por crédito caro e recorrem ao uso de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.

Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).

Com o brasileiro pagando juros tão altos, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,3% da carteira em março, com queda de 0,1 p.p. no mês, mas aumento de 1,0 p.p. em 12 meses. Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.

De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro (aumento de 0,1 p.p. no mês, e de 1,3 p.p. em 12 meses), enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7% (alta de 0,2 p.p. no mês e de 1,9 p.p. na comparação anual).

O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somou R$ 7,2 trilhões em março, com crescimento de 0,9% no mês. O crédito às famílias alcançou R$ 4,5 trilhões, com alta mensal de 0,8% e expansão de 10,9% em 12 meses.

No crédito livre destinado às pessoas físicas, o saldo chegou a R$ 2,5 trilhões, avançando 1,1% no mês e 12,3% em relação a março de 2025. O BC destacou o aumento das operações com cartão de crédito à vista, crédito consignado para trabalhadores do setor privado e financiamentos de veículos.

Já o crédito direcionado às famílias — que inclui linhas com recursos e condições definidas por regras específicas — totalizou R$ 2,0 trilhões, com crescimento de 0,5% no mês e 9,3% em 12 meses.

O crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21,0 trilhões em março, o equivalente a 162,3% do Produto Interno Bruto (PIB), com leve retração de 0,3% no mês. Em 12 meses, houve crescimento de 11,2%.

O crédito ampliado às empresas atingiu R$ 7,1 trilhões, com expansão mensal de 1,5%, impulsionada principalmente pelos títulos privados de dívida, empréstimos externos e operações do SFN.

Fonte: Agência Brasil

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Ministério restringe tarifas e limita custo do crédito consignado https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/ministerio-restringe-tarifas-e-limita-custo-do-credito-consignado/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/ministerio-restringe-tarifas-e-limita-custo-do-credito-consignado/#respond Fri, 24 Apr 2026 22:51:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/ministerio-restringe-tarifas-e-limita-custo-do-credito-consignado/ O crédito consignado concedido aos trabalhadores terá regras para reduzir abusos na cobrança de juros e nas taxas embutidas nos empréstimos. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou nesta sexta-feira (24 de abril de 2026) a Resolução nº 2 do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado, que cria uma metodologia para monitorar os juros e os encargos. A medida já está em vigor.

A principal mudança é a criação de um limite indireto para o custo total do empréstimo. Pela nova regra, o chamado Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros e demais encargos, não poderá ultrapassar em mais de 1 ponto percentual a taxa de juros mensal contratada. Na prática, isso significa que, se um empréstimo tiver juros de 1,5% ao mês, o custo total máximo permitido será de 2,5% ao mês.

Diferentemente do consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tem teto de juros, os consignados regulados pelo MTE terão esse sistema de acompanhamento. A metodologia atende a pedido dos bancos, que se opunham à limitação de taxas.

O que muda na prática

O crédito consignado é uma modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente do salário do trabalhador, o que reduz o risco para os bancos. No caso do consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada (CLT), o empréstimo pode ter como garantia o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Apesar dessa segurança, o governo identificou práticas consideradas abusivas: instituições anunciavam juros baixos, mas incluíam tarifas adicionais no contrato, elevando significativamente o custo final do crédito.

Com a nova norma, os bancos passam a ter restrições claras sobre o que podem cobrar. Serão permitidos apenas quatro tipos de encargos:

  • Juros remuneratórios (valor principal cobrado pelo empréstimo);
  • Multa e juros por atraso (mora);
  • Tributos obrigatórios;
  • Seguro prestamista (somente se o cliente autorizar expressamente).

Outras cobranças, como taxas de abertura de crédito ou tarifas de cadastro, passam a ser consideradas irregulares.

Controle e fiscalização

A resolução não estabelece um teto fixo para os juros, como ocorre em outras modalidades, mas cria um sistema de monitoramento contínuo. O governo vai acompanhar as taxas cobradas no mercado e calcular uma média, acrescida de um desvio padrão. Valores que ultrapassarem esse parâmetro poderão ser classificados como abusivos.

Esse acompanhamento será feito a cada três meses com base em dados de contratos registrados nos sistemas da Dataprev, empresa pública de tecnologia. Instituições financeiras que insistirem em cobrar taxas consideradas excessivas poderão sofrer punições, incluindo a suspensão da oferta de crédito consignado para trabalhadores.

Crédito do Trabalhador

As mudanças devem afetar principalmente o chamado Crédito do Trabalhador, modalidade lançada em 2025 para ampliar o acesso ao crédito a profissionais CLT, substituindo modelos anteriores.

Desde sua criação, o programa movimentou cerca de R$ 131 bilhões em empréstimos para mais de 9 milhões de trabalhadores. Desse montante, R$ 91 bilhões correspondem a novos contratos.

Mesmo com a expansão, os juros continuam sendo um problema. Dados recentes mostram que as taxas do consignado CLT variam de 1,63% a 6,87% ao mês. O custo total médio chega a 4,48% mensais, acima da taxa média de juros de 3,66%.

Levantamentos do Banco Central e da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor em São Paulo (Procon-SP) também apontam grande variação entre instituições financeiras. Em alguns casos, as diferenças chegam a ser superiores a 100%.

Endividamento em alta

A medida ocorre em um cenário de aumento do endividamento no país. Dados do Banco Central de abril de 2026 indicam cenário crítico: 49,7% da renda das famílias está comprometida com dívidas, próximo ao recorde histórico. O comprometimento mensal de renda chegou a 29,3%, com mais de 80% das famílias endividadas.

Especialistas alertam que o uso frequente do crédito, especialmente por trabalhadores de baixa renda, pode agravar a inadimplência. Além disso, há críticas de que as taxas praticadas no consignado não refletem o baixo risco da modalidade. Como o pagamento é descontado diretamente do salário, o esperado seria a cobrança de juros menores.

Orientação ao consumidor

Diante desse cenário, especialistas recomendam que o trabalhador compare diferentes ofertas antes de contratar um empréstimo. Em alguns casos, o crédito pessoal oferecido pelo próprio banco pode apresentar condições mais vantajosas, dependendo do histórico de relacionamento com a instituição.

A nova regulamentação busca justamente aumentar a transparência e evitar cobranças ocultas, tornando mais fácil para o consumidor entender quanto realmente pagará pelo crédito.

Fonte: Agência Brasil

]]> https://www.ocafezinho.com/2026/04/24/ministerio-restringe-tarifas-e-limita-custo-do-credito-consignado/feed/ 0 Juros da dívida superam investimentos em 2025 cinco vezes mais https://www.ocafezinho.com/2026/04/14/juros-da-divida-superam-investimentos-em-2025-cinco-vezes-mais/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/14/juros-da-divida-superam-investimentos-em-2025-cinco-vezes-mais/#respond Tue, 14 Apr 2026 20:12:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=234291 Relatório do Inesc mostra que o país destinou R$ 371,7 bilhões ao pagamento de juros enquanto investiu apenas R$ 70,8 bilhões em infraestrutura e políticas estruturantes.

O Brasil gastou R$ 371,7 bilhões com juros da dívida pública em 2025, cinco vezes mais do que os R$ 70,8 bilhões investidos em infraestrutura e políticas estruturantes.

Os dados são do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), no relatório Orçamento e Direitos: Balanço da Execução de Políticas Públicas (2025).

As despesas totais da União no ano passado atingiram R$ 5,39 trilhões.

Os investimentos públicos representaram cerca de 20% do que foi gasto apenas com juros. Regras fiscais restritivas, combinadas com juros elevados, comprimiram o espaço para políticas sociais, ambientais e de direitos humanos.

A taxa básica de juros ficou em 15% ao ano em 2025, com juros reais próximos a 9%. Esse patamar é o mais alto desde 2006.

Teresa Ruas, assessora política do Inesc, alertou que qualquer abertura de espaço fiscal nas contas primárias se torna ineficaz enquanto a política monetária continuar encarecendo a dívida.

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Endividamento das famílias brasileiras atinge 49,7% da renda e juros superam 62% ao ano https://www.ocafezinho.com/2026/04/03/endividamento-das-familias-brasileiras-atinge-497-da-renda-e-juros-superam-62-ao-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/03/endividamento-das-familias-brasileiras-atinge-497-da-renda-e-juros-superam-62-ao-ano/#respond Fri, 03 Apr 2026 08:36:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/03/endividamento-das-familias-brasileiras-atinge-497-da-renda-e-juros-superam-62-ao-ano/ O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,7% da renda acumulada nos últimos doze meses em janeiro de 2026, segundo dados do Banco Central. O índice se aproxima do recorde histórico de 49,9%, registrado em julho de 2022, e reforça o alerta sobre a fragilidade financeira dos lares no país.

O comprometimento da renda, que mede a parcela do salário destinada ao pagamento de dívidas, atingiu 29,3% no mesmo período. Especialistas destacam que o patamar elevado reduz o poder de consumo e aumenta a vulnerabilidade das famílias a choques econômicos, como desemprego ou alta inflacionária.

A situação se agrava com o custo do crédito em níveis elevados. A taxa média de juros para pessoas físicas no crédito livre chegou a 62% ao ano, conforme o Banco Central. O cartão de crédito rotativo, um dos principais responsáveis pelo endividamento, registrou alta recente, pressionando ainda mais o orçamento doméstico.

A inadimplência também cresceu em fevereiro de 2026, com o índice geral do sistema financeiro subindo para 4,3%. Entre pessoas físicas, o percentual atingiu 5,2%, enquanto entre empresas ficou em 2,6%. Dados do setor indicam que mais de 80 milhões de brasileiros estão inadimplentes, reflexo da combinação entre juros altos e expansão do crédito nos últimos anos.

Economistas alertam que a persistência desse cenário pode levar a um ciclo vicioso de calotes e restrição ao crédito. A dificuldade em honrar compromissos financeiros tende a reduzir a concessão de novos empréstimos, afetando o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico.

O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, busca soluções para mitigar o problema. O ministro Dario Durigan afirmou em declarações recentes que dialoga com outras pastas e instituições financeiras para estruturar medidas, embora não tenha apresentado prazos ou detalhes concretos. Iniciativas como o Desenrola Brasil, voltadas à renegociação de dívidas, foram implementadas, mas analistas consideram seus efeitos limitados diante da magnitude da crise.

A eficácia das ações governamentais dependerá, em grande parte, da trajetória dos juros nos próximos meses. Caso o custo do crédito permaneça elevado, a pressão sobre o endividamento e a inadimplência deve se manter, freando a recuperação econômica. O tema já é considerado um dos principais desafios para 2026, com potencial para desacelerar o consumo e a atividade produtiva.

Agências internacionais destacam que a resolução do problema exige esforços coordenados entre governo, instituições financeiras e sociedade. Soluções estruturais, que vão além de programas emergenciais, são vistas como essenciais para evitar um colapso no sistema de crédito brasileiro e restaurar a confiança dos consumidores.

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Copom define juros sob pressão da guerra e da alta do petróleo https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/copom-define-juros-sob-pressao-da-guerra-e-da-alta-do-petroleo/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/18/copom-define-juros-sob-pressao-da-guerra-e-da-alta-do-petroleo/#comments Wed, 18 Mar 2026 11:56:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227561 1 Comentário 🔥]]> Expectativa do mercado financeiro é que BC cortará Selic em 0,25 p.p.

Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (18) a segunda reunião do ano.

Mesmo com a alta do petróleo, os analistas de mercado acreditam que o comitê decidirá pela primeira redução dos juros em dois anos.

Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.

A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado, porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom confirmou que pretendia começar a cortar a Selic em março. No entanto, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pôs em dúvida o tamanho do corte, com algumas instituições financeiras chegando a apostar no adiamento da redução dos juros.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Antes do início do conflito, a expectativa estava num corte de 0,5 ponto.

Inflação

O comportamento da inflação continua uma incógnita. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação. No entanto, recuou para 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflação pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5%, com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle.

O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Desse modo, taxas de juros mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, afrouxando o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2026, a inflação desde abril de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.

Em abril de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas a estimativa deve ser revista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 18/03/2026

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Vinicius Lisboa

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Juros altos estrangulam empresas e famílias no Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/juros-altos-estrangulam-empresas-e-familias-no-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/16/juros-altos-estrangulam-empresas-e-familias-no-brasil/#respond Mon, 16 Mar 2026 11:37:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=227391 O sistema financeiro brasileiro continua drenando parte importante da vitalidade da economia nacional, resultado de um modelo econômico que impõe custos financeiros excessivos a empresas e cidadãos.

Os juros reais no país permanecem entre os mais altos do mundo. Com a taxa básica em torno de 15% ao ano e inflação próxima de 4%, o juro real brasileiro se aproxima de 10% ao ano.

A distância em relação a outras economias é grande. Nos Estados Unidos, o juro real gira perto de 2% ao ano. Na Alemanha e em outras economias centrais da Europa, varia entre 1% e 2%.

Na China, fica próximo de 1%. No México, outro país emergente relevante, gira em torno de 5%.

Isso significa que o custo real do dinheiro no Brasil pode ser várias vezes superior ao observado nas principais economias do mundo.

Esse ambiente monetário começa a produzir efeitos visíveis na economia real. Um levantamento da consultoria RK Partners mostra que 24% das empresas brasileiras listadas em Bolsa já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros das próprias dívidas.

Em outras palavras, quase um quarto das companhias abertas do país já opera sob forte pressão financeira. Parte crescente do esforço produtivo está sendo absorvida pelo serviço da dívida.

Casos recentes ilustram esse cenário. O Grupo Pão de Açúcar e a Raízen anunciaram pedidos de recuperação extrajudicial praticamente ao mesmo tempo.

No caso da Raízen, a renegociação envolve mais de 65 bilhões de reais em dívidas, o maior valor já registrado em um processo desse tipo no Brasil.

O peso do crédito fica ainda mais evidente quando se observa o custo final pago por consumidores e empresas. No cartão de crédito rotativo, as taxas no Brasil superam 400% ao ano.

Nos Estados Unidos, a taxa média dos cartões gira em torno de 20% ao ano. Na Europa, normalmente fica entre 10% e 15%. Na China, costuma ficar abaixo de 20%.

Ou seja, o crédito rotativo brasileiro pode ser cerca de vinte vezes mais caro do que o praticado em economias desenvolvidas.

Mesmo fora do cartão, o crédito continua caro. A taxa média do crédito livre supera 60% ao ano para famílias e cerca de 25% para empresas.

Esse custo elevado resulta da combinação entre juros básicos altos e spreads bancários que figuram entre os maiores do mundo.

O impacto aparece no cotidiano econômico. Famílias comprometem parcela crescente da renda com dívidas, enquanto empresas reduzem investimento, comprimem capital de giro e passam a conviver com renegociações constantes.

Parte desse problema começou a se formar no período de juros muito baixos entre 2020 e 2021, quando muitas empresas se endividaram para expandir operações ou alongar passivos.

A mudança brusca da política monetária transformou esse endividamento em uma armadilha financeira.

Apesar disso, a economia brasileira ainda demonstra certa resiliência. O desemprego permanece relativamente baixo e a atividade econômica continua funcionando.

Mas a manutenção de juros elevados por longos períodos pode comprometer justamente essa resistência.

Se a taxa básica não iniciar uma redução mais consistente, empresas continuarão pressionadas, consumidores seguirão endividados e o investimento permanecerá limitado.

Quando esse tipo de sufocamento financeiro se prolonga por anos, o impacto deixa de ser apenas econômico. Crédito caro e endividamento persistente acabam alimentando frustração social e desgaste político.

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Indústria nacional cresce 1,8% em janeiro de 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/03/06/industria-nacional-cresce-18-em-janeiro-de-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/06/industria-nacional-cresce-18-em-janeiro-de-2026/#respond Fri, 06 Mar 2026 13:18:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226720 É a maior alta em mais de um ano

A produção industrial brasileira cresceu 1,8% em janeiro de 2026, em relação ao mês de dezembro de 2025, registrando o maior crescimento desde junho de 2024, quando a indústria deu um salto de 4,4%.

Com a expansão no início deste ano, a indústria nacional reverte parte das perdas acumuladas entre setembro e dezembro de 2025.

Em relação a janeiro do ano anterior, a indústria avançou 0,2% e interrompeu três meses consecutivos de queda na produção: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro de 2025 (-0,5%). A média móvel trimestral em janeiro foi de -0,1%. Com esses resultados, a produção industrial se encontra 1,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada hoje (6) pelo IBGE.

De acordo com André Macedo, gerente da PIM, o crescimento de 1,8% em janeiro de 2026 pode ser parcialmente explicado pela queda mais intensa de dezembro de 2025 (-1,9%), a mais elevada desde março de 2021 (-2,1%). “Naquele mês, além do movimento de menor dinamismo que vinha caracterizando o setor industrial, observou-se também uma maior frequência de férias coletivas. Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”.

Macedo esclarece que, ainda assim, permanecem os efeitos da política monetária restritiva, que se refletem principalmente nas taxas de juros elevadas. “O avanço registrado em janeiro de 2026 é relevante, mas ainda não é suficiente para compensar integralmente a perda acumulada no final do ano passado, de setembro a dezembro, permanecendo um saldo negativo de 0,8%”.

Crescimento de 6,2% em produtos químicos puxa a alta da indústria em janeiro

No mês de janeiro, houve predomínio de taxas positivas, com avanços nas quatro grandes categorias econômicas e em 19 das 25 atividades industriais pesquisadas. Esse espalhamento não era observado desde junho de 2024, que registrou crescimento nas quatro grandes categorias econômicas e em 23 das 25 atividades industriais.

As principais influências positivas foram dos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%). Na atividade de produtos químicos, os produtos que mais impulsionam o resultado deste mês foram os adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos ligados ao setor agrícola. No setor automobilístico, os destaques foram para caminhões e autopeças.

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de indústrias extrativas (1,2%), metalurgia (4,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,5%), bebidas (4,1%), produtos de metal (2,3%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (3,3%).

Entre as seis atividades com influência negativa, o recuo mais importante veio de máquinas e equipamentos (-6,7%), que registrou a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 11,8%. “Nesta atividade, as principais perdas ficaram com bens de capital para fins industriais, grupamento relacionado aos investimentos para ampliação e modernização das plantas industriais, e para fins agrícolas. Lembrando que o comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros”, explica Macedo.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com dezembro, bens de consumo duráveis (6,3%) assinalou a taxa positiva mais acentuada em janeiro de 2026 e eliminou parte da queda de 7,7% acumulada nos dois últimos meses de 2025. Os setores produtores de bens de capital (2,0%), de bens intermediários (1,7%) e de bens de consumo semi e não duráveis (1,2%) também mostraram crescimento neste mês, com o primeiro interrompendo dois meses consecutivos de queda, período em que acumulou perda de 7,9%; o segundo voltando a crescer após acumular redução de 3,8% nos quatro últimos meses de 2025; e o último eliminando o recuo de 0,8% registrado em dezembro de 2025.

Mais sobre a pesquisa

A PIM Brasil produz indicadores de curto prazo desde a década de 1970 relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. A partir de março de 2023, teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial, após reformulação para atualizar a amostra de atividades, produtos e informantes; elaborar uma nova estrutura de ponderação dos índices com base em estatísticas industriais mais recentes; atualização do ano base de referência da pesquisa; e a incorporação de novas unidades da federação na divulgação dos resultados regionais da pesquisa. Essas alterações metodológicas são necessárias e buscam incorporar as mudanças econômicas da sociedade.

Os resultados da pesquisa também podem ser consultados no banco de dados Sidra.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 06/03/2026

Por Marília Loschi – Editoria Estatísticas Econômicas

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Mercado reduz previsão da inflação para 3,91% este ano https://www.ocafezinho.com/2026/02/23/mercado-reduz-previsao-da-inflacao-para-391-este-ano/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/23/mercado-reduz-previsao-da-inflacao-para-391-este-ano/#respond Mon, 23 Feb 2026 13:28:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226143 Estimativa para o PIB é 1,82% em 2026

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,95% para 3,91% em 2026. A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (23), pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,5% para os dois anos.

Pela sétima semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e se mantém dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo BC.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Luz e gasolina

Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida na última reunião, no fim de janeiro.

A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.

A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi reduzida nesta edição do Boletim Focus – de 12,25% ao ano para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Juros

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 1,8% para 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, no terceiro trimestre de 2025 a economia brasileira cresceu 0,1%, o que é considerado pelo IBGE como estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para 3 de março.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,45 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 23/02/2026

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Kleber Sampaio

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Mercado financeiro projeta inflação de 4,06% em 2026 https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/mercado-financeiro-projeta-inflacao-de-406-em-2026/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/05/mercado-financeiro-projeta-inflacao-de-406-em-2026/#respond Mon, 05 Jan 2026 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224015 Banco Central divulga primeiro Boletim Focus do ano

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 05/01/2026

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Edição: Valéria Aguiar

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Brasil deve manter em 2025 o maior gasto com juros da dívida no mundo https://www.ocafezinho.com/2025/12/23/brasil-deve-manter-em-2025-o-maior-gasto-com-juros-da-divida-no-mundo/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/23/brasil-deve-manter-em-2025-o-maior-gasto-com-juros-da-divida-no-mundo/#respond Tue, 23 Dec 2025 12:32:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223501 O custo do endividamento público deve manter o Brasil em uma posição isolada no cenário internacional ao fim de 2025. De acordo com estimativas baseadas em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país deverá novamente liderar o ranking global de gastos com juros da dívida pública em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), repetindo o desempenho já observado em 2024.

A projeção, divulgada em análise do jornal Valor Econômico, indica que as despesas financeiras brasileiras devem se aproximar de 8% do PIB neste ano, patamar que reflete a combinação entre um nível elevado de endividamento e uma taxa básica de juros ainda extremamente alta. Mesmo diante da expectativa de início de um ciclo de queda da Selic — atualmente em 15% ao ano —, o impacto sobre o custo da dívida tende a ser limitado no curto prazo.

Os dados mais recentes apontam que, em 2024, o Brasil já ocupava a primeira posição no ranking, com gastos equivalentes a 8,28% do PIB. Para 2025, a liderança deve ser mantida entre os 153 países analisados. Na sequência aparecem economias como Sri Lanka, com despesas financeiras de 7,81% do PIB, Paquistão, com 7,76%, e Bahrein, com 6,54%. Entre grandes emergentes, o peso dos juros também é elevado, ainda que inferior ao brasileiro: México (6,48%), África do Sul (5,26%) e Índia (5,11%).

No acumulado de 12 meses até outubro, as despesas líquidas com juros — diferença entre os valores pagos e recebidos pelo setor público — alcançaram R$ 987,2 bilhões, o equivalente a 7,88% do PIB. A expectativa é que, no fechamento de 2025, esse montante ultrapasse R$ 1 trilhão, consolidando a marca próxima de 8% do produto nacional.

O peso dos juros explica praticamente a totalidade do déficit nominal das contas públicas. Projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que esse déficit deve chegar a 8,5% do PIB, resultado de gastos financeiros em torno de 8% do PIB combinados a um déficit primário estimado em 0,5%.

Esse cenário pressiona a trajetória da dívida pública. Após encerrar 2022 em 71,7% do PIB, a dívida bruta do governo geral deve avançar para 77,6% em 2025 e alcançar 82,4% em 2026, segundo a IFI. O quadro evidencia os limites da política fiscal diante de um ambiente de juros elevados e reforça os desafios para estabilizar o endividamento nos próximos anos.

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