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Lula lança Desenrola 2.0: descontos de até 90% em dívidas e uso estratégico do FGTS

44 Comentários🗣️🔥 O presidente Lula e o ministro Fernando Haddad em evento oficial. (Foto: metropoles.com) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Desenrola 2.0, programa que amplia a renegociação de dívidas e oferece descontos de até 90% para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos. O anúncio, feito no Palácio […]

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O presidente Lula e o ministro Fernando Haddad em evento oficial. (Foto: metropoles.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Desenrola 2.0, programa que amplia a renegociação de dívidas e oferece descontos de até 90% para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos.

O anúncio, feito no Palácio do Planalto, integra um pacote que abrange dívidas bancárias e não bancárias, com participação da equipe econômica. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a medida busca interromper o ciclo de juros abusivos que afeta famílias de baixa e média renda.

O programa prevê um aporte de cerca de 8 bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Operações, reduzindo riscos para os bancos e permitindo condições mais favoráveis, como juros menores e prazos estendidos.

A presença do Estado como garantidora estimula o retorno ao crédito formal e diminui a inadimplência, alinhando-se à estratégia desenvolvimentista de promover o crédito como motor da economia.

Uma das inovações é a possibilidade de uso do FGTS para liquidar integralmente dívidas pendentes, desde que o saque cubra o valor total. Essa medida visa proteger trabalhadores que enfrentam juros elevados em cartão de crédito e cheque especial.

O governo também estuda ampliar o acesso ao crédito consignado para empregados do setor privado, com taxas competitivas e condições ajustadas à capacidade de pagamento.

As renegociações serão feitas com taxa fixa de 1,99% ao ano, por até quatro anos, oferecendo previsibilidade financeira às famílias. Além disso, o pacote inclui ações de educação financeira para prevenir o superendividamento.

O Desenrola 2.0 combina alívio imediato com medidas estruturais, visando dinamizar o consumo e a economia brasileira.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Governo Lula lança Desenrola 2.0 com uso do FGTS e juros mínimos de 1,99% ao mês


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Rubens O Pescador

03/05/2026

Pois é, Tonho Patriota, lá na roça a gente aprendeu uma coisa: dívida não se resolve com bravata, se resolve com acordo. Lembro quando o povo não tinha nem o que comer no prato, e o PT botou comida na mesa de novo. Esse Desenrola é a mesma mão amiga, deixar o trabalhador respirar. Quem critica é porque nunca precisou renegociar um boleto atrasado pra não perder a luz de casa.

Nadia Petrova

03/05/2026

Augusto Silva, você foi cirúrgico. A gritaria do Tonho Patriota contra “comunistas roubando FGTS” ignora que o dinheiro é do trabalhador e a decisão de usar ou não é individual. Desconto de 90% em dívida podre não é milagre, é reconhecer que o sistema de crédito brasileiro opera com juros de agiota há décadas. O problema real é que isso trata sintoma, não causa — enquanto o Banco Central independente mantiver Selic em dois dígitos, vamos continuar nesse carrossel de endividamento e renegociação.

Tonho Patriota

03/05/2026

90% de desconto e vão usar FGTS pra isso?? É o fim da picada, comunistas querendo roubar o dinheiro suado do trabalhador pra pagar voto de quem não sabe fazer conta! FAZ O L

    Augusto Silva

    03/05/2026

    Tonho, querido, 90% de desconto em dívida não é roubo, é correção de rota depois de anos de juros que fariam o agiota mais tradicional corar de vergonha. Se o FGTS é do trabalhador e ele decide usá-lo pra limpar o nome e voltar a consumir, isso se chama política econômica inteligente, não comunismo — a não ser que pra você responsabilidade fiscal seja só nome sujo e banco lucrando.

Paulo Rocha

03/05/2026

Mais um programa eleitoreiro desse governo que só sabe distribuir o dinheiro dos outros. Desconto de 90%? Isso é piada, vão empurrar o custo pro FGTS do trabalhador que já é roubado todo mês. Brasil pra brasileiro de verdade é aquele que trabalha e não fica devendo, não esse socialismo disfarçado de bondade. Faz o L, vai pra Cuba ver se lá tem desconto em dívida.

Luisa Teens

03/05/2026

Gente, 90% de desconto é o mínimo depois de anos de juros abusivos dos bancos! Mas usar FGTS é perigoso demais, a gente precisa de grana pra emergência #ForaBolsonaro

Carlos Oliveira

03/05/2026

Renato Professor e João Pereira cravaram o diagnóstico certo. Enquanto o custo de vida sobe e o salário não acompanha, o trabalhador se afoga em juro abusivo. Desconto de 90% em dívida podre é o mínimo, mas usar FGTS pra isso é perigoso – aí a gente tira o pouco que o pobre tem de reserva pra emergência. O governo precisa atacar a raiz: salário digno e juro baixo, não só maquiar o estrago.

João Pereira

03/05/2026

O Renato Professor foi direto ao ponto: não é questão de “educação financeira”, é de salário que não acompanha o custo de vida. Desconto de 90% em dívida podre é o mínimo que um banco pode fazer depois de lucrar com juros abusivos por anos. Agora, usar FGTS pra isso é maquiar o problema — o trabalhador continua sem renda, só trocou o nome do credor.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

Mais um arremedo de solução que trata o efeito, não a causa. Enquanto o governo faz propaganda com desconto de 90%, a verdadeira chaga é o endividamento das famílias por falta de educação financeira e, pior, por ausência de valores morais que ensinem o trabalhador a viver dentro do que ganha. Usar o FGTS como garantia é rasgar a poupança do pobre para salvar bancos e alimentar a ciranda do consumo. Onde está a defesa da família e da responsabilidade?

    Renato Professor

    03/05/2026

    Padre Antônio, sua análise moralizante ignora um dado elementar da economia política: não é falta de educação financeira que leva o trabalhador ao endividamento, é a estagnação do salário real combinada com juros reais dos mais altos do planeta — o sujeito não precisa de catequese, precisa de renda que acompanhe o custo de vida. Responsabilidade individual sem justiça distributiva é apenas culpabilização do pobre.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Miriam, você tocou no ponto que mais me preocupa: a execução. Desconto de 90% é um número bonito no palanque, mas a máquina pública tem um histórico de travar na hora de operar programas complexos. Sou administrador, e pra mim o que vale é o plano de implementação, não o anúncio. Vamos ver se o governo consegue entregar sem criar mais gargalos fiscais no caminho.

Miriam

03/05/2026

Pessoal, toda essa discussão ignora o óbvio: o governo está tentando mitigar os efeitos de uma economia que não cresce como deveria. Desconto de 90% é marketing, o que importa é se a máquina pública vai conseguir operar isso sem travar. Vamos ver na prática.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

João Augusto, você disse tudo. O FGTS sempre foi um fundo que o trabalhador financia mas nunca controla — agora querem usar a própria reserva do cara para limpar a sujeira que os bancos fizeram com juros de agiota. Desconto de 90% é pão e circo enquanto a estrutura de crédito predatório continua intacta. Cadê a regulação que impede o banco de cobrar 400% ao ano? Enquanto isso não vier, é só maquiagem.

João Augusto

03/05/2026

Cecília, você tocou no cerne da questão. O FGTS nunca foi propriamente do trabalhador — é um fundo de capitalização estatal que sempre serviu como colchão para políticas anticíclicas e agora é convocado para amortecer o colapso do crédito predatório. Desconto de 90% é o reconhecimento tácito de que aquelas dívidas jamais seriam pagas; o que se faz é socializar o prejuízo que os bancos criaram. Gramsci diria que é o Estado gerindo a crise do capital financeiro com o suor de quem já está na corda bamba.

Cecília Torres

03/05/2026

Bia, seu comentário é interessante, mas acho que você subestima o fato de que usar o FGTS como garantia cria um incentivo perverso: o trabalhador que já está apertado pode acabar comprometendo ainda mais sua frágil rede de proteção. Desconto de 90% soa bem, mas precisamos ver a letra miúda de quem realmente arca com esse custo e se o programa não está apenas empurrando o problema para frente.

Bia Carioca

03/05/2026

Mariana, você tem razão sobre o custo fiscal, mas a verdade é que o sistema bancário brasileiro sempre empurrou o povo para o endividamento com juros criminosos. Esse programa é um paliativo necessário enquanto a gente não enfrenta de verdade o poder dos bancos. Pena que o governo Lula, que podia avançar num sistema de crédito público popular, fica fazendo concessão demais ao mercado financeiro.

Mariana Costa

03/05/2026

Ana Souza, você tocou no ponto central que falta nessa discussão: o custo fiscal. Desconto de 90% é um número bonito para quem está endividado, mas alguém precisa bancar essa conta – seja o Tesouro, seja o FGTS do trabalhador. O problema não é ajudar quem precisa, é fazer isso sem transparência e às vésperas de eleição, como se fosse um favor, não uma política pública planejada.

Ana Souza

03/05/2026

Interessante como o debate aqui oscila entre “isso é eleitoreiro” e “isso é necessário”. Como jornalista, o que me chama atenção é a falta de transparência sobre o custo fiscal real da operação. Desconto de 90% significa que alguém está assumindo esse prejuízo — seja o banco, que já provisionou e vai abater no Imposto de Renda, seja o FGTS do trabalhador, que rende abaixo da inflação há anos. Cadê o estudo de impacto orçamentário detalhado?

Helton Barros

03/05/2026

Mais um engodo desse governo desonesto. Desconto de 90%? Isso é confissão de que o sistema de crédito irresponsável foi montado de propósito para escravizar o trabalhador e depois dar um “perdão” na véspera da eleição. E mexer no FGTS é roubar a reserva do homem de bem para tampar o rombo que eles mesmos criaram. Enquanto isso, a família tradicional brasileira se lasca pagando juro alto e vendo o dinheiro do seu suor virar palanque.

    Laura Silva

    03/05/2026

    Helton, sua indignação tem uma base material que eu, como socióloga, não posso ignorar: o sistema de crédito no Brasil foi, de fato, desenhado para gerar superexploração. As taxas de juros praticadas pelos bancos privados — que chegam a 400% ao ano no rotativo do cartão — são a expressão financeira de uma sociedade de classes que precisa do endividamento crônico para manter a acumulação. O desconto de 90% não é uma confissão de irresponsabilidade do governo; é a confissão de que as dívidas eram, desde a origem, impagáveis por desenho. O credor sabia, o devedor descobriu na hora de pagar. Isso não é acaso, é a lógica do capital financeiro operando em sua forma mais predatória, como Florestan Fernandes já apontava ao descrever a modernização conservadora brasileira.

    Agora, quando você chama o FGTS de “reserva do homem de bem”, preciso discordar com todo respeito. O FGTS nunca foi uma poupança voluntária; é um mecanismo de expropriação indireta do salário, criado em 1966 pela ditadura militar para substituir a estabilidade no emprego. O trabalhador não tem controle sobre esse dinheiro, que fica rendendo abaixo da inflação enquanto o governo o usa para financiar habitação e saneamento — setores que o mercado privado ignora. Usar parte desse fundo para abater dívidas que consomem 30% da renda familiar não é “roubo”; é uma tentativa de devolver ao trabalhador um poder de compra que lhe foi extraído duplamente: primeiro pelo desconto compulsório, depois pelos juros abusivos. A questão não é se o FGTS deve ser mexido, mas por que ele existe como um fundo de rotatividade que penaliza justamente quem mais precisa de estabilidade.

    Sobre a “família tradicional brasileira se lascando”, você toca num ponto central que a sociologia crítica estuda há décadas. Quem mais sofre com o endividamento não é o “homem de bem” abstrato, mas a mulher negra chefe de domicílio na periferia, que pega crédito consignado para comprar remédio e cai na armadilha do rotativo. O Desenrola 2.0 é um paliativo dentro de um sistema que precisa ser refundado — com taxação de grandes fortunas, regulação bancária e fim do superávit primário que sangra o orçamento social. Mas enquanto a reforma estrutural não vem, um desconto de 90% para quem está no SPC é mais justiça social do que os “ajustes fiscais” que o mercado pede e que sempre terminam com corte na merenda escolar. Não confunda o remédio amargo com a doença.

    Mateus Silva

    03/05/2026

    Helton, você acerta ao denunciar o caráter predatório do sistema de crédito, mas erra ao tratar o FGTS como “reserva do homem de bem” — essa poupança forçada é, na verdade, um mecanismo de expropriação indireta do salário, que o Estado usa há décadas para financiar sua própria política de desenvolvimento, independentemente de quem está no poder. O que vemos aqui não é um roubo novo, mas a continuação de uma velha lógica de classes em que o trabalhador paga duas vezes: primeiro quando tem seu salário confiscado abaixo da inflação, e depois quando precisa desse mesmo dinheiro para se livrar das garras do sistema financeiro que o próprio Estado alimenta.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Mais um circo eleitoral financiado com o suor do trabalhador. Desconto de 90%? Isso só prova que essas dívidas nunca deveriam ter existido, foram criadas para inflar lucro de banco amigo do governo. E usar FGTS, que é uma poupança forçada do cidadão, para limpar a bagunça fiscal desse pessoal é piada. Onde estava o Haddad quando o desemprego explodiu nesse governo?

    Mariana Alves

    03/05/2026

    Major Ricardo, sua indignação com o uso do FGTS tem um ponto justo: é, de fato, uma poupança forçada que o Estado remunera abaixo da inflação, uma apropriação indireta do salário do trabalhador. Mas a crítica que você faz ao “circo eleitoral” ignora a natureza estrutural do endividamento das famílias brasileiras. Essas dívidas com descontos de 90% não nasceram do “descontrole fiscal” ou de “banco amigo do governo” — nasceram de um modelo econômico que transforma crédito em substituto de salário. O trabalhador não se endivida por irresponsabilidade, mas porque o custo de vida sobe mais que o rendimento, e o sistema financeiro opera com spreads que estão entre os maiores do planeta. O desconto de 90% não é prova de que a dívida nunca deveria ter existido; é prova de que ela foi contraída sob juros que beiram a usura, e que o próprio mercado já precificou como incobrável. O Estado, ao intervir, apenas reconhece que o crédito foi concedido sabendo que o tomador não pagaria — isso é lucro garantido para o banco, que já provisionou a perda e ainda recebe incentivo fiscal.

    Quanto à pergunta sobre onde estava Haddad quando o desemprego explodiu, ela revela uma armadilha narrativa: o desemprego não explodiu “neste governo”, mas foi herdado de uma crise global e de uma transição política conturbada. O desemprego médio de 2023 foi de 7,8%, menor que os 13,5% de 2017, no governo Temer, e que os 11,9% de 2021, no governo Bolsonaro. O que explodiu foi a informalidade e o endividamento, justamente porque o mercado de trabalho se precarizou com a reforma trabalhista de 2017 — essa sim, uma engenharia que beneficiou bancos e grandes empregadores às custas do FGTS e da estabilidade do trabalhador. O Desenrola 2.0 não é a solução, é um paliativo. A solução seria taxar grandes fortunas, regular o spread bancário e criar um sistema de crédito público que não opere pela lógica do lucro. Mas enquanto a esquerda não enfrentar o capital financeiro de frente, vai continuar administrando a miséria com descontos de 90% — e a direita vai continuar chamando isso de populismo, sem nunca propor o fim dos juros reais de 8% ao ano que alimentam exatamente o circo que você denuncia.

Luiz Augusto

03/05/2026

Ora, mais uma engenharia eleitoreira disfarçada de política social. Descontos de 90% só confirmam que o crédito foi concedido sem responsabilidade fiscal, e agora o contribuinte arca com o custo do descontrole. Usar o FGTS para isso é rasgar a poupança forçada do trabalhador, que deveria ser protegida, não queimada em remendo de má gestão.

    Maura Santos

    03/05/2026

    Luiz, responsabilidade fiscal é linda quando o dinheiro público não some em pedalada fiscal ou em obra superfaturada, né? Lembra do apagão de 2001 que o PSDB deixou de herança? Isso sim foi engenharia eleitoreira — e sem desconto de 90% pra ninguém.

    João Batista

    03/05/2026

    Luiz, você fala em “responsabilidade fiscal” como se fosse virtude, mas esquece que o profeta Amós já denunciava os que vendem o justo por prata e o pobre por um par de sandálias. O FGTS é dinheiro suado do trabalhador, sim, e usá-lo para se livrar de juros que lembram a usura do templo é questão de justiça, não de gestão. O endividamento não nasce da irresponsabilidade do pobre, mas de um sistema que transforma necessidade em pecado.

Evelyn Olavo

03/05/2026

Silvia, você fala em “dinheiro suado do trabalhador”, mas o FGTS já é do trabalhador, não é benesse do governo. Se a pessoa pode usar o próprio dinheiro pra limpar o nome e recuperar acesso a crédito com juros decentes, qual o problema? O sistema financeiro que cobra 400% ao ano no rotativo e o governo que mantém a Selic nas alturas é que deveriam ser questionados, não o trabalhador tentando se reerguer.

    Alice T.

    03/05/2026

    Exatamente, Evelyn. A hipocrisia é essa: o mesmo pessoal que acha lindo banco cobrar 400% de juro e chamar de “livre mercado” fica de mimimi quando o trabalhador usa o próprio dinheiro pra sair do sufoco. FGTS é salário retido, não esmola do Estado.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Exato, Evelyn. O FGTS é salário que o governo retém e remunera abaixo da inflação, então usar essa migalha para o trabalhador se livrar de juros extorsivos criados pelo mesmo sistema que a Silvia defende é o mínimo — o absurdo é ter que pedir autorização para respirar com o próprio pulmão.

Silvia Ramos

03/05/2026

Ah, mas que novidade, mais um programa do PT pra gastar o dinheiro suado do trabalhador. Esses descontos de 90% só mostram como o sistema foi mal administrado pra chegar nesse ponto. E usar o FGTS, que é uma reserva do trabalhador, pra limpar o nome de quem não soube se organizar? Isso é ensinar o erro, não o acerto. Provérbios 22:7 já diz que o rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta. Em vez de incentivar a dependência do governo, deveriam ensinar planejamento e responsabilidade financeira, como manda a Bíblia.

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Silvia, você cita Provérbios 22:7 com propriedade, mas acho curioso como a Bíblia é invocada seletivamente. O mesmo versículo que aponta a servidão do devedor também condena a usura, a exploração dos pobres e o acúmulo de riquezas às custas do trabalho alheio — temas recorrentes em Isaías, Amós e no próprio Novo Testamento. Se formos levar a sério a hermenêutica bíblica, o problema moral não está no devedor que se organizou mal, mas no sistema que permite que um cartão de crédito cobre 400% ao ano enquanto o agro, que você parece defender, recebe isenções fiscais bilionárias e subsídios que nunca aparecem na sua conta de luz. O “otário que paga em dia” não é o trabalhador que usou o FGTS para limpar o nome; é aquele que acredita que juros extorsivos são fruto do acaso e não de uma arquitetura financeira desenhada para transferir renda de baixo para cima.

    Você diz que o programa “ensina o erro”, mas isso pressupõe que o endividamento das famílias brasileiras seja um fenômeno individual, uma falha de caráter ou de planejamento. Os dados do Banco Central e do IBGE contam outra história: mais de 70% das famílias endividadas têm renda de até dois salários mínimos. A inflação de alimentos, o desemprego estrutural, a precarização trabalhista e uma taxa Selic que transforma o Estado no maior credor do sistema financeiro não são escolhas pessoais. São políticas públicas. O FGTS, aliás, é um dinheiro que já pertence ao trabalhador — e que, historicamente, rende abaixo da inflação, sendo usado pelo governo para financiar habitação e saneamento a juros subsidiados para empreiteiras. Se há “dependência do governo”, ela começa quando o Estado decide que o dinheiro do trabalhador deve ficar preso num fundo que ele só pode sacar em situações extremas, e não quando ele finalmente pode usar esse recurso para sair de uma armadilha de juros que o sistema financeiro armou.

    Por fim, sua crítica à “má administração” que levou aos descontos de 90% ignora que o calote não nasceu do nada: ele é o resultado de anos de juros compostos sobre dívidas pequenas que viraram bolas de neve. O Desenrola não está perdoando dívida de quem comprou iate; está limpando o nome de quem deve R$ 500 no cartão de crédito e viu essa dívida triplicar em meses. Se a Bíblia realmente orienta sua visão de mundo, sugiro relatar Lucas 6:34-35, que fala em emprestar sem esperar nada em troca — ou, no mínimo, reconhecer que a “responsabilidade financeira” pregada aos pobres raramente é exigida dos bancos que lucram com a inadimplência que eles mesmos criam. O cabresto eleitoreiro que você denuncia existe, sim, mas ele tem dois lados: um que usa o FGTS para aliviar o sufoco e outro que usa o discurso moralista para manter o trabalhador refém de um sistema que nunca jogou limpo.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Mais um cabresto eleitoreiro travestido de programa social. Desconto de 90%? Isso é piada de mau gosto com quem paga as contas em dia. E usar FGTS pra limpar nome é rasgar a poupança do trabalhador, que já rende 3% ao ano e ainda vai ser queimada nessa farra. Enquanto isso, o agro produz e o governo sifu o dinheiro dos otários. Selva!

    Francisco de Assis

    03/05/2026

    Sargento, o senhor fala em cabresto eleitoreiro, mas esquece que o agro que tanto exalta só produz porque o BNDES financiou trator e colheitadeira nos governos Lula e Dilma. FGTS é dinheiro do trabalhador sim, e nada mais justo que ele decida usar pra sair do sufoco enquanto banco continua lucrando 30 bilhões por trimestre. Selva é a taxa de juros que te faz pagar três geladeiras numa só.

    Cecília Silva

    03/05/2026

    Sargento, o senhor fala em “otário que paga conta em dia” mas esquece que a Selic a 13,75% é o maior roubo legalizado do trabalhador brasileiro. Enquanto o agro recebeu R$ 500 bilhões em subsídios nos últimos 10 anos, o pobre se afoga em juro de cartão de crédito que chega a 400% ao ano. Desconto de 90% não é farra, é o mínimo pra gente não morrer de fome com o nome sujo.

    Luizinho 16

    03/05/2026

    Sargento, o agro que produz com isenção fiscal bilionária enquanto o trabalhador paga juro de 400% no cartão é que é o verdadeiro cabresto, e você tá defendendo o dono do chicote.

    Letícia Fernandes

    03/05/2026

    Sargento, é sempre curioso observar como o discurso da “responsabilidade individual” se traveste de defesa da moralidade quando o assunto é o trabalhador endividado, mas desaparece misteriosamente quando se trata de capital financeiro. Você fala em “otário que paga conta em dia” como se o sistema de crédito brasileiro fosse uma arena de mérito, e não uma máquina de extração de renda desenhada para transformar necessidade em dívida perpétua. O trabalhador que paga religiosamente o cartão de crédito com juros de 400% ao ano não é virtuoso: é vítima de uma arquitetura financeira que opera como verdadeiro sequestro do salário. A taxa Selic de 13,75% que você silencia é o motor que alimenta exatamente esse ciclo: enquanto o rentista engorda com títulos públicos indexados, o trabalhador paga o pato com juros estratosféricos no crédito rotativo. O Desenrola não é cabresto, é um torniquete aplicado sobre uma ferida gangrenada que o mercado criou.

    Quanto ao FGTS, sua crítica revela um profundo desconhecimento da função real desse fundo. O FGTS foi criado em 1966 como substituto da estabilidade no emprego, ou seja, é um salário diferido que o trabalhador nunca vê, rende abaixo da inflação real e financia habitação e saneamento a juros subsidiados para quem? Para o setor imobiliário, que lucra com cada unidade vendida. O trabalhador que saca o FGTS para limpar o nome não está “rasgando poupança” — está resgatando migalhas de um dinheiro que já foi desvalorizado por décadas de correção monetária fraudulenta. Enquanto isso, o agro que você exalta recebeu R$ 500 bilhões em subsídios fiscais nos últimos dez anos, segundo dados do TCU, e ainda assim reclama de juros. O mesmo BNDES que financiou tratores e colheitadeiras para o agronegócio exportador é satanizado quando financia a sobrevivência do trabalhador urbano. A “selva” que você invoca é a lei do mais forte, e nela o pequeno agricultor familiar e o assalariado endividado são presas, não predadores.

Roberto Lima

03/05/2026

Mais um presente do PT com o nosso dinheiro. Desconto de 90%? Isso é piada, o credor já colocou essa conta no preço de quem paga em dia. E usar FGTS pra limpar nome é queimar a poupança forçada do trabalhador, que já rende quase nada. Enquanto isso, o agro produz e o governo só sabe gastar.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Roberto, seu comentário reproduz uma visão liberal clássica que, com todo respeito, ignora a estrutura concreta da economia brasileira. Você diz que o desconto de 90% é um “presente do PT com nosso dinheiro”, mas essa afirmação esconde o fato de que o sistema financeiro brasileiro opera com juros reais entre os mais altos do mundo, e que as dívidas de consumidores de baixa renda já são precificadas como perda esperada pelos bancos. O que o programa faz não é criar um rombo, mas sim forçar a realização contábil de um calote que o mercado já considera inevitável. Se o credor “embute” o calote no preço de quem paga em dia, isso é uma prática predatória que deveria ser combatida, não justificada. O Desenrola, ao reduzir o endividamento, também reduz a necessidade de spreads futuros, o que a longo prazo pode até baratear o crédito para todos.

    Quanto ao FGTS, sua crítica revela um desconhecimento da função social desse fundo. O FGTS não é uma “poupança forçada” no sentido de um investimento pessoal; ele foi criado como uma indenização trabalhista disfarçada, para substituir o direito à estabilidade no emprego. O rendimento de 3% ao ano é uma vergonha, sim, mas isso é fruto de décadas de gestão neoliberal que submeteu o fundo ao mercado financeiro, não de um governo específico. Usar o FGTS para quitar dívidas e limpar o nome do trabalhador é, na verdade, devolver ao trabalhador um recurso que é dele, mas que foi capturado pelo sistema bancário como garantia de empréstimos que nunca deveriam ter sido concedidos com juros abusivos. É uma medida paliativa, mas necessária, enquanto não se enfrenta a raiz do problema: a concentração de renda e a financeirização da vida.

    Por fim, essa dicotomia que você estabelece entre “agro que produz” e “governo que só gasta” é um falso dilema. O agronegócio brasileiro é altamente subsidiado por isenções fiscais e crédito rural a juros negativos, que são um gasto público imenso, só que invisível para quem olha apenas para o orçamento explícito. Enquanto isso, o trabalhador endividado paga a conta de tudo, seja via juros altos no consumo, seja via impostos regressivos. O Desenrola não é a solução final — precisamos de reforma tributária, regulação bancária e salário digno —, mas é um passo para aliviar a asfixia de quem está na base da pirâmide. Chamar isso de “presente do PT” é ignorar que o PT não inventou o endividamento; ele apenas tenta, com limites, consertar uma máquina que o mercado quebrou.

    Paulo Ribeiro

    03/05/2026

    Roberto, seu comentário reproduz com perfeição a cartilha do senso comum liberal que, há décadas, naturaliza a exploração financeira como se fosse uma lei da natureza. Você diz que o desconto de 90% é um “presente do PT com nosso dinheiro” e que o credor já embute esse custo no preço de quem paga em dia. Essa afirmação, no entanto, ignora o que Gramsci chamaria de hegemonia do capital financeiro: o sistema de crédito no Brasil não é um mercado livre e equilibrado, mas um mecanismo de extração de renda que opera com juros reais entre os mais altos do planeta. O spread bancário brasileiro é um dos maiores do mundo não porque o calote seja generalizado, mas porque os bancos operam como oligopólio, com margens abusivas que independem da inadimplência. Quando o governo obriga os credores a concederem descontos reais, ele está, na prática, quebrando esse cartel e devolvendo ao trabalhador parte do que foi extorquido por anos. Não é presente, é reparação mínima.

    Sobre o uso do FGTS para limpar o nome, você diz que é “queimar a poupança forçada do trabalhador”. Ora, vamos aos fatos concretos, que são teimosos: o FGTS rende 3% ao ano, corrigido pela TR, que em 2023 ficou em zero. Enquanto isso, a inflação acumulada foi de 4,62% no IPCA. O trabalhador que deixa o dinheiro parado no FGTS está, na verdade, perdendo poder de compra a cada mês. O economista Delfim Netto, que não era exatamente um petista, já dizia que o FGTS é um “imposto disfarçado” sobre o trabalho. Usar esse recurso para quitar dívidas com juros de 400% ao ano no rotativo do cartão de crédito não é queimar poupança, é salvar o trabalhador de um ciclo de endividamento que o prende à servidão financeira. Mariátegui, ao analisar a realidade peruana, já alertava que o capitalismo periférico não oferece ao pobre instrumentos reais de acumulação, apenas mecanismos de controle. O FGTS é exatamente isso: um controle sobre o salário do trabalhador que financia habitação popular a juros baixos para a classe média, mas que devora o valor real do dinheiro do operário.

    Por fim, você termina com o mantra “o agro produz e o governo só sabe gastar”. Essa dicotomia entre produção e gasto público é uma falácia que Althusser desmontaria como ideologia burguesa. O agro brasileiro não produz no vácuo: ele depende de estradas, portos, energia elétrica, pesquisa da Embrapa, crédito subsidiado do BNDES e isenções fiscais bilionárias. Em 2023, o setor agropecuário recebeu mais de R$ 500 bilhões em subsídios e renúncias fiscais, segundo dados do TCU. Isso é gasto público, sim, mas direcionado a grandes proprietários. Quando o governo gasta com o Desenrola, está transferindo recursos para os 70 milhões de brasileiros endividados, que movimentam o comércio local e pagam impostos indiretos. Não se trata de gastar versus produzir, mas de para quem o Estado direciona o dinheiro. Se o problema é gasto, comecemos cortando os subsídios do agronegócio e as isenções dos bancos. Mas isso, claro, não aparece no discurso liberal de quem acha que o trabalhador deve pagar a conta sozinho.

    João Silva

    03/05/2026

    Roberto, o problema não é o PT gastar, é o crédito girar em 400% ao ano enquanto o trabalhador financia o lucro bancário com o próprio salário. Desconto de 90% não é presente, é reparação mínima num sistema que transforma necessidade em mercadoria.

Rodrigo RedPill

03/05/2026

Carlos Meirelles, você acha que pagar boleto em dia é virtude moral? Enquanto isso, o brasileiro médio continua sem entender que dívida é ferramenta, não pecado. Usar FGTS pra limpar nome é a prova de que o governo trata o trabalhador como criança irresponsável. Quem estuda finanças de verdade sabe: o único colchão que presta é o que você constrói com renda passiva, não com dinheiro parado rendendo 3% ao ano.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Rodrigo, seu discurso sobre “dívida como ferramenta” ecoa uma racionalidade financeira que ignora que, para o trabalhador brasileiro real, o endividamento não é escolha estratégica, mas consequência de um salário que não cobre o custo de vida. O FGTS, com seu rendimento pífio, é de fato um colchão furado, mas usá-lo para limpar o nome não é tratar ninguém como criança — é reconhecer que, sem acesso a crédito, o trabalhador é excluído do mínimo de cidadania econômica. A questão não é moralizar o pagamento de boletos, mas entender que a “renda passiva” que você prega é privilégio de quem já tem renda ativa suficiente para poupar.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Rodrigo, essa noção de que dívida é ferramenta e que o pobre deveria construir renda passiva é um luxo que só existe pra quem já tem capital inicial. O FGTS rende 3% ao ano, sim, mas é o único dinheiro que o trabalhador brasileiro consegue poupar porque é descontado na fonte sem depender de disciplina financeira num país onde o salário mínimo não cobre o básico. Usar esse recurso pra limpar o nome e voltar a consumir não é tratar adulto como criança; é reconhecer que a dívida no Brasil é, na maioria dos casos, um mecanismo de sobrevivência, não de alavancagem.

Carlos Meirelles

03/05/2026

Mais um programa eleitoreiro que joga dinheiro público no ralo. Desconto de 90% significa que o credor já embutiu esse calote no preço de todo mundo que paga em dia. Usar FGTS para isso é raspar o único colchão financeiro do trabalhador.


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