oposição - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/oposicao/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 16 Oct 2025 00:06:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png oposição - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/oposicao/ 32 32 Oposição protocola pedido de impeachment do ministro Flávio Dino https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/oposicao-protocola-pedido-de-impeachment-do-ministro-flavio-dino/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/15/oposicao-protocola-pedido-de-impeachment-do-ministro-flavio-dino/#respond Thu, 16 Oct 2025 00:06:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219369 Senadores da oposição protocolaram nesta quarta-feira (15) um pedido de impeachment contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa se soma a pelo menos outros seis pedidos de parlamentares e cidadãos contra o magistrado e dependem de aval da Presidência do Senado.

Os senadores acusam o magistrado de prática de atividade político-partidária, violação à liberdade de expressão e conflito de interesse.

Segundo Eduardo Girão (Novo-CE), o pedido também é uma resposta ao que ele classificou como uma “tentativa de esvaziar o poder constitucional dos senadores” de apresentar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita em referência a um ação apresentada pelo partido Solidariedade, em conjunto com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que tramita no STF.

Os autores da ação sustentam que a Constituição não prevê a abertura do processo de impeachment e o afastamento de ministros do STF pelo Senado, por maioria simples. Eles defendem ainda que a prerrogativa para propor impeachment deve ser exclusiva do procurador-geral da República.

“A população precisa saber o que está acontecendo: uma tentativa de blindagem institucional, de impedir que esta Casa cumpra sua função constitucional”, afirmou Girão.

Os senadores Magno Malta (PL-ES) e Carlos Portinho (PL-RJ), que estão entre aqueles que assinam o documento, também criticaram a ação em análise no Supremo. Para Malta, o pedido de impeachment do ministro Flávio Dino representa “um lampejo de esperança”. Segundo o parlamentar, Dino, assim como outros ministros, teria transformado o Supremo “em um braço de partido político”, o que, segundo ele, compromete a imparcialidade da Corte.

Já Carlos Portinho afirmou que, embora o Congresso já tenha perdido parte de suas funções ao longo dos anos, a prerrogativa de deliberar sobre pedidos de impeachment não será retirada.

“Não vão legislar por pareceres, muito menos por atos. A legislação é feita por representantes eleitos pelo povo”, disse Portinho.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 15/10/2025

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Câmara retira de pauta a MP sobre tributação de investimentos https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/camara-retira-de-pauta-a-mp-sobre-tributacao-de-investimentos/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/camara-retira-de-pauta-a-mp-sobre-tributacao-de-investimentos/#respond Wed, 08 Oct 2025 22:00:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218901 MP não será votada a pedido da oposição. A medida provisória perde a validade hoje

A Câmara dos Deputados aprovou requerimento da oposição e retirou de pauta a Medida Provisória 1303/25, que unifica em 18% a tributação sobre todas as aplicações financeiras a partir de 1º de janeiro de 2026 e aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de algumas instituições financeiras. Foram 251 votos a favor da retirada e 193 contra.

Como a MP perde a vigência à meia-noite de hoje, não haverá tempo para análise em outra sessão. Se passasse pela Câmara, a medida também precisaria ser votada hoje pelo Senado.

Considerada essencial para o equilíbrio fiscal do próximo ano, a MP foi apresentada em junho pelo governo como alternativa ao decreto presidencial que havia elevado o Imposto sobre Transações Financeiras (IOF) em diversas transações. O decreto acabou revogado diante de forte reação política contrária.

O texto original da MP trazia uma expectativa de arrecadação adicional de cerca de R$ 10,5 bilhões para 2025 e de R$ 21 bilhões para 2026, diminuída para cerca de R$ 17 bilhões depois de negociações na comissão mista que analisou o tema.

Sem o dinheiro extra, o governo deverá fazer novo bloqueio nas despesas de 2025, incluindo emendas parlamentares, e para 2026 terá de obter cerca de R$ 35 bilhões no Orçamento por meio de cortes ou novas receitas de outras fontes, como IPI e o próprio IOF, que podem ter alíquotas aumentadas por decreto.

Acordos

Para viabilizar a votação ontem na comissão mista, o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), desistiu de vários pontos, como a tributação de títulos do agronegócio e imobiliários e até mesmo do aumento do tributo sobre empresas de jogos por quota (BETs), que passaria de 12% para 18%.

Entre os pontos modificados antes da votação na comissão, o relator aceitou aumentar o índice da MP original de tributação de aplicações financeiras de 17,5% para 18% e diminuir de 20% para os mesmos 18% o imposto de juros sobre capital próprio (JCP), que as empresas devolvem aos sócios a título de remuneração do capital investido. O JCP continua assim tributado em 15%.

A MP também tributava inicialmente os títulos imobiliários e do agro em 5%, mas eles continuam isentos, mesmo se a MP tivesse sido aprovada.

Como fica

Confira tributações que continuam iguais com a perda de vigência da MP:

  • ações e fundos de ações: 15%;
  • operações de mesmo dia (day trade) na bolsa de valores: 20%;
  • fundos de renda fixa e vários outros produtos de investimentos sem isenção atual: de 22,5% a 15%, conforme o prazo de permanência do recurso investido;
  • instituições de pagamento, administradoras do mercado de balcão organizado, bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, entidades de liquidação e compensação: continuam com CSLL de 9%;
  • empresas de capitalização e sociedades de crédito, financiamento e investimento: continuam com CSLL de 15%

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 08/10/2025

Reportagem: Eduardo Piovesan

Edição: Pierre Triboli

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Oposição acirra ofensiva contra o Supremo no Congresso https://www.ocafezinho.com/2025/08/09/oposicao-acirra-ofensiva-contra-o-supremo-no-congresso/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/09/oposicao-acirra-ofensiva-contra-o-supremo-no-congresso/#respond Sat, 09 Aug 2025 15:21:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214894 Propostas incluem anistia a investigados por 8 de janeiro, fim do foro privilegiado e mais barreiras para processar parlamentares

Após o clima de tensão que tomou conta do Congresso com a ocupação das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por deputados alinhados ao bolsonarismo, a oposição não recuou. Pelo contrário: intensificou nos bastidores uma articulação ambiciosa para desferir um novo golpe simbólico e institucional contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O alvo é claro — reduzir o poder do Judiciário, proteger investigados por crimes políticos e mudar as regras do jogo no campo jurídico. E, para isso, a estratégia é usar o Centrão como trampolim.

Apesar da decisão da Mesa Diretora da Câmara de encaminhar à Corregedoria da Casa denúncias contra 14 deputados — a maioria do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de um parlamentar do Novo e outro do PP —, os integrantes da oposição afirmam que o episódio não os intimidou. Pelo contrário: viram nele um sinal de força e decidiram acelerar um conjunto de propostas que já tramitavam nos corredores do poder, mas que ganharam novo fôlego após o confronto institucional.

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O chamado “pacote anti-STF” está sendo costurado com cuidado e tem três eixos principais, segundo lideranças do PL ouvidas pela imprensa. O primeiro deles é a anistia a investigados pela suposta tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 — uma medida que, se aprovada, poderia beneficiar diretamente Jair Bolsonaro, hoje réu no processo que investiga a organização criminosa por trás da invasão dos Três Poderes.

A segunda frente é o fim do foro privilegiado, que atualmente garante a autoridades, incluindo parlamentares, o direito de serem julgadas diretamente pelo STF. A ideia em discussão é que deputados e senadores passem a ser processados inicialmente nos Tribunais Regionais Federais (TRFs), com recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), e só em casos excepcionais chegariam ao Supremo. Ainda não há um texto fechado, mas a proposta já circula entre líderes partidários como uma forma de “modernizar” o sistema.

O terceiro ponto é a chamada PEC das prerrogativas, uma proposta de emenda à Constituição que exigiria autorização do Congresso para a abertura de ações penais contra parlamentares e restringiria prisões a situações de flagrante delito ou crimes inafiançáveis. Em outras palavras: tornaria muito mais difícil prender ou processar um deputado sem o aval da própria Casa.

Além disso, há um desejo explícito entre setores da oposição de avançar com um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, uma figura central nas investigações sobre o golpe. O processo, no entanto, depende de um primeiro passo crucial: o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que seja sequer admitido. Ainda não há confirmação de que Alcolumbre dará esse sinal verde, mas a pressão está crescendo.

O que torna esse movimento ainda mais estratégico é a forma como está sendo conduzido. Os líderes do PL sabem que temas como a anistia são polêmicos e enfrentam resistência até dentro do próprio Congresso. Por isso, estão usando como “iscas legislativas” as pautas que também interessam ao Centrão — especialmente o fim do foro privilegiado e a PEC das prerrogativas.

A ideia é simples: oferecer apoio a partidos como PSD, PP e União Brasil em troca de votos para as propostas mais sensíveis. “Há uma sinalização de entendimento com esses partidos”, afirmaram integrantes do PL. “Eles têm interesse em blindar seus parlamentares, assim como nós. É um terreno comum.”

A articulação vai além. Há tentativas de atrair até partidos de centro-esquerda, como PDT e PSB, para apoiar ao menos o fim do foro. A justificativa? “É uma questão de igualdade perante a lei.” Mesmo que muitos desses partidos rejeitem a anistia ou o ataque a Moraes, o discurso de “acabar com privilégios” pode ser suficiente para conquistar algumas adesões.

Tudo isso acontece em um momento de grande instabilidade institucional. A ocupação das Mesas Diretoras foi vista por muitos como um ato de desrespeito às normas internas do Legislativo, mas também como um grito de resistência de um grupo que se sente encurralado pelas investigações do STF. Agora, em vez de recuar, a oposição escolheu o contragolpe: atacar o Supremo não com força física, mas com a força do voto e da pauta legislativa.

A pergunta que fica no ar é até onde essa ofensiva pode ir. O STF, nos últimos anos, tornou-se um dos principais árbitros da crise política brasileira. Limitar seu poder, seja por meio do fim do foro, seja por uma anistia geral, seria uma mudança profunda no equilíbrio entre os Poderes. E, para muitos juristas e defensores da democracia, um retrocesso perigoso.

Mas, no tabuleiro do Congresso, onde interesses, alianças e sobrevivência política ditam o ritmo das decisões, o jogo segue. Enquanto a Corregedoria analisa as denúncias contra os deputados envolvidos no tumulto, outros corredores fervilham com conversas, acordos e promessas. A oposição sabe que não precisa vencer todas as batalhas de uma vez. Às vezes, basta colocar a pauta em movimento para mudar o rumo do jogo.

E, nesse tabuleiro, o STF está, mais uma vez, no centro do olho do furacão.

Entre os 14 deputados denunciados à Corregedoria da Casa estão nomes de peso dentro do grupo: Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Zé Trovão (PL-SC), Júlia Zanatta (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Todos são acusados de participação direta no tumulto que paralisou os trabalhos legislativos e colocou em xeque a autoridade da presidência do Congresso.

Agora, cabe ao corregedor da Câmara analisar os fatos, colher depoimentos e emitir um parecer antes de encaminhar os casos ao Conselho de Ética — instância responsável por decidir sobre punições, que podem variar desde advertência até cassação de mandato. Mas, mesmo com os procedimentos em andamento e o plenário desocupado, as lideranças da oposição deixam claro: a pressão pode voltar a qualquer momento se o chamado “pacote anti-STF” não avançar.

O episódio, que começou como um protesto contra as decisões do ministro Alexandre de Moraes, rapidamente se transformou em um ato de força política. E, para muitos analistas, foi um recado direto ao governo Lula: sem apoio da base bolsonarista, projetos-chave podem ficar engavetados — especialmente a reforma do Imposto de Renda, principal prioridade do Executivo no Congresso.

Foi justamente a influência de Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e padrinho político de Hugo Motta (Republicanos-PB), que ajudou a conter a crise. Lira, que hoje atua como relator do projeto de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, tem peso decisivo nas negociações. Sua intervenção foi essencial para restabelecer o diálogo e evitar uma escalada maior. Mas, ao mesmo tempo, reforçou um jogo de interesses bem claro: o apoio à reforma fiscal está diretamente ligado ao avanço de pautas da oposição.

Nos bastidores, líderes do PL já deixam escapar a condição: não vão obstruir a tramitação do projeto do IR desde que haja movimentação concreta em temas como o fim do foro privilegiado, a PEC das prerrogativas e, principalmente, a anistia a investigados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro. O prazo é curto — o texto precisa ser aprovado até 30 de setembro para vigorar em 2026 — e o tempo de negociação corre contra todos.

Nesse contexto, a figura de Hugo Motta, líder do governo na Câmara, passa por um teste de fogo. Apesar de seu perfil conciliador, visto como uma ponte entre o Planalto e setores conservadores, a crise o colocou em uma posição delicada. Alguns aliados avaliam que ele saiu fragilizado, incapaz de impedir um ato que desafiou diretamente a ordem interna da Casa. Outros, no entanto, lembram que Motta não tem poder absoluto sobre partidos da oposição e que sua principal arma é o diálogo — ainda que, às vezes, ele falhe.

“Eu acho que deve ter [punição] porque o que aconteceu foi grave, até para que isso não volte a acontecer”, disse Motta à CNN, em tom de reprovação. “Não podemos concordar com o que aconteceu, até porque temos que ser pedagógicos nessa situação.” A fala foi interpretada como um esforço para manter a autoridade moral, mesmo diante da pressão de um grupo que insiste em agir à margem das regras.

Em um gesto simbólico, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), chegou a pedir desculpas a Motta, reconhecendo que a forma como o protesto foi conduzido “não foi correta”. Mesmo assim, foi enfático ao defender que seus colegas não devem ser punidos. Para muitos parlamentares, essa postura foi uma manobra estratégica: mostrar arrependimento sem abrir mão da causa, evitando queimar pontes com o líder do governo e mantendo as portas abertas para futuras negociações.

Enquanto isso, o Palácio do Planalto observa com atenção. Na sexta-feira (8), o presidente Lula não poupou críticas. Em discurso público, classificou os parlamentares envolvidos como “verdadeiros traidores da pátria” e defendeu com firmeza o ministro Alexandre de Moraes. “Quem deveria ter o impeachment são esses deputados e senadores que ficam tentando fazer greve para não permitir que funcione a Câmara e o Senado”, disparou, em tom de indignação. “São eles que querem paralisar o país, não nós.”

A fala de Lula, além de reforçar a defesa das instituições, também serve como um alerta: o governo não vai ceder a chantagens. Mas, na prática, a realidade do Congresso é outra. A base governista precisa de votos — e muitos deles estão justamente nos partidos que hoje ameaçam travar a pauta.

As próximas semanas serão decisivas. Não apenas para a aprovação da reforma do IR, mas para entender se a oposição consegue impor sua agenda, se o Centrão vai se alinhar ao jogo de poder ou se o governo terá força suficiente para manter o rumo. Hugo Motta, Arthur Lira, os líderes do PL e os ministros do STF estão todos de olho no mesmo tabuleiro: um Congresso cada vez mais polarizado, onde a linha entre protesto legítimo e ameaça institucional parece se dissolver a cada nova manobra.

No fim das contas, o que está em jogo não é apenas um projeto de lei. É a definição de quem manda em Brasília. E, por enquanto, a resposta ainda está em construção.

Com informações de CNN*

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Câmara: base do governo chama ocupação do plenário de “chantagem” https://www.ocafezinho.com/2025/08/05/camara-base-do-governo-chama-ocupacao-do-plenario-de-chantagem/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/05/camara-base-do-governo-chama-ocupacao-do-plenario-de-chantagem/#respond Tue, 05 Aug 2025 21:11:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214560 Lindberg Farias compara ato desta terça a ataques de 8 de janeiro

Parlamentares da base de apoio ao governo repudiaram o ato de deputados e senadores da oposição que ocuparam as mesas diretoras dos plenários e obstruíram os trabalhos legislativos nesta terça-feira (5). O vice-líder da maioria no Congresso Nacional, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), comparou a ocupação ao 8 de Janeiro e afirmou que a atitude é “inaceitável”.

“Ninguém pode parar pela força a atividade parlamentar e os trabalhos legislativos. É uma continuidade desse processo de golpe. Isso aqui é mais um ataque às instituições”, defendeu.

Para o deputado, a atitude “é uma chantagem contra o país”.

Lindbergh afirmou que conversou com o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), que estava em uma agenda na Paraíba e já retorna a Brasília diante da crise. “É responsabilidade do presidente desta Casa restabelecer o controle e a ordem. O que houve foi um sequestro do parlamento”, afirmou.

Nesta terça-feira, após decretada prisão domicilia do ex-presidente Jair Bolsonaro, a oposição reunida no Congresso Nacional ocupou as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara. Eles prometem permanecer nos locais até que os presidentes das casas legislativas aceitem pautar a anistia geral e irrestrita para os condenados por tentativa de golpe de Estado.

O grupo também reivindica que seja pautado o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o fim do foro privilegiado – assim, Bolsonaro não seria mais julgado pelo STF, mas pela primeira instância.

Punição

Os deputados de partidos da base do governo defenderam que os parlamentares envolvidos na obstrução sejam punidos pelo desrespeito ao regimento e a interrupção do funcionamento da Casa. Pedro Campos (PSB-PE) lembrou que a pauta de votações é definida pelo Colégio de Líderes, que já negou incluir a anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro.

O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) classificou o ato como grave e reafirmou que os parlamentares precisam ser responsabilizados.

“Cada um deles vai ser alvo do Conselho de Ética. Já tentamos abrir a sessão mais de uma vez e eles estão impedindo a sessão de abrir. Fossem eles maioria, o que não são, fossem eles minoria, como são, eles não têm esse direito”, defendeu.

Lindbergh destacou que existem pautas importantes a serem votadas, com impacto na economia do país e na vida da população, como por exemplo a isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco salários-mínimos. “O Brasil tem pressa”, disse.

“É importante que a nação observe o que está acontecendo aqui. Deputados que querem colocar o interesse de uma família, de uma única pessoa, o ex-presidente que articulou um golpe contra a democracia, com planos para assassinar o presidente e o vice-presidente, acima dos interesses do povo brasileiro. Essa não é a casa da família Bolsonaro, essa é a casa do povo brasileiro e da democracia. Os trabalhos têm que continuar”, defendeu a deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 05/08/2025

Edição: Aline Leal

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Oposição provoca tensão e acelera cobrança por votação da anistia no segundo semestre https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/213454/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/22/213454/#respond Tue, 22 Jul 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213454 Parlamentares de oposição se reuniram com o ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados

Deputados do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e de outros cinco partidos (Republicanos, Progressistas, Novo, PSD e União Brasil) afirmaram nesta segunda-feira (21), em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, que terão como pauta prioritária após o recesso parlamentar a votação do projeto de lei que concede anistia aos acusados de envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e demais acusados de golpe de Estado (PL 2858/22).

“Quando retornar o trabalho legislativo [na semana do dia 4 de agosto], nós temos como pauta nosso item número 1: não abriremos mão, na Câmara nem no Senado, de pautarmos anistia dos presos políticos do 8 de janeiro”, declarou o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), após reunir-se com o ex-presidente Bolsonaro e com deputados e senadores na Câmara.

Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes e não pode aparecer em suas redes sociais nem de terceiros.

O líder do PL criticou as medidas restritivas impostas a Bolsonaro na última sexta-feira (18). “O presidente Bolsonaro está no recinto da Câmara dos Deputados, participou de toda a reunião conosco e gostaria muito de falar a toda a imprensa nacional. Entretanto, por mais uma ordem de censura do ministro Alexandre de Moraes, preventivamente, os advogados recomendaram que não falasse mais com a imprensa. Este é o Brasil e a democracia relativa que nós estamos vivendo”, finalizou Sóstenes.

Impeachment

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que também participou da entrevista coletiva, disse que pretende trabalhar no Senado pelo impeachment de Moraes. “Será a pauta que a oposição vai trabalhar nos próximos dias. Foi por culpa dele que nós estamos sendo tarifados. Todas as decisões dele, já está comprovado, violaram direitos humanos”, disse a senadora.

Foro privilegiado

Segundo Sóstenes, ficou decidida ainda a intenção de priorizar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 333/17, que acaba com o foro privilegiado por prerrogativa de função para crimes comuns, mantendo-o apenas para cinco autoridades: o presidente da República e o vice; e os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Essa perseguição do Supremo precisa acabar, de uma vez por todas. Temos mais de 60 parlamentares respondendo a processos no Supremo, além dos esdrúxulos conhecidos inquéritos do fim do mundo, que nunca terminam, todos centralizados na mão de um único ministro e o nome dele é Alexandre de Moraes. Isso tem que acabar, isso não é democrático, não é constitucional, fere o devido processo legal no País”, declarou o líder do PL.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 21/07/2025

Reportagem: Murilo Souza

Edição: Wilson Silveira

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Oposição reage às medidas do STF contra Bolsonaro; governistas defendem decisão https://www.ocafezinho.com/2025/07/19/oposicao-reage-as-medidas-do-stf-contra-bolsonaro-governistas-defendem-decisao/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/19/oposicao-reage-as-medidas-do-stf-contra-bolsonaro-governistas-defendem-decisao/#respond Sat, 19 Jul 2025 22:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213218 Parlamentares da Oposição divulgaram declarações de repúdio a medidas cautelares contra Jair Bolsonaro

Líderes da Oposição no Congresso Nacional reagiram às medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes contra o ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Durante coletiva de imprensa no Senado, nesta sexta-feira (18), os parlamentares consideraram a decisão, que inclui restrições como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso das redes sociais e de contato com aliados como “arbitrária”, “autoritária” e reflexo de um “estado de exceção”. Eles disseram que, na próxima segunda-feira (21), vão pedir formalmente ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, o cancelamento do recesso para tratar do assunto.

No entanto, logo após a entrevista, Davi Alcolumbre divulgou nota confirmando que o recesso parlamentar de julho será mantido e que as atividades legislativas só serão retomadas em agosto.

“Durante as próximas duas semanas, não haverá sessões deliberativas nem funcionamento das comissões. As atividades legislativas serão retomadas na semana do dia 4 de agosto, com sessões deliberativas no plenário do Senado e nas comissões, incluindo o início da apreciação e votação de indicações de autoridades, conforme cronograma já divulgado”, diz Davi na nota.

Entrevista coletiva

O líder do PL no Senado, senador Carlos Portinho (RJ), reforçou que, na opinião dos 14 senadores que compõem a bancada do partido no Senado, a operação desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira se trata de uma “perseguição política”, evidenciando que o Brasil vive hoje, “um estado de exceção”.

“Perseguição explícita a opositores do governo, censura, restrições às liberdades, violação ao devido processo legal, cerceamento do direito de defesa, violação de prerrogativas de advogados e também de prerrogativas de parlamentares, capitulação das Forças Armadas, com perseguição à oficiais da mais alta patente e cortes sucessivos no seu orçamento e, sobretudo, um Congresso anulado nas suas funções legislativas e subjugado por outro poder, no caso, o poder Judiciário”.

Na opinião dos membros da bancada, como leu Portinho, o Congresso precisa agir com firmeza e repúdio contra essa “ação de perseguição”.

“Os parlamentares brasileiros, especialmente a oposição do Congresso Nacional precisam, urgentemente, fazer valer a nossa Constituição que vem sendo rasgada pelo STF, com o intuito de calar os brasileiros e querem começar silenciando nosso líder maior, o presidente Jair Messias Bolsonaro”.

Perseguição judicial 

Outra manifestação de repúdio foi lida pelo senador Jorge Seif (PL-SC), representando todos os senadores da oposição no Senado. Ele reforçou as críticas à decisão judicial que, na avaliação deles, são comparáveis a regimes ditatoriais.

Na declaração, eles denunciaram o que chamam de “perseguição judicial” e uso do Judiciário como instrumento de repressão política.

“Não há condenação, não há provas inequívocas de crime e sim, uma escalada autoritária e uso de aparato judicial como instrumento de repressão política. Trata-se de um movimento perigoso, que ameaça as bases do estado democrático de direito e transforma divergência em delito. A criminalização de opiniões, o cerceamento da liberdade de expressão e tentativa de neutralizar lideranças por vias judiciais, colocam em risco a própria democracia. Criticar autoridades, denunciar abusos e participar de debate público são direitos garantidos pela Constituição federal e não podem ser tratados como afrontas institucionais”.

O texto, assinado por líderes do PL e de demais partidos da oposição, também faz uma comparação com casos recentes envolvendo políticos da esquerda brasileira, como a ex-presidente Dilma Rousseff e o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para alegar um tratamento desigual por parte do Judiciário.

“O contraste com o passado recente é evidente: em 2016 Dilma Rousseff discursou na ONU para denunciar um suposto golpe de estado. Em 2017 os advogados de Lula foram à Europa questionar decisões do judiciário brasileiro. Em 2018, a defesa do ex-presidente recorreu a ONU para impedir a sua prisão, enquanto ele próprio, mesmo condenado, por mais de 20 juízes, pode viajar ao exterior para fazer as suas denúncias contra instituições brasileiras. Sem sofrer qualquer censura ou restrição de fala. Porque então agora se trata com tamanha rigidez um ex-presidente que sequer foi condenado”.

Reação e resistência

O documento termina com um apelo ao Congresso Nacional para que “reassuma seu papel constitucional” e reaja aos “excessos” do Judiciário. Segundo os signatários, é papel do Legislativo conter o que chamam de ultrapassagem dos “limites da legalidade e da razoabilidade”.

Eles também pedem que a população brasileira “volte às ruas, de forma pacífica e ordeira” para “exigir respeito à Constituição, à liberdade, e à democracia.

Os senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF) também acompanharam a coletiva e reforçaram as declarações de repúdio às decisões do ministro Alexandre de Moraes e de apoio a Jair Bolsonaro.

Na avaliação do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente alvo da operação da PF, as medidas de restrições impostas a Jair Bolsonaro foram uma “proposital humilhação” que deixará cicatrizes, mas “servirão de motivação” para a luta pelo “Brasil livre de déspotas”. Para ele, Alexandre de Moraes agiu motivado pelo ódio, levando-o a tomar “medidas totalmente desnecessárias e covardes”.

“Típico de uma inquisição, que já tem a sentença final pronta antes mesmo de começar, em que a capa do processo é a principal “prova”. O ardil é tanto, que faz exatamente no início do recesso parlamentar, quando Brasília está vazia. Mas seu cálculo certamente esqueceu de levar em conta que hoje, 18 de julho, é o Mandela Day. Dia em que o mundo celebra o símbolo de resistência e luta pela liberdade. Não é uma coincidência apenas”, declarou em suas redes sociais.

Repercussão no governo

Os senadores governistas também repercutiram os efeitos da operação da PF e das medidas restritivas aplicadas a Jair Bolsonaro. Na visão do senador Humberto Costa (PT), novas evidências colhidas pela Justiça nesta semana confirmam que Bolsonaro teria conspirado contra o Brasil. Para o senador, o ex-presidente “tentou fugir do país com medo da Justiça”, mas as instituições reagiram, seguem “sólidas e resistiram a mais esse ataque”.

“Essa operação da Polícia Federal é uma demonstração de que Bolsonaro estava buscando fugir das suas responsabilidades, fugir do seu julgamento e sair do Brasil, ilegalmente, para não ter que cumprir algum tipo de condenação que viesse a sofrer. A própria decisão do Supremo Tribunal Federal faz referência a outros crimes que ele vinha cometendo reiteradamente. E o principal deles é atentar contra a soberania do país, numa ação conjunta com seu filho, solicitando de um governo estrangeiro que estabelecesse sanções contra o Brasil”.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) também ressaltou que as medidas restritivas vêem como reação a uma eventual tentativa de fulga do ex-presidente.

“Além de outras medidas restritivas, Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica após as investigações terem identificado risco de fuga do país”.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) comemorou o avanço das investigações e disse que as ações da PF indicam que a “verdade está vindo à tona”.

“A verdade está vindo à tona. Quem tentou destruir a democracia e usou o poder para enriquecer às custas do povo, agora enfrenta a Justiça”.

Já a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) reforçou a necessidade de confiança nas instituições e no funcionamento da Justiça, destacando o princípio da presunção de inocência.

“A operação realizada hoje pela Polícia Federal, em endereços ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aponta que há sérios indícios a serem apurados. É fundamental confiar nas instituições e no funcionamento da Justiça brasileira. É importante aguardarmos os desdobramentos com serenidade, assegurando sempre o respeito ao devido processo legal e o direito à ampla defesa. Além disso, destaco que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Que a justiça seja feita”.

Operação da PF

Nesta sexta-feira, Alexandre de Moraes autorizou operação de busca e apreensão nos endereços ligados ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, e aplicou medidas restritivas como manter distância de embaixadas, impedir o uso de redes sociais e não manter contato com o seu filho, o deputado federal licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Na decisão sobre as medidas, o ministro alega que o ex-presidente confessou uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira ao condicionar o fim do tarifaço de Donald Trump à própria anistia.

Para o ministro, Bolsonaro estimulou a atuação do governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, como parte de uma estratégia para pressionar o Supremo a obstruir o inquérito do golpe. Na avaliação de Moraes, Bolsonaro, em conjunto com o filho Eduardo, que está nos Estados Unidos, cometem “atentados à soberania nacional”.

Publicado originalmente pela Agência Senado em 18/07/2025

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Oposição quer derrubar novo decreto sobre IOF; governo busca entendimento https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/oposicao-quer-derrubar-novo-decreto-sobre-iof-governo-busca-entendimento/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/12/oposicao-quer-derrubar-novo-decreto-sobre-iof-governo-busca-entendimento/#respond Thu, 12 Jun 2025 17:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210647 Novo decreto ameniza os efeitos do aumento de IOF, determinado em decreto anterior

Após a reunião do Colégio de Líderes, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que vai pautar na próxima segunda-feira (16) requerimento de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo PDL 314/25, do líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), que suspende o decreto do governo que amenizou o aumento de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Entenda

Em maio, o governo editou um decreto elevando o IOF para reforçar a arrecadação pública. A medida provocou reação da Câmara dos Deputados, do Senado e do mercado.

Ontem, o Poder Executivo publicou uma medida provisória sobre tributação de investimentos e propostas de corte de gastos e um novo decreto com alíquotas menores do IOF, mas ainda assim com aumentos.

Críticas

Segundo Zucco, o governo não pode mais aumentar impostos sem apresentar corte de gastos. “Temos que mostrar ao governo que não é aumentando imposto, por meio de um confisco, que vamos arrumar a economia. Não houve avanço nenhum no corte de gastos”, criticou o parlamentar.

O líder do Novo, deputado Marcel Van Hattem (RS), também criticou a proposta do Executivo. Segundo, ele o compromisso da oposição não é com o aumento de impostos.

“O aumento do IOF é uma agressão ao Congresso, porque não se pode aumentar imposto de arrecadação via decreto. O IOF é um imposto regulatório e não arrecadatório”, disse o parlamentar.

Sem acordo

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que não há acordo para votar o mérito do projeto. Os parlamentares votarão apenas o pedido de urgência para a tramitação da proposta.

Guimarães disse que vai orientar voto contrário ao projeto, mas vai conversar com os demais líderes sobre o tema. “Nós vamos trabalhar para buscar os entendimentos até segunda-feira e vamos atuar para construir um bom entendimento.”

Contingenciamento

O líder alertou que, se for o decreto for derrubado, o contingenciamento poderá ser maior para cumprir as metas do arcabouço fiscal aprovado pelo próprio Congresso.

“O governo editou um decreto importante. Se for derrubado, vai ter um contingenciamento maior. Também editou uma MP, que vai ser discutida”, acrescentou.

O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que, se a oposição derrubar o novo decreto, o decreto anterior, muito mais duro, é que vai ficar valendo. “Parece uma medida meio inconsequente. Esperamos até o começo da próxima semana convencer o Parlamento. Votar um PDL como esse só vai trazer mais confusão para a economia”, alertou Farias.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 12/06/2025

Reportagem: Luiz Gustavo Xavier

Edição: Wilson Silveira

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Oposição se arma contra o IOF e escolhe Nikolas https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/oposicao-se-arma-contra-o-iof-e-escolhe-nikolas/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/oposicao-se-arma-contra-o-iof-e-escolhe-nikolas/#respond Fri, 23 May 2025 15:45:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209377 Medida provisória do governo Lula enfrenta resistência de deputados do PL, que veem no IOF a chance de reverter derrotas recentes no Congresso

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Coronel Zucco (PL-RS), anunciou que irá coletar assinaturas para apresentar um requerimento de urgência contra o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decretado pelo governo Lula. Além disso, o parlamentar revelou que pretende indicar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) como relator da matéria.

Em entrevista ao Metrópoles, Zucco afirmou: “A ideia é colher assinaturas para a urgência e pedir a inclusão na pauta, na próxima semana. Vou falar com o presidente [da Câmara] Hugo Motta. Já estamos articulando um nome para a relatoria, e gostaria de ter Nikolas Ferreira”. O pedido de urgência, que precisa de 251 assinaturas, permitiria que a proposta fosse votada diretamente no plenário, sem passar pelas comissões.

Leia também: O puxadinho fiscal que virou dor de cabeça; O governo recuou após anunciar aumento do IOF, e analistas apontam falhas na condução econômica e desgaste político com oposição e mercado

Governo recua parcialmente após reação negativa

O aumento do IOF foi anunciado pelo Ministério da Fazenda na última quinta-feira (22/5), como parte das medidas para equilibrar as contas públicas. No entanto, a decisão gerou forte reação política e do mercado, levando o governo a recuar parcialmente em menos de 24 horas.

Nesta sexta-feira (23/5), um novo decreto manteve zerada a alíquota do imposto sobre aplicações de fundos nacionais no exterior, que seria elevada para 3,5%. Também foi mantida em 1,1% a cobrança sobre remessas destinadas a investimentos fora do país.

Estratégia da oposição: Nikolas Ferreira como relator

A escolha de Nikolas Ferreira para relatar o projeto não é casual. O deputado mineiro, considerado um caso de sucesso digital na direita, foi um dos principais articuladores da campanha contra o governo Lula no início do ano, quando o Palácio do Planalto enfrentou críticas por discutir mudanças nas regras do Pix.

Na ocasião, Nikolas amplificou nas redes sociais a possibilidade de cobrança de taxas sobre transações pelo sistema, o que impactou negativamente a avaliação do governo em pesquisas de opinião. Agora, a oposição busca repetir a estratégia, usando o aumento do IOF como bandeira para pressionar o Executivo.

Oposição busca vitória após derrotas recentes

A mobilização contra o IOF ocorre em um momento em que a oposição enfrenta dificuldades em outras frentes. Recentemente, o grupo não conseguiu avançar com o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, nem garantiu a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar supostas fraudes no INSS.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a derrubada do aumento do IOF será um dos principais temas levados pelo partido na próxima reunião de líderes. Além disso, a bancada continuará pressionando pela anistia aos acusados nos protestos de janeiro e pela CPMI do INSS.

Base aliada questiona competência do Congresso

Enquanto a oposição se mobiliza, a base governista questiona se o Congresso tem poder para derrubar o aumento do IOF. Parlamentares da situação argumentam que a mudança foi feita por decreto, e não por projeto de lei.

No entanto, os oposicionistas defendem que é possível anular a medida por meio de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), instrumento que permite ao Legislativo sustar atos do Executivo. A discussão deve se intensificar nos próximos dias, com a oposição tentando acelerar a votação para capitalizar o descontentamento com o aumento de impostos.

Próximos passos

Se o requerimento de urgência for aprovado, o tema poderá ser votado ainda na próxima semana. Caso contrário, o trâmite seguirá o rito normal, passando por comissões antes de chegar ao plenário. Enquanto isso, o governo tenta conter os danos políticos, enquanto a oposição vê no IOF uma oportunidade para reforçar sua narrativa contra a carga tributária.

O desfecho dessa disputa pode definir os rumos da articulação política no Congresso nas próximas semanas, especialmente em um cenário onde o governo busca maior controle fiscal, e a oposição tenta reverter derrotas recentes.

Com informações de Metrópoles*

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Oposição protocola pedido de CPI para investigar fraude bilionária no INSS https://www.ocafezinho.com/2025/05/03/207846/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/03/207846/#respond Sat, 03 May 2025 15:42:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207846

Deputados de oposição protocolaram nesta quarta-feira (30) o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar uma fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que teria causado um desvio de R\$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O esquema envolvia descontos não autorizados em benefícios previdenciários e é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU).

As investigações apontam crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, falsificação de documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo os órgãos de controle, 11 entidades e associações estão envolvidas.

O autor do pedido, deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), defendeu o afastamento imediato do ministro da Previdência, Carlos Lupi. “Não dá para uma CPI investigar casos, muitos deles com conotação política, com o ministro fazendo acordos contra as investigações”, afirmou.

O requerimento de criação da CPI (RCP 2/25) foi entregue com 185 assinaturas de deputados de 14 partidos, que vão desde Solidariedade e Cidadania até PL e Novo.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou a postura do governo. “O mínimo que o governo deve fazer é afastar o ministro. Não é possível que não se tenha uma decisão enérgica. É prova de que esse é um governo analógico, lento”, declarou.

Atualmente, há 13 pedidos de CPI com assinaturas suficientes aguardando análise. Segundo o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, apenas cinco CPIs podem funcionar simultaneamente. No momento, nenhuma está em funcionamento.

Sóstenes informou que a oposição também está recolhendo assinaturas para propor uma comissão parlamentar mista, o que permitiria contornar a fila de pedidos na Câmara.

O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) afirmou que notificou o Ministério da Previdência sobre os desvios desde março de 2023. “Foi a partir de nosso documento que a PF iniciou a investigação”, disse.

A deputada Bia Kicis (PL-DF), vice-líder da Minoria, lembrou que, quando presidiu a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle em 2023, foi aprovado um requerimento para o Tribunal de Contas da União (TCU) investigar o caso. “Desde então, nada foi feito”, criticou.

O 1º vice-presidente da Câmara, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), defendeu a criação da CPI. “O governo deveria apoiar essa CPI, pois estaria apoiando a transparência. Quem não deve, não teme”, afirmou.

Por outro lado, o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), ponderou que a investigação já está sendo conduzida pela PF e pela CGU. “Não acho que uma CPI presidida por uma liderança do PL, neste momento, vai contribuir com a investigação”, disse.

Em audiência na Câmara na terça-feira (29), o ministro Carlos Lupi apresentou as ações da pasta para combater fraudes históricas no INSS, incluindo o recente escândalo.

No mesmo dia, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara que o caso será apurado “até as últimas consequências”.

Reportagem: Tiago Miranda | Edição: Pierre Triboli
Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Centenas são presos em protestos na Turquia https://www.ocafezinho.com/2025/03/23/centenas-sao-presos-em-protestos-na-turquia/ Sun, 23 Mar 2025 19:04:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204916 Atos foram convocados após prisão do prefeito de Istambul, principal figura de oposição ao governo de Recep Tayyip Erdogan.

O governo turco informou neste sábado (22/03) que foram detidas mais de 340 pessoas nas manifestações convocadas no dia anterior contra a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, um rival político do regime do presidente Recep Tayyip Erdogan.

“Não haverá tolerância para aqueles que visam violar a ordem, ameaçar a paz alheia e causar caos e provocação”, disse o ministro do Interior da Turquia, Ali Yerlikaya.

Yerlikaya especificou que 343 suspeitos foram presos durante os protestos que ocorreram em Istambul e em outras oito cidades da Turquia. A agência espanhola EFE relatou que vários estudantes foram presos após operações em dormitórios de universidades.

No dia anterior, apesar da proibição do governo e das barricadas policiais, milhares de manifestantes – 100 mil de acordo com estimativas da imprensa turca – reuniram-se do lado de fora da prefeitura de Istambul, onde o dirigente do Partido Republicano do Povo (CHP), Özgür Özel, falou à multidão.

“Sim, Erdogan está tentando eliminar seus rivais por meios ilegais. Vamos derrubar esse governo”, declarou. “O mundo e a Turquia veem que o regime opressivo de Erdogan está tremendo, está prestes a entrar em colapso”, acrescentou o dirigente do CHP, que faz oposição a Erdogan e que pediu que a pressão nas ruas continue até domingo.

De acordo com uma contagem da agência de notícias AFP, ocorreram manifestações em pelo menos 55 das 81 províncias da Turquia até o momento. Na sexta-feira, o presidente Recep Tayyip Erdogan disse em um discurso que as autoridades “não permitiriam que a ordem pública fosse prejudicada” e prometeu não “ceder ao vandalismo ou ao terrorismo de rua”.

O prefeito Ekrem Imamoglu foi preso na quarta-feira, como parte da investigação sobre corrupção, suborno e manipulação de licitações municipais, na qual são acusados cerca de 100 outros réus, quase todos detidos.

A prisão do prefeito ocorreu poucos dias antes de sua esperada nomeação como candidato à presidência pelo CHP, da oposição.

Nascido em 1971, antes de iniciar carreira política Ekrem Imamoglu estudou administração de empresas e trabalhou na gastronomia e construção civil. De 2002 a 2003, foi membro da presidência do clube de futebol Trabzonspor.

Em 2019 venceu o pleito municipal em Istambul, encerrando assim 25 anos de hegemonia conservadora-islamista do AKP na metrópole. A sigla de Erdogan entrou com um recurso, obtendo a anulação do resultado, porém nas novas eleições Imamoglu voltou a vencer, com grande vantagem. Em 31 de março de 2024, foi reeleito prefeito.

Assim como Erdogan, o político atualmente preso provém da região conservadora-nacionalista do Mar Negro, onde cresceu em condições humildes. Desde que assumiu a prefeitura, vinha fortalecendo maciçamente a assistência social para os necessitados e estudantes de Istambul.

Apreciado por seu jeito popular e capacidade de mobilizar os cidadãos, Imamoglu era a grande esperança da oposição e o adversário mais ameaçador para Erdogan nas presidenciais.

Publicado originalmente pelo DW em 22/03/2025

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Kassab disse torcer pela reeleição de Lula, mas prevê Tarcísio presidente em 2030 https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/kassab-disse-torcer-pela-reeleicao-de-lula-mas-preve-tarcisio-presidente-em-2030/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/kassab-disse-torcer-pela-reeleicao-de-lula-mas-preve-tarcisio-presidente-em-2030/#respond Thu, 21 Nov 2024 15:24:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197358

Gilberto Kassab, presidente do PSD, expressou durante um encontro com empresários na última terça-feira (19) sua torcida pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. “Eu gostaria muito que ele fosse consagrado. Porque o país, quando votou nele [em 2022], votou na esperança de que pudesse ser o presidente que a gente queria. Para unir o país, para fazer na economia o que precisa ser feito. Eu espero que ele faça, e se apresente [como candidato em 2026] e merecidamente seja reeleito”, afirmou Kassab, durante o evento organizado pelo grupo Esfera Brasil.

Apesar do tom otimista, Kassab admitiu que Lula enfrenta dificuldades em sua gestão atual. “Lula não vai bem”, comentou. Contudo, ele acredita que o petista “ainda pode acertar” e melhorar suas chances para consolidar seu legado político.

Ao falar sobre o futuro da direita no país, Kassab destacou o papel do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como um nome de grande potencial para a presidência da República. “Está na cara que o Tarcísio vai ser presidente da República. Aposto qualquer coisa”, afirmou ele. Kassab, no entanto, ponderou que 2030 seria o momento mais apropriado para essa candidatura. “Pode ser em 2026? Pode, mas acho difícil”, completou.

Entre os obstáculos apontados por Kassab para a candidatura de Tarcísio em 2026 está a influência de Jair Bolsonaro, que permanece uma figura central na política da direita, mesmo após sua inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Bolsonaro reafirma que participará da corrida eleitoral mesmo estando inelegível por determinação do TSE, ‘mesmo preso’”, observou Kassab, indicando que essa situação poderia complicar os planos de Tarcísio.

Nesse contexto, a estratégia mais provável para Tarcísio seria disputar a reeleição como governador de São Paulo. “Ele já se definiu como candidato à reeleição para governador”, afirmou Kassab. Segundo ele, essa escolha fortaleceria ainda mais a liderança de Tarcísio e abriria caminho para que ele fosse “candidato ‘sem adversário’” à presidência em 2030.

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Janela Partidária 2022: Quem ganhou, quem perdeu? #webstory #webstories https://www.ocafezinho.com/2022/04/10/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu-webstory-webtories/ https://www.ocafezinho.com/2022/04/10/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu-webstory-webtories/#respond Sun, 10 Apr 2022 20:08:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=138956 Qual foi o saldo da janela partidária de 2022? Veja nesse web story, com análise de Miguel do Rosário.
https://www.ocafezinho.com/web-stories/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu/

VEJA MAIS WEBSTORIES O CAFEZINHO: https://www.ocafezinho.com/web-stories/

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Encontrados 20 milhões de dólares no veículo da família de Leopoldo López https://www.ocafezinho.com/2017/08/30/em-vez-de-malas-caixas-de-dinheiroencontrado-200-milhoes-de-bolivares-no-veiculo-da-familia-do-lider-da-oposicao-venezuelana-leopoldo-lopez/ https://www.ocafezinho.com/2017/08/30/em-vez-de-malas-caixas-de-dinheiroencontrado-200-milhoes-de-bolivares-no-veiculo-da-familia-do-lider-da-oposicao-venezuelana-leopoldo-lopez/#comments Wed, 30 Aug 2017 11:41:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=78006 80 Comentários 🔥]]> (imagem-VTV)

Em vez de malas, caixas de dinheiro!

Foram encontrados na tarde do dia 29 de agosto, 200 milhões de bolívares (20 milhões de dólares pela cotação oficial).

O montante estava no utilitário Toyota modelo fortune placa AA967YM, de propriedade da família de Leopoldo López, líder da oposição e preso por 43 mortes na tentativa de derrubar o governo de forma violenta em 2014 (movimento “La salida”)

Qual a conexão do dinheiro e as “guarimbas”?

Parece que os terroristas perderam a proteção de parte do ministério público.

A ação foi do corpo de investigações científicas penais e criminais (CICPC), a informação foi divulgada pelo novo procurador geral, Tareck william Saab.

Fonte: www.vtv.gob.ve/cicpc-bs-200-millones-en-efectivo-en-una-camioneta-de-presunto–familiar-de-leopoldo-lópez/

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Jânio de Freitas e as vivandeiras do STF https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/janio-de-freitas-e-as-vivandeiras-do-stf/ https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/janio-de-freitas-e-as-vivandeiras-do-stf/#comments Thu, 02 May 2013 12:24:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10937 O aplauso contra

Por Janio de Freitas, na Folha de São Paulo

Surpresa não chegou a ser, mas não era esperada. A resposta a um só tempo firme e elevada do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, a Gilmar Mendes foi além de sustentar o respeito à Constituição no trâmite do polêmico projeto que reduz o acesso de novos partidos ao dinheiro do Fundo Partidário e ao uso de TV (pago pelos cidadãos em geral). Por tabela, Henrique Alves expôs a atitude contrária à Constituição, ao Estado de Direito e à democracia do grupo de senadores que foi aplaudir, em pessoa, a interferência com que Gilmar Mendes, em nome do Supremo Tribunal Federal, sustou a tramitação do projeto a meio do caminho.

É reconhecível, porém, que o grupo tinha motivação forte: os seus momentâneos interesses políticos e partidários, postos acima das instituições. Mas nisso não foi sequer original. A frouxidão das convicções democráticas tanto é uma constante na história parlamentar (idem no Supremo) como vimos o que decorreu, tantas vezes, de atitudes iniciadas por grupos e interesses assim no Congresso. Houve, porém, uma surpresa no caso atual: a presença do senador Pedro Simon (PMDB), alheio à sua história.

Nas informações pedidas pela medida liminar de Gilmar Mendes, Henrique Alves sustentou que todos os passos da tramitação do projeto estão “perfeitamente de acordo com a Constituição Federal e o estatuto interno, sendo corretos e juridicamente inatacáveis”. De fato, a polêmica foi em torno do projeto, não da tramitação, que foi sustada.

Por seu lado, o organizador da visita de aplauso a Gilmar Mendes, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), contribuiu com uma manifestação interessante depois da conversa: “Foi um bom encontro. Entendemos que o Supremo é o guardião da Constituição e cabe a ele a última palavra em matéria constitucional”.

Muito bem. Mas não foi última, e sim a meio da normalidade de uma tramitação, a liminar aplaudida em pessoa também pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL), Aloysio Nunes Ferreira, Álvaro Dias e Ruben Figueiró, os três do PSDB; Pedro Taques (PDT), do tipo udenista retardatário; Ricardo Ferraço (PMDB), Ana Amélia (PP) e Antonio Carlos Valadares (PSB). Com destaque, além de Simon, para a presença alegre de Randolfe Rodrigues, há pouco ameaçado em telefonema de Gilmar Mendes, com este final na advertência: “Eu sou um homem de enfrentamentos!”.

Nenhum dos dez apresentou algum fundamento constitucional coincidente com a atitude do seu aplaudido. Porque o conhecem a seu próprio respeito: todos os parlamentares têm o direito e a função de apresentar os projetos que queiram, convenientes ou descabidos, e o STF não tem a função nem o direito de impedir a tramitação, para recusa ou aprovação, de nenhum dos projetos. Cabe-lhe, se convocado, examinar a adequação do projeto, caso aprovado, à Constituição. Essa é a “ultima palavra”.

E isso é a independência constitucional dos Poderes –que os dez senadores, com o apoio externo da também interessada Marina Silva, foram renegar.

Fonte das fotos: EBC Agência Brasil.

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O fator Marina https://www.ocafezinho.com/2013/02/15/o-fator-marina/ https://www.ocafezinho.com/2013/02/15/o-fator-marina/#comments Fri, 15 Feb 2013 17:22:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9727

Amanhã, sábado, é um grande dia para Marina Silva.

O seu novo partido, cujo nome ainda não está fechado, apenas sabe-se que será Rede-alguma-coisa, organiza um evento em Brasília para apresentar-se oficialmente à nação. Agora falta recolher 500 mil assinaturas e criar a legenda.

Há uma grande boa vontade na mídia em relação à Marina Silva. A mídia corporativa, com seus pendores de oposição, vê na ex-ministra – com razão – uma aliada na luta para apear os petistas do Planalto.

Ninguém deve subestimar Marina Silva. Em 2010, ela agregou uma quantidade impressionante, e eclética, de eleitores independentes: evangélicos, jovens de classe média, votos de protesto, gente interessada no meio ambiente, antipetistas não-tucanos.

Outro erro, porém, seria superestimá-la. O eleitor evangélico, por exemplo, ou mesmo católico, não vê mais razões para suspeitar da presidente, que trabalhou com muita prudência para desfazer a rejeição desses setores a sua pessoa. Dilma perdeu os chifres e o rabo. Não será mais possível usar o desconhecimento do eleitor sobre a ex-guerrilheira para assustá-lo com profecias diabólicas. O eleitor agora conhece a presidenta. Conhece os problemas de seu governo e seus defeitos pessoais. A aprovação de Dilma é altíssima, ponto final.

Perdido o eleitorado religioso, o desafio de Marina será captar o voto jovem, o de “protesto”, e os udenistas. Estes setores, sobretudo os dois últimos, estarão também na mira de Aécio Neves, que terá seguramente um discursto bem mais assertivo neste sentido, além de uma quantidade de recursos infinitamente superior.

Sobrará para Marina Silva o eleitor jovem de classe média, anti-governista e udenista por natureza. Seu principal adversário, neste segmento, será um eventual candidato do PSOL. O sucesso de Marina Silva, portanto, estará condicionado à habilidade para costurar uma articulação, mesmo que tácita, com a ultra-esquerda de oposição. Mas haverá, também aí, um problema grave: os financiadores de Marina são, principalmente, ricaços “sustentáveis”, como o cineasta Fernando Meirelles, o dono da Natura, Luiz Seabara, e a herdeira do Itaú, Maria Alice Setúbal. Com tais aliados, será uma operação delicada articular-se com setores socialistas radicais.

Hoje foi publicada, no Globo, com grande destaque, uma reportagem sobre os primeiros desafios do novo partido de Marina. Segundo a matéria, a presidenciável estaria tendo problemas para atrair políticos tradicionais, em função das regras “inusitadas” sugeridas para a legenda. São elas: limite de até 16 anos para o exercício do mandato parlamentar; veto a doações de empresas “não-sustentáveis”; cota para candidatos “avulsos”.

Algumas dessas regras, na minha opinião, são francamente antidemocráticas. Outras, simplesmente carolas. Impor um limite de 16 anos, por exemplo, pode até soar bonito, por estimular a renovação política, mas esse é o tipo de mudança que deveria ser votado numa reforma política, para valer para todos os partidos. Não faz sentido uma legenda mutilar, unilateralmente, um direito que os parlamentares de todas as outras legendas possuirão, de oferecer ao eleitor, e não à uma regra partidária, a decisão de renovar ou não o seu mandato.

Quanto às doações, vale o mesmo raciocínio. Uma legenda que pretende disputar, à vera, o poder, tem de disputar com outros partidos em condições iguais. Regras de financiamento tem de valer para todos. A posição da nova legenda seria mais construtiva se deixasse claro, desde já, que reforma política deseja para o Brasil. Além do mais, entre as empresas que não poderiam doar ao novo partido, estão as fabricantes de bebidas alcóolicas. Gostaria de saber qual o sentido dessa proibição a não ser um preconceito carola contra o uso do álcool. Considerando que o partido aceitará doações de empreiteira, a jogada contra fabricantes de cerveja ou cachaça – que aliás, segundo consta, não são grandes doadoras – me parece apenas demagógica e marketeira.

A parte mais curiosa do novo partido de Marina, todavia, é mesmo a sua disposição de abrir uma (não pequena) cota para candidatos avulsos, sem comprometimento com as bandeiras da legenda. Na minha humilde opinião, é uma proposta absolutamente antidemocrática, quase golpista, perigosíssima, porque lançará no Congresso indivíduos absolutamente livres para se venderem a qualquer tipo de lobby. A proposta é o corolário último da campanha de despolitização e criminalização da política promovida pela mídia. Um partido, com todos os seus defeitos, é um colegiado onde os parlamentares precisam discutir duas ideias antes de apresentá-las na casa legislativa. Livres desse “estorvo”, que aliás, já é quase nulo (mas existe, em tese), um parlamentar será um radical livre que participará de uma votação sem o mínimo compromisso com sua legenda, agregando um fator de instabilidade extremamente nocivo a governabilidade de um país. Conviver com as instabilidades, atrasos e surpresas naturais de uma democracia já é algo extremamente delicado, quando se pensa, por exemplo, no país que mais cresce no mundo, como a China; mas vale a pena em virtude do atributo mais importante para o mundo ocidental, a liberdade. Não é racional, porém, produzir mais um fator de instabilidade, pondo em risco a credibilidade e o sucesso dos regimes democráticos, criando um legislativo coalhado de representantes sem qualquer compromisso partidário, ou seja, cuja atuação não passará pelo filtro estabilizador dos acordos entre as legendas e o Executivo.

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Meu post de ontem, sobre Eduardo Campos, foi razoavelmente discutido nas redes, e acho que vale a pena fazer alguns esclarecimentos.

Campos dificilmente será “inimigo” de Dilma Rousseff e Lula. Seria uma contradição, após defender por oito anos as gestões petistas, e participar delas. Não me parece impossível que haja uma jogada ensaiada entre o próprio Campos e Dilma, com objetivo de prender a atenção da mídia aos círculos governistas. E mesmo que não haja, o resultado é o mesmo. A entrada de Campos meio que blinda o governo Dilma contra a verdadeira oposição, representada pelo PSDB. As críticas de Campos ao PMDB fazem parte dessa estratégia. Para Campos, mesmo que em 2014 acabe não sendo candidato, vale a pena posar de candidato virtual agora, para projetar seu nome.

Essa é uma teoria. Uma outra hipótese seria que Campos viria sim como um agente da oposição, aliado da mídia, PSDB e Marina Silva. Quer dizer, isso num segundo turno. No primeiro turno, Campos viria apenas com apoio de alguns partidos desgarrados da base aliada, como PDT e PR.

Mesmo assim, mesmo que isso represente um risco para a situação, e uma luta mais dura para o PT, acho que a entrada de Campos seria benéfica para o jogo democrático, enriquecendo o debate político-eleitoral. Teríamos mais pluralidade de posições, mais ideias na mesa.

Ou não?

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Um comentarista no blog do Nassif, Douglas da Mata, fez algumas observações bastante inteligentes sobre o meu post, que foi publicado por lá. Achei que valem a pena serem publicadas aqui:

O futuro é opaco, como alguém já disse. Outros dizem que toda vez que medimos algo, o transformamos.

A mais lógica das obviedades, que como tal, poucos enxergam.

Não há como determinar quais são as jogadas da disputa. Sabemos por ouvir dizer: da mídia, e do que vaza pelos próprios interessados, etc.

Mas ainda assim, há algumas pistas sobre as quais poderemos nos debruçar:

01- Não há o menor sintoma de que Dilma tenha perdido o controle de sua articulação política, sua influência e trânsito junto aos parlamentares e dos conflitos dentro desta base aliada.

02- Nenhum presidente que se preze, manipula o tabuleiro com uma só qualidade de peças: logo, Dilma morde a PGR com o PMDB, e assopra com Eduardo Campos. Advinha que é a árbitra deste conflito que ameaça o pescoço do Gurgel? Pois bem, ela!

03- De sua distância segura, argumenta que é um problema dos partidos alilados em relação a PGR, e não de governo!

04- O estimulo ao enfrentamento ao PMDB pelo PSB nada mais é que um aviso ao PMDB: vocês não são a última bolacha do pacote! E pode funcionar com sinal trocado!

05- De quebra, este mis-un-scéne coloca em parafuso as estratégias da oposição, na medida que um importante interlocutor governista toma a bandeira anti-PMDB nas mãos. Uma jogada de efeito, e que surtirá muito efeito nas negociações que vêm por aí.

Eduardo Campos sabe da inviabilidade de sua candidatura, e só a colocará na rua com anuência da presidenta, nunca contra ela.

Sabe que não vence sem o PMDB, inclusive!

E tudo o que o PMDB quer é que ele dê motivo para que seu espaço no governo seja reduzido e a vice caia no colo do PMDB, novamente.

Li uma resenha do filme chileno No, recentemente, e creio que já citei ela aqui: o publicitário, personagem principal do filme, traz para a cena uma premissa básica que contraria o colorário de teses para consubstanciar o discurso da campanha, mas que, na opinião dele, nunca seriam captadas pelo senso comum: para o publicitário, as pessoas mudam por medo ou esperança.

É isto.

Não há no cenário que se avizinha nada que faça a população sentir medo de Dilma, Lula ou PT.

Não há na oposição (ou em Campos) nenhum sentimento de esperança a ser explorado.

Ainda que a economia degringole, e isto é muito difícil, é a percepção de que Dilma é capaz de cuidar de todos e resolver os problemas(esperança) que a coloca como favorita.

Enquanto resta a oposição o medo da população de que eles estraguem tudo de bom que foi feito até agora, ainda mais se houver uma ameaça real a estas conquistas.

Quando vejo Eduardo Campos, me recordo muito do ex-governador do nosso estado, RJ, hoje deputado e líder do PR, anthony garotinho, ou como chamamos por aqui, napoleão da lapa(bairro onde nasceu em Campos dos Goytacazes).

Tinha uma aliança alinhavada com o PT, via Zé Dirceu, um projeto estratégico, que incluiu Bené como vice, e uma plataforma que o lançaria como vice de Lula, ou como nome de peso na futura aliança de 2002, para colocá-lo como alternativa de poder dentro desta coalisão.

Pois bem, napoleão da lapa quis invadir a Rússia sem combinar com os russos e o inverno, teve 15 milhões de votos para presidente, e quase sumiu do mapa político nacional.

Está confinado para sempre a chefe de olligarquia regional.

Mas eu acredito que Eduardo Campos não é tão idiota, e nem tão apressado. Mas se for, azar o dele.

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Pode chorar https://www.ocafezinho.com/2013/01/25/pode-chorar/ https://www.ocafezinho.com/2013/01/25/pode-chorar/#comments Fri, 25 Jan 2013 18:33:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=9461

A reação dos jornais, sempre em linha com a oposição, ao pronunciamento de Dilma Rousseff, foi previsível. Globo, Folha e Estadão responderam em uníssono, no mesmo tom e usando palavras quase iguais. Textos meio desconjuntados, irritados, como que afetados por descontrole emocional. No editorial do Globo, por exemplo, há um longo e choroso texto entre parênteses, apenas para defender FHC.

Gostaria de comentar esse trecho do editorial do Globo:

O que não é correto é o governo ter transformado a questão da energia, tão séria e delicada para o país, em tema de exploração política.

Desde as eleições gerais de 2002, ocorre esse tipo de exploração, pois o PT fez do racionamento um dos seus principais cavalos de batalha, atribuindo à administração Fernando Henrique Cardoso inteira responsabilidade pelo que tinha acontecido (embora a mobilização da sociedade para evitar consequências mais drásticas de uma eventual escassez de energia elétrica possa ser apontada como uma das iniciativas mais positivas do governo FH ao fim de seu mandato).

Quem explorou politicamente o tema foi a mídia, não o governo, através de matérias alarmistas, visando produzir o primeiro grande factóide negativo do ano. A reação da presidente era necessária para dissolver boatos que, mesmo sendo boatos, afastam investidores e, portanto, prejudicam a economia.

Por outro lado, a energia é um tema que deve ser politizado sim, porque aí temos um debate saudável, sobre fatos pertinentes a nosso futuro. A sociedade precisa manter um olhar crítico e vigilante em relação à política energética, e uma das formas de fazê-lo é através dos partidos políticos que representam as diversas correntes de opinião num país.  O problema do governo tucano não foi exatamente o racionamento, porque ele não teve culpa pela falta de chuva. Seu maior problema foi a situação de total desamparo e insegurança que legou ao país após oito anos de governo.

Sim, ainda enfrentamos riscos, porque o Brasil depende de muita água (e logo, chuvas) para mover as turbinas de suas hidrelétricas. A grande diferença daqueles tempos de triste memória, e os dias de hoje, é que estamos assistindo agora à construção de grandes usinas; as usinas nucleares de Angra foram reativadas; e investiu-se em grandes parques de energia eólica, que dependem agora apenas de linhas de transmissão para gerarem energia. As perspectivas energéticas são promissoras. Antes não eram.

Claro que há problemas no governo e na sua política energética. Obama falou uma coisa bonita em seu discurso: “a gente tem de agir mesmo sabendo que iremos errar”. O governo comete erros o tempo inteiro. Por exemplo: construiu enormes parques eólicos, que ficaram prontos antes das linhas de transmissão. Erro grave, porque poderíamos já estar usufruindo da energia gerada pelos ventos. Mas seria um erro muito mais grave se não tivesse construído nenhum parque eólico!

O nível dos reservatórios, por sua vez, continua aumentando. Segundo o ONS, o nível dos reservatórios no Sudeste está em 34,28%. Há pouco mais de dez dias, chegou a 28%. Os institutos de meteorologia prevêem mais chuva, em todo Brasil. Talvez isso explique, aliás, o alarmismo agressivo da mídia durante o período em que o baixo nível dos reservatórios causou apreensão. O mensalão terminou, a popularidade da presidente subiu e o PT ganhou a prefeitura de São Paulo. Uma crise energética possivelmente era a última esperança da oposição.  Explica da mesma forma a reação da presidente, cujo sorriso algo forçado durante o pronunciamento indica que ela também entendeu as últimas semanas como fundamentais para lhe assegurar uma reeleição tranquila.

*

O Globo está fazendo o maior escarcéu porque a a inadimplência das famílias cresceu 0,1% em dezembro, ficando em 7,9%. Mas olhe a evolução dos juros do crédito pessoal:

 

 

Observe que 2012 assistiu a um declínio fortíssimo dos juros do crédito pessoal. Os jornais agora tentam usar um insignificante aumento da inadimplência como argumento para atacar a política de expansão de crédito e redução de juros do governo. Dizem eles: “olha aí, reduziu os juros, e o povo não pagou as dívidas, então é melhor parar de emprestar.”

As pessoas só vão pagar depois, bem depois, dos juros baixarem, e não simultâneamente à sua redução. Por isso o Banco Central insiste que a inadimplência vai cair.

O endividamento das famílias brasileiras, em relação à sua própria renda, abaixo de 45%, ainda é muito baixo se comparado ao dos países ricos. Considerando que o desemprego está baixo e os salários, em alta, nada justifica interromper a expansão em curso, que é importante para estimular o crescimento econômico.

É preciso um pouco de imaginação (mas não muito) para entender que a nova realidade do sistema nacional de crédito produzirá uma nova cultura de investimento. Cada vez mais se torna menos interessante aplicar dinheiro em mercado financeiro ou mesmo em caderneta de poupança; muito melhor aplicar em produção.

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Esquerda vai ganhar de virada? https://www.ocafezinho.com/2012/10/01/esquerda-vai-ganhar-de-virada/ https://www.ocafezinho.com/2012/10/01/esquerda-vai-ganhar-de-virada/#comments Mon, 01 Oct 2012 16:19:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=8112

Colunistas políticos, em jornais impressos, rádio e tv, fizeram milhares de análises sobre o declínio do PT nessas eleições. Falou-se em desgaste de material, de influência do mensalão. Pois bem, faltando menos de uma semana para a eleição, os institutos de pesquisa detectaram virada do jogo em quase todas as cidades onde a oposição vinha levando a melhor. PT, PSB e PCdoB despontam no cenário com arrancadas em capitais como Salvador, Recife e Manaus. Como dizem os filósofos da bola, “o jogo só acaba quando termina”.

Leia abaixo matérias do Valor e do Brasil 247.

Reviravoltas prejudicam oposicionistas
Autor(es): Cristian Klein
Valor Econômico – 01/10/2012

Em mais de um terço das 26 capitais, as eleições municipais chegam à reta final do primeiro turno marcadas pelo signo da imprevisibilidade. Ao longo do processo eleitoral, nove cidades revelaram uma disputa com reviravoltas. Favoritos, que lideravam com folga, perderam fôlego. Azarões, muitas vezes impulsionados por grupos e máquinas políticas, foram catapultados aos primeiros lugares. No balanço geral, partidos da oposição ao governo federal são os mais prejudicados pelos ventos de mudança.

O palco de uma das maiores reviravoltas é a capital com menor eleitorado, Palmas (TO). Ali, o empresário de origem colombiana Carlos Amastha (PP) estava em terceiro lugar, com 12%, uma semana antes do início da propaganda na TV, enquanto o deputado estadual Marcelo Lélis (PV) tinha 47%. Agora, de acordo com pesquisa Ibope, Amastha é o líder com 47%, e Lélis, apoiado pelo governador tucano Siqueira Campos, caiu para 30%. Como Palmas tem menos de 200 mil eleitores, o empresário já seria o vencedor sem necessidade de segundo turno. Em levantamento anteriores, a diferença era ainda maior: em dezembro, marcava 56% a 1%.

Outro caso que já entrou para o rol das maiores disparadas em eleições municipais é o do candidato do PSB no Recife, Geraldo Julio. Um mês antes da propaganda no rádio e na TV, em 21 de julho, ele aparecia em quarto lugar e tinha apenas 7% das intenções de voto. Rapidamente, pulou para 29%, 34% e, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, tem agora 42%. Sua subida meteórica foi impulsionada pela popularidade do governador Eduardo Campos (PSB) e a má avaliação da administração petista na capital. O senador Humberto Costa (PT), que era o líder, despencou de 35% para 17%, e o ex-governador Mendonça Filho (DEM), que era o segundo lugar, desidratou de 22% para 5% e caiu para quarto. Por sua vez, o tucano Daniel Coelho subiu fortemente e foi de 8% para 22%. Ou seja, o segundo turno, em 28 de outubro, provavelmente será entre candidatos que começaram como terceiro e quarto colocados.

Recife está entre as quatro das dez maiores capitais nas quais as preferências do eleitorado registraram grandes alterações. A evolução completa da disputa nas 26 cidades pode ser conferida no site do Valor, no endereço www.valor.com.br/eleicoes2012/2802860/pesquisas-eleitorais.

Herdeiro do que já foi um dia o maior grupo político da Bahia e um dos maiores do país, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) liderava com folga as pesquisas em Salvador desde o período pré-eleitoral. Mas foi ultrapassado pela primeira vez na pesquisa divulgada na quinta-feira, pelo Datafolha, pelo também deputado federal Nelson Pelegrino (PT), por 34% a 31%. Em Ibope do início de julho, o petista tinha 13% e ACM Neto sobrava, com 40%. O crescimento de Pelegrino tem a ver com a força da base montada pelo governador do PT Jaques Wagner, que quebrou a hegemonia de décadas montada pelo senador e governador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007. Na eleição presidencial de 2010, Salvador deu à presidente Dilma Rousseff seu quarto melhor resultado nas capitais no primeiro turno: 53,8%. Nesta campanha, Pelegrino é impulsionado pelos apoios do governador, de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PT, aliás, é o partido mais beneficiado pelas reviravoltas, seguido de perto pelo PSB. O cenário bastante pessimista antes da campanha – quando a legenda só liderava em Goiânia e Recife – deu lugar a novas perspectivas. Além de Salvador, seus candidatos em Fortaleza, João Pessoa e Cuiabá deslancharam de modo surpreendente.

Na capital cearense, o desacreditado Elmano de Freitas, tido como uma aposta teimosa da prefeita Luizianne Lins, largou na sétima posição, com 3%, a um mês do início da propaganda na TV, e agora já é o líder, com 24%, de acordo com pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira. O segundo colocado é Roberto Cláudio, com 19%, que estava em sexto lugar e é apoiado pelo correligionário e governador Cid Gomes. O maior prejudicado foi o ex-deputado federal Moroni Torgan (DEM), que liderava a disputa e caiu para terceiro, com 18%.

Na capital paraibana, PT e PSB também conseguiram cacifar seus candidatos. O deputado estadual petista Luciano Cartaxo está na frente, com 29%, depois de ultrapassar os então favoritos Cícero Lucena (PSDB), com 20%, e José Maranhão (PMDB), que tem 18%. A ex-secretária de Planejamento municipal, Estela Bezerra (PSB), que nunca disputou uma eleição, está em quarto, com 14%, mas próxima dos caciques tucano e pemedebista, com os quais luta por uma vaga no segundo turno. Estela é apoiada pelo governador e padrinho político Ricardo Coutinho (PSB).

Em Cuiabá, o duelo acirrado entre PT e PSB – uma marca destas eleições – se dá com mudanças favoráveis aos petistas, diferentemente do Recife. O empresário Mauro Mendes, do PSB, sempre foi tido como pule de dez para a prefeitura e já registrou mais de 50% das intenções de voto. Mas, de acordo com levantamento do Ibope divulgado em 14 de setembro, sua diferença para o vereador Lúdio Cabral havia se reduzido: 38% a 29%.

PSB e petistas também estão em lados opostos em outra capital, São Luís, onde há alterações que podem se intensificar na reta final. Ali, o ex-prefeito Tadeu Palácio (PP), que chegou a liderar pesquisas no começo do ano, caiu para quinto. Além disso, a diferença entre os três primeiros colocados – o prefeito João Castelo (PSDB), o deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC) e o ex-vice-governador Washington Oliveira (PT) – tem diminuído. A presença de Castelo no segundo turno parece mais provável. Mas ele tem sido acossado por Holanda Júnior, cujos padrinhos são o presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), que arquiteta nova candidatura ao governo do Estado em 2014, e o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. O governador de Pernambuco, cujo plano é aumentar ainda mais sua influência no Nordeste e se cacifar para a eleição presidencial, já esteve em comício em São Luís. Por sua vez, empurrado pela máquina da família Sarney, o petista subiu, mas ainda aquém das expectativas, já que sua enorme coligação reúne 14 dos 28 partidos.

Em Campo Grande, a surpresa tem sido o candidato Alcides Bernal (PP), que mesmo com pouco tempo de TV, ultrapassou o favorito Edson Giroto, ligado ao governador André Puccinelli e ao PMDB que domina a capital há duas décadas. Bernal é comparado ao líder da corrida à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (PRB), por ter trajetória profissional semelhante – é radialista e apresentador de TV – e pelo perfil personalista.

Em Manaus, a reviravolta tem como protagonista a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que aproveita o apoio das máquinas estadual e federal para superar o ex-prefeito e ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), cuja candidatura perde fôlego. Em várias capitais, por sinal, as reviravoltas ameaçam políticos da oposição. Além dos tucanos Arthur Virgílio, João Castelo e Cícero Lucena, há Moroni Torgan, Mendonça Filho e ACM Neto, do DEM.

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ONDA VERMELHA ATINGE OPOSICIONISTAS

No Brasil 247.

Reviravoltas captadas pelas últimas pesquisas colocam em risco as candidaturas de Arthur Virgílio Neto, em Manaus, ACM Neto, em Salvador, Cícero Lucena, em João Pessoa, e Moroni Torgan, em Fortaleza; maiores beneficiados são candidatos do PT, do PC do B e do PSB
1 DE OUTUBRO DE 2012 ÀS 12:30

247 – Há uma onda vermelha se formando no horizonte? Aparentemente, sim. E os mais prejudicados são os candidatos da oposição, que contavam com algumas vitórias em cidades estratégicas, como Salvador, Fortaleza e Manaus.

De acordo com um levantamento publicado nesta segunda-feira pelo jornal Valor Econômico, nas cidades onde houve maior alteração nas pesquisas, os mais prejudicados foram candidatos de partidos da oposição ao governo federal, como DEM e PSDB.

O caso mais emblemático é Salvador, cidade com 1,8 milhão de eleitores. Entre 12 e 27 de setembro, o demista ACM Neto, que sonhava com vitória em primeiro turno, caiu de 39% a 31%, enquanto Nelson Pelegrino, do PT, foi de 27% a 34%. O petista tem ainda uma vantagem, que é o provável apoio de Mário Kertesz, do PMDB, no segundo turno.

Outra esperança que se esvai para o DEM é Fortaleza, que tem 1,6 milhão de eleitores. Moroni Torgan, que tinha 27% em 22 de julho, caiu para 18% e foi ultrapassado tanto por Elmano de Freitas, do PT, com 24%, como por Roberto Cláudio, do PSB, que tem 19%. Na capital cearense, o que se desenha é uma disputa entre o grupo da prefeita Luizianne Lins, do PT, e do governador Cid Gomes, do PSB.

Também no Nordeste, há o caso de João Pessoa, onde Cícero Lucena, do PSDB, caiu de 26% para 20%, enquanto Luciano Cartaxo, do PT, foi de 14% a 29%. O tucano corre o risco de ficar fora do segundo turno, porque é seguido de perto pelo ex-governador da Paraíba José Maranhão, que tem 18%.

No Norte, Manaus, com 1,2 milhão de eleitores, é uma cidade que também coloca em risco o que antes parecia uma provável vitória do PSDB, com Arthur Virgílio Neto. Desde o início da corrida eleitoral, ele liderou todas as pesquisas, mas agora está em empate técnico com Vanessa Grazziotin, do PC do B. Ambos estão com 29%.

Se a onda vermelha continuar crescendo daqui até 7 de outubro, os candidatos da oposição correm o risco de se afogar e morrer na praia.

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A importância da oposição https://www.ocafezinho.com/2012/09/17/a-importancia-da-oposicao/ https://www.ocafezinho.com/2012/09/17/a-importancia-da-oposicao/#comments Mon, 17 Sep 2012 16:43:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7925

(Adriana Varejão)

A baixaria da imprensa chegou ao ápice. Noblat virou escritor de literatura trash. Dizer o quê? Contra Serra, há livros, provas, documentos, processos judiciais. Contra Lula, uma entrevista sem entrevistado, e cujas informações são negadas pelo… entrevistado. É surreal. Mesmo assim, os colunistas todos reproduzem a informação, omitindo o fato principal, que o entrevistado negou. Nas matérias, a negativa do entrevistado é de todas as maneiras escondida. Muita manipulação.

Esse é o contexto para o post de hoje, que trata da importância da oposição.

Eu acho que a oposição, inclusive a de esquerda, vem sendo contaminada pelo udenismo mau caráter da mídia. Isso a debilita, porque troca o discurso político pelo moralista, que tem apelo em setores da classe média, mas gera fraco impacto eleitoral.

Entre os jovens, por exemplo, o udenismo midiático acaba incentivando o radicalismo antipolítica. Se todo político é ladrão, então vamos tentar uma outra política! Uma política sem partidos, sem sindicatos, sem política!

Junto aos setores populares, o udenismo não repercute muito, porque é um eleitorado mais cético. É divertido acompanhar o raciocínio do povo. Criativo, às vezes excêntrico, ele na maioria das vezes obedece a uma lógica cristalina. O que não significa votar na esquerda. O povo vota na esquerda quando sua intuição, que é a forma mais sofisticada de inteligência, porque consegue captar o universal, quando sua intuição lhe diz que é a opção mais segura. A questão da segurança é confundida erroneamente com conservadorismo. Não é.  É prudência de um segmento que sabe medir os riscos de uma aventura. O povo não é covarde. Quando a sua intuição lhe diz que é chegado o momento de uma revolução, o povo segue à frente de todos. Todos os grandes processos revolucionários da história, desde a ascenção da plebe romana, passando pela revolução francesa, até as derrubadas dos ditadores árabes, mostram o grau de incrível coragem e ousadia do povo quando ele sente que é chegado o momento. Mas é o povo também que sustenta as lideranças populares, mesmo com todos seus problemas, como Júlio César, Napoleão, Getúlio e Lula.

Não queiram todavia que o povo abrace aventuras juvenis. Não queiram tocar o povo como rebanho.

É fundamental que tenhamos uma oposição no Brasil. Ou melhor, duas oposições, uma à esquerda, outra à direita. E eu creio que elas já existem, e sempre existirão. Podem estar enfraquecidas, mas estão vivas.

O curioso é quando elas se juntam num só bloco, mesmo sem disso terem muita consciência. É o que acontece no Rio, por exemplo. Freixo, o candidato do PSOL, reúne um eleitorado de esquerda, ideológico, mas este público é limitado. O que vem lhe dando massa é o eleitorado de oposição conservadora, influenciado pelo udenismo. O Rio também possui um antipetismo muito forte, só que mais difuso e intuitivo do que o de São Paulo.

É natural, porém, que haja antipetismo, no Rio e no Brasil inteiro. O partido está no poder e a lógica da democracia gera desgaste ao PT, obrigando o partido ou a se renovar constantemente ou a passar o bastão para outro.

Por isso acho excelente o crescimento de outras legendas de esquerda, como PSB, PDT e PCdoB, o que permite oxigenar um pouco o cenário nacional, e reduzir o desgaste do próprio PT. O PT precisa ter a sabedoria de entender o momento de recuar e abrir espaço para seus aliados, com vistas à sua própria manutenção do poder.  Lula vê isso, Rui Falcão, acho que não.

No Rio, é ótimo que se desenvolva uma oposição aos governos de Paes e Cabral. Há muito fisiologismo, corrupção e conservadorismo no PMDB fluminense.  A candidatura de Freixo, ao dar um susto em Paes, obrigou-o  a fazer alguns movimentos à esquerda, como aliás já acontecera em 2008. Como cresceu muito sua rejeição na zona sul, o prefeito concentra suas atividades nas áreas populares, onde tem bons índices de aprovação.

Quando um político é inteligente, ele sabe usar a oposição a seu favor.  A importância da oposição é trazer racionalidade e dialética ao jogo eleitoral. Quem está ao lado de quem?

No entanto, a política pressupõe situações complexas e contraditórias. Paes, por exemplo, tem apoio dos grandes empresários da cidade, por razões óbvias: é um prefeito com excelente articulação política com o governador e com a presidente, e tem um grandioso plano de obras. Mas tem igualmente o apoio dos mais pobres, inclusive por razões parecidas, pois se beneficiam das grandes obras e da parceria entre as esferas de poder.

Freixo tem apoio da classe média zona sul, de um lado, aí incluindo desde os jovens ideológicos de esquerda até seus espectros mais conservadores. O conservador ideológico não vota em Freixo, mas o conservador udenista, sim.

O espaço para crescer, no entanto, está nesse último. Freixo vai mal entre as pessoas mais idosas. Para lhes conquistar os votos, terá que conter cada vez mais o discurso ideológico e apostar no udenismo. De certa maneira, é o que já vem fazendo, ao insistir em termos como “escândalo” e falando repetidamente nas milícias.

Não se ouve Freixo falando em socialismo, apesar de pertencer a um partido bastante radical neste sentido. Não pode abordar este assunto abertamente. O curioso é ver que inclusive seus cabos eleitorais acabam enveredando principalmente pela trilha udenista, do denuncismo. A acusação de que o prefeito é aliado às milícias, e o uso de epítetos como “ditador miliciano”, por exemplo, tem sido frequentes, embora não haja provas nenhuma disso. O prefeito se reuniu com gente acusada de ser miliciano, mas Freixo trouxe um sujeito com ligações com a milícia para dentro de sua chapa. E aí?

O maior desafio da oposição, a meu ver, é fugir da via fácil do udenismo midiático e mostrar serviço, de um lado, e trabalhar articulações com os movimentos sociais, sindicatos, de outro. O PSOL vem, de certa forma, fazendo um bom trabalho de base. Falta agora ganhar o poder em algumas cidades, experimentar as dores do poder e ter o que mostrar de concreto à sociedade. Desejo sorte ao PSOL neste sentido, só não acho que o Rio seja a cidade ideal como primeira cobaia.

Daqui a alguns anos, depurando esse udenismo inicial, que também era característica do PT em seus primórdios (Brizola dizia que o PT era a UDN de macacão),  o PSOL poderá se tornar uma legenda mais consequente, angariando apoio de outros partidos em eleições de forma a montar governos minimamente estáveis.

As oposições terão de ganhar eleições em algumas cidades, enfrentar os dilemas do poder, e ter o que mostrar ao Brasil.  Vivemos tempos de transparência, com a internet, onde os feitos, ou malfeitos, dos administradores são conhecidos de todos quase imediatamente à sua divulgação.

O que acho terrivelmente equivocado é estender o ataque udenista que se faz a um candidato a seus eleitores. É não apenas chamar Paes de “ditador miliciano” e corrupto como dizer que seus eleitores apóiam a milícia e são corruptos. Isso é preconceito político.  Essa estratégia levou o DEM a sumir do mapa, porque o  eleitor brasileiro, em geral, não suporta esse tipo de desrespeito.

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A luta da esquerda para ampliar seu espaço https://www.ocafezinho.com/2012/09/16/as-estrategias-da-oposicao/ https://www.ocafezinho.com/2012/09/16/as-estrategias-da-oposicao/#comments Sun, 16 Sep 2012 19:30:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7902

 

Post extraído do blog do Igor Bruno.

Eu quero comentar duas matérias publicadas hoje no Globo. Uma delas é um post do Noblat, que tem chamada na capa do site:

Trata-se de um texto de Ricardo Setti, colunista da Veja. Em resumo, o post informa, sempre na base da fofoca, que Eduardo Campos não quer ser senador em 2014 e daí tiram-se as seguintes conclusões acerca do que ele pretende:

1. Ocupar a Vice-Presidência na chapa oficial, mais do que provavelmente tendo a presidente Dilma como cabeça de chapa, mas não descartando Lula também. Tomaria o lugar do PMDB de Michel Temer.

2. Tornar-se vice numa chapa de oposição, atrelado a uma candidatura de Aécio Neves pelo PSDB. Os dois estão se dando às mil maravilhas em Minas (veja-se o apoio firme de Aécio à reeleição do prefeito Márcio Lacerda, do PSB, em Belo Horizonte) e têm um diálogo fácil.

3. Virar ele próprio candidato a presidente pela base aliada, caso a economia complique-se e complique a vida de Dilma, e Lula não tenha fôlego para disputar outra corrida presidencial.

Acontece que Campos já deu inúmeras entrevistas, onde afirma, de maneira bem enfática, que ele e seu partido apoiarão a reeleição de Dilma Rousseff. Pelo jeito, terá que inscrever em bronze e gravar suas afirmações na portaria da editora Abril…

Sobretudo, é completamente absurda a hipótese de Campos vir numa chapa com Aécio Neves, fazendo oposição à Lula e Dilma. Destruiria sua carreira política, e Campos não é burro, nem louco, nem desleal. Ou seja, não se trata de uma análise, mas de uma tentativa descarada de desinformar o leitor.

Outra matéria que gostaria de comentar, também no Globo, é esta:

É uma reportagem interessante e instrutiva, se desconsiderarmos o seu viés oposicionista.

De fato, PMDB e PT não vão muito bem nas capitas. Porém:

  • A eleição não terminou. Há semanas que a grande mídia vem tocando o tambor da vitória da oposição em várias cidades, mas as pesquisas vem apontando mudanças importantes no cenário. Em Salvador e Fortaleza, por exemplo, onde os candidatos do DEM lideravam com folga até poucos dias atrás, agora já tem, cada um, um petista na sua cola. Em Manaus, Artur Virgílio também está disputando pau a pau com a nossa querida comunista Vanessa Grazziotin.
  • A matéria desmerece o crescimento da esquerda no resto do Brasil, ao afirmar que os partidos da base aliada crescem nos “grotões”. Ora, Campinas é grotão? São Gonçalo, Niterói, Jundiaí, são grotões?

O que está acontecendo, na verdade, é que a esquerda está crescendo, quantitativamente, em todo país. A direita está se espremendo nas capitais, onde se concentram as elites econômicas e seus preconceitos de classe. Mesmo assim, é melhor a direita evitar o salto alto e esperar o abrir das urnas antes de cantar vitória.  Uma vez Fernando Henrique Cardoso, então candidato à prefeitura de São Paulo, sentou na cadeira do prefeito antes da eleição. Resultado: perdeu. Quem ganhou foi Jânio, que lhe impôs uma humilhação final: chamou a imprensa e, sob as câmeras, desinfetou a cadeira indevidamente usada pelo tucano.

Chamo a atenção para um trecho da matéria, lá para o fim, onde se admite o declínio da oposição:

De fato, é ampla a liderança dos partidos da base governista na disputa pelas capitais. Hoje, 13 partidos dividem a liderança das disputas nas 26 capitais. Oito deles são da base do governo e dois se declaram independentes, mas costumam acompanhar as orientações do Planalto. PSDB, DEM e PSOL, juntos, ganham a disputa com folga em seis capitais e dividem a dianteira em cinco.

Vale a observação que o candidato do PSOL, citado acima, é Edmilson Rodrigues, que lidera uma chapa coligada aos partidos da base aliada, a começar pelo PCdoB, que tem o vice. Ou seja, é do PSOL, mas é um PSOL “governista”.

A matéria exagera ainda os conflitos entre PSB e PT. Existem, mas após as eleições, a temperatura deve se amainar, e a base aliada tende a entrar em harmonia.

Vale dar uma olhada nos infográficos:

 


 

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Partidos de oposição têm apenas 18% dos candidatos https://www.ocafezinho.com/2012/07/20/partidos-de-oposicao-tem-apenas-18-dos-candidatos/ https://www.ocafezinho.com/2012/07/20/partidos-de-oposicao-tem-apenas-18-dos-candidatos/#comments Fri, 20 Jul 2012 14:45:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=7020 DA FOLHA


 

É a menor proporção de oposicionistas postulantes a prefeito desde 1996

Em 55% dos municípios não há candidato algum de PSDB, DEM ou PPS; redução coincide com queda no Congresso

PAULO GAMA, DE SÃO PAULO

Os três principais partidos que fazem oposição ao governo federal lançaram o menor número de candidatos a prefeito desde que o PT chegou ao Planalto, em 2003.

Dos cerca de 15 mil candidatos que concorrem a uma prefeitura no país, 2.807 são do PSDB, do DEM ou do PPS. Isso equivale a 18% do total de candidaturas. Na primeira eleição municipal com Lula na Presidência, em 2004, os três partidos tinham 30% dos postulantes.

Em todo o país, 55% das cidades não têm nem sequer um candidato de uma dessas três siglas. Em 2008, era 40%.

O percentual de candidatos oposicionistas neste ano é parecido com o de 1996, ano da primeira eleição municipal após a posse do tucano Fernando Henrique Cardoso na Presidência. Naquela época, os partidos que faziam oposição eram PT, PDT, PSB e PC do B. Juntos, eles lançaram também 18% dos nomes.

A redução atual coincide com a derrocada dos oposicionistas no Congresso. A presidente Dilma Rousseff enfrenta na Câmara a menor oposição desde 1988.

O principal responsável pela queda nas candidaturas é o DEM, com 533 nomes a menos do que em 2008 (os totais ainda podem sofrer pequenas alterações, segundo a Justiça Eleitoral). “O partido foi alvo de um ataque que nos tirou muitos quadros”, diz o presidente da sigla, senador José Agripino Maia (RN).

O “ataque” citado por ele foi a criação do PSD em 2011, liderada por um dos principais líderes do DEM até então, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, 105 prefeitos filiados ao DEM migraram para o PSD. Agora, muitos tentam a reeleição.

“A curva declinante [do DEM] é muito relativa”, diz Agripino. “Uma coisa é quantidade, outra é qualidade. Perdemos São Paulo, mas temos nomes competitivos no Nordeste.”

A trajetória do PSDB também é de queda: o partido reduziu um quarto de suas candidaturas desde 1996.

Entre as 85 principais cidades do país (capitais e municípios com mais de 200 mil eleitores), 22 não têm candidato de PSDB, DEM ou PPS.

Colaborou MARCELO SOARES, de São Paulo

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