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Lupi jura amor a Dilma e entra na blogosfera

Por Miguel do Rosário

10 de novembro de 2011 : 19h33

Acusado de abrigar corruptos no ministério do Trabalho, Carlos Lupi depõe na Câmara e recua de tom agressivo que adotara para se defender, por ordem de Dilma Rousseff, que evita comentar em público situação do auxiliar. Mas Lupi mantém beligerância com imprensa, repete Petrobras e cria blog para expor pedido de informação de jornalistas e respostas do ministério.

Por Najla Passos, na Carta Maior.

BRASÍLIA – Repreendido nos bastidores pela presidenta Dilma Rousseff, que até agora não se manifestou, em público, sobre a situação do auxiliar, um Carlos Lupi bem mais humilde – e que ainda balança no cargo – apresentou-se à Câmara dos Deputados, espontaneamente, nesta quinta-feira (10), para se defender da denúncia de abrigar no ministério do Trabalho gente que cobra propina.

Entre uma jura de amor e outra à chefe, voltou se declarar inocente e a desafiar os acusadores a comprovarem o que dizem. “Presidenta Dilma, me desculpe se fui agressivo. Não foi minha intenção. Eu te amo”, afirmou Lupi, dizendo em audiênca pública na Comissão de Fiscalização que não quer passar a imagem de “transloucado”. “Eu estou sob pressão, sou humano. Quem trabalha muito comete erros.”

Em entrevista coletiva na terça (8), depos de se explicar à cúpula do partido do qual é presidente licenciado, o PDT, o ministro adotara postura agressiva. Dissera que só sairia do ministério “abatido à bala” e que “duvidava” que Dilma o demitiria.

A beligerância teve respaldo de correligionários. “Com Lupi, sai o PDT do governo, se necessário, tamanha é a confiança que temos nele”, afirmara o líder na Câmara, Giovanni Queiroz (PA).

Dilma não gostou nem um pouco do tom dos pedetistas, encarado como desafio à autoridade dela. Segundo Carta Maior apurou, ela fez chegar o desagrado a Lupi por intermédio da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, embora o ministro negue ter recebido o puxão de orelha. “Eu mesmo vi que exagerei e reconheci o erro.”

Enquanto Lupi depunha na Câmara, Dilma dava uma entrevista coletiva depois de evento no Planalto e evitava falar sobre a acusação ética que pesa contra o auxiliar. Limitou-se a dizer, sobre a verborragia do ministro, que “o passado simplesmente passou”.

Tentando salvar a pele de Lupi e sua aliança com o governo, o PDT também precisou recuar da postura guerreira de dois dias antes, diante das queixas de Dilma. Em nota oficial na quarta (9), dissera que “as declarações do ministro Carlos Lupi durante coletiva, na sede nacional do PDT, não foram de ameaça à presidente Dilma Rousseff ou a quem quer que seja, mas sim um desafio aos acusadores anônimos”.

Durante o depimento de Lupi, os próprios deputados da bancada utilizaram discurso mais brando. “O PDT mantém a postura uníssona pela apuração dos fatos”, resumiu o deputado Paulo Rubem Santiago (PE). Os deputados Miro Teixeira (RJ) e Reguffe (DF) que, junto com o senador Pedro Taques (MT), pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigasse as denúncias contra o colega de partido, não aparecerem.

Guerra à imprensa
Se baixou a bola em relação à presidenta, Lupi não fez o mesmo no trato com a imprensa. Ao contrário. Partiu ao ataque, com mudanças no procedimento adotado pelo ministério para atender jornalistas. A exemplo do que fez a Petrobras em 2009, quando foi alvo de uma CPI no Senado, o ministério resolveu expor ao público os pedidos de informações feitos pela imprensa, bem como a íntegra das respostas enviadas.

O contato está sendo divulgado no Blog do Trabalho (http://blog.mte.gov.br/).

Segundo a assessoria de imprensa de Lupi, com esta decisão, “o MTE leva maior transparência aos pedidos de informações de vários veículos de comunicação ao Ministério”. Para a grande imprensa, entretanto, o método expõe, antecipadamente à concorrência, as denúncias que os veículos querem publicar no dia seguinte.

Na época em que a Petrobrás inaugurou o procedimento, os protestos foram tão veementes que a empresa precisou ceder e passar a publicar as perguntas e respostas somente após veiculadas pelos veículos solicitantes.

Mesmo com a polêmica, o blog Fatos e Dados foi considerado um marco no jornalismo público brasileiro. Aproximou a empresa do público, retirando da grande imprensa a exclusividade na intermediação das informações que chegam à sociedade. E, principalmente, diminuindo a margem para manipulação.

Para o deputado Brizola Neto (RJ), um dos expoentes da bancada e dono de um blog, o Tijolaço, que costuma apontar erros e excessos da imprensa, o caso Lupi seria mais uma demonstração de que a mídia mereceria críticas. “A imprensa trata o caso como um tribunal de inquisição”, disse, durante o depoimento do ministro.

O deputado governista José Mentor (PT-SP) teve postura igual na sessão. Para ele, há um roteiro já batido que tenta desestabilizar os governos petistas desde a gestão Lula. Uma revista (no caso, Veja) publica num fim de semana uma denúncia sem provas, jornais e revistas dão corda ao assunto nos dias seguintes e, a partir disso, a oposição cria fatos políticos no Congresso para desgastar o governo. “Isso aqui é ação política para derrubar ministro e tentar afastar o governo dos partidos”, disse.

Fogo amigo
Mas, no depoimento de Lupi, a oposição mudou a estratégia. Ao invés de bombardear o ministro com acusações, saiu em sua defesa, insinuando que ele estaria sendo atingido por “fogo amigo”. “Você está sendo fritado, mas não é pela imprensa e nem pela oposição, que não teriam acesso aos dados usados para isso, e sim pelo governo”, acusou o deputado Antony Garotinho (PP-RJ).

“O PT já tem dois candidatos para o seu cargo e seu próprio partido tem outro. Você está sendo ‘fritado’ pelos seus próprios colegas. Conheço você e sou testemunha da sua honestidade”, disparou o deputado Sílvio Costa (PTB-PE), que momentos antes, chegou a ter um bate-boca acalorado com o deputado Paulo Rubem Santiago.

Lupi defendeu a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula com a mesma veemência que garante não participar de nenhum esquema de corrupção. Ele apresentou novos documentos mostrando que as denúncias de irregularidades que hoje pipocam na imprensa tiveram origem no próprio inistério. “Eu denuncio, peço apuração e depois sou tratado como bandido. Isso não faz sentido, não tem cabimento”.

Com o governo empenhado em unir todos os aliados para renovar a Desvinculação das Receitas da União (DRU) neste fim de ano no Congresso, e com o PDT disposto a defender Lupi, a situação do ministro parece, por ora, sob controle. Pelo menos, até que algum fato novo apareça.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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baixadacarioca

11 de novembro de 2011 às 00h00

Sem entrar no mérito da questão, dei umas porradinhas no Lupi pelo exagero no verbo. Pra mim a emenda saiu tão ruim quanto o soneto.

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    _spin

    12 de novembro de 2011 às 07h10

    A frase de Lupi foi dirigida à imprensa e não a Dilma, tendo sido correta, claro que sendo aplicada a Dilma seria asssunto grave porque se configuraria desafio à autoridade da presidente, no entanto não foi este o caso.

    Uma verdadeira aula sobre como age a imprensa no Brasil. Estou me referindo ao blog do Ministério do Trabalho. Modus operandi do pig é exposto por Lupi. Prevalecendo o tribunal de inquisição do Murdoch tupiniquim, o blog poderá até ser censurado de forma a deixar o ministro sem qualquer espaço para explicar-se. Bom então que copiemos tudo para entendermos como tem operado o murdochismo por aqui. http://blog.mte.gov.br/

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Mônica Santos

10 de novembro de 2011 às 22h48

Miguel,torço para que Lupi fique no cargo,mesmo com todo tiroteio que vem sofrendo da imprensa.O ministro exagerou um pouco ao afirmar que só sairia abatido a bala,mas hoje no seu depoimento vi nele o que falta no governo,coragem para defender as boas ações que fez quando ministro de Lula e para bater na imprensa e na oposição.E fora que o governo Dilma uma hora vai ter que mostrar para imprensa que essa queda de ministros vai acabar e que eles não estão com esse poder todo.

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