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Alianças em SP e perspectivas para 2014

Por Miguel do Rosário

10 de janeiro de 2012 : 09h53

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A notícia de que Kassab teria ofertado o apoio de seu partido, o PSD, à candidatura do petista Fernando Hadadd à prefeitura de São Paulo, publicada ontem na Folha, continuaram repercutindo hoje na imprensa. O Globo chegou atrasado e publicou a informação, mas a Folha foi adiante e já está trabalhando a repercussão junto às bases políticas dos partidos envolvidos:

O PSD entraria com um nome de peso: o ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, Henrique Meirelles, seria o candidato a vice.

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Uma aliança nesses termos produziria uma chapa muito competitiva porque ajudaria a morder uma gorda fatia do eleitorado conservador paulistano. Além do mais, ingenuidades à parte, um candidato que unisse a poderosa máquina política do governo federal à máquina política da prefeitura mais rica da América Latina teria, evidentemente, oportunidade para desenvolver uma campanha altamente profissional.

Entretanto, mais importante do que facilitar uma vitória da centro-esquerda em São Paulo, a aliança entre PT e PSD na cidade fortaleceria uma possível reeleição de Dilma Rousseff, porque atrairia, de uma vez por todas, o núcleo pessedista para a base do governo.

Naturalmente, uma aliança assim (entre Kassab e PT, ou seja, entre o PSD e o governo Dilma) receberá duas críticas pesadas: à direita, a mídia denunciará a formação de uma hegemonia sem precedentes, à qual faltaria consistência ideológica, além de pôr em risco a pluralidade democrática.

À esquerda, criticar-se-á a aliança como mais um passo em direção ao centro conservador da política nacional.

Ambas as críticas são procedentes, mas também ingênuas e inócuas.

Ingênuas porque o poder, seja ele de esquerda ou direita, procura naturalmente se expandir. É uma lei necessária da política. Quanto ao risco à democracia, é uma falácia. Democracia não é uma teoria acadêmica, como muitos parecem acreditar, mas um regime de governo baseado no sufrágio universal e na liberdade de expressão. Se 100% dos eleitores quiserem votar no macaco Tião, paciência. Neste sentido, o Brasil vive o seu apogeu democrático, porque jamais em sua história, mesmo recente, um percentual tão grande de brasileiros pôde votar. Nossas eleições são transparentes, o Tribunal Eleitoral goza da confiança de toda sociedade e temos um sistema de votação eletrônica dos mais avançados do mundo.

Quanto a se tornar mais conservador, trata-se de uma visão subjetiva e parcial. O surgimento do PSD é um fenômeno que, ao contrário, corresponde a obsolescência política das posições mais conservadoras. A amaldiçoada atração que os quadros partidários sentem pelo poder, a ponto de abandonarem suas antigas legendas, não deve ser vista com as lentes de um moralismo barato. Como dizia Hegel:

Perseguindo seus interesses pessoais, os homens fazem história e são, ao mesmo tempo, as ferramentas e os meios de qualquer coisa de mais elevada, de mais vasta, que eles ignoram, e que eles realizam de maneira inconsciente.

Ou seja, por trás da ambição e mesmo da cobiça dos quadros partidários que aderem, oportunisticamente, ao grupo no poder, encontra-se aquilo que, no jargão da ciência política, chama-se Vontade Geral: é o povo pressionando seus representantes a defender outras bandeiras.

Uma coisa é quando um grupo político bem estabelecido no poder e com excelentes perspectivas de crescimento recebe apoio de outro grupo mais fraco. Neste caso, a mudança ideológica é do segundo. Cabe ao primeiro aceitar o apoio sem, contudo, ter a arrogância de pretender, com isso, mutilar seus valores.

Outra coisa é quando um grupo político em situação de extrema incerteza, como era o PT em 2002, por exemplo, estabelece parcerias com legendas mais conservadoras. Naquele caso, sim, houve uma guinada para o centro, mas que produziu uma vitória política que resultou, por outro lado, numa grande inclinação do governo central à esquerda.

A mesma coisa pode acontecer em São Paulo. Uma aliança entre PT e PSD, embora resulte numa chapa de perfil mais conservador do que uma apenas com membros de partidos de esquerda, poderia ter como consequência uma realidade política, para São Paulo, bem mais progressista do que a atual. Mais importante ainda: estrangularia o conservadorismo brasileiro em sua própria base, dificultando-lhe os movimentos para voltar ao poder em 2014.

Sem a máquina da prefeitura, o PSDB será obrigado, nas próximas eleições presidenciais, a focar suas energias no pleito estadual. Pavimentado o caminho da vitória, Dilma Rousseff por sua vez teria bem mais desenvoltura para se livrar das lamentáveis chantagens conservadoras que tanto prejuízo lhe causou em 2010, podendo estabelecer uma agenda muito mais progressista para o quatriênio 2015-2018.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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