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Atividade industrial se recupera, diz CNI

Por Miguel do Rosário

09 de maio de 2012 : 12h51

Essa notícia – de que a atividade industrial cresceu em março, segundo o CNI – é interessante porque se junta à análise que fiz sobre os dados recentes do IBGE, que mostravam queda na produção industrial. Eu ponderei que não era bem assim, e que o mesmo IBGE mostrava crescimento forte nos setores mais estratégicos, como bens de capital e bens duráveis.

A informação da CNI, portanto, de que o faturamento da indústria registrou uma alta importante em março, reforça minha análise de que a indústria brasileira sofre transformações, como ocorre no mundo inteiro, pois é um setor extremamente globalizado e dinâmico, mas não há nenhum processo mais abrangente e preocupante de “desindustrialização”. Há crise em alguns setores, e as condições de juro, câmbio e infra-estrutura precária afetam severamente sua produtividade, mas a indústria de base e os segmentos melhor consolidados, continuam se expandindo e fortalecendo-se.

Confira essa matéria publicada na Folha de hoje (reproduzida também ao final do post).

Analisando o relatório da CNI, destaco os seguintes gráficos:

Repare que o faturamento enfrentou uma queda ao final de 2011, mas já recuperou a tendência positiva. Observe ainda que o gráfico obedece a uma certa dinâmica: quando cresce muito num período, apresenta queda maior em seguida. A queda registrada no segundo semestre do ano passado, por exemplo, seguiu-se a um período de crescimento constante do fim de 2010 ao primeiro semestre de 2011. 

 

Observe que, entre os cinco setores que mais cresceram em março, figuram material eletrônico; aparelhos elétricos; e máquinas e equipamentos, ou seja, os mais avançados. O setor de máquinas e equipamentos cresceu 18% em março, sobre o mês anterior.

Quanto à queda nas compras de veículos automotores, um dia teremos que discutir uma coisa importante: diante dos congestionamentos que paralisam o trânsito de até cidades pequenas no país, não acho muito saudável que a economia brasileira tenha dependência excessiva da indústria de carros para passeio. É uma indústria estratégia que, desconsiderando os altos e baixos sazonais, vem crescendo bastante nos últimos anos, mas temos que cuidar para diversificar nossa atividade industrial para setores mais avançados, como a indústria ferroviária, por exemplo. 

 

Atividade industrial mostra recuperação em março, aponta CNI

PRISCILLA OLIVEIRA, DE BRASÍLIA
FOLHA DE SÃO PAULO, 09/05/2012 – 12h07

Atualizado às 12h12.

A atividade industrial mostrou sinais de recuperação em março. Segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), os indicadores industriais mostram que o faturamento, as horas trabalhadas e o emprego tiveram crescimento no mês. A única exceção foi a utilização da capacidade instalada, que apresentou queda de 0,5 ponto percentual.

“Os resultados de março corroboram a expectativa de que, apesar do início do ano ainda mostrar as dificuldades que caracterizaram a indústria no ano passado, haverá a retomada gradual da atividade industrial ao longo do ano”, afirmou o economista da CNI, Flávio Castelo Branco.

Em relação aos efeitos das medidas de incentivo para o setor anunciadas nas duas etapas do Plano Brasil Maior, Castelo Branco afirmou que apesar da primeira etapa ter sido lançada em agosto de 2011 as medidas mais efetivas passaram a ter validade somente em janeiro e com isso os impactos ainda estão começando a refletir no setor.

“Essas medidas vem reforçar outras já tomadas. A segunda etapa anunciada em abril obviamente não tem impacto sobre os dados do trimestre”, afirmou.

MELHORAS

O faturamento teve a segunda alta seguida, apresentando crescimento de 0,9% em relação à fevereiro e de 3,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Já as horas trabalhadas cresceram 0,4% em relação à fevereiro e 0,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.O emprego teve crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior e de 0,4% em relação à março de 2011.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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