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Twitaço marca 1 ano do assassinato do blogueiro #EdinaldoFilgueira

Por Miguel do Rosário

15 de junho de 2012 : 12h45

SEX, 15 DE JUNHO DE 2012 05:36 TIAGO AZEVEDO DE AGUIAR

Nesta sexta-feira, 15, diversas atividades marcam um ano do assassinato do 3º blogueiro e ativista social em todo o mundo (antes de #EdinaldoFilgueira foram mortos por seu ativismo o iraniano Omid Reza Mir Sayafi e o Bahraini Zakariya Rashid Hassan al-Ashiri).

A Deputada Federal Fátima Bezerra (PT-RN) apresentará projeto de lei idealizado no III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, haverá passeata e missa em sua cidade natal, além de um twitaço com a hashtag #EdinaldoFilgueira. Edinaldo Filgueira foi um lutador social, filho de agricultores que nem sobrenome possuíam. Foi militante no movimento estudantil, cultural, adquiriu formação superior, jornalista, blogueiro, presidente do PT em sua cidade, e é um mártir na luta pela democratização das comunicações.

      “Despite legislative progressive and some success in combating impunity, Brazil can still be dangerous for journalists, especially in the north and northeast. As in other countries, organized crime continues to be the main direct source of threats. Handicapped by conflicts of interest, Brazil’s media are also increasingly exposed to political and judicial harassment, while Internet journalists are often subject to preventive censorship.[1]

      Em tradução livre, o texto acima transcrito, contido no sitio da organização internacional Reporters Without Borders, diz o seguinte: “A despeito do progresso legislativo e algum sucesso no combate à impunidade, o Brasil pode, ainda, ser perigoso para jornalistas, especialmente no norte e nordeste. Tal qual em outros países, o crime organizado continua a ser a principal fonte direta de ameaças. Aleijados por conflitos de interesses, a mídia brasileira está também, cada vez mais, exposta a assédio político e judicial, enquanto jornalistas na Internet são frequentemente submetidos à censura preventiva”.

 

 

Para assistir ao documentário, basta clicar aqui. O Blog da Dilma já divulgou a iniciativa em uma entrevista que pode ser lida aqui. A seguir republicamos um texto escrito pouco após o abominável crime:

 

“Mas existe nesta terra

muito homem de valor

que é bravo sem matar gente

mas não teme o matador

que gosta de sua gente

e que luta a seu favor

como #EdinaldoFilgueira*

feito de ferro e flor”

 

Serra do Mel é uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte, uma terra onde muitas leis apenas estão nos livros e papeis, e que a realidade não é crível.

Fruto de um projeto de reforma agrária, a cidade foi planejada com 23 agrovilas, projeto baseado nos moshav israelenses. Cada agrovila possui um nome de um estado brasileiro, e o centro administrativo está nas vilas de Brasília e do Rio Grande do Norte, hoje conurbadas.

Uma cidade em que a democracia é apenas uma ilusão. Uma cidade em que a única torre de telefonia é desligada a mando dos poderosos conforme o seu interesse. Uma cidade em que seus habitantes não escolhem democraticamente os seus governantes. Uma cidade em que o coronelismo se espelha no número de eleitores, dois mil votantes a mais que habitantes, com ônibus transportando desconhecidos dos locais. Uma cidade em que é proibido andar de capacetes em motocicletas, em face ao crime organizado e constante ameaça de pistoleiros.

Edinaldo Filgueira era um dos colonos de Serra do Mel, e sua batalha era contra a opressão e o sistema coronelista local. Foi o fundador e editor do primeiro jornal da cidade, também foi o homem que levou o acesso a internet para Serra do Mel, tanto o provedor de acesso, quanto a lan house da pequena cidade.

Com muito suor conseguiu se formar em administração de empresas, viajando 60km todas as noites após um dia de trabalho. Mas Edinaldo era incansável, era o organizador independente que tocava grupos de teatros, concursos de canções, mostras folclóricas de boi de reis.

Ednaldo, antes de tudo, acreditava na informação como forma de libertação da humanidade. Acreditava que o conhecimento e a comunicação livres eram as armas para destruir os grilhões. Edinaldo era blogueiro, e foi assassinado ao questionar a população através de uma enquete em seu blogue sobre a educação pública de Serra do Mel. Ameaçado, retirou a enquete do ar – mas a sua vida já estava encomendada a um grupo de pistoleiros, já perseguidos pela polícia na operação “matadores de aluguel”. Sua vida foi ceifada em frente de seu pequeno comércio, um dia após colocar na web a enquete, sem direito à defesa, de maneira covarde. A loja de Edinaldo ficava a apenas 50m da delegacia de polícia, mas nada foi feito em sua defesa.

Edinaldo foi morto quando concluía a edição 51 de seu jornal. Resgatamos o material inconcluso, escrevemos alguma homenagem, e entregamos ao povo de Serra do Mel.Esta edição do jornal pode ser lida aqui. Edinaldo conseguiu que a edição 51 do Jornal o Serrano fosse distribuída, mas Edinaldo nunca poderá ser substituído.

Que Edinaldo nunca seja esquecido, calado, que a sua voz sempre ecoe. Faltam palavras para este que escreve sobre a tristeza amarga de ver uma pessoa simples, humilde, lutadora, ser morta. Mas não faltará trabalho, nem vontade de lutar por justiça. O prefeito de Serra do Mel é indiciado como autor intelectual do crime, e entre os matadores presos, três são parentes do prefeito. Somos frágeis, somos humanos, mas somos muitos. Os poderosos não poderão dar conta de todos.

*Poema escrito por Ferreira Gullar para homenagear o líder camponês Gregório Bezerra, lido durante a entrega dos jornais em Serra do Mel como parte das homenagens a Edinaldo Filgueira. (17/12/2011) 

(texto por Tiago Aguiar; documentário por Tiago Aguiar e Adriana Amorim; O projeto de lei foi redigido por Liana Carlan. A lista de agradecimentos é imensa, tão extensa que ocuparia muitos posts. Tudo foi realizado na militância pela democratização das comunicações).

 

ps:

leia aqui uma entrevista com o advogado assistente de acusação sobre a situação do caso;

leia mais sobre a violência contra comunicadores no Rio Pequeno do Norte;

leia sobre a atuação do CNJ apurando casos de corrupção no Rio Grande do Norte, veja uma entrevista com o sociólogo Antônio Spinelli. 

Veja o foto still do documentário 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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