Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Urubus em crise

Por Miguel do Rosário

04 de dezembro de 2012 : 12h36

Hoje pipocaram na mídia, à revelia desta, várias notícias bastante positivas sobre a economia brasileira. A mais importante foi a divulgação, pelo IBGE, de que a produção industrial experimentou um vigoroso crescimento em outubro, em relação ao mês anterior.

Destaco um trecho da análise do IBGE:

Vale destacar o comportamento positivo da produção industrial nos últimos meses, já que o setor acumulou expansão de 2,3% entre maio e outubro, eliminando, assim, as perdas observadas nos cinco primeiros meses do ano (-2,2%). Por categorias de uso, nesse mesmo período (maio-outubro), o principal ganho ficou com bens de consumo duráveis (9,2%), impulsionado em grande parte pela maior fabricação de automóveis e de eletrodomésticos da “linha branca”. Os demais resultados positivos foram assinalados por bens de consumo semi e não duráveis (2,6%), bens intermediários (1,5%) e bens de capital (0,1%). Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral reforça esse momento de ganho de ritmo da produção industrial, já que manteve a trajetória ascendente iniciada em julho último.

Os dados são muito positivos. É de se lamentar apenas a queda na produção de bens de capital em outubro (sobre o mês anterior), mas também aí há um ponto a se comemorar: o declínio do setor sobre o mesmo período do ano passado foi o menor de uma longa série. E no acumulado de maio a outubro, a produção de bens de capital já está no azul: alta de 0,1%.

Outras notícias positivas são: forte alta no índice industrial do HSBC, e melhora na confiança do comércio, ambos tratados neste post.

Por fim, temos uma análise muito curiosa do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, figura controversa politicamente mas cujos conhecimentos financeiros são inquestionáveis. Lopes disse que o fraco desempenho do PIB no terceiro trimestre do ano deveu-se a um erro metodológico do IBGE. O economista explica, em suma, que o IBGE transformou a queda dos spreads bancários em prejuízo para o setor financeiro, sem considerar os ganhos em quantidade de negócios realizados, sem considerar sequer o bom senso de que isso representa um fato positivo para a economia. A análise faz sentido porque a performance do PIB foi prejudicada somente pelo setor financeiro, já que indústria, comércio e agricultura apresentaram um desempenho excelente.  Segundo os cálculos de Lopes, os números do setor financeiro deveriam ser bem melhores do que os apresentados pelo IBGE, e isso impactaria de maneria bem forte – e positiva – o resultado final do PIB.

Se existe alguma razão nos argumentos de Lopes, estamos diante de uma colossal e irresponsável incompetência do IBGE. Eu, que tanto defendo as estatísticas, volto a ponderar que elas jamais devem ser vistas isoladamente, justamente por causa da possibilidade de erros como esses. Devem ser vistas e sobretudo interpretadas à luz de um conjunto de dados. De qualquer forma, o IBGE sempre revisa seus números, e qualquer distorção agora pode ser corrigida adiante, ou mesmo ser neutralizada por uma apuração mais objetiva do PIB no último trimestre do ano, que é aquela mais crucial, por determinar o crescimento econômico em 2012. Esperemos, além disso, os comentários de outros economistas. Não podemos desprestigiar o IBGE por causa de apenas uma opinião.

Seja como for, aceitando ou não o Pibinho do IBGE,  uma análise de conjuntura mostra que a economia brasileira segue em recuperação, embora a um ritmo lento que parece ser uma marca nossa. É um tanto exasperante (e trágico) a dificuldade do governo para gastar recursos já disponibilizados. Concorre para isso, certamente, um Estado que ao invés de inchado, como acusa vulgarmente a mídia, sofre com a falta de engenheiros, técnicos, fiscais, auditores, e todo o tipo de mão-de-obra especializada. E não só o governo, o país sofre com isso, o que é o preço que pagamos por décadas de descaso.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Guilherme Scalzilli

13 de dezembro de 2012 às 16h26

Pleno

A taxa de desemprego no país atinge a marca de 5,3%. Na Europa, a Alemanha (5,4%) é a única potência industrial a se aproximar desse índice, enquanto outros países tidos como socialmente igualitários superam-no com folga: os desempregados chegam a 7,8% da população economicamente ativa na Suécia, a 7,9% na Grã-Bretanha, a 8,1% na Dinamarca, a 10,8% na França e a inimagináveis 25% na Espanha e na Grécia. Nos EUA, a fatia beira 8%.

É verdade que o imaginário do “pleno emprego” brasileiro esconde aproximações discutíveis e sérias fragilidades estruturais. Mas também não custa lembrar que problemas similares acometem as outras nações comparadas, especialmente por causa da predominância da mão-de-obra estrangeira, que oscila entre a ilegalidade e o descaso estatal.

A antiga obsessão da imprensa oposicionista em vaticinar que o país incorporou a crise mundial talvez ganhe fôlego entre setores da opinião pública amestrados pela simbologia do crescimento econômico. Basta uma visita às regiões de comércio popular ou aos shopping centers de qualquer cidade grande, durante as próximas semanas, para descobrirmos se a população está mesmo preocupada com a evolução do PIB.

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

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Luiz (@LuizAlaca)

05 de dezembro de 2012 às 14h37

Urubus em crise – http://t.co/jL0pW79F

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Under_Siege (@SAGGIO_2)

05 de dezembro de 2012 às 12h54

?Midia, PSDB, odeiam a nós e nosso País. Defendem interesses economicos alienígenas. Ô raça ruim!???Urubus em crise – http://t.co/iNaLMCPE

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Elson

05 de dezembro de 2012 às 11h19

Agora a recusa dos governos tucanos de SP, MG e Paraná de participar da redução das tarifas elétricas foi um tiro no pé, passaram o recibo que são contra os consumidores, empresários e a população pobre em geral e a favor do lucro de poucos.
Oque esperar de governantes que se pudessem privatizariam a atmosfera sobre nossas cabeças.

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Elson

05 de dezembro de 2012 às 11h13

Talvez tenhamos uma melhor dimensão do PIB no inicio de 3013 quando os números estiverem fechados. uma coisa é certa, tem gente sorrindo com o canto da boca, pois a torcida para o quanto pior melhor ainda é grande no Brasil.

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Adir Tavares (@Adir00)

05 de dezembro de 2012 às 08h22

Urubus em crise http://t.co/lh8XC7L4

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Messias Franca de Macedo

04 de dezembro de 2012 às 23h44

OPOSIÇÃO AO BRASIL! ENTENDA

*A Cesp, a Cemig e a Copel não irão aderir ao programa de redução da taxa da energia elétrica. Em consequência, a população e a indústria pagarão 16,7% a menos – a redução da conta seria de 20%! A presidente Dilma Rousseff e o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, estão desolados, não conseguem conceber o comportamento destas empresas, prejudicando o país como um todo…
*Empresas de Energia Elétrica dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, respectivamente. ‘O domínio do fato’: estados governados pelo conluio PSDB/DEMo…

RESCALDO: ao discorrer sobre o assunto, o editor de economia João Borges estava tão constrangido que chegou a gaguejar, várias vezes, algo incomum porquanto o jornalista tem uma boa dicção, convenhamos!…

“NUMDISSE”?!… República da DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista eterna, MENTEcapta, aloprada, alienada, histriônica, impunemente terrorista, antinacionalista, golpista de meia-tigela, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo’!… (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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    Messias Franca de Macedo

    04 de dezembro de 2012 às 23h50

    ‘O DEDO’ ESCOLHEU ERRADO UM CONVIDADO! OU, A IMPORTÂNCIA DO CONTRADITÓRIO! ENTENDA
    COMPLEMENTO

    … O ‘convidado a dedo’, Alexandre Schawarstman [o nome já projeta o senso nacionalista (sic) do economista do Insper], abre aspas: “Analisando o passado, eu não acredito que o Brasil será capaz de retomar um crescimento vigoroso!… Não há dúvida de que este governo [governos Lula e Dilma, revisor! – (a)de(n)do sujo nosso!] é um ‘governo antinegócio’!… É inaceitável essa intervenção do Estado (União) na regulação do retorno dos investidores, sobretudo internacionais, limitando os ganhos das empresas… Em certo sentido, é a taxa de lucros o que define os investimentos!…” [“A fina-flor” do pensamento neoliberal e antinacionalista! – de novo (a)de(n)do sujo nosso!]
    Bom, mas, aí, apareceu “o erro do dedo”!…

    … Traduzindo um pouco da lição magistral proferida por Ernesto Lozerdo, economista da Fundação Getúlio Vargas, Viva o Brasil! [Brasil grafado com ‘s’, e não com ‘z’ do tucanês, revisor, faça o favor! (RISOS)]
    Ernesto Lozerdo – “… Alexandre Schawarstman é um destes economistas ligados ao setor financeiro, e em função de o governo ter aplicado medidas que baixaram substancialmente a taxa dos juros, daí o pessimismo manifestado por este grupo de economistas. Eu discordo frontalmente com esta visão catastrofista, mesmo porque estamos num regime democrático, o governo funciona, as taxas de juros estão em queda, não está havendo desindustrialização, temos uma classe média emergente e exigente, níveis de desemprego despencando, e uma agenda composta por projetos viáveis está sendo montada… O governo está fazendo um esforço real para melhorar a educação no país… Precisamos, apenas, encontrar nesta agenda positiva espaço para melhorar a competitividade da nossa indústria. Os marcos regulatórios estão sendo definidos, e o governo está convencido da indispensável participação do setor privado nas áreas de infraestrutura… Portanto, a partir de 2013 as condições basilares estarão dadas, concretamente, para um crescimento mais robusto e sustentado da nossa economia. Importante afirmar que o governo está correto em não ceder a ameaças externas. Ou seja, realmente, o governo tem que monitorar os lucros das empresas… Cumpre lembrar que estamos vivendo num país cujo capitalismo se encontra num estágio retardado, anacrônico… Um capitalismo que ainda está se fazendo… E é preciso que a população tenha asseguradas as condições materiais de utilização dos serviços e dos bens de consumo… Ademais, é importante destacar o seguinte: o Brasil não está em crise! Quem está em crise é a Europa e grande parte do restante do mundo. E mais, em 2017, alcançaremos a marca de 25% do PIB em investimentos e poupança interna. Em síntese, o Brasil é viável!…”

    ALVÍSSARAS: o catedrático economista brasileiro Ernesto Lozerdo é professor de Economia Internacional da USP!…

    BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao eminente economista nacionalista Ernesto Lozerdo!
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

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Humberto Vieira (@HumbertoVieira7)

04 de dezembro de 2012 às 23h21

Urubus em crise – http://t.co/s0BQxZ3y

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Érico Cordeiro (@ricocordeiro)

04 de dezembro de 2012 às 16h55

Urubus em crise – http://t.co/9Np24B8m

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Messias Franca de Macedo

04 de dezembro de 2012 às 15h16

‘O DEDO’ ESCOLHEU ERRADO UM CONVIDADO! OU, A IMPORTÂNCIA DO CONTRADITÓRIO! ENTENDA
EPÍLOGO(?!)

*Alexandre Schawarstman [enrubescido e atônito!] – “Eu insisto: os investidores estrangeiros já estiveram mais entusiasmados(!) em investir no Brasil!…” [A defesa despudorada do apetite pelo lucro voraz, exagerado, pernicioso, espúrio, insano…]
*’o economista ligado ao setor financeiro’ – e com viés nitidamente tucano – também afirmou: “O modelo de privatização empreendido pelo governo FHC, por exemplo, no setor das telecomunicações foi um sucesso, um processo muito bem sucedido, exitoso!”

MATUTO ‘BANANIENSE’ – O que ‘o economista do nome difícil’ quer propugnar é a manutenção do “entu$ia$mo” [a oficialização da ganância desumana dos capitalistas(!)] dos (mega)investidores estrangeiros e “nacionais”, ainda que o povo, desmotivado… “Se Fux”!…

LOCAL DO EMBATE: estúdio de uma emissora de televisão do PIGolpista/terrorista/antinacionalista! Programa cujo âncora responde pelo nome de **William Waack, ‘caras & bocas’ quando “o entusiasmo” é “malhar” o governo! [Mais uma vez, os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, revisor!]
**a bem da verdade, nesta edição do programa, o jornalista William Waack se comportou de forma, digamos, sóbria!… Talvez a presença do doutor Ernesto Lozerdo, o tal do contraditório, “sei lá”!…

ALVÍSSARAS: o catedrático economista brasileiro Ernesto Lozerdo é professor de Economia Internacional da USP!…

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao eminente economista nacionalista Ernesto Lozerdo!
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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@bubuzinha

04 de dezembro de 2012 às 13h40

Do cafezinho – Urubus em crise http://t.co/rpDSOPcW

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@rldigital

04 de dezembro de 2012 às 13h21

Pibinho do IBGE pode ter sido resultado de erro metodológico – http://t.co/6IxaQPIl

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migueldorosario (@migueldorosario)

04 de dezembro de 2012 às 13h14

Hoje pipocaram na mídia, à revelia desta, várias notícias bastante positivas sobre a economia brasileira. A mais… http://t.co/ceooArMe

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