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Juan e Eva, uma aula de Argentina

Por Miguel do Rosário

26 de outubro de 2013 : 04h44

Estreou neste fim de semana um filme que ajuda a suprir uma vergonhosa lacuna na cultura brasileira, que é a falta de conhecimento sobre a história de nosso principal vizinho, a Argentina. Claro que a nossa mídia tem culpa importante nisso. Se Obama espirrar, a cena aparece no mesmo dia no Jornal Nacional. Sobre a Argentina, nada.

Ou antes, a Argentina aparece na mídia apenas em pautas negativas. Não se dá nenhum destaque ao fato da Argentina ser o nosso parceiro comercial mais importante, porque importa produtos brasileiros industrializados, e paga os melhores preços.

China, Europa, EUA, compram muita coisa do Brasil, mas quase só matérias-primas de baixo valor agregado. A Argentina importa autopeças, tratores, máquinas, equipamentos elétricos, tecidos, sapatos. Não fosse a Argentina, aí sim, o Brasil teria se desindustrializado de vez.

Essa é mais uma razão para nos esforçamos para conhecer melhor a Argentina, e aí volto ao filme do qual falava no início do post. O filme é Juan e Eva, uma história de amor. Apesar do título, não é uma história romântica melosa, e sim uma narrativa cheia de ação e suspense. O lado romântico do filme é essencial, contudo, para humanizar as intrigas políticas, e dar um toque genuinamente popular à narrativa. Não fosse o romantismo, talvez fosse um filme apenas para aficcionados em história. O escandaloso (para os padrões da época, pois eles não eram casados) romance entre Eva e Perón ajuda a dar um toque universal à narrativa, que pode ser vista também como uma bela história de amor.

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O enredo conta como Juan e Eva se conheceram e mostra a rotina de Perón no governo.

Entretanto, aos poucos, o pano de fundo, o conturbado ambiente político da época, vai dominando a narrativa.

O clímax acontece quando Perón, então secretário do Trabalho, é demitido e, em seguida, preso, por alas conservadoras do Exército.

Perón era odiado pelas classes altas, por causa das leis trabalhistas e sociais que conseguiu aprovar, beneficiando milhões de trabalhadores.

Quando tudo parece perdido, e Eva está desesperada e desiludida com tudo e todos, acontece uma coisa surpreendente. Centenas de milhares de trabalhadores declaram greve geral e se dirigem a Buenos Aires, exigindo a libertação imediata de seu líder. O governo bloqueia algumas pontes estratégicas que ligam regiões operárias à capital: os operários atravessam o rio a nado ou em pequenas embarcações. Nunca havia acontecido nada semelhante no país.

O 17 de outubro ficou conhecido na Argentina como o Dia da Lealdade, e marca a triunfante consolidação do peronismo, que se tornou uma espécie de ideologia política muito particular daquele país. Aquela manifestação, cuja magnitude a torna um dos principais eventos da história social da América Latina, representou uma grande e emocionante vitória política dos trabalhadores argentinos. Cenas de documentário são misturadas às de ficção para recriar o ambiente de grande emoção que marcou a data.

Os militares são obrigados a libertar Perón, e, no ano seguinte, ele é eleito presidente da República da Argentina.
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O filme estreou nas seguintes salas:

PORTO ALEGRE
GNC Moinhos de Vento 3 –14:30/17:00/19:30/21:50
Espaço Itaú 8 – 13:00/16:00/22:00

BELO HORIZONTE
Usiminas Belas Artes 2 – 14:40/17:10/19:20/21:30

BRASÍLIA
Cine Cultura Liberty Mall 3 – 14:20/16:30/19:20/21:30
Espaço Itaú Brasilia 7 – 13:30/19:30/21:30

FORTALEZA
Arcoplex D. Luiz 1 –19:10/21:20

PALMAS
Lumiere Palmas 5 – 14:30/16:50/18:50/21:00

MACEIÓ
Lumiere Maceió 1 –16:40/19:00/21:00

LONDRINA
Lumiere Londrina 4 – 14:10/16:20/18:40/21:00

SANTA MARIA
Arcoplex Santa Maria 1 – 17:00/19:10/21:20

E ainda irá “passear” por muitas outras cidades do Brasil, incluindo, é claro, São Paulo e Rio de Janeiro.

Assista ao trailer:

 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Francine Prado

26 de outubro de 2013 às 23h31

Bruno

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Sérgio Mendes

26 de outubro de 2013 às 09h25

É bem verdade Miguel. Foi o que senti quando comecei a assistir documentários sobre nosso país vizinho. Já assisti a alguns sobre os dois do filme, na verdade, uns três ou quatro. Vamos ver mais este. Abraço

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Marisa Calage

26 de outubro de 2013 às 07h34

Convencida Miguelito, vou ver o filme. bjs

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