Entrevista de Lula à Revista Forum

Barroso

Barbosa, a marionete do golpe, morreu pela boca

Por Miguel do Rosário

27 de fevereiro de 2014 : 04h25

O escritor argentino Ricardo Piglia, num de seus ensaios, propõe uma tese segundo a qual um conto oferece sempre duas histórias. Uma delas acontece num descampado aberto, à vista do leitor, e o talento do artista consiste em esconder a segunda história nos interstícios da primeira.

Agora sabemos que não são apenas escritores que sabem ocultar uma história secreta nas entrelinhas de uma narrativa clássica. O ministro Luís Roberto Barroso nos mostrou que um jurista astuto (no bom sentido) também possui esse dom.

Esta é a razão do ridículo destempero de Joaquim Barbosa. Esta é a razão pela qual Barbosa interrompeu o voto do colega várias vezes e fez questão de, ao final deste, vociferar um discurso raivoso e mal educado.

Barbosa sentiu o golpe.

Houve um momento em que Barbosa praticamente se auto-acusou: “o que fizemos não é arbitrariedade”. Ora, o termo não fora usado por Barroso. Barbosa, portanto, não berrava apenas contra seu colega. Havia um oponente imaginário assombrando Barbosa, que não se encontrava em plenário, mas ele sentiu sua presença enquanto ouvia Barroso ler, tranquilamente, seu voto.

O oponente imaginário são os milhares de brasileiros que vem se aprofundando cada vez mais nos autos da Ação Penal 470, acompanhando os debates do Supremo Tribunal Federal, ajudando alguns réus a pagar suas multas, dando entrevistas bem duras em que denunciam os erros do julgamento, e constatando, perplexos, que houve, sim, uma série de erros processuais e arbitrariedades.

Barroso contou duas histórias. Uma delas, no primeiro plano, era seu voto. Um voto tranquilo e técnico. Só que nada na Ação Penal 470 foi tranquilo e técnico, e aí entra a história subterrânea, por trás do cavalheirismo modesto de Barroso.

E aí se explica a fúria de Barbosa.

A história secreta contada por Barroso, com uma sutileza digna de um escritor de suspense, de um Edgar Allan Poe, com uma ironia só encontrada nos romances de Faulkner ou Guimarães Rosa, é a denúncia da farsa.

Aos poucos, essa história subterrânea virá à tôna. Alguns observadores mais atentos já a pressentiram há tempos.

O novo ministro, antes mesmo de ingressar no STF, entendeu que há um muro de ódio e violência à sua frente, construído ao longo de oito anos, cujos tijolos foram cimentados com preconceito político, chantagens, vaidade e uma truculência midiática que só encontra paralelo nas grandes crises dos anos 50 e 60, que culminaram com o golpe de Estado.

Sabe o ministro que não é ele, sozinho, que poderá desconstruir esse muro. Em entrevista a um jornal, o próprio admitiu que estava assustado com a violência da qual já estava sendo vítima: o médico de sua mulher, sem ser perguntado, disse a ela que não tinha gostado do voto de seu marido, e suas filhas vinham sendo questionadas na escola por colegas e professores.

O Brasil vive um tipo de fascismo midiático cuja maior vítima (e algoz) é a classe média e os estamentos profissionais que ela ocupa.

É a ditadura dos saguões dos aeroportos, das salas de espera em consultórios médicos, dos shows da Marisa Monte.

Nos últimos meses, eu tenho feito alguns novos amigos, que tem me dado um testemunho parecido. Todos reclamam da solidão. A mãe rodeada de filhos “coxinhas”. O pai que é assediado, às vezes quase agredido, pelas filhas reacionárias. A executiva na empresa pública isolada entre tucanos raivosos. Alguns, mais velhos, encaram a situação com bom humor. Outros, mais jovens, vivem atordoados com as pancadas diárias que levam de seus próximos.

No entanto, o PT é o partido preferido dos brasileiros, ganha eleições presidenciais, aumenta presença no congresso e pode ganhar novamente a presidência este ano, até mesmo no primeiro turno.

Por que esta solidão se tanta gente vota no partido?

Claro que voltamos à questão da mídia, que influencia particularmente as camadas médias da sociedade, à esquerda e à direita. A maioria da classe média tradicional, hoje, independente da ideologia que professa, odeia o PT, idolatra Joaquim Barbosa, e lê os livros sugeridos nos cadernos de cultura tradicionais.

Eu conheço um bocado de artistas. Hoje são quase todos de direita, embora a maior parte se considere de esquerda. Todos odeiam Dirceu, sem nem saber porque. E me olham com profunda perplexidade quando eu tento argumentar. Como assim, parecem me perguntar, com olhos onde vemos rapidamente nascer um ódio atávico, irracional, como assim você não odeia Dirceu?

Eu tento conversar, com a mesma calma de Barroso, mas não adianta muito. Eles reagem com agressividade e intolerância.

Pessoas em geral pacatas se transformam em figuras raivosas e vingativas. O humanismo, que tanto fingem apreciar nos europeus, mandam às favas ao desejar que os réus petistas apodreçam no pior presídio do Brasil.

Eu mesmo costumo usar os mesmos termos de Barroso. “Respeito sua opinião”, eu digo. Às vezes até procuro elogiar o interlocutor, numa tentativa ingênua e canhestra de quebrar a casca de ódio que impede qualquer diálogo. Não adianta. Qual um bando de Barbosas, eles respondem, quase sempre, com grosserias e sarcasmos.

Quantas vezes não vivi a mesma situação de Barroso? Às vezes, inclusive, aceitei teses que não acreditava, violentei-me, num esforço desesperado para transmitir uma pequena divergência, uma singela ideia que foge ao script da mentalidade de um interlocutor cheio de certezas.

Entretanto, a serenidade estóica e elegante de Barroso significou uma grande vitória para nós, os solitários, os que arrostamos as truculências diárias da mídia e de seu imenso, quase infinito, exército de zumbis.

Porque encontramos um igual.

Encontramos alguém que sofre, que tenta expor uma ideia diferente, e recebe de volta uma saraivada de golpes de quem não aceita ser contestado.

Não confundamos, contudo, elegância com covardia. Não se pode exigir a um homem que derrube sozinho uma muralha desse calibre. Esse trabalho não é de Barroso. Será um esforço coletivo, que já estamos empreendendo. Barroso encontrará forças em nossas ideias.

Mesmo que ele tenha de fazer algum recuo estratégico, como aliás já fez, ao condenar Genoíno, será para avançar em seguida.

Mas a função de um juiz do STF não é defender uma classe. Não é defender a rapaziada que frequenta o show da Marisa Monte e lê os editoriais de Merval Pereira. Não é se tornar celebridade ou “justiceiro”. A função de um juiz é ser justo e defender tanto as razões do Estado acusador quanto os direitos dos réus.

Quando Getúlio deu um tiro em si mesmo, ele deixou um recado, no qual há referências algo misteriosas a “forças” que se desencadearam sobre ele.

Como que antevendo o que continuaríamos a enfrentar, durante muito tempo, o velhinho ainda tentou, em sua dolorosa despedida, nos consolar:

“Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado.”

E cá estamos, Getúlio, diante das mesmas forças obscuras. Diante da mesma truculência, das mesmas arbitrariedades, que dessa vez encontraram voz na figura, trágica ironia, de um negro. Do primeiro negro que nós, o povo, nomeamos para o STF, mas que preferiu se unir aos poderosos de sempre, aos donos do dinheiro, aos barões da mídia, à turma do saguão do aeroporto…

É positivamente curioso como os ministros da mídia demonstram auto-confiança, arrogância, desenvoltura. Gilmar Mendes, Barbosa, Marco Aurélio Mello, dão entrevistas como se fizessem parte de uma raça superior. São campeões de um STF triunfante, que prendeu os “mensaleiros”.

Enquanto isso, os outros ministros agem com humildade, discrição, prudência. Barroso lê seu voto com voz quase trêmula, e pede reiteradas desculpas por cada mínima divergência. Nunca se ouviu um ministro pedir tantas vênias como Barroso. Nunca se viu um juiz fazer tantos elogios àquele mesmo que o destrata sem nenhuma preocupação quanto à etiqueta de um tribunal.

Mas o que Barroso pode fazer? Não faríamos o mesmo? A situação de Barroso é quase a de um sertanejo humilde, argumentando em voz baixa diante de seu patrão.

Sintomático que Luiz Fux, que aderiu também à Casa Grande, tenha citado Lampião para designar a “quadrilha dos mensaleiros”. O mundo dá tantas voltas, e retorna ao mesmo lugar. Virgulino Ferreira da Silva, o terror do Nordeste, o maior dos facínoras, quem diria, seria comparado a José Dirceu! É o tipo de comparação que não dá para ouvir sem darmos um sorriso triste e malicioso.

Não foi Virgulino igualmente o maior herói do sertão? Não foi ele o maior símbolo das injustiças e arbitrariedades que se abatiam, dia e noite, sobre um povo sofrido e miserável?

Evidentemente, não existe comparação mais idiota. Dirceu é um homem de paz, que acreditou na democracia e na política. Lampião foi um bandido que desistiu de qualquer solução política ou pacífica para seus problemas.

Mas também Fux, sem disso ter consciência, trouxe à baila uma história subterrânea, soterrada sob sua postura covarde de um juiz submetido aos barões de sempre: Lampião provou ao Brasil que não existe opressão sem resistência, mesmo que na forma de banditismo. Esta é a lei mais antiga da humanidade. A resistência e o heroísmo nascem da opressão e da arbitrariedade, como um filho nasce da mãe e do pai.

A campanha de solidariedade aos réus petistas foi a prova disso. Mas não vai parar aí. Ao chancelar uma farsa odiosa, arbitrária, truculenta e, sobretudo, mentirosa, o STF produziu milhares de Virgulinos. Só que não são Virgulinos por serem bandidos ou violentos. São Virgulinos exatamente pela razão oposta: a coragem de lutar de maneira pacífica e democrática.

É a coragem, sempre, a grande lição que o mais humilde dos cidadãos dá aos poderosos. É a coragem que faz alguém se insurgir contra a opinião do ambiente de trabalho, da família, do condomínio, dos saguões dos aeroportos, e assumir uma posição política independente, inspirada unicamente em sua consciência.

É a coragem, enfim, que faz os olhos de Barroso irradiarem um brilho de confiante serenidade. Sua voz pode tremer, mas não por medo. Treme antes pelo receio de escorregar um milímetro no fio da navalha por onde caminha, entre o desejo de falar duras verdades a um tratante e a determinação de manter uma elegância absoluta.

Barroso sequer consegue usar o pronome “seu” ao se referir a Barbosa, com medo de cometer um deslize verbal. Se Barbosa fosse uma figura serena, amiga, Barroso não teria esse escrúpulo. Tratando-se de um oponente sem caráter, sem moderação, e ao mesmo tempo tão incensado e blindado pela mídia, Barroso tem de tomar um cuidado máximo. Tem de tratá-lo com respeito até mesmo exagerado. Barroso sabe que Barbosa é vítima de megalomania e arrogância messiânica, que sofre de uma espécie de loucura, uma loucura perigosíssima, porque protegida pelos canhões da imprensa corporativa.

Ao contestar tão ofensivamente o teor do voto de Barroso, ao acusá-lo, de maneira tão vil, Barbosa disparou um tiro no próprio pé. Ganhará um bocado de palmas dos saguões aeroportuários, mas haverá mais gente erguendo a sombrancelha, desconfiada de tanta fanfarronice e falta de modos.

Barroso deixou que Barbosa morresse como um peixe, pela boca.

Foi a vitória da serenidade sobre o destempero, da delicadeza sobre o chauvinismo, do respeito à divergência sobre a intolerância.

Barroso

Barroso

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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71 comentários

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JADIR BAPHTISTA DE ARAUJO

22 de maio de 2014 às 08h36

barbosa um ditador a serviço do pig

Responder

Pedro Nelito Junior

18 de março de 2014 às 19h46

Infelizmente algumas pessoas anti-petistas não conseguem ter a serenidade para analisar friamente a AP470, juridicamente falando contraria o que aprendemos na faculdade de Direito. A segurança e certeza jurídica são jogadas no lixo, apenas para satisfazer o circo midiático armado por parte da elite derrotada por Vargas em 30, e novamente derrotada por Jango em 61 na “Campanha da Legalidade” que garantiu a posse de João Goulart na presidência do Brasil, o ódio é o combustível que alimenta a máquina que busca triturar reputações de militantes históricos da esquerda, pessoas que ajudaram Lula a construir uma sociedade com mais justiça social… Joaquim Barbosa foi o maior equívoco de Lula, demonstrou que não pensa com os debaixo e faz o jogo dessas elites eternamente derrotadas, que sempre se utilizaram da força bruta para continuar dirigindo a nossa sociedade.

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Balisa Brochado Gomes

05 de março de 2014 às 18h11

Belíssimo texto!!!!

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Lucas Alkaid Vicente

05 de março de 2014 às 16h33

eita

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C.Paoliello

04 de março de 2014 às 22h23

A vitória dos embargos infringentes foi uma vitória da Democracia e uma acachapante derrota dos golpistas que tentaram por esta via derrubar o governo constitucional e democraticamente eleito da presidenta Dilma, como fizeram na primeira “eleiçäo” de Bush Jr., em Honduras, no Paraguai, na Líbia, agora na Ucrania, todas “legitimadas” pelos tribunais ditos “supremos” ou “superiores”.

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mineiro

04 de março de 2014 às 18h14

e agora barbosao maldito vai chorar no pe do pig , pau mandado da direita.

Responder

J.Carlos

03 de março de 2014 às 22h24

O dragão da maldade é uma cavalgadura de tal porte que não percebeu que quanto mais tentava depreciar o voto do Ministro Barroso mais aumentava convicção último no brilhante voto que
construiu técnica e juridicamente.

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wellington

03 de março de 2014 às 20h10

Engraçado em nome da liberdade de expressão não consegui encontrar meu comentário…

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edna baker

02 de março de 2014 às 14h25

Belíssimo texto. Parabéns. Me incluo entre os solitários rodeada de “coxinhas” mas sem perder a esperança, jamais.

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Ivan

02 de março de 2014 às 10h20

Se o autor e seus segudores ainda não sabem porque José Dirceu deve ser odiado, não há possibilidade de argumentação, polida ou não, trata-se de partidarismo, puro e radical.

Responder

    Miguel do Rosário

    03 de março de 2014 às 19h49

    prezado, não acredito que o ódio seja um bom ingrediente para um debate democrático saudável. até se admite o ódio num botequim, mas um juiz tem que julgar com isenção, sem ódio, com base exclusivamente nos autos, e não em editoriais odientos de jornal.

    Responder

Marcelo

01 de março de 2014 às 12h23

Miguel, o Joaquim Barbosa irá sair do supremo mesmo se não for candidato, ele não vai suportar ver a farsa do julgamento da AP470 ser desmascarada, seus aliados o abandonarão (ministros e mídia)e jogarão toda a culpa nele alegando que também não sabiam do que ele escondeu e manipulou durante esse julgamento.

Responder

sergio

01 de março de 2014 às 04h15

déficit civilizatório (hehehe).
O que JB tem é maluquice mesmo.
Sujeito prepotente, despreparado, uma figura nefasta para o Poder Judiciário.

Responder

João Brasileiro

28 de fevereiro de 2014 às 23h14

Olá, Paulo de Tarso e Denílson Felix,
Cuidado!!! Vocês estão com déficit civilizatório!!!
Isso pega!!!

Um abraço!

Responder

Paulo de Tarso

28 de fevereiro de 2014 às 21h17

O Luís Barroso disse o seguinte em seu voto :“No mérito propriamente dito, entendo que a hipótese foi de coautoria e não de quadrilha”.
Isto mostra o quanto é canalha ,então viva o Joaquim Barbosa!!!

Responder

Denilson Félix

28 de fevereiro de 2014 às 19h44

Creio que o Barroso é uma criação do Duda Mendonça, sob medida!! Como consegue ser tão canalha e tão fino ao mesmo tempo?? É a elegância a serviço do crime organizado.

Responder

    Artur

    28 de fevereiro de 2014 às 20h29

    E você é a deselegância a serviço da estupidez.

    Responder

Antonio

28 de fevereiro de 2014 às 15h29

MATÉRIA EDITADA E TENDENCIOSA POR QUE CORTARAM ALGUMAS PARTES DA FALA DO BARROSO????? BARBOSA ESTÁ CERTO A DECISÃO FOI POLITICA E NÃO TÉCNICA…. SE FOSSE TÉCNICA ELES SERIAM CONDENADOS POIS A JUNÇÃO DE 3 OU MAIS PESSOAS COM O INTUITO DE COMETER CRIMES CARACTERIZA UMA FORMAÇÃO DE QUADRILHA…. MAIS PARA VARIAR TUDO ACABOU EM PIZZA …. NÃO ENTENDO QUEM CRITICA O BARBOSA DIZENDO QUE ELE É DESTEMPERADO SÓ POR QUE ELE NÃO ACEITA A FALSIDADE DOS COLEGAS????

Responder

Daniel Américo

28 de fevereiro de 2014 às 16h34

Miguel, parabéns. Me sinto bem por poder ler seus textos

Responder

Maria Lucia Lula Dilma Lemos

28 de fevereiro de 2014 às 13h59

#JBprecisaSerDestituídoJá

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Seiji Okamoto

28 de fevereiro de 2014 às 13h50

Barbosa não será candidato, ele prefere infernizar os réus da AP 470 e tentar livra os tucanos do mensalão mineiro até junho.

Responder

Lamartine Oscar Veiga Oscar

28 de fevereiro de 2014 às 12h13

esses aplausos custaram caro ao Barbosa ; por exemplo sua honra !

Responder

Ivan Coelho Nascimento

28 de fevereiro de 2014 às 05h15

e vc, marionete do PT…

Responder

Marcos Antonio da Costa

28 de fevereiro de 2014 às 02h37

ótimo

Responder

Poliana Assunção de Melo

28 de fevereiro de 2014 às 02h06

Texto excelente e como me identifiquei com a parte do estarmos sozinhos. Tenho passado por experiências difíceis neste sentido. Venho me calando no convívio social, pois as pessoas não estão preparadas para a discordância e retornam com ofensas e agressão. Mas o simples fato de compartilhar um post como esse e usar o meu face para exercer meu direito de cidadã expressando minha opinião, me gera conflitos no âmbito pessoal. As pessoas não comentam no face, mas te hostilizam e até mesmo prejudicam fora dele.

Responder

Alcides Almeida

27 de fevereiro de 2014 às 23h58

Texto longo, mas vale cada palavra.

Responder

Marcos Cruzo

27 de fevereiro de 2014 às 22h22

Joaquim “Miséria” Barbosa

Responder

Miguel Do Rosario

27 de fevereiro de 2014 às 21h25

Hemer B. Rivera mensalão não é uma religião, na qual se acredita ou não. É uma ação penal que deve se estudar a partir dos autos, das provas, dos docs disponíveis. E por eles, vemos que o STF fez um julgamento político, transformou um crime de caixa 2 numa peça de ficção em que o PT pagava deputados, do próprio PT principalmente, para votar projetos que interessavam ao… PT. Na verdade, é uma farsa, patrocinada pela direita para quebrar ou enfraquecer um partido no qual setores reacionários da elite não confiam.

Responder

Scarlett Rocha

27 de fevereiro de 2014 às 20h53

É um fato, Barbosa é candidato, mas por qual partido? PSDB? PPS?

Responder

Maria De Fatima Cabral

27 de fevereiro de 2014 às 20h17

É peixe more pela boca!

Responder

Hemer B. Rivera

27 de fevereiro de 2014 às 19h51

existem os que vivem de marmita doadas por quem trabalha e acorda cedo pra cumprir suas obrigações e existem os que vivem de propina, dinheiro desviado do povo que acorda cedo e trabalha para cumprir suas obrigações… ambos acreditam que o mensalão nunca existiu.

Responder

Hemer B. Rivera

27 de fevereiro de 2014 às 19h49

“Eu sou desonesto. E pode-se sempre confiar num desonesto porque você sabe que ele sempre será desonesto. Honestamente, são os honestos que devem ser vigiados. Porque nunca se sabe quando eles farão algo incrivelmente… estúpido! ”
– Jack Sparrow
capitão não falha

Responder

Trazíbulo Meireles de Souza

27 de fevereiro de 2014 às 16h19

Barroso, o Brasil dos justo não aceita o destempero do Joaquim Barbosa, da casa de mães Joana que se transformou essa instituição…Conte com sempre com os sedentos de justiça… Parabéns por retirar o manto que encobria o STF, com o apoio da máfia midiática.

Responder

Flá Ahm

27 de fevereiro de 2014 às 18h58

Arrepiei! Que texto! Não estamos sós!

Responder

Carlos Alberto Figueiredo

27 de fevereiro de 2014 às 18h45

Texto maravilhoso! Parabéns!

Responder

Ribamar Silva

27 de fevereiro de 2014 às 18h26

O diabo veste Prada…Além de mal educado!

Responder

Aluisio Pessoa/MANAUS

27 de fevereiro de 2014 às 15h19

Peito de pombo!

Responder

José Carlos lima

27 de fevereiro de 2014 às 15h09

José Carlos lima 27.02.2014 às 14:52
Está provado que não houve uso de recursos públicos nesse esquema de caixa 2 eleitoral, como está claro também que Lula não comprou deputados eleitos para a aprovação das reformas que fizeram avançar esse pais. Espero que tais erros sejam corrigidos, por uma questão de justiça. Justiça boa é justiça. Justa

Responder

Malu Pedroso da Silva

27 de fevereiro de 2014 às 18h03

“O esforço para depreciar quem pensa diferentemente, com todo o respeito, é um déficit civilizatório. ” L.R. Barbosa

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Maggiar Villar de Casanova

27 de fevereiro de 2014 às 17h31

Miguel, vou ao Rio só para te entrevistar…ou nos vemos aqui em Sampa no 4º Blogprog, onde vc será convidado de honra. até lá. abs. Marquês de Casanova.

Responder

Cleide Portella

27 de fevereiro de 2014 às 17h20

Parabéns Miguel Do Rosario o seu texto é mais que perfeito!!!

Responder

Elizeu Silva

27 de fevereiro de 2014 às 17h01

Ótimo texto, excelente análise.

Responder

Celso Orrico

27 de fevereiro de 2014 às 13h41

Barroso lavou minha Alma ontem..

Responder

Sherazade Storyteller

27 de fevereiro de 2014 às 16h25

Obrigada e parabéns, Miguel do Rosário!!!

Responder

Bruno Lindolfo

27 de fevereiro de 2014 às 15h42

Irretocável, Miguel!

Responder

Sueli Maria Pereira Halfen

27 de fevereiro de 2014 às 15h18

Que catarse !!!

Responder

Vinícius Meirelles Meirelles

27 de fevereiro de 2014 às 14h50

só falta sua “candidatura”…

Responder

Eliana Schaun

27 de fevereiro de 2014 às 14h49

Texto maravilhoso!!

Responder

Hélio Franco

27 de fevereiro de 2014 às 11h36

Fantástico, Miguel! Receba as congratulações de mais um solitário. Como diria o John, somos sonhadores, mas não estamos tão sós assim.

Responder

Eliana Schaun

27 de fevereiro de 2014 às 14h33

Quem conversa muito da bom dia a cavalo, minha avô sempre dizia, ouviu sr. Ministro?

Responder

João Mendoza Gallego

27 de fevereiro de 2014 às 13h56

Belíssimo texto! Muito bom! Lava minh’alma! Parabéns Miguel do Rosário.

Responder

Rubens Alexandre Ferreira

27 de fevereiro de 2014 às 12h51

Esses esquerdopatas delirantes são os mais divertidos da web! GOLPE, GOLPE, GOLPE…Expliquem esse ‘golpe’, quem esta por tras, a troco de q? Globo? Essa nao cola mais ha muito tempo, pq são os maiores interessados em manter o PT torrando fortunas em propaganda estatal. Eh por isso tambem, q voces servem d chacota diaria, estão cada dia mais hilarios!

Responder

Bruno BK

27 de fevereiro de 2014 às 12h31

nada como o tempo pra trazer certas verdades a tona, a mascara aos poucos vai caindo e a verdadeira face do bandido vai se revelando….esse infelizmente, poderia ficar marcado na historia do brasil como o primeiro negro a chegar a tão elevado e importante cargo publico, porem vai ficar manchado pelos desatinos e pelo mau uso q anda fazendo de suas atribuições como presidente do stf….

Responder

maria backes

27 de fevereiro de 2014 às 09h27

vamos repassar, para nos fortalecer. (Confesso que não preciso ouvir desaforos anti-pt e anti-dirceu. meus filhos, meus irmãos e sobrinhos não foram completamente contaminados. de qualquer forma, são jovens que convivem com os desaforos e é sempre bom preveni-los. o texto do miguel do rosário poderá ajudá-los a manterem-se firmes…)

Responder

Hamilton

27 de fevereiro de 2014 às 09h21

Muito bom! Estou nessa sala de espera, o que me arrepia. Mas, em paz com minha consciência.

Responder

Nathalia Anconi Leishman

27 de fevereiro de 2014 às 12h18

Amei o texto!! Ja o video me fez chorar de ódio, como pode existir alguém tão arrogante, prepotente e mal educado?! Fala (grita) como se estivesse falando com leigos que nao soubessem quais são os seus verdadeiros interesses, como se nao conhecessem as manobras que ele fez para condenar os petistas na AP470, como se nao conhecessem os valores de escândalos de corrupção e nao soubessem que o caso do trensalão por exemplo, que este sim é dinheiro publico, foi desviado valores absurdamente maiores. Realmente, ele nao fala para o colegiado, fala para TV, dá show para advogadozinhos formados em faculdade particular de baixíssima qualidade se espelharem nele, fala pra uma classe media mal informada e manipulada pela grande mídia.
Esse homem me enoja, e para mim educação vem de berço, imagino então, como seja a mãe deste senhor, já a mãe do Barroso, ah esta deve ter orgulho de seu filho, mesmo nao concordando com tudo que ele disse, o admiro pela humildade e educação!

Responder

Marleide Leite

27 de fevereiro de 2014 às 12h06

Excelente!!!

Responder

Paulo

27 de fevereiro de 2014 às 08h22

Editorial publicado pelo jurista Sérgio Sérvulo da Cunha, em 18-11-2013, em seu )

Tiradentes

A Folha de São Paulo de hoje, 15 de novembro – dia da República (e dia em que escrevo este editorial) – fala de Tiradentes. Com a República ele tudo tinha a ver: eram republicanas suas convicções; seus principais planos, dizem os registros históricos, “eram estabelecer um governo republicano independente de Portugal, criar indústrias no país que surgiria, uma universidade em Vila Rica e fazer de São João del-Rei a capital. O primeiro presidente seria, durante três anos, Tomás António Gonzaga, após o que haveria eleições.”

Não é só a escassez de fontes que inibe, até hoje, a redação de uma biografia desse personagem: é também a predominância, durante tantos anos após sua morte, da teia de dominação que impedia o reconhecimento da sua real dimensão, humana e política.

Todos nós sabemos o que ocorria no Brasil-colônia, dos esforços lisboetas para que aqui não florescessem cultura, razão e consciência. Para que não houvesse aqui mentes livres, desagrilhoadas do poder dominante.

No seu Cancioneiro da Inconfidência, deplora Cecília Meireles: “A terra tão rica e – ó almas inertes! – o povo tão pobre… Ninguém que proteste!”

Faltavam ainda muitos anos, até que Hipólito José da Costa ousasse criar, em Londres, o Correio Brasiliense (1808), primeiro órgão livre da imprensa brasileira: “Propusemo-nos a escrever em Inglaterra para poder, à sombra de sua sábia lei, dizer verdades que é necessário se publiquem, para confusão dos maus e esclarecimento dos vindouros, verdades que se não podiam publicar em Portugal e nunca nos perdoaríamos a nós mesmos se omitíssemos o comunicar aos portugueses”.

Na história do jornalismo brasileiro, esse compromisso ético iria escasseando, frente à necessidade econômica. Já nas contas secretas de vários ministérios do Império (1853, 1857, 1858, 1865-1866) figuram recibos de jornalistas a quem o governo estipendiava. Campos Sales iria se referir, nas despesas feitas pelo governo com jornalistas, a uma “compra de consciências”. Domingos Meirelles (A noite das grandes fogueiras) diz que, no governo de Artur Bernardes, muitos jornais viviam exclusivamente às expensas do erário. “Em troca de apoio político, recebiam subvenções especiais ou empréstimos que nunca pagavam. Mantida com dinheiro público, a maioria da imprensa silenciava diante dos desmandos e atrocidades do governo.” Hoje, embora o “jabá” ainda seja significativo em algumas esferas de poder, a mídia deixou de ser subordinada ao governo, passando, entretanto, a depender dos seus anunciantes. A ponto de confessar Armando Nogueira, diretor da Central Globo de Jornalismo, que “a televisão é um veículo solidário com o sistema dominante.”

Creio que à permanência daquela inópia crítica, e, ao mesmo tempo, à inevitabilidade da verdade histórica, se referia a poetisa: “Que importa que o sigam e que esteja inerme, vigiado e vencido por vulto solerte? Que importa, se o prendem? A teia que tece talvez em cem anos não se desenrede. Lá vai para a frente o que se oferece para o sacrifício na causa que serve. Lá vai para a frente o animoso alferes!”

É nos autos do processo judicial que se buscam elementos para conhecer os fatos. Aí, as mesmas folhas que no passado condenavam os emancipadores, gritam, hoje, tal como Cecília, contra seus algozes: “Como se fazem de honrados os condes, de bolsos cheios!”

Nos autos do processo, mas não só neles: é toda a história posterior que fala contra a ambição mercenária, contra o servilismo das mentes, sublinhando a supremacia da igualdade e da liberdade. Diante destas, nada vale a hipocrisia oficial: “Maldito esse ouro que faz escravos, esse ouro que faz algemas, que levanta densos muros para as grades das cadeias, que arma nas praças as forcas, lavra as injustas sentenças.”

À falta de televisão, que não havia, vê-se na wikipédia que a leitura da sentença demorou dezoito horas, após o que aconteceu fanfarra e cortejo da tropa. O historiador Bóris Fausto aponta a intimidação como uma das possíveis causas para a preservação da memória de Tiradentes (cujo nome batismal, aliás, sabemos não ser esse), sustentando que o espetáculo acabou por despertar “a ira da população.” Já quanto à execução, anterior, do insurrecto Filipe dos Santos (ocorrida em 1720), dizia Cecília:

“Só de te ver agora,
ponho-me a chorar por ti:
por tuas casas caídas,
pelos teus negros quintais
pelos corações queimados
em labaredas fatais,
por essa cobiça de ouro,
que ardeu nas minas gerais”.

E continua:
“Quem vos deu poder tamanho,
senhor conde de Assumar,
jurisdição para tanto
não tinha, senhor, bem sei…
(vede os pequenos tiranos
que mandam mais do que o Rei!
onde a fonte do ouro corre,
apodrece a flor da Lei!)
Dorme, menino, dorme,
que Deus te ensine a lição
dos que sofrem neste mundo
violência e perseguição.
Morreu Filipe dos Santos,
outros porém nascerão!”

Sérgio Sérvulo da Cunha

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Eliana Rocha Oliveira Lana

27 de fevereiro de 2014 às 11h07

Excelente post.

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    Carlos

    27 de fevereiro de 2014 às 09h22

    Miguel, vc é o cara! só queria um pedacinho do seu QI.

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Alder Oliveira E Silva

27 de fevereiro de 2014 às 11h03

O ministro Barroso deveria ter tido que, quem faz discurso político é o JB.Aliás, deveria ter dito que o Barbosa usa o STF como trampolim para suas pretensões políticas. Quarentena para juízes políticos, JÁ.

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Gradisca Werneck

27 de fevereiro de 2014 às 10h54

muito bonito o texto! graças a ele comecei o dia com um sorriso =)

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Geraldo Amorim Filho

27 de fevereiro de 2014 às 10h53

kkkkkkkkkkkkkk

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Neto Peneluc

27 de fevereiro de 2014 às 10h47

Hoje ele deve ir com luvas, porque os embargos deverão ser acolhidos no primeiro voto do dia.

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Rogerio Carvalho

27 de fevereiro de 2014 às 07h26

Irretocável ! Expôs a essência do momento atual do STF !
Digno de ser lido e compartilhado.

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Bárbara Holanda

27 de fevereiro de 2014 às 10h07

Falou tudo!

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Mercia Belo

27 de fevereiro de 2014 às 09h50

Fatástico texto

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Márcio Specht

27 de fevereiro de 2014 às 08h19

Esse é perigoso. Pobre Brasil.

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