Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Análise de Conjuntura: Reforma ministerial
barra o impeachment

Por Miguel do Rosário

05 de outubro de 2015 : 15h41

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Um artigo no Valor de hoje, intitulado “Impeachment perde fôlego com reforma”, traz várias entrevistas com gente da oposição e consultores políticos.

Antonio Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), resume mais ou menos o que todos os entrevistados disseram: “o governo, que antes estava em posição desconfortável, com apenas 170 votos, consolidou uma base de 220 para barrar o impeachment. Para além disso vai depender do conteúdo e das concessões feitas.

O governo ainda tem espaço para conquistar votos desgarrados. Esses 220 votos são uma estimativa conservadora de votos – ao menos, em teoria – consolidados.

220 votos não aprovam uma CPMF, por exemplo, mas barram o impeachment.

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Tudo vai depender do jogo político dos próximos dias. O desempenho da economia, naturalmente, conta muito, e neste sentido, parece estar havendo uma mudança interessante na correlação de forças.

O “mercado”, essa instituição fantasmagórica e poderosa, parece ter se desgarrado dos anseios das alas mais radicais da oposição e tem reagido positivamente aos movimentos políticos do governo

Ou seja, agora que o mercado conseguiu o que queria, que o governo levasse adiante um duro ajuste fiscal, reduzisse o número de ministérios e assegurasse uma base parlamentar mais sólida, criou-se uma torcida no mercado pela estabilidade.

A bolsa brasileira cresce há cinco dias consecutivos. E o dólar registra outra baixa nesta segunda-feira, sendo cotado a menos de R$ 3,90.

A decisão do governo de confrontar Augusto Nardes, ministro do TCU que há meses circula pelas redações fazendo proselitismo político, alardeando um voto contra o governo antes mesmo de analisar as contas, causou boa impressão no mercado político.

O golpômetro caiu para nove pontos, a seu menor nível desde que o lancei, em 10 de setembro.

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Mas pode haver um repique nos próximos dias ou semanas, quando o TCU por fim dar a decisão sobre as contas da presidenta.

A própria mídia, talvez sentido a pressão das empresas por paz política, interromperam um pouco sua pregação golpista. No Globo, Merval está falando sozinho – como se o colunista representasse agora a extrema-direita dentro do jornal.

Ainda no Globo, um artigo de Sergio Moro aparece como manchete de capa do site. Aliás, Moro aparece em dose dupla na capa do Globo.

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Entretanto, o artigo de Moro não é de todo mal, embora ele continue insistindo em fazer o papel de Savonarola tupiniquim. Sempre que ele se vê tolhido pelos grilhões da lógica, é forçado a dizer platitudes óbvias, mas democráticas, como “a corrupção faz parte da condição humana. Isso não é um álibi, mas uma constatação”.

É um raciocínio antigolpista, porque vai contra as pregações bíblicas de um Gilmar Mendes, por exemplo, que parece atribuir toda a corrupção do Brasil ao PT.

A mensagem cifrada de Moro é a seguinte: não adianta derrubar a presidenta; não é assim que se mata a corrupção.

Não devemos nos empolgar muito, contudo. O texto de Moro é uma xaropada indecentemente autoritária, na linha do “todo poder ao judiciário”, dando loas à atuação lamentável do STF no julgamento da Ação Penal 470 e pregando a redução dos direitos à defesa. Neste sentido, é golpista também.

Na coluna de Ilimar Franco, encontramos um contraponto ao radicalismo antipetista de Merval Pereira. Reparem na notinha:

À reboque de organizações radicais: Embora façam um discurso de que não querem se confundir com a direita, os tucanos estão cada vez mais nas mãos desses movimentos sociais para mobilizar as ruas pelo impeachment da presidente Dilma. Os tucanos não admitem isso oficialmente, mas se associaram a esses grupos por ausência de força própria. Sobre o peso da opinião pública sobre a definição do voto, um quadro da oposição diz que ela afeta pouco candidatos a prefeituras, governos e Senado. Explica que à exceção de estados, como São Paulo, e a algumas regiões metropolitanas, os candidatos ao Legislativo estão mais sujeitos às chuvas e trovoadas dos interesses locais dos eleitores.

É uma notinha interessante, que ilustra a armadilha em que o PSDB caiu, sobretudo a partir de Aécio Neves, de se associar com facções radicais da direita. E lembra que as eleições locais não refletem de maneira tão direta os movimentos da opinião pública que afetam, por exemplo, a popularidade do PT e da presidenta. O eleitor local tende a votar segundo problemas locais. Mas é claro que a crise política vai afetar, e provavelmente enfraquecer o PT, mas talvez não tanto como a direita espera. Ou, quem sabe, o PT pode até continuar crescendo. Se valer de fato a proibição de empresas a campanhas políticas, e se o TSE marcar duro, os partidos que contarem com militâncias organizadas, como PSOL, PT e PCdoB, podem registrar um bom desempenho.

O PT, nos últimos doze anos, tem crescido sistematicamente nas prefeituras, ao contrário de PSDB e PMDB.

Na Folha, há uma entrevista, publicada com bastante destaque, que tem um poder de causar um forte impacto no debate sobre o impeachment.

O jurista Marcello Lavenerè faz afirmações que raramente aparecem na grande imprensa, como a de que os esforços da oposição pelo impeachment “tem cheiro de golpe, sim”, além de se posicionar, de maneira muito técnica e esclarecedora, contra o impeachment da presidenta.

A matéria afirma, com todas as letras, que o jurista corrobora a visão dos governistas, de chamar o impeachment de golpe. Segundo o jurista, reprovação de contas do TCU não serve de base jurídica para o impeachment, e lembra que uma quantidade enorme de juristas respeitados afirma que não há possibilidade técnica ou jurídica para o impeachment.

A entrevista de Lavanerè, publicada onde foi, com o destaque que foi, representa um balde de água fria nas pretensões da oposição.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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17 comentários

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Bob Klausen

06 de outubro de 2015 às 21h25

Vocês otimistas. Agora é esperar a bomba.

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Edson Luiz Raminelli

06 de outubro de 2015 às 19h37

Ótimo.

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Andre Espínola

06 de outubro de 2015 às 15h06

o problema é até quando dura o apoio dessa “base aliada”

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Wagner Ortiz

06 de outubro de 2015 às 10h21

Esta foto é elucidativa: quem aí não é golpista, levante a mão. Parecem urubus na carniça. Todos querendo aparecer na foto com o cunha.

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Rakhmetov Rakhmetov

06 de outubro de 2015 às 07h42

cada dia mais difícil defender o pt, heim?

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Vitor

05 de outubro de 2015 às 23h49

Teremos mais 3 anos de governo do PMDB, uhuuuu!!!!

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Francisco Soares

06 de outubro de 2015 às 01h56

#ForaDilmaDepressaParaNãoSermosPresosVamosParaOPSDB Blog Os Amigos do Presidente Lula

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Angela Maria

06 de outubro de 2015 às 00h05

Dilma FICA. Fora Cunha

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Kleber Silva

05 de outubro de 2015 às 22h20

Vamos juntos até 2018 e daí diante com Lula. O resto é chororô de derrotado.

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Airton Faé

05 de outubro de 2015 às 22h01

E ela governa?

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Edilson José Stocco

05 de outubro de 2015 às 21h54

O PT e seu mar de lama.

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Nair De Azevedo Rezende

05 de outubro de 2015 às 21h31

O jogo político foi sempre assim. Trocas ,acordos.Certo ou errado é assim que a coisa funciona. Sem isto não se governa. Dilma esta certa!

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Airton Faé

05 de outubro de 2015 às 20h35

Custou 7 ministérios. Não divulgaram quantos cargos.

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Thiago Luz

05 de outubro de 2015 às 20h34

barra o cacete! isto é barganha de quadrilheiros. estão dividindo o butim que sabem, é perdido. penduram na jugular da anta, sabendo que estão sugando as últimas gotas antes que avançem pra devorar a carniça.

Responder

Marcos Souza

05 de outubro de 2015 às 17h16

Caro Miguel, seu amado Pizzolato, em breve estará de volta ao Brasil. Organize uma caravana para receber Pizzolato de braços abertos na volta ao Brasil. Mate as saudades, Miguel. É mais um petista atrás das grades no Brasil

Responder

    Augusto Gouveia

    05 de outubro de 2015 às 19h55

    Tenho esperanças em que um mundo habitado por seres humanos se torne cada vez mais hostil a vermes como o Sr, Marcos Souza.

    Responder

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