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Moraes tira as armas de Bolsonaro e Reinaldo Azevedo chancela decisão com argumento chocante

0 Comentários🗣️🔥 O ministro manteve a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, mas cortou seu acesso a armas de fogo. Na avaliação do colunista, a medida evita um risco que ninguém quer nomear: o de Bolsonaro atentar contra a própria vida. O Supremo Tribunal Federal deu, nesta sexta-feira (3), mais um capítulo ao processo que discute […]

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O ministro manteve a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, mas cortou seu acesso a armas de fogo. Na avaliação do colunista, a medida evita um risco que ninguém quer nomear: o de Bolsonaro atentar contra a própria vida.

O Supremo Tribunal Federal deu, nesta sexta-feira (3), mais um capítulo ao processo que discute os limites da prisão domiciliar concedida a Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes manteve o benefício humanitário concedido ao ex-presidente — condenado a 27 anos e três meses de prisão por comandar a trama golpista que desaguou nos atos de 8 de Janeiro —, mas endureceu as condições da medida: revogou o porte de arma de Bolsonaro, cancelou seu Certificado de Registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e determinou a apreensão de todo o arsenal registrado em seu nome.

De acordo com decisões judiciais consultadas por diferentes veículos, a lista de armamentos a ser recolhido pela Polícia Federal no Distrito Federal, em até 48 horas, inclui dez itens: pistolas de calibres .380, .40 e 9mm, carabinas/fuzis e espingardas de calibre 12. A defesa de Bolsonaro já havia sinalizado, em petição enviada horas antes da decisão, que o ex-presidente abriria mão do equipamento bélico.

O estopim: uma Glock parada numa blitz

Toda a movimentação tem origem em um episódio ocorrido na noite de 15 de junho, em Brasília. Uma pistola Glock, calibre 9mm, registrada em nome de Bolsonaro, foi encontrada durante uma abordagem de rotina da Polícia Militar do Distrito Federal a um Honda Civic no Pistão Norte.

Quem dirigia o veículo era o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional que atuava na segurança do ex-presidente. Consultado o sistema Sigma, do Exército, confirmou-se que a arma pertencia a Bolsonaro. Em depoimento, o militar afirmou que o armamento lhe fora entregue para reparo, após apresentar uma pane.

A Polícia Civil do Distrito Federal apurou o caso, mas concluiu que a arma estava regularizada e que Bolsonaro não cometeu crime — ainda que o sargento tenha sido indiciado.

A Procuradoria-Geral da República, sob o parecer do procurador-geral Paulo Gonet, seguiu a mesma linha: não haveria “falta grave” capaz de justificar o retorno do ex-presidente ao regime fechado. Moraes acompanhou esse entendimento em sua decisão.

Mas o ministro foi além do que a PGR havia sugerido. Considerando incompatível a manutenção de armas de fogo nas mãos de alguém em prisão domiciliar por razões humanitárias, determinou o recolhimento de todo o arsenal — não apenas da pistola apreendida na blitz.

Na decisão, Moraes deixou um recado direto: o descumprimento de qualquer medida cautelar, a partir de agora, implicará “revogação e retorno imediato ao regime fechado”.

Bolsonaro cumpre a prisão domiciliar humanitária desde 27 de março, após período internado para tratar uma broncopneumonia. A medida havia sido concedida inicialmente por 90 dias; agora foi renovada sem prazo definido, mantendo o ex-presidente sob monitoramento eletrônico, proibido de usar celular, acessar redes sociais — mesmo por interposta pessoa — ou gravar vídeos, e impedido de receber visitas sem autorização do relator.

Reinaldo Azevedo chancela a decisão — e expõe o argumento que poucos queriam dizer em voz alta

É nesse contexto que entra a análise do jornalista Reinaldo Azevedo, publicada em sua coluna no Metrópoles. Azevedo classificou a decisão de Moraes como “impecável” e foi direto ao ponto que a maior parte da cobertura factual evitou explicitar: o risco de autolesão.

Segundo o colunista, dado que é sabido que Bolsonaro toma medicação capaz de alterar seu estado de ânimo, a manipulação de armas de fogo representaria “risco óbvio a terceiros e a si mesmo”. Nas palavras do próprio Azevedo: “Pergunta óbvia de resposta tão desconhecida como, vejam que coisa!, igualmente óbvia: e se, num lapso qualquer, ele atentasse contra a própria vida?”.

Azevedo prossegue amarrando a lógica jurídica da decisão: “Assim, Moraes mantém a domiciliar, reconhecendo que esta contribui para sua maior sanidade física, mas toma as medidas que estão a seu alcance para afastá-lo das armas, sendo, pois, correta a revogação de seu porte de arma e de seu registro como CAC”.

É uma leitura que produz um curto-circuito interessante no debate público: o mesmo campo político que historicamente tratou o “arsenal” de Bolsonaro como símbolo de força e resistência agora vê, na avaliação de um comentarista frequentemente crítico ao bolsonarismo, a arma sendo reenquadrada como fator de risco — inclusive para o próprio dono.

O que fica em aberto

A decisão de Moraes não altera a condenação de Bolsonaro nem estabelece novo prazo para a prisão domiciliar — ela seguirá sendo reavaliada conforme a evolução clínica do ex-presidente. O que muda, na prática, é o cerco em torno de um símbolo caro ao imaginário bolsonarista: a posse de armas. Um ex-presidente que fez do armamento civil bandeira central de seu projeto político perde, por ordem judicial, o próprio direito de guardar as suas.

Se o precedente vai pesar em decisões futuras sobre o cumprimento da pena — ou se será apenas mais um capítulo isolado na longa novela judicial de Bolsonaro —, é algo que só as próximas semanas dirão.

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