A resposta de Lula à pistolagem de hoje

A bandidagem midiática não pára.

Todo dia tem uma nova pistolagem política.

A nota do Instituto Lula, reproduzida abaixo, esclarece um ponto essencial na pistolagem de hoje: o que a impresa publica, como sempre coletivamente, à maneira de grupos mafiosos, como uma delação que “liga” Lula a alguma coisa, não passa de ilação barata de Cerveró, ou mais provavelmente de seu interrogador, que deve ter interposto pergunta capciosa, feita somente para forçar o réu a dar uma resposta de seu agrado, uma resposta que fornecesse manchetes à mídia.

Provas? Não nos façam rir.

Não é preciso sequer verossimilhança para se publicar uma pistolagem.

As narrativas nem precisam fazer sentido: propinas são pagas cinco anos depois, ou cinco anos antes ao ato de ofício; medidas provisórias “vendidas” pelo governo são defendidas pela oposição; doações de tal empresa para um partido são criminosas, e as mesmas doações, da mesma empresa, para outro partido, são legais, embora ambas estejam devidamente registradas; as histórias são todas surreais, incoerentes, inverossímeis.

Nada disso importa se a história marca pontos no jogo sujo da política.

O objetivo é um só, e todas as armas são apontadas para o mesmo alvo: destruir Lula e o PT.

A politicagem barata e o preconceito político estão corroendo até mesmo o esforço do Estado brasileiro para combater a corrupção.

Vazamentos seletivos vulgarizam completamente a delação premiada, que se tornou fonte inesgotável de informações distorcidas.

Essas delações, aliadas a uma espionagem monstruosa, de fazer inveja ao NSA, ambas conduzidas sem critério, sem controle, fornecem à mídia material abundante para montagem de todo o tipo de conspiração política.

É o que fazem, todos os dias, sob patrocínio – ó suprema e trágica ironia – da Petrobrás.

O governo, intimidado e confuso, incorporando ao avesso os versos de Augusto dos Anjos, “afaga essa mão vil que o apedreja / e beija essa boca que te escarra”.

Leiam a nota do Instituto Lula.

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NOTA À IMPRENSA

Lula já desmentiu à PF ilações de delator

São Paulo, 12 de janeiro de 2016,

As questões levantadas pela imprensa com base em delação atribuída a Nestor Cerveró já foram esclarecidas pelo ex-presidente Lula no foro apropriado: um depoimento à Polícia Federal em 16 de dezembro de 2015.

Ouvido na condição de informante – já que não é investigado e sequer foi arrolado como testemunha na chamada Operação Lava Jato – Lula afirmou que Cerveró foi nomeado diretor da Petrobrás e da BR Distribuidora por indicação de partido da base aliada.

Lula não tem e não teve relação pessoal com o delator, muito menos o sentimento de “gratidão” subjetivamente atribuído a ele. Embora sob sigilo judicial, as declarações de Lula foram vazadas para a TV Globo menos de 48 horas depois (http://globoplay.globo.com/v/4686375/).

A delação de Cerveró é datada de 7 de dezembro, de acordo com a Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/01/1728423-delacao-de-cervero-liga-lula-a-emprestimo-sob-investigacao.shtml), e só foi vazado agora, também de forma ilegal. É surpreendente que o exército de jornalistas “investigativos” na cobertura da Lava Jato não tenha relacionado as perguntas feitas a Lula no dia 16 e as ilações produzidas pelo delator no dia 7. A divulgação tardia de ilações já esclarecidas tumultua ainda mais um noticiário parcial e distorcido.

No depoimento à PF, Lula negou ter tratado com qualquer pessoa sobre supostos empréstimos ao PT ou sobre a contratação de sondas pela Petrobras, que são objetos de investigação. Esclareceu ainda que fez apenas duas indicações pessoais na Petrobrás: os ex-presidentes José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli. Os demais diretores da estatal e de empresas controladas foram indicados por partidos, como aliás ocorreu e ocorre em outros governos no Brasil e em outras democracias ao redor do mundo.

Apesar da campanha de boatos e falsas denúncias de que tem sido alvo, Lula não responde a nenhuma ação judicial, porque sempre atuou dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente do Brasil.

O Instituto Lula tem por norma não comentar e não divulgar documentos protegidos por sigilo judicial, mas abre uma exceção, neste caso, para reproduzir trechos do depoimento de Lula à Polícia Federal (em imagem abaixo), que já se tornaram de conhecimento público por meio da imprensa, que já o colocou na íntegra na internet:

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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