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Drama argentino

Por Luis Edmundo

27 de junho de 2016 : 16h03

Foto: ED

Por Luis Edmundo Araujo, editor de esporte do Cafezinho

No início foi um sonho para o futebol argentino. Nem bem dez anos haviam decorrido da despedida de Diego Armando Maradona e já surgia outro camisa 10 canhoto, com potencial para gênio, que era tratado como joia pelo Barcelona e tinha 17 anos quando começou a disputar o Mundial Sub 20 de 2005, completou 18 durante a competição e comemorou com o título e gols decisivos contra o Brasil, na semifinal, e contra a Nigéria, na final, ele que foi ainda o artilheiro e o melhor jogador do torneio, disputado na Holanda. Em sua apresentação ao mundo com a camisa azul e branca da seleção de seu país, Lionel Messi aparecia como campeão mundial Sub 20, a exemplo de Maradona, campeão mundial da categoria em 1979, no Catar.

Um ano depois, Messi ainda não era titular nem na seleção nem no Barcelona, campeão europeu da temporada 2005/2006, onde o dono da festa ainda era Ronaldinho Gaúcho. Mas foi à Copa do Mundo da Alemanha, entrou em alguns jogos, fez até gol e escapou ileso da eliminação nos pênaltis, diante dos anfitriões alemãs, nas quartas-de-final, até porque não participou desse jogo. A derrota para o Brasil na decisão da Copa América de 2007, na Venezuela, parecia um percalço natural, mesmo que a Seleção Brasileira não estivesse com seus principais craques, mesmo que a Argentina fosse franca favorita, mesmo que ninguém esperasse o placar de 3 a 0 para os brasileiros na final. Tudo isso foi compensado com outra grande conquista, inédita até para a Seleção Brasileira pentacampeã mundial: a medalha de ouro na Olimpíada de 2008, em Pequim, vencendo novamente o Brasil na semifinal, devolvendo o placar de 3 a 0, e de novo a Nigéria na decisão.

A essa altura Messi já era titular absoluto do Barça, mas só no ano seguinte, com novo título europeu e gol na final, em seu primeiro grande confronto contra Cristiano Ronaldo, e o primeiro de seus cinco troféus de melhor jogador do mundo segundo a Fifa, virava estrela da companhia. A Copa de 2010, portanto, na África do Sul, seria o momento da explosão, de se consagrar definitivamente com o título que, na categoria profissional, a Argentina buscava desde a Copa América de 1993. Maradona era o treinador, Messi teve uma grande atuação na primeira fase, contra a Grécia, mas nas quartas-de-final havia, novamente, os alemães no meio do caminho, e a derrota por goleada deu início às suposições de que o casamento de Messi com a camisa da Argentina não era tão feliz quanto parecia no início, o que em parte foi confirmado por nova eliminação na Copa América, em 2011, dessa vez em casa, também nos pênaltis, e contra o rival histórico Uruguai, que acabaria campeão.

Enquanto isso, em seu clube, Messi só vivia alegrias. Campeão europeu mais uma vez em 2011, de novo contra o Manchester United na decisão, eleito o melhor de mundo em 2010, 2011 e 2012, além de 2009, e também campeão mundial com o Barça em 2009 e 2011, ele não tinha mais nada para conquistar em termos de clube. Faltava a seleção, e mordido, querendo acabar de vez com o tal tabu, o craque argentino veio ao Brasil para a Copa do Mundo, liderou novamente sua seleção, fez gols importantes, chegou à final e, mais uma vez, viu o sonho da glória com a seleção escapar pelos pés alemães, na prorrogação.

No ano passado, a derrota na decisão da Copa América para o Chile, que jogava em casa e venceu a competição pela primeira em sua história, veio entremeada com nova grande conquista no Barcelona, mais um campeonato europeu que virou Mundial no fim do ano, contra o River Plate, e mais uma bola de ouro como melhor do mundo. Nesta Copa America Centenário, Messi liderou novamente sua seleção, fez belos gols, mas não na decisão, de novo contra o Chile, de novo nos pênaltis, e dessa vez com o requinte de crueldade de ter sido Messi o jogador a perder o primeiro pênalti da série argentina, logo após o craque do Chile, Vidal, desperdiçar sua cobrança e encher os argentinos da esperança de por fim, finalmente, ao jejum de 23 anos sem conquistas no futebol profissional. Messi perdeu seu pênalti e ficou desolado até a última cobrança, cabeça baixa, sem acreditar no que tinha acontecido. Terminado o jogo, chorou com mais uma derrota, e anunciou que era o fim de sua relação com a seleção argentina, que não mais jogará com a camisa azul e branca.

“A seleção acabou pra mim. É a quarta final que perco, a terceira seguida. É um momento duro pra mim e pra toda a equipe, é muito difícil. Queria muito dar um título de campeão para a Argentina, mas saio sem o conseguir. Fiz tudo que podia, mas isso não é pra mim… Perder mais uma final, custa-me muito, sobretudo nos pênaltis, mas minha decisão está tomada”.

A decisão de Messi também tem relação com críticas à Associação de Futebol Argentino (AFA) feitas pelo craque antes da decisão da Copa America Centenário, e pode ter um efeito dominó com outros jogadores, como Javier Mascherano e Angel Di Maria. Aos argentinos, e aos amantes do futebol em geral, resta, agora, a esperança de que até a Copa do Mundo de 2018, Messi ainda mude de ideia.

luis.edmundo@terra.com.br

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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2 comentários

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Maurilio

27 de junho de 2016 às 22h25

Decime qué se siente, Argentina… kkk

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João Luiz Brandão Costa

27 de junho de 2016 às 18h16

Hasta la vista Baby, Vaya con Diós.

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