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A 32ª fase da Lava Jato e a ilusão da justiça isenta

Por Pedro Breier

07 de julho de 2016 : 09h46

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho

Foi deflagrada hoje a 32ª fase da Lava Jato, chamada Caça-Fantasmas. Foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e sete de condução coercitiva. Incrivelmente não há nenhum mandado de prisão preventiva dessa vez. O principal alvo é Edson Paulo Fanton, que seria o responsável pelo FPB Bank, uma instituição bancária do Panamá que atuaria no Brasil sem autorização do Bacen. A instituição também comercializaria empresas off-shore que eram registradas na panamenha Mossack Fonseca, centro do Panamá Papers e alvo da 22ª fase da Lava Jato.

Segundo a Folha, “Edson Fanton é parente em primeiro grau do delegado da Polícia Federal Mário Renato Castanheira Fanton, que acusou a cúpula de delegados da Operação Lava Jato de irregularidades e coação, como a instalação de um grampo ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef. O delegado, juntamente com um agente da PF, apontados como “dissidentes”, foram denunciados por se associarem para ofender a honra dos colegas”.

Claro que se há irregularidade cometida pelo tal banco panamenho deve haver investigação e punição. Mas o questionamento é inevitável: qual a isenção dos delegados da Lava Jato para investigar um parente do delegado apontado como “dissidente” pelos integrantes da operação? A história do grampo ilegal e outras irregularidades cometidas pelos integrantes da Lava Jato é cabeluda e foi muito bem apurada pelo repórter Marcelo Auler. A hipótese de que a PF está atuando em perseguição a desafetos de delegados é assustadora mas não pode ser descartada.

O retorno da Mossack Fonseca aos holofotes lembra também outro episódio de atuação partidária da Lava Jato. A 22ª fase da Lava Jato foi chamada de operação Triplo X, referência ao apartamento triplex no Guarujá atribuído a Lula. Quando os investigadores descobriram ligações entre a Mossack Fonseca e a família Marinho, dona da Globo, a operação recuou. Prisões temporárias não foram convertidas em prisões preventivas, o que destoa do padrão Moro de atuação, e a Lava Jato deixou o assunto pra lá. Detalhes nessa reportagem da Carta Capital.

O braço armado do Estado deve ser muito bem fiscalizado e debatido pela sociedade. Se a atuação policial não é questionada criam-se as condições para termos uma polícia política, que escolhe seus alvos a partir de critérios pessoais/partidários, típica de ditaduras. É o que acontece no Brasil: a polícia perseguiu ou a justiça condenou? A pessoa só pode ser culpada. Policiais e juízes são vistos como máquinas que atuam somente de acordo com a lei e jamais por interesses pessoais e políticos. E para a difusão do mito da justiça isenta temos a contribuição essencial da mídia concentrada, sempre ela. Se esta utilizasse 1% do tempo que dedica a achincalhar políticos para discutir criticamente a ação policial talvez os órgãos de repressão fossem obrigados a levar a palavra isenção mais a sério.

 

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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9 comentários

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Pinheiro CFC

07 de julho de 2016 às 13h53

É lamentável esse tipo de “matéria”, o argumento agora é que o investigado não pode ser parente de quem fala mal da Lava Jato. Por qualquer argumento que possam inventar, eu, como a maioria dos brasileiros estamos tranquilos pois, como diria a sabia musica , [… Quem tem C# tem medo…]

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João Bosco

07 de julho de 2016 às 13h26

A Mossack Plim! Plim! de novo?

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Antonio Passos

07 de julho de 2016 às 13h23

É assustador perceber que não existe reputação a salvo no Brasil. Basta um “poderia ser” para justificar uma ação de invasão de privacidade, com a conseqüente difusão pela mídia e o assassinato de uma reputação. Se já foi ensaiada até com um ícone como Chico Buarque, porque não o seria com Boff, Chauí ou mesmo um jurista “dissidente” do golpe ? As garantias constitucionais ACABARAM. Esta é a realidade do Brasil

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    Pinheiro CFC

    07 de julho de 2016 às 13h59

    “As garantias constitucionais ACABARAM” , diga isso por você, pra mim que sou cidadão de bem e que não tenho um pingo de culpa no cartório estou achando é pouco, Como diria o outro [-Se peruntar na prisão -Quem é inocente ? Todos se portarão a frente. Afinal, coitadinho deles não é, a culpa é da sociedade, que se dane as vitimas..] Vai entender. Tem gente que prefere morrer afogado com estas idéias comunistas do que abrir o olho pra realidade. Vai pra Cuba ou Coréia do Norte ja que não esta bom aqui.

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Henrique Dias

07 de julho de 2016 às 12h39

O começo do fim.

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Tiago Bevilaqua

07 de julho de 2016 às 11h54

O que tem esse banco a ver com a Petrobras, a não ser a ânsia de monopólio por parte da república de Curitiba do que tiver a ver com corrupção (inclusive as supostas)

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    Octavio Filho

    07 de julho de 2016 às 12h37

    Em uma das delações contra o Aécio e sua irmã, o Aécio foi acusado de receber propina de Furnas. Mas o Moro não quis investigar nem a irmã dele, com a desculpa de que não se tratava da Petrobras. Eu fico imaginando que, se tivéssemos um Judiciário e um CNJ de fato funcionando, o Moro já estaria respondendo a algum tipo de processo.

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      Pinheiro CFC

      07 de julho de 2016 às 13h55

      Mas tem haver com a Lava Jato ? Furnas? Se o Moro resolve esta errado, se não resolve também esta errado. O que voces querem? QUEM TEM QUE RESOLVER O PROBLEMA DO BRASIL É O PRESIDENTE DA REPUBLICA não um Juiz, agora, se a Presidente é incompetente não há o que se fazer.

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      Octavio Filho

      07 de julho de 2016 às 14h19

      Incompetente são os políticos do PSDB. Eles só conseguem fechar o balanço dos seus governos através de empréstimos e vendas de estatais. O eleitor do PSDB é tão idiota que ele acredita que os governos do PSDB deixam o caixa no azul. Com relação ao Moro, os coxinhas sempre tem uma desculpa para não criticá-lo. Alguém sabe desenhar? Então explica para os coxinhas que a Eletronuclear também não tem nada a haver com a Petrobras. Ela na verdade é uma cisão de Furnas. Nem instituição bancária. E toda a justificativa para envolver qualquer empresa que não seja a Petrobras na lava a jato, poderá ser usada para envolver Furnas. Como o Moro não permitiu a investigação sobre Furnas, fica claro que ele não queria investigar a família do Aécio (a irmã foi citada como o elo na cadeia da propina), já que o Aécio só pode com a permissão do STF. Como o Moro e a PF de Curitiba se mostram partidários, é admissível pensar que eles prejudiquem o PT em suas investigações. Pois, um juiz que é desonesto a ponto de tentar encobrir os crimes de uma determinada pessoa, pode ter a capacidade de ser desonesto e acusar injustamente outra pessoa. Por favor, mostre o desenho para os coxinhas de plantão nesta página, quem sabe eles entendem!!

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