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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Nove fatos que mostram que Pedro Parente é (um indicado) político

Por Tadeu Porto

07 de julho de 2016 : 15h15

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Por Tadeu Porto* (@tadeuporto), colunista do Blog O Cafezinho

O historiador Leandro Karnal, em sua recente entrevista para o Roda Viva, cravou uma frase que, para mim, soou clássica: “A demonização da política é a pior herança da ditadura militar”.

Karnal – intelectual que sabe bem utilizar as mídias sociais para difundir suas ideias – deixou claro em suas colocações (acerca da “bobagem conservadora que é a escola sem partido), que toda a opinião é política. Consequentemente, podemos abstrair que tomadas de decisões seguem a mesma lógica, ou seja, as ações de todo nós, ancoradas em nossas convicções, são frutos de posicionamentos políticos e, portanto, políticas.

Procuro ter uma estima republicana pelo atual presidente da Petrobrás, mesmo não concordando com a indicação dele por um governo provisório, que se estabeleceu, na minha humilde visão, por um golpe de Estado parlamentar. Sendo assim, dentro do respeito ao debate, tomei a liberdade de abrir uma discussão sobre uma frase que Parente disse em um texto-mensagem escrito para petroleiros e petroleiras no dia 04 de julho de 2016: “não sou político, nunca tive atuação partidária”.

Seguindo o pensamento do Leandro – o qual eu concordo em gênero, número e grau – se pode inferir que o presidente do conselho da BMF&Bovespa é político e, infelizmente, ao adotar o discurso retórico da apolítica ele acaba contribuindo para a herança ignorante que a ditadura nos prestou.

E no sentido de fomentar meu contraponto republicano ao senhor diretor presidente da Petrobrás, listei aqui nove fatos que corroboram com a tese Parente é político. São esses:

1) Fora Temer;

2) Pedro Parente é um ser humano e, consequentemente, um “animal político” segundo o pensador mais influente do mundo, Aristóteles;

[Dava para parar aqui, não é? Mas vamos extrapolar para um conceito mais senso comum de política]

3) Parente é fruto de uma indicação de um político, no caso o vice presidente em exercício Michel Temer que, além de estar inelegível por 8 anos e não poder se candidatar, ainda é citado em delações por repasse de propina ao PMDB. Claro, até que se prove o contrário Temer é inocente, todavia, mesmo de forma legal, participar da articulação de doações eleitorais é uma atividade fortemente política;

4) O presidente interino da Petrobrás faz parte de uma equipe de governo demasiadamente fisiológica. Vejam, por exemplo, os “notáveis” também indicados por Temer & Cia: o filho de Paulinho da Força para o Incra (que tem no currículo a façanha de criar pimentões em estufa da família); Gustavo Perrella, dono de um helicóptero pego com 450kg de pasta base de concaína; Bruno Santos, secretário da juventude, acusado de agredir a ex-mulher e assediar sexualmente uma ex-funcionárias; e, pra finalizar, cinco exemplo de ministros “suspeitos” como o Ricardo Barros (Saúde) investigado pelo STF,  Quintella (Transportes) acusado de desviar merenda em Alagoas, Eliseu Padilha (Casa Civil)  réu em uma ação civil de improbidade administrativa, Geddel Vieira (Secretaria de Governo) e José Serra (Relações Exteriores) que é alvo de processo de reparação de danos também por improbidade administrativa;

5) O liberalismo privatista defendido por Pedro é uma ideologia, aplicá-lo, portanto, é fazer o uso da política. A indicação de um entusiasta da privatização para uma diretoria (Nelson Silva que ajudou a vender a BG para principal concorrente da Petrobrás), portanto, é uma escolha sobre o rumo de uma companhia de capital misto que tem impacto direto na vida de todos os brasileiros e brasileiras, fato impossível de desvincular da política;

6) Pedro tem raízes no mundo tradicionalmente político: foi do governo Collor e FHC, sendo ministro chefe da casa civil deste. Sinceramente, tem como alguém ser ministro chefe do executivo, num presidencialismo de coalização, sem ser político ou não ter atuação partidária?;

7) Por atos da vida pública no passado – que obviamente interessa na política – Pedro Parente responde a processo no STF atualmente. Portanto, por mais que se classifique sendo 100% técnico, o ex-ministro do apagão tem tomadas de decisões questionadas e, consequentemente, pode vir a responder por elas no futuro caso a justiça entenda assim.

8) Se não tivesse atuação na política, Parente não estaria enquadrado na “lei das estatais”, tão elogiada pelo vice-presidente em exercício. O perfil técnico de Parente não é suficiente para que ele assuma a Petrobrás pela nova norma, uma vez que ele não tem dez anos de experiência na área de óleo e gás. Pedro só tem acesso a presidência-diretoria por ter experiência de mais de quatro anos em comissão ou confiança no setor público (bem político, não é?);

9) A carreira “técnica” de Parente é recheada de empresas que interagem com o serviço público: BMF&Bovespa que negocia ações de empresas de capital misto; o Banco do Brasil; o FMI, que chegou a ditar rumos econômicos no governo FHC e a RBS, que funciona por concessão pública.

10) Parente não tem um perfil técnico no setor óleo e gás e a única experiência que ele tem no setor, no CA da Petrobrás, é desastrosa a potno de tentar emplacar um logo de alta rejeição (o PetroBrax) e participar de decisões que culminaram no afundamento de uma plataforma e vazamentos de alta proporção. Sendo assim, com uma experiência tão pobre no setor petróleo, há de se imaginar que o fator político pesou muito na escolha do presidente.

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF)

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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5 comentários

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Pedro Pedro

08 de julho de 2016 às 17h26

Ele não é político, pois, não passa de um politiqueiro-arrivista-negociante-das-coisas-públicas: era conhecido como pedro caspas parente.

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Gringani Crestani

07 de julho de 2016 às 17h55

Faltou o dado mais relevante. Quando FHC foi apeado do Planalto, a RBS acolheu, por gratidão, Pedro Parente, que agora, pelas mãos de Eliseu Rima Rica, retorna para transformar a Petrobrás em Petrobrax. É indicação da famiglia Sirotsky!

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Pinheiro CFC

07 de julho de 2016 às 16h20

Mas que busca é essa de mostrar que Pedro Parente é indicado politico? TODOS os indicados anteriores pelo Lula/Dilma não eram? Pra eles servem e pros outros não?

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    Atreio

    07 de julho de 2016 às 17h08

    mas vc leu os currículos e comparou? pq esse aí é “de peso”….

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    Dilbert

    07 de julho de 2016 às 17h20

    E também pq o Temerário disse que está avalizando uma lei que impedirá a negociação política com cargos diretivos de estatais.
    Uma daquelas ações para resolver o problema da corrupção brasileira que começou com o PT;
    Então, quem quer impedir o uso político das estatais não está dando um bom exemplo.

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