Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Ministra Cármen Lúcia transforma a República num grande mural de Facebook

Por Tadeu Porto

11 de agosto de 2016 : 18h55

Por Tadeu Porto* (@tadeuporto), colunista do Cafezinho

Fui escrever esse título sem saber se acentuava, ou não, a palavra Carmen. Claro que fui recorrer ao Google e relembrei que em algum tempo da minha vida eu soube que paroxítonas terminadas em “n” precisam de acento. Obviamente, também fui ao site do STF para ver a correta escrita do nome da nova presidenta da entidade, afinal nomes têm total liberdade poética para fugir de mordaças gramaticais.

Não fico tão chateado com essa minha dúvida gramatical. A compreendo, inclusive, pois foi num Intel i486 – numa infância extremamente fértil para descobertas – que cansei de ler o nome Carmen Sandiego quando tentava encontrar uma hábil criminosa. Ademais, sempre tive grande admiração pela atriz e cantora Carmen Miranda (achava fenomenal o fato dela estar na calçada da fama).

Meu coração realmente briga com razão quando o assunto é a escrita. E é natural que seja assim, afinal, entre a linguagem e o vocabulário há um abismo onde mora grandes surpresas, como, por exemplo, o livro Quarto de Despejo da escritora Coralina Maria de Jesus que também tive a oportunidade de desfrutar ainda bem jovem.

Me surpreendeu, portanto, que a magistrada Cármen Lúcia tenha tratado a iniciativa da presidenta usurpada, Dilma Rousseff, de recorrer a uma variação antiga da língua portuguesa para quebrar, de certa forma, o machismo que imperou e ainda impera na cadeira do executivo com uma ironia absurda e num momento totalmente inoportuno, e um discussão feita de maneira incrivelmente deselegante, com direito a anedota de Gilmar Mendes [me diga com quem tu andas] e uma frase patética “eu fui estudante e sou amante da língua portuguesa”.

Bom, talvez a magistrada tenha aprendido o mesmo português que levou Merval Pereira e Fernando Henrique Cardoso para a academia brasileira de letras, mas tal dedicação, infelizmente, parece ter tomado um tempo precioso na vida dela, substituindo importantes aulas como de direito e história, reforçando essa visão o conservadora e retrógrada do preconceito linguístico.

Num cenário onde o ex-presidente da câmara foi afastado numa decisão inédita pelo judiciário; o supremo foi citado num áudio como possível integrante de um “pacto nacional” para parar a Lava-Jato onde estava; Gilmar Mendes foi pego de surpresa na Suécia e passou uma vergonha avassaladora, não só no Inglês medíocre – deveria usar tradutor – mas também por desenhar ao mundo que o impeachment é um golpe parlamentar; Renan Calheiros acusou o STF de só pensar em dinheiro e o governo de Michel Temer já deu sinais que o Brasil não tem condições de cumprir a constituição.

Nesse quadro, no qual a Nova República passa por sua maior crise, com total descrédito em toda atuação política, qual o principal assunto da posse do cargo de presidência do judiciário (um dos três poderes)? Se presidenta ou presidente está certo ou não.

É tão absurdo que parece piada. Mas não é, é apenas a maneira superficial e negligente com que nossa classe política trata os problemas brasileiros, de forma tão rasa que parece tentar construir a nossa democracia com uma página do Facebook.

Vivemos um momento em que o legislativo impõe manobras que ajudam Cunha, anistiam corruptos e preparam um golpe para eleger, indiretamente, um usurpador covarde que sequer tem a coragem de se apresentar ao mundo ou enfrentar meia dúzia de vaias. Como a lei de murphy é implacável, soma-se a isso um judiciário comprometido com as “alfinetadas” e as indiretas, ao invés de se posicionar sobre o maior ataque que a constituição de 1988 já sofreu.

E assim caminha nossa República, de bananas a redes sociais, como uma democracia de fofocas, indiretas, desabados, ataques preconceituosos, retratos falsos e exploração da vaidade, porcamente disfarçada por um carpe diem que tenta ludibriar seguidores e seguidoras, na forma de “instituições democráticas em seu funcionamento pleno”.

Funcionando, sim, igualzinho o Tico-tico: doidinho pra comer nosso fuba.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF).

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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31 comentários

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JOHN J.

25 de agosto de 2016 às 00h45

• JOAQUIM BARBOSA E O GOLPE DOS CORRUPTOS DO PMDB E PSDB CONTRA A DEMOCRACIA
https://www.youtube.com/watch?v=05clf9qffim
• QUEM É GILMAR: http://www.correiocidadania.com.br/antigo/ed296/politica.htm
BANDIDOS DE TOGA – https://www.youtube.com/watch?v=whkierwmg-4
SERRA 23 MILHÕES: https://www.youtube.com/watch?v=G0ajEf_jSRk

‘FUI DO PSDB DEZ ANOS. NÃO SOBRA NINGUÉM’, diz Sérgio Machado. (ex-presidente da Transpetro)
Em conversa divulgada por jornal, Renan Calheiros, presidente do Senado disse que o colega Aécio Neves ‘está com medo’ de possível investigação.
O DIA – http://odia.ig.com.br/brasil/2016-05-25/fui-do-psdb-dez-anos-nao-sobra-ninguem-diz-sergio-machado.html
PSDB = Partido Só De Bandidos

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Valquirio de M. Barbalho

17 de agosto de 2016 às 17h50

PIADINHA QUENTINHA PROFESSORES? – para os que querem rir um pouco:

https://www.facebook.com/groups/1633180710297722/1771666603115798/?notif_t=like&notif_id=1471203874337397

– para quem quiser ver a discussao do assunto sob um prisma um pouco mais serio:

https://www.facebook.com/valbarbalho/posts/10154410858917866?notif_t=like&notif_id=1471291534351115

boa leitura, via Facebook.

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Marcelo Gaúcho

12 de agosto de 2016 às 15h43

Uma aula extra para uma ex-estudante ministra que recebeu troféu-propina da globo.

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Lucia Maria

12 de agosto de 2016 às 14h01

Srª ministra do supremo, Carmem Lúcia, o mico foi nacional, sorte sua que o povo é mal formado e pouco conhece a língua portuguesa. O uso do termo é opcional, a palavra é flexionada presidente ou presidenta. Isso consta nos melhores dicionários da Língua Portuguesa. Acusar quem usa o termo presidenta de ignorante, isso sim, é pura ignorância da língua pátria. Pode não soar bem aos nossos ouvidos, pois nos acostumados a usá-la no masculino, até a metade dessa década, em 125 anos da história republicana, todos os presidentes eram do sexo masculino, característica da nossa cultura machista e preconceituosa. Assim como a palavra pãos também é correta, mas nos acostumamos a usá-la no plural como pães. Antes de pagar esse mico nacional consulte um dicionário de língua portuguesa.

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    Maria Aparecida Lacerda Jubé

    16 de agosto de 2016 às 16h53

    E a Sra. ministra, que LULA teve a infelicidade de colocar no cargo mais importante do judiciário, só por ser mulher, diz que “foi estudante e é amante da língua portuguesa”. Imaginem se não o fosse? Se teve uma coisa na qual o PT foi extremamente infeliz, foi na escolha para as Corte Superiores, não teve um acerto.

    Responder

Lucia Maria

12 de agosto de 2016 às 13h56

Srª ministra do supremo, Carmem Lúcia, o mico pegou mal. sorte sua que o povo é mal formado e pouco conhece a língua portuguesa. O uso do termo é opcional, a palavra é flexionada presidente ou presidenta. Isso consta nos melhores dicionários da Língua Portuguesa. Acusar quem usa o termo presidenta de ignorante, isso sim, é pura ignorância da língua pátria. Pode não soar bem aos nossos ouvidos, pois nos acostumados a usá-la no masculino, até a metade dessa década, em 125 anos da história republicana, todos os presidentes era do sexo masculino, característica da nossa cultura machista e preconceituosa. Assim como a palavra pãos também é correta, mas nos acostumamos a usá-la no plural como pães. Antes de pagar esse mico nacional consulte um dicionário de língua portuguesa.

Responder

Lucia Maria

12 de agosto de 2016 às 13h51

Srª ministra do supremo Carmem Lúcia, o mico pegou mal, o uso do termo é opcional a palavra é flexionada presidente ou presidenta. Isso consta nos melhores dicionários da Língua Portuguesa. Acusar quem usa o termo presidenta de ignorante, isso sim, é pura ignorância da língua pátria. Pode não soar bem aos nossos ouvidos, pois estamos acostumados a usá-lo no masculino, até a metade dessa década, em 125 anos da história republicana, todos os governantes foram do sexo masculino, característica da nossa cultura machista e preconceituosa. Assim como a palavra pãos também é correta, mas nos acostumamos a usá-la no plural como pães. Antes de pagar esse mico nacional consulte um dicionário de língua portuguesa.

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Marcos Ribeiro

12 de agosto de 2016 às 11h05

É Carolina rs.

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Claus Casto

12 de agosto de 2016 às 10h38

E nem correta ela está. A forma presidenta existe – e há muito: “”Presidenta” existe na língua portuguesa desde 1872″ (http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/presidenta-existe-na-lingua-portuguesa-desde-1872/n1597210547562.html).

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Piber

12 de agosto de 2016 às 10h25

retrógrada do preconceito linguístico. – PAREI DE LER AQUI.
O CERTO É FALAR ERRADO ENTÃO ESPERTÃO?
MESMO NÍVEL INTELECTUAL QUE TUA PRESIDENTA MESMO.

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    Claus Casto

    12 de agosto de 2016 às 10h39

    “Presidenta” existe na língua portuguesa desde 1872 – Palavra foi incorporada aos dicionários em 1925, segundo estudo da equipe do Dicionário Aurélio, feito com exclusividade para o iG
    (http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/presidenta-existe-na-lingua-portuguesa-desde-1872/n1597210547562.html).

    Responder

    Lucia Maria

    12 de agosto de 2016 às 14h08

    Falamos mal e porcamente a língua pátria, experimente consultar um dicionário da Língua Portuguesa. Presidente ou presidenta ambas são corretas desde 1872, anos antes da Proclamação da República. Estude um pouco mais.

    Responder

Marcos Augusto Neves

12 de agosto de 2016 às 09h20

Presidente ou Presidenta, estará fadada ao esquecimento e ao crivo dos livros de história. Golpista.

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maria nadiê Rodrigues

12 de agosto de 2016 às 07h52

Maria da Penha foi baleada pelo marido enquanto dormia. Acordou pensando que estava morrendo, quando estava mesmo era condenada a viver numa cadeira de rodas. Toda a sua luta pela condenação do bandido assassino no Brasil foi em vão, pois nem mesmo o Supremo respondeu às suas justas demandas. Foi a OEA, e mesmo assim nada lhe aconteceu positivamente, visto que o bandido mal e porcamente pegou uns dias de cadeia, e ainda hoje, quando pode, põe a cara para falar mal da sua vítima.
Foi em 2006 que Lula decidiu mandar para o Congresso uma lei com o nome de Maria da Penha para dar um sopro de liberdade às mulheres brasileiras, e uma chance de seus algozes serem punidos pelos seus atos. Foi pouco, mas foi o que podia ser feito pelo Presidente. E foi pouco porque no meio policial e judiciário os homens não aceitaram essa lei. Eles, unidos em seus machismos, fazem o possível para desmerecer a mulher, dão são jeitinhos para driblar a Lei.
Este é o nosso Brasil, que não respeita nem mesmo uma mulher Presidente da República.

Responder

    Maria Augusta Cook

    12 de agosto de 2016 às 13h27

    Provalmente nem as maes, que “Sao mulhres” eles pensam em respeitar! Lamentavel.

    Responder

Inez OLudé G-Kaiowá

12 de agosto de 2016 às 05h42

diversao de debates para tontos o obejtivo é fazer passar medidas enquanto o povo se desgarra com besteiras: enquanto isso passou o aumento para os magistrados, deu no jornal hoje de manha, acordem, joguem agau gelada na cara e reajam, estes abndidos estao tirando tudo o que vocês tem: link o golpe visto desde Bruxelas: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10208615910690503.1073741856.1091832884&type=1&l=b5a5444807

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Tamosai

12 de agosto de 2016 às 04h36

Muito bom texto. Mostra como se comportam pessoas que ocupam cargos de altíssima importância para o país. Nem entro no mérito da narrativa da juíza, que é no mínimo depreciativa para a presidenta afastada. O ponto fundamental para mim é: por que uma autoridade do nível de um juiz do STF se manifesta em público como se estivesse num bar, na praia com amigos. Será que não cai a ficha de que essas declarações que partem do fígado não são compatíveis com o cargo de juiz? Entendo até a vontade de dar palpites e falar mal dos outros, mas aí o canal indicado para uma autoridade é o bar, a praia, a piscina com amigos. O fato de dar palpites com conotações obviamente políticas já mostra falta de parcialidade. Como a juízA ficaria se tivesse que julgar a presidentA afastada? Poderia ser considerada neutra e imparcial?
Num país sério, esse tipo de declaração por parte de um juiz do STF receberia críticas de instituições ligadas à Justiça, como por exemplo a Ordem dos Advogados.

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    Zhungarian Alatau

    12 de agosto de 2016 às 08h25

    Essa gente se manifesta assim, como se estivesse num boteco, porque é assim que enxergam o País: um imenso boteco do qual são clientes VIP. Nele podem fazer o que quiserem, dizer o que quiserem, pois sabem que nada poderá ser feito contra eles. São os donos do País.

    Responder

      Maria Augusta Cook

      12 de agosto de 2016 às 13h36

      It is very sad e lamentavel!

      Responder

    Claus Casto

    12 de agosto de 2016 às 10h40

    Observação perfeita.

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    Maria Augusta Cook

    12 de agosto de 2016 às 13h35

    Nao minha opinion estes juizes “Concursados” so se interessam, pelo Salario, Aposentadoria e o poder que exerce, nao para beneficiar os cidadaos bresileiros e sim eles mesmo. Prova da nossa situaçao no momento. A DEMOCRACIA NAO TEM IMPORTANCE AND, ELES MANDAM E NOS? WE ARE POWERLESS!

    Responder

Bruno P. Scheurer

12 de agosto de 2016 às 02h51

não sei se essa mistura de cinismo e cafonice pode durar muito tempo.

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Zeka Zeka

12 de agosto de 2016 às 02h19

Caramba! Machistas, homens e mulheres, defendem o indefensável: preconceitos linguísticos, os maus- caracteres e o golpismo entre outras barbáries.

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Luiz Antonio Barbosa

12 de agosto de 2016 às 00h56

UMA MULHER NÃO IDENTIFICADA E SEU CÃO FORAM ATROPELADOS, AMBOS (SIC) PASSAM BEM. VIU! O CACHORRO DETERMINOU O SERIA A MULHER NA LÓGICA DA MINISTRA.

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Sérgio Rodrigues

11 de agosto de 2016 às 23h41

Desastrada indicação, por recomendação, diga-se, de Lula!…

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    zazul

    11 de agosto de 2016 às 23h51

    E a direita ainda quer dizer que o PT aparelhou o Estado. Estamos vendo quem aparelhou…

    Responder

willams will

11 de agosto de 2016 às 22h24

Quando a gente fala de um Judiciário que beira a imbecilidade, corremos o risco de sermos complacentes. Uma mulher que está no STF e fala de uma colocação gramatical, ou uma verbete, ou que seja um uso coloquial, ou até mesmo um produto do silogismo, ou quem sabe neologismo. Vai cuidar dos trambolhos que estão fazendo com a Constituição! Vai cuidar de ser ao menos uma vez na vida uma juíza do STF, vai trabalhar de acordo com tua função, vai vigiar o moro que está sendo parcial em tudo o que julga, vai ao menos fechar a boca e o beiço do teu colega gilmar dantas mendes, aquele que sabe vender bem o STF e é partidário do PSDB e a senhora com essa cara de boba não interpela ou finge que não sabe que tudo isso que acontece no Brasil é culpa desse judiciário vendido por aumento de salários e sabe Deus em que mais está metido, e deixa de gastar o meu dinheiro suado que paga esse teu salário de marajá com coisas pequenas e inúteis. Vai trabalhar!

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    Maria Augusta Cook

    12 de agosto de 2016 às 13h39

    Bravo!

    Responder

Valdir Dantas

11 de agosto de 2016 às 21h37

ELA PRECISA VISITAR MAIS O AURÉLIO. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK SOU MAIS DRUMMOND. KKKKKKKK

Responder

marco

11 de agosto de 2016 às 21h22

Parabéns ao autor.Eu particularmente,vou chamar a MINISTRA de PRESIDENTA,Primeiro,por não estar errado,do ponto de vista de nosso IDIOMA o Português,que muitos gostariam que fosse INGLÊS.Segundo,por que não gosto da MINISTRA,hoje PRESIDENTA,por razões alheias ao fato de ela não gostar de PRESIDENTAS,mas por achar o termo,mais FEMINISTA.Contudo,acato suas preferências.Mas somente as ACATO.Pra mim,PRESIDENTA DO STF.

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    Maria Augusta Cook

    12 de agosto de 2016 às 13h41

    Kkkkk that is good! BRILLIANT.

    Responder

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