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Dilma no senado: nas palavras de uma mulher, Agosto deixa de ser tragédia e vira o mês da esperança

Por Tadeu Porto

29 de agosto de 2016 : 16h14

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Tadeu Porto (@tadeuporto), colunista do Cafezinho

Não consegui conter a explosão de uma lâmina d’água sobre meus olhos quando a presidenta Dilma mencionou, em seu discurso, o ataque a autoestima dos brasileiros e brasileiras que o governo usurpador quer implicar com uma pauta derrotada e injusta para aqueles que mais precisam.

Mas, a despeito das minhas lágrimas praticamente sincronizadas com a da presidenta, não foi a tristeza que me dominou durante todo o discurso dela, muito pelo contrário, foi um sentimento de inspiração e, sobretudo, de esperança acerca da difícil luta que iremos travar com a fina-flor do conservadorismo nacional.

A inspiração que encontrei está, justamente, na firmeza e na força das palavras da presidenta eleita, principalmente no que tange ao endurecimento – sem perder a ternura ou a razão – com que ela desenhou, para todo o país, que está sofrendo um golpe de Estado. Ademais, há de se destacar que Dilma apontou o dedo de maneira muito clara para os principais inimigos do povo e da democracia: a elite política e econômica, o parlamento capitaneado por um chantageador e a mídia hegemônica que bancou a atmosfera pessimista que culminou na tentativa de golpe.

Portando, ao indicar os antagonistas históricos que tentam destruir, não só a democracia mas também o pouco que avançamos nas política sociais, Dilma praticamente chamou a luta todos brasileiros e brasileiras que não compactuam com uma agenda aristocrata de retirada de direitos básicos (como a CLT e a previdência), liberdade de expressão popular e recursos essenciais para o avanço do combate a desigualdade social.

As palavras de Rousseff foram, nesse sentido, combustível importante e necessário para alimentar a chama da resistência (e quiçá da revolução, não custa nada sonhar) que será primordial na longa batalha que travaremos contra a plutocracia nacional por uma justa divisão de bens e riquezas no país.

Além disso, não posso deixar aqui de destacar a importância desse discurso histórico ter saído dos lábios – e do coração – de uma mulher, a primeira chefe de executivo da história do Brasil.

Sei que é complicado um homem escrever sobre a luta das mulheres, afinal nasci do lado opressor e ainda vivo dessa maneira mesmo tentando melhorar a cada dia, mas não posso deixar passar o simbolismo que representa a superação de Dilma vir, justamente, no mês que expressa tragédias históricas nacionais.

Vejam bem: tanto o suicídio de Getúlio quanto a renúncia de Jânio e a morte de JK, que marcaram para sempre a má fama do mês oito no Brasil, possuem uma característica comum: foram protagonizadas por homens. Portanto, é fascinante – e eu diria até poético – que agosto renasça como o mês da esperança graças ao forte e emocionante discurso de uma mulher sendo injustamente atacada por um golpe misógino, que fez culminar um executivo de traidores exclusivamente masculino.

E olha, só tenho a agradecer a Dilminha pela marca histórica alcançada, por pelo menos dois motivos: primeiro por que eu nasci em agosto e nunca gostei da fama azarada que o mês tem, pois apesar de ser agnóstico sou estranhamente supersticioso (a ponto de ter crescido com raiva do desenho “Ursinhos Carinhosos” pois o leão, meu signo, era muito covarde) e em segundo pois 2016 é o ano no qual nasceu minha filha e vou poder mostrar a ela, minha primogênita, tanto o discurso da presidenta quanto meu texto, evidenciando que papai sempre estava do lado certo da história: que lutou pela democracia e contra a elite golpista e conservadora que não aceitou perder a quarta eleição seguida.

A farsa do impeachment está chegando ao fim e o tempo sombrio para todos cidadãos e cidadãs brasileiras não acontecerá sem luta e resistência. Sendo assim, esse golpe pode até sair, mas a partir do primeiro dia vamos vender cara essa traição, insipirados nas belas palavras da presidenta.

Portanto, parabéns Dilma! Afinal, no discurso e nas respostas, na postura e na honestidade, na coragem e na temperança você lacrou, querida!

E pode ter certeza que não terá sido em vão. 

Tadeu Porto é pai da Valentina e Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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8 comentários

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Gildemar Gomes dos Passos Júni

30 de agosto de 2016 às 10h19

fui às lágrimas irmão… neste ano de 2016 minha primogênita se tornou universitária… e está na luta junto comigo… é muito bom está do lado certo da história… é inspirador…

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Sérgio Silveira

29 de agosto de 2016 às 21h41

Será espetacular Dilma virar este jogo aos 46 do segundo tempo.
Será uma vitória histórica sobre as forças das trevas e do atraso que abatem o Brasil.
E como primeiro ato ao reassumir o governo, mirar-se no exemplo da Turquia: prenda TODOS os golpistas, moro incluso.

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Fábio Brito

29 de agosto de 2016 às 20h07

O jogo só acaba quando termina e não serão eles que vão apitar seu final.
Como a Fênix, RETORNAREMOS MAIS FORTES!!!
https://rebeldesilente.wordpress.com/2016/08/28/estes-todos-que-ai-estao/

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RENATO ANDRETTI

29 de agosto de 2016 às 19h00

Carissimo Tadeu

Quando prolongas a fala d Dilma em seu texto
o BRASIL lhe agradeçe.
Parabens, pela digna forma de fazeres Democracia.
continue, assim nos fortaleçerá…
as palavras nos movem…

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Antonio Passos

29 de agosto de 2016 às 18h46

Discurso brilhante, mas nada do que Dilma faça neste momento é capaz de me emocionar. Porque ela é a maior culpada de tudo que todos estamos passando, junto com ela. Basta uma pergunta: PORQUE Dilma não fez este discurso em Rede Nacional ? Porque não falou ao povo ? Porque ? Não existe explicação, jamais existirá. Porque se escondeu durante meses em seu palácio, para aparecer agora diante de seus algozes ? Perguntas que jamais terão resposta plausível.

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    Atineli

    29 de agosto de 2016 às 20h59

    Ela sempre falou mas vc estava ligado no PIG e não escutou. Era só acompanhar a mídia e o cerco em cima dela depois que ganhou as eleições. Presidente não pode sair falando tudo que dá na cabeça, existem prioridades e ela tem uma equipe, não trabalha sozinha num canto. Vc parece um pouco infantil.

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Dilbert

29 de agosto de 2016 às 18h39

Parabéns pelo texto e parabéns a nossa Presidenta.
Nunca deixamos de lutar e não vai ser agora que baixaremos a cabeça.
O brasileiro aprendeu a andar de cabeça erguida.

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João Luiz Brandão Costa

29 de agosto de 2016 às 18h38

Também fiquei com gosto de poeira no gogó, quando assisti ao fim do discurso da Pres, Dilma. Momentos depois, assisti estupefacto a mais incrível manifestação de pusilanimidade e escrotidão que caracteriza os comentários do famigerado GLOBONEWS. A Sra.Christiane Lobo, disse, a propósito do discurso de Dilma, que era uma peça cuidadosamente estudada, pesada e medida, feita a várias mãos, para a ocasião. Até ali só mais uma platitude imbecil, pois não haveria, por certo, de ser de outra forma. Disse porém, que ao final houve até uma manifestação de estudada emotividade, e um começo de lágrimas, mas “que teriam sido devidas mais ao fato de Dilma ter se engasgado com o copo d’água. do que verdadeiramente um sentimento autêntico”. O que dizer? Essa filhadaputisse é mesmo inerente ao caráter da “comentarista”, ou é zelo para sabujar ainda mais os seus patrões. Talvez simplesmente, imbecilidade, truculência e absoluta ausência de decência a humanismo. Oh tempus, Oh morus…

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