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05/09/2016- Manifestantes protestam contra Michel Temer na avenida Paulista, São Paulo. Foto:roberto Parizotti- CUT

É hora de enfrentamento e resistência. Por Djamila Ribeiro

Por Redação

06 de setembro de 2016 : 02h58

Com o golpe, os grupos historicamente discriminados serão vistos pela ótica do descaso. Não há negociação possível com o governo ilegítimo

por Djamila Ribeiro, na Carta Capital

Algumas ações do governo interino já sinalizavam retrocessos no campo dos direitos humanos e no que diz respeito a avanços obtidos nos últimos anos para grupos historicamente discriminados.

Independente das críticas que se podem ter ao governo da presidenta Dilma, estamos assistindo a um golpe com cunho machista e misógino. É assustador saber que reivindicações históricas das mulheres seguirão sem visibilidade, e os poucos avanços obtidos cortados.

É necessário perceber a impossibilidade de se dialogar com o governo do golpe. São perspectivas radicalmente diferentes. Se, com todas as falhas do governo Dilma, existiram conquistas para a população negra, como a lei de cotas para o serviço público federal, no governo interino a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial sequer existe mais. Onde antes se dialogava e pensava medidas de inclusão, agora será a perspectiva da aniquilação, da desimportância.

As ações serão no sentido de manter os lugares construídos por uma sociedade machista e racista. Mulheres podendo ser até belas, recatadas e do lar, mas não agentes de mudança e ocupando espaços de poder. Da população negra limpando, mas não sentando nos banco da universidade. Da manutenção das mulheres negras dentro de uma lógica escravista. É como se eles dissessem: “vocês já viram demais”.

Obviamente que ainda existia muito a ser feito pelo governo eleito democraticamente. Mudanças e um olhar mais progressista também se faziam necessários. Mas a luta deve ser pela ampliação dos direitos, e não pela redução. Havia ali a possibilidade da crítica, de apontar os limites, da pressão para um caminho que atendesse as demandas dos movimentos sociais. Ao menos podíamos existir como sujeitos do contraponto.

Após a efetivação do golpe, não nos resta opção a não ser o enfrentamento. Os grupos historicamente discriminados serão vistos pela ótica do descaso. Já sabemos o que esperar. A ação deve ser no sentido da não negociação com a ilegitimidade e do repúdio ao aviltamento a nossa humanidade.

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2 comentários

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Torres

06 de setembro de 2016 às 14h44

movimentos sociais são exatamente isso.
deram uma folguinha pra Dilma.
mas o lugar é sempre de reivindicação.

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Cazador de Estafadores

06 de setembro de 2016 às 08h14

Ah companheir@s é preciso muito mais do que temos feito pelo Brasil para um dia chegarmos
em Camaguey terra de José Martí e sermos chamados de rebeldes,olhemos nos olhos de uma
criança Cubana e enxergaremos a rebeldia,a nítida disposição de dar a vida por sua Ilha e
seu Pueblo. Tente um verme do norte arrancar um pé de cana da ilha e será apedrejado pelas
crianças,aqui roubam nosso petróleo e nem uma greve geral temos coragem de fazer.
A nossa covardia não pode ter o poder de nos tornar injustos,DILMA não merece essa
canalhice de diretas já.A injustiça e a covardia são abomináveis a qualquer um que ousa se
dizer progressista,isso é prerrogativa da direita jamais da esquerda,esquerdistas vão a
luta expõem suas vidas mas jamais recua ou sai pela tangente,esquerdistas não buscam
atalhos caminha pelas tortuosas linhas das contendas.
Quantos louvam Che Guevara,Bolívar,José Francisco de San Martín y
Matorras,Fidel,Camilo,Facundo,Marighella,Lamarca Anita,Soledad,Dilma,Lucia Petit,Amélia e
tantos outr@s valentes da espoliada América Latina mas quantos os tem como espelhos em suas
vidas,quem pratica o que pregaram,quem se levanta com altives e verdadeiramente os
seguem,não foram românticas suas lutas,foram árduas,foram sofridas,foram renuncias de si
mesmo por isso são heróis,não devemos querer o heroísmo eles jamais sonharam com isso mas
através de seus atos o foram,a minha geração não foi e nem pretendeu ser heroica,fomos
meninos e meninas assustados diante da força destruidora de um estado assassino mas não
recuamos,nossas vidas não foram bonitas foram uma merda mas caminhamos na crença inabalável
de um Pais melhor e recentemente vislumbramos este País no horizonte e não vamos deixar que
apaguem essa visão das futuras gerações.
Quanto tempo levaria para ter essa hipotética diretas?O congresso aprovaria?Só nos resta
lutar e deixar de sonhar,parece que nossos cientistas políticos,já nem falo dos jornalistas
estes merda alguma entendem, estão de miolo mole,não se atentam a prazos ou tempo e ficam
com embromação falaciosa acham que tudo se resume na frase:diretas já.Nem a emenda Dante
Oliveira passou essa sandice não tem chances de passar.Ainda que possibilidade houvesse eu
JAMAIS cometeria com DILMA a mesma safadeza que os golpistas cometeram prefiro a luta
armada a ser injusto.VAMOS A LUTA CACETE!
DIRETAS JÁ?
ISSO TUDO É MEDO DE LUTAR?

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