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Para a mídia brasileira, fisiologia de Temer é “fidelidade”

Por Tadeu Porto

13 de outubro de 2016 : 20h27

Por Tadeu Porto*(@tadeuporto), colunista do Cafezinho

Aquele jantar de domingo, pré PEC do fim do mundo, parecia mais a “Festa de Babette”, um banquete onde o benevolente presidente usurpador quis agradar pouco mais de 200 deputados única e exclusivamente pela gratidão da harmonia sinfônica entre o executivo e o legislativo.

Coisa linda de se ver.

Claro, sei que posso ter pesado um pouco na ironia, mas convenhamos, quem vê as principais matérias da mídia tradicional brasileira acha que a relação parlamento-governo é o relacionamento de pai e mãe num comercial de margarina: com alta fidelidade e marcado pelo diálogo.

Vejam bem, essa lealdade vem do congresso nacional, aquele mesmo que: 1) elegeu Eduardo Cunha para presidente da câmara; 2) aceitou as manobras do carioca até mesmo no seu próprio processo de cassação; 3) chantageou até não poder mais a presidenta eleita Dilma Rousseff; 4) votou por um impeachment sem ter a noção do que seja crime de responsabilidade; e 5) enterrou a CPI do Carf (oriunda da Zelotes). De repente, esse mesmo legislativo virou um agrupamento de deputados e deputadas comprometidas com a democracia e com o debate republicano entre poderes.

Fala sério.

Pegamos, por exemplo, o “Centrão”, bloco formado e liderado por Eduardo Cunha. Para aprovar algo como uma PEC,  é impossível ignorar um grupo de mais de duzentos deputados, se torando, assim, o fiel da balança das vitórias do governo. Nem mesmo a mais ingênua das pessoas consegue acreditar que esses parlamentares viraram santos do golpe para a noite.

O próprio Ministro do TraFiCo (Transparência, Fiscalização e Controle), Torquato Jardim, deixou claro sua opinião sobre o agrupamento pró-Cunha, que foi montado, segundo ele, “em nome da corrupção e da safadeza”. O mesmo fez o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, ao comentar a situação do parlamento nacional “que chegou ao fundo do poço”.

Portanto, quando vemos a mídia tratar, com naturalidade, a “fidelidade” que Temer alcançou na sua base, sem questionar o fisiologismo escancarado associado a tal comprometimento, não podemos deixar de nos impressionar com a desfaçatez e a hipocrisia da nossa imprensa hegemônica.

Tudo para proteger, não só um presidente usurpador, mas também um projeto de Brasil que interessa única e exclusivamente a elite política e econômica do país que agora não vai precisar se preocupar com pobres estudando para ter mais senso crítico ou se cuidado para gozar uma vida mais longínqua. A ralé vai voltar para onde nunca deveria ter saído: para o subemprego e a serventia que sustentam os privilégios de uma classe que nunca lavou um banheiro na vida.

Quando falamos de velha política na maior economia da América do Sul, não falamos somente de Brasília, há de se considerar toda essa estrutura social que afasta o povo das principais tomadas de decisões acerca do futuro nacional. E no centro dessa estrutura, não tenha dúvidas, está a mídia mais concentrada, conservadora e canalha do nosso planeta.

Sendo assim, uma nova política nacional passa necessariamente pela diminuição de poder dessa imprensa parcial que blinda o que de pior temos na política nacional, como um vice-presidente da república que utiliza o fisiologismo para trair os votos que o elegeram e impõe uma agenda conservadora que não passaria em nenhum tipo de pleito democrático.

*Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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7 comentários

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Charles

14 de outubro de 2016 às 00h59

Jean Willys apontou também, como essa fisiologia é inclusive danosa pra quem votou na PEC, pois muitos da bancada da bala e do “centrão” são servidores públicos que voltarão ao cargo caso não consigam ser reeleitos, o que é muito provável, e o que espero. Além de que, muitos deste centrão são eleitos por gente de cidades do interior, que será mais afetada pela PEC pois estas cidades não possuem as dinâmicas políticas, econômicas e sociais dos grandes centros. Muitas delas ficam a, no mínimo, centenas de km de distância dos hospitais e universidades mais próximos. Mas diz muito da qualidade destes políticos eleitos que se deixaram levar por um “jantar”.

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guilhermenagano .

13 de outubro de 2016 às 22h13

Me desculpe, mas a esquerda reclamando de fisiologia do Temer só pode ser piada né? O Lula beijou o Collor, Maluf, Sarney, Renan, o CUNHA…

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    Disqus LAM Mod

    14 de outubro de 2016 às 01h24

    A midia tratou o fisiologismo de Lula como caso de policia.
    Abordagem que nao foi usada com Temer.
    A questao colocada e: por que?
    – Sinopse do texto para intelectos habituados com o JN e a Veja.

    Responder

      guilhermenagano .

      14 de outubro de 2016 às 07h34

      Bom no final o PT provou q é igual aos outros partidos…só q mais incompetente e corrupto!

      Responder

        Terceira Onda ?

        14 de outubro de 2016 às 10h28

        Você não entende a questão colocada né, caro coxinha anacrônico.
        Você tem um legislativo altamente corrupto, e adquire total fidelidade desse legislativo (coisa que o PT claramente não tinha, sempre foi o PMDB), por quais meios você, num pensamento rápido, imagina que se adquiriu essa fidelidade. Lembrando que o articulador dessa bancada chama-se Eduardo Cunha, Homem de reputação ilibada.

        Responder

          Disqus LAM Mod

          14 de outubro de 2016 às 19h54

          Traduz em termos menos complexos.
          Ele so responde a comandos primais. E telespectador da grobo.
          No final vai te responder a unica coisa que sabe repetir.
          Que o pete e corrupto, ladrao, e talvez te mande ir pra Cuba. rsrsrs

Tania Silva

13 de outubro de 2016 às 20h55

O problema de anúncios do Google é esse aqui: fazer no Cafezinho anúncio para o inimigo…

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