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Goa - Índia, 17/10/2016. Presidente Michel Temer e a Primeira Dama Marcela Temer, despedem-se de Goa / Índia. Foto: Beto Barata/PR

PEC do estado mínimo e o bumerangue de Temer

Por Redação

17 de outubro de 2016 : 10h40

por J. Carlos de Assis*

Nós, desenvolvimentistas, deveríamos estar muito satisfeitos com a perspectiva de aprovação pelo Congresso da PEC 241.  O congelamento dos gastos públicos ao nível real deste ano é favorável a uma derrota fragorosa do esquema Temer-PSDB-DEM nas eleições de 2018. Ignorantes como são de economia, os ocupantes atuais do  poder não se deram conta  de que estamos na maior depressão de nossa história, e ela se agravará inexoravelmente caso não haja uma firme retomada do gasto público em 2017. Em consequência, teremos uma disputa eleitoral numa depressão cavalar, com eleitores vomitando fogo contra  o governo.

É claro que, já visualizando a derrota do esquema Temer em 2018,  eu não torço realmente pela efetivação da tragédia que representará a aprovação da 241. É que  essa aprovação não será necessária para a derrocada eleitoral do governo. Ele é depressivo sem a PEC. A sociedade brasileira passará de qualquer forma por maus bocados, e todos nós, pessoas com alguma preocupação com o bem estar público, devemos nos empenhar sinceramente em aliviar seus sofrimentos, em particular o alto desemprego. Entretanto, enquanto houver esse governo ideológico, com seu maquiavelismo de fancaria, talvez não consigamos.

O aprofundamento da depressão, mesmo sem PEC 241, é inevitável. A imprensa deu em nota de pé de página que a contração neste ano, até julho, atingiu 5,6%. Claro que, até o fim do ano, isso não reverterá. E os cortes ainda maiores de gastos públicos e de investimento governamental antecipam a continuação da contração, embora alguns economistas supõem que, por um efeito estatístico, a economia crescerá de 1 a 1,5% no próximo ano. A meu ver, não crescerá nada. Na verdade, a depressão continuará pois nenhum efeito estatístico pode reverter a queda do investimento e do gasto público que se anuncia para 2017.

Em plena depressão, ganhar as do esquema Temer-PSDB-DEM as eleições de 2018 será como tirar pirulito da boca de criança. Isso só não acontecerá se progressistas e desenvolvimentistas não se entenderem em torno de candidatos ao Executivo e ao Congresso com capacidade de restauração do sistema político brasileiro. Os partidos de esquerda, depois da ressaca eleitoral deste ano, se quiserem ajudar, deverão ficar numa posição auxiliar, não hegemônica. Precisamos do centro. Lula provavelmente não terá condições de se candidatar e alguns pré-candidatos que tem se apresentado até agora tendem a não emplacar.

O projeto que está em curso para aproveitar esse espaço político é o Movimento Brasil Agora (inicialmente denominado Aliança pelo Brasil, nome que descartamos por conveniência histórica). Seu objetivo é ancorar numa aliança universitários-trabalhadores-intelectuais-artistas-movimentos sociais uma proposta de regeneração econômica e política para o Brasil. Para isso serão realizados inicialmente dois ciclos de seminários nacionais. Um, defensivo, para evitar os efeitos da pauta-bomba do Congresso, e outro, propositivo, apresentando projetos  em quatro áreas cruciais: economia, política, defesa da soberania e políticas sociais.

O primeiro ciclo, que será levado a todas as capitais e algumas grandes cidades, começa no próximo dia 26, no Rio, com um seminário sobre a privatização fatiada da Petrobrás. Em seguida, no dia 3 de novembro, será a vez de um seminário em Brasília, sobre a 431. Em ambos os casos, o objetivo é destacar uma síntese dos seminários para levar aos senadores, a fim de apresentar-lhes opinião de parte relevante da sociedade civil sobre temas relevantes que estão entrando na pauta do Senado, confiando na capacidade deste de ao menos evitar a aprovação de PECs com notável agressão do interesse público. Ah, e os candidato para 2018? Como entendemos,  sairá do Movimento.

Qual o risco que nós, como toda a sociedade, corremos? É o risco do desespero social, do ódio diante de medidas injustas e agressivas dos três poderes, notadamente do Judiciário; do avanço das classes dominantes, com a cumplicidade do governo, sobre direitos sociais; da indiferença das elites dirigentes diante da degradação econômica. Isso pode gerar protestos e convulsões sociais, às quais o governo, já preparado para a hipótese, reagirá com Estado de Defesa levando a uma ditadura civil, com “legítimo” apoio militar. O que viria depois é impossível prever. Portanto, por mais injuriados que estejamos, por mais revoltados, calma. Acertaremos todas as contas em 2018, em eleições, com provável neutralidade militar.

*Jornalista, economista, professor, doutor em Engenharia de Produção, e um dos coordenadores do Movimento Brasil Agora

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10 comentários

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Vitor Sorenzi

18 de outubro de 2016 às 13h12

Quem disse que teremos eleições em 2018?

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CARLOS C

18 de outubro de 2016 às 12h37

Existe um fator fundamental que não foi considerado nesta proposta, o poder alienador de nossa mídia apátrida capitaneada pelas organizações globo. Deveria ser feito neste país um movimento contrário a alienação, começando pelo boicote as mídias que participam deste caos ao qual a nação está sendo exposta. Este deveria ser o primeiro passo.

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Biana

17 de outubro de 2016 às 21h10

Que texto é esse? Esperar por 2018…..Contar com a realização de eleições em 2018?
Essa maioria que está no congresso, em cumplicidade com o executivo, fazendo o que bem entende, e com o aval do judiciário …já já vai inventar de cortar os gastos com eleições e prorrogar o próprio mandato….
Ficar apático esperando…que ideia é essa? Com menos dinheiro a cada dia por causa dessa insanidade golpista no comando deste país , estaremos mais fracos para nos articular…
Ê ê ê , sei não … essa conversa é para boi dormir…

Em 2018, estaremos com um desemprego maior, muito maior, sem receber os 40% do FGTS, cheios de contas para pagar, sem escola e hospital para nossos filhos e pais, a violência explodindo, gente cometendo suicídio, polícia truculenta , êxodo rural, mortalidade infantil disparada…..e o país pendurado no FMI e sem acesso as suas riquezas….

Tá maluco, esperar ?

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C.Pimenta

17 de outubro de 2016 às 17h13

Sou favorável a uma frente de todos os progressistas que poderia chamar-se Frente Brasil Democrático ou Frente pela Democracia, pois o que mais urgente AGORA é a restauração da Democracia em nosso país. O restante vem automaticamente.

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Roberto

17 de outubro de 2016 às 16h44

O “centro” chama-se PMDB e está no poder, depois do golpe. Nenhum outro “centro” ou “3a. via” vai tirar o Brasil do buraco.
Se os golpistas perceberem que serão derrotados em 2018, suspenderão as elelições.
Para derrotar o golpe, é preciso mobilização popular, culminando com uma GREVE GERAL.

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    Onda Vermelha

    18 de outubro de 2016 às 10h00

    Acessem e divulguem o site http://naoapec241.com.br/. E assinem a Petição contra a Draconiana PEC 241! E no twitter espalhem ao máximo! #PecDoFimDoMundo #ContraPEC241 – O Governo Temer quer congelar os gastos com Saúde e Educação por 20 ANOS! Não à PEC241! Até o presente momento 486.394 pessoas(e subindo!) já assinaram a petição!! Vamos chegar a MEIO MILHÃO!

    https://www.youtube.com/watch?v=4GvEIjBh3Xw

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Toninho Sá Guimarães

17 de outubro de 2016 às 14h24

Eu penso que é uma iniciativa cheia de boas intenções mas, ao mesmo tempo, ingênua. Os ocupantes do poder não são bobinhos que, em meio a sua ignorância em certos aspectos da realidade nacional, estão metendo os pés pelas mãos, sem perceberem que receberão o “devido troco” nas eleições de 2018. Muito pelo contrário. Eles são aqueles que ardilosamente arquitetaram a tomada do poder com total apoio das forças armadas e da burguesia nacional e internacional e não largarão o osso por meio de um simples processo eleitoral que, caso percebam ser um desastre para eles, logo tratarão de adiar ou cancelar. Eles só entendem uma coisa: o poder do povo, mobilizado nas ruas e disposto a lutar até as últimas consequências por seus direitos econômicos e democráticos. Fora isto, toda e qualquer medida – por mais bem intencionada que possa ser – vai se mostrar como totalmente inócua.

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edumarcondes

17 de outubro de 2016 às 14h08

A iniciativa é positiva, mas baseia-se num pressuposto tido como verdadeiro de que teremos eleições em 2018. DÁ PRA GARANTIR? Tenho dúvidas, pelo andar da carruagem.

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Orlando Bernardes

17 de outubro de 2016 às 11h54

O problema do pessoal da esquerda e progressista, de uma maneira geral, é gostar muito de seminário, conversações, etc… . Enquanto isto os da direita e golpistas em geral, agem. Já passou da hora de conversações….

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Maria Thereza G. de Freitas

17 de outubro de 2016 às 11h51

acho a iniciativa ótima. mas temos que considerar que pode não haver 2018 (metaforicamente, viu, “dr” moro?)

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