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Espiando o poder – A Primavera Secundarista avança, e a repressão aumenta

Por Luis Edmundo

05 de novembro de 2016 : 13h15

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Espiando o poder: análise diária da grande imprensa

Foto: Divulgação/MST

Por Luis Edmundo Araujo, colunista do Cafezinho

A Primavera Secundarista não ocupou ainda as manchetes da grande imprensa, mas neste sábado, enfim, entrou nas primeiras páginas do Globo, da Folha e do Estado de São Paulo, que entre os três foi o que deu maior destaque ao tema. O Estadão reuniu numa imagem só, a maior de sua capa, quatro fotos de escolas e universidades ocupadas “pelo Brasil”. Embaixo, a chamada afirma que “crescem invasões e 240 mil terão Enem adiado”. Na sutileza do noticiário tendencioso, o jornal paulista chama de invasões as ocupações  promovidas pelos estudantes em suas próprias instituições, contra a reforma do ensino médio e a PEC do Teto nos gastos públicos. Em chamada auxiliar, o jornal diz que “governo decidiu atacar a ‘politização’ da ocupação das escolas após pesquisas indicarem que população vê falta de comando da gestão Temer”. O governo “não quer passar a imagem de recuo, principalmente diante da classe média”, diz trecho da matéria, lá dentro, e só a Folha publica na capa hoje a notícia de uma invasão, de fato, a uma escola, ainda que sem o uso dessa palavra desagradável. “Operação policial em escola do MST acaba em confronto”, relata o jornal. A ação em que policiais entraram no local armados, e atirando, motivou o texto de hoje de Tereza Cruvinel no site Brasil 247, no qual, logo no título, a jornalista avisa que “o Estado autoritário dá mais um passo”.

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As quatro fotos reunidas na primeira página do Estadão mostram a ocupação da reitoria da Universidade de Brasília, estudantes no 8o prédio invadido na Federal do Paraná, em Curitiba, a Escola Estadual Deputado Eduardo Barnabé, em Campinas, e alunos acampados na PUC Minas, como diz a legenda das fotos. “Sobe número de escolas ocupadas”, afirma a chamada do Globo, que em cima, na cor laranja, lembra que o crescimento se deu “na véspera do Enem”. A Folha diz que “com ocupações, adiamento do Enem já atinge 240 mil alunos”, e os três jornais se alinham ao relacionarem as ocupações com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em entrevista ao Valor Econômico publicada nesta sexta-feira, o ex-ministro da Educação no governo Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante,criticou a falta de diálogo do ministro da Educação, Mendonça Filho, com os estudantes que ocupam escolas em todo o País. Para Mercadante, “procuram jogar o Enem contra as ocupações, e isso é um péssimo caminho”. “Com o diálogo, isso não teria acontecido”, afirma o ex-ministro que, pelo visto, não terá seu conselho seguido pelo atual ministro da Educação. Na matéria da Folha, por exemplo, Mendonça Filho descarta qualquer possibilidade de retirada da medida provisória (MP) que instituiu a reforma do ensino médio, principal motivo das ocupações.

A proposta havia sido apresentada na Câmara pelo ex-ministro do Esporte e  deputado federal Orlando Silva (PC do B”. A ideia seria discutir a reforma que enxugou o currículo escolar, retirando a obrigatoriedade de matéria como sociologia, por meio de projeto de lei, o que demandaria mais tempo. “A MP não será retirada do Parlamento. Ela está apresentada, apesar das críticas de algumas pessoas que sequer têm autoridade política para criticá-la, afirmou” Mendonça Filho na Folha, seguindo fielmente a estratégia exposta na matéria do Estadão cuja chamada, na capa, diz no título que  “Planalto tenta blindar Temer”.

“A ordem no Palácio do Planalto é deixar o ministro dar todas as explicações e fazer o enfrentamento necessário”, diz o texto do Estadão que, antes, informa que Mendonça Filho “começou a acusar setores ligados a PT, PCdoB e PSOL de estarem por trás das ocupações”, e que “Temer, porém, ficou longe do desgaste.” Na Folha, o reforço à estratégia vem do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que assina o artigo “Sob a inspiração de Lênin”, no qual afirma que “a esquerda outra vez investe no caos revolucionário, aliciando agora nada menos que estudantes adolescentes”.

Os números oficiais apontam que 364 escolas estão ocupadas no País, os organizadores das ocupações falam em mais de mil escolas e o Estadão afirma que “embora a maioria dos candidatos deverá prestar normalmente o Enem, o governo está preocupado com a repercussão negativa do movimento de ocupação nas escolas e com possíveis episódios de violência.” Violência, aliás, que já atingiu uma escola, no caso a Escola Florestan Fernandes, mantida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Guararema, interior de São Paulo.

A matéria do Globo diz que “com a justificativa de que cumpriam mandado de prisão contra uma integrante do movimento, os policiais invadiram a escola atirando, segundo a direção do movimento, que classificou a ação como resultado de uma ‘perseguição histórica’.” O jornal carioca fala ainda em “guerra de versões” sobre o episódio, ainda que a foto aí de cima, com um policial imobilizando um homem no chão, o outro apontando a arma bem de perto, ameaçador, para sujeitos desarmados, revele que os agentes da lei, definitivamente, não agiram com calma nem parcimônia.

“Entidade acusa agentes de invadir e atirar; secretaria diz que houve tentativa de desarmar policiais”, informa o subtítulo da matéria do Globo, destacando a justificativa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para a ação policial que terminou com oito pessoas detidas. No Brasil 247, Tereza Cruvinel lembra que “já foram muitas as evidências de que estamos transitando para um Estado autoritário, de exceção, com agentes diversos violando garantias e ultrapassando as fronteiras do ordenamento legal democrático. A invasão da Escola Nacional Florestam Fernandes, do MST, foi mais um exemplo desta escalada.”

Para Cruvinel, “se a intenção do aparelho policial paulista fosse apenas prender uma mulher que não estava na escola, teria dado meia volta ao constatar isso. E nem teriam ocorrido, simultaneamente, ações policiais contra o MST no Paraná e no Mato Grosso do Sul”. “A intenção foi deflagrar uma ofensiva criminalizadora contra o movimento social mais importante do pais, o mais conhecido e reconhecido mundialmente. Na linha de tiro estão a CUT e os sindicatos. É esperar para ver”, avisa a jornalista.

E se foi o único dos três jornais a publicar na primeira página a invasão das polícias na escola do MST, a Folha colocou o caso bem ao lado da chamada para o artigo de Luís Francisco Carvalho Filho, “A polícia de ponta-cabeça”, em que a “Lei de abuso de autoridade não reprime policiais”.  “A polícia é preparada para enfrentamentos. Trata todos como suspeitos”, diz Carvalho Filho, em perfeita sintonia com o editorial do jornal cujo título é “País amedrontado”.

A Folha cita pesquisa do Datafolha para dizer que “chama a atenção que 70% dos brasileiros considerem que os agentes se excedem na violência no desempenho de suas funções. Não espanta, pois, que a maioria tema sofrer agressões por parte das polícias, militar (59%) ou civil (53%)”. A recessão está à solta e se espalha o medo, sobretudo porque, como lembra Luis Francisco Carvalho Filho, “a lei de abuso de autoridade do regime militar, ainda em vigor, não pune as violações das liberdades constitucionais”.

E no Globo, Merval Pereira consegue falar de educação sem citar nem as ocupações nas escolas por todo o Brasil, nem a invasão da escola do MST. De quebra, ainda reconhece a queda na ainda gigantesca desigualdade de renda no País, durante os governos do PT, ainda que faça isso indiretamente. “O papel econômico da educação” é o título da coluna de Merval sobre o “ciclo de palestras da Academia Brasileira de Letras com o tema ‘Planejamento e Políticas Públicas’, sob coordenação da escritora Ana Maria Machado”.

Um dos palestrantes do evento foi Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, “um dos técnicos por trás do Bolsa Família”, segundo Merval que mais adiante afirma no texto que “Paes de Barros fez análise do que chamou de verdadeira revolução no combate à desigualdade: ‘A taxa de crescimento de renda per capita dos mais pobres cresceu acima da média nacional, e isso é inclusão social. No Brasil, 80% caminharam acima da média. Só dois grupos, que representam 15% da população, os mais ricos, cresceram abaixo da média, e têm metade da renda brasileira. Por 13 anos, o pobre cresceu quatro vezes mais rápido do que o rico. Para reduzir a desigualdade, precisa de desigualdade na taxa de crescimento’.”

Ainda coluna de Merval, Paes de Barros afirma que “é preciso fazer isso por mais 20 anos para que nos tornemos um país razoável”. Exatamente o oposto do que vem fazendo o governo atual, à base da repressão cada vez mais escancarada.

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Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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5 comentários

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Mário Gonçalves

07 de novembro de 2016 às 22h40

A imagem é muito forte: um policial apontando a arma para pessoas desarmadas. Falta preparo e sobra desrespeito.

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Gisela

07 de novembro de 2016 às 02h02

Ó Miguel do Rosário! Vê se facilita essa assinatura cara. Tá difícil.

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Osmar Gonçalves Pereira

05 de novembro de 2016 às 19h10

Uma sugestão: por favor não classifiquem a tomada de posição em favor da Educação de “primavera”. Não cometam o mesmo erro de 2013: as malfadadas nunca foram “jornadas”.

Ana Julia e os secundaristas merecem mais.

Responder

    William Robson

    06 de novembro de 2016 às 21h34

    Nossas escolas estão excelentes por isso os secundaristas não querem mudanças.
    Primavera é um bom termo, remete a Che Guevara

    “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.”

    Responder

      Osmar Gonçalves Pereira

      24 de novembro de 2016 às 12h45

      Caro William, sinceramente não pensei no dito do Che. Faço referencia a propalada “primavera árabe” .

      Responder

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