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Espiando o poder – Trump venceu, mas o caos, por enquanto, é brasileiro

Por Luis Edmundo

09 de novembro de 2016 : 12h58

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Espiando o poder: análise diária da grande imprensa

Foto: Reprodução/Twitter

Por Luis Edmundo Araujo, colunista do Cafezinho

O horário de fechamento das edições impressas dos jornais da grande mídia impediu que eles chegassem hoje às bancas com a vitória de Donald Trump nas eleições para presidente dos Estados Unidos. O Globo e o Estado de São Paulo vêm com títulos neutros sobre a disputa entre o candidato republicano e a democrata Hillary Clinton, e só a Folha esperou para, pelo menos, dar a entender quem seria eleito com a manchete dizendo que “Trump avança sobre Hillary e mercado desaba”. Espera-se agora o fim da globalização, maior repressão aos imigrantes e toda a gama de malefícios que um governo reacionário, compromissado com os interesses dos mais ricos, pode causar. Espera-se, enfim, o caos que já vem dando as caras aqui pelo nosso Brasil desde que o avanço mundial da direita ajudou a colocar Michel Temer e sua trupe no poder. Prova disso é a foto aí de cima, da invasão de bombeiros, policiais e agentes penitenciários na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ontem, em protesto contra o pacote do governo estadual para enfrentar a crise. Não foi, definitivamente, uma manifestação de esquerda contra o golpe. Eram militares, quase todos, ou profissionais que trabalham armados, e muitos deles, apoiadores de primeira hora do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, gritavam por Jair Bolsonaro.

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“Alerj é invadida em protesto contra pacote”, afirma o Globo na primeira página, mostrando também uma imagem da invasão, assim como o Estadão, enquanto a Folha e o Valor deram chamada de capa sobre o episódio. “Num protesto contra as medidas do governo para enfrentar a crise, policiais, bombeiros e agentes penitenciários invadiram ontem a Assembleia Legislativa do Rio, ocuparam plenário e galerias, subiram em mesas, destruíram móveis e rasgaram documentos”, conta o Globo, que informa ainda, na primeira página, que “equipes da PM que acompanhavam a manifestação nada fizeram para impedir.”

O governador Luiz Fernando Pezão “cobrou medidas duras contra os invasores”, mas a primeira decisão da Justiça sobre o caso foi contrária ao pacote proposto por ele. Uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) suspendeu a tramitação do projeto que cria alíquota extra de contribuição previdenciária. De acordo com a decisão do desembargador Custódio de Barros Tostes, do Órgão Especial do TJ-RJ, “descontos temporários de 16% e 30% nos salários de servidores não podem ser votados na Assembleia Legislativa”.

A decisão atinge o “projeto de lei 2.241/ 2016, relativo à cobrança de alíquota extra de contribuição previdenciária para o funcionalismo do estado”. A proposta, incluída no pacote que decretou o fim de programas sociais e dos restaurantes populares, prevê desconto extraordinário de 16% dos salários dos servidores da ativa e dos inativos que recebem mais de R$ 5.189 mensais. Já os aposentados e pensionistas que ganham abaixo desse teto teriam que pagar uma alíquota de 30%. A cobrança seria feita por 16 meses e também atingiria funcionários do TJ. Segundo o Globo, a decisão atendeu a um mandado de segurança impetrado pelo deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), sob a argumentação de que a proposta do governo é inconstitucional.

Ainda segundo o Globo, manifestantes destruíram “móveis e documentos do gabinete do vice-presidente da Alerj, deputado Wagner Montes. Também foram danificadas portas, e quatro microfones desapareceram”. Mesmo com o protesto, o presidente da Alerj, Jorge Picciani, disse que não vai mudar o trâmite do pacote do governo. Segundo ele, os 22 projetos de lei começam a entrar em pauta no dia 16. Picciani pediu mais segurança para as votações e “classificou o ato como crime e afronta ao estado democrático de direito sem precedentes na história política brasileira”. E na coluna de hoje, “Irresponsabilidade fiscal”, Merval Pereira deixa de lado Sergio Cabral e diz que a origem de tudo está na gestão de Anthony Garotinho.

“Negociação da dívida feita por Garotinho é origem da crise do Rio”, afirma Merval na capa do Globo, e lá dentro lembra que “o ex-governador do Estado do Rio Garotinho conta que em 1998, quando renegociou com o governo federal a dívida do estado, com antecipação dos royalties para abatê-la, ocorreu ‘um milagre’. O ministro da Fazenda Pedro Malan estava irredutível, até que o governador pediu licença para sair da sala, fez uma oração e, no retorno, conseguiu o acordo.” Segundo Merval, “sabe-se agora que esse ‘milagre’ está na origem da crise atual.”

O colunista do Globo afirma que “a lei proíbe que royalties cubram gastos correntes, mas, quando negociou a dívida, Garotinho conseguiu uma exceção: não pode pagar salário, não pode cobrir custeio, mas a arrecadação dos royalties passou a ser direcionada ao fundo previdenciário.” Mais adiante, ele diz que, “quando aparentemente defendeu o pacote de redução de gastos do Rio, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acabou fazendo mesmo foi a defesa da Reforma da Previdência que o governo federal apresentará.”

De acordo com Merval, “a crise no Rio, causada pelo aumento das despesas com aposentadorias e pensões, é ‘didática’, segundo Meirelles, e mostra o que pode acontecer se a Reforma da Previdência não for aprovada”. Para evitar o caos enfumaçado de ontem na Alerj, o governo aposta em mais arrocho, dessa vez a nível federal, e o presidente não eleito nem votado, muito bem humorado, ainda arrumo tempo para brincar com outro foco de protestos contra o seu governo.

“Temer ironiza ocupações: ‘sabe o que é uma PEC?’”, diz o título da matéria do Globo em que, “pela primeira vez, presidente critica ocupações de escolas em protesto contra proposta que limita gastos”. No seminário “Infraestrutura e desenvolvimento do Brasil”, promovido pelo jornal Valor Econômico ontem, Temer disse que “hoje, ao invés do argumento moral, intelectual, verbal, usa-se o argumento físico. Vai e ocupa não sei o quê, bota pneu velho, queima, para o trânsito”. Em seguida, segundo o jornal, Temer “contemporizou, afirmando que se referia à população em geral: — Você sabe o que é uma PEC? ‘A PEC é a proposta de ensino comercial.’ As pessoas não leem o texto. Não estou dizendo os que ocupam ou não ocupam, mas em geral.

O diário carioca avisa na matéria que “nos últimos dias, mais de mil escolas em todo o país ainda estavam ocupadas, como resistência à PEC do teto de gastos e à reforma do Ensino Médio via Medida Provisória. O Exame do Ensino Médio (Enem) precisou ser remarcado para 240 mil alunos, que fariam a prova em locais ocupados.” E em meio a pacotes e necessidades vitais de cortar gastos, sobretudo para os menos favorecidos, a farra com dinheiro público continua, como lembra Elio Gaspari em sua coluna hoje no Globo e também na Folha de São Paulo.

“Um desmanche na privataria” é o título da coluna em que Elio Gaspari afirma que “MP para intervir na Oi é farra com dinheiro público.” O texto tem chamada de capa no Globo, embaixo de outra avisando que “Anatel afasta Tanure da Oi”. Na disputa que opõe o bilionário egípcio Naguib Sawiris, associado a credores internacionais, e o empresário Nelson Tanure, aliado a fundos de investimento, a Anatel se prepara “para uma possível intervenção na tele, que tem dívidas de R$ 65,4 bilhões e uma lista de 66 mil credores”.

Gaspari recorda que “em 1998, quando foi arrematada por uma ‘telegangue’ num memorável lance da privataria tucana, chamava-se Telemar. Veio o comissariado petista, a operadora mudou de nome, chamou-se Oi, vulgo Supertele, e foi uma das ‘campeãs nacionais’ do BNDES de Lula.” Agora, segundo o jornalista “aos 18 anos, a Oi poderá voltar para o colo da Boa Senhora, embalada numa medida provisória que se destina a tapar os buracos abertos na privataria tucano-petista.”

No Congresso o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, articula sua reeleição, como informam os colunistas Ilimar Franco, do Globo, na nota em que afirma que Maia “tem pareceres que permitem sua recondução”, e Natuza Neri, da coluna Painel, da Folha, na nota intitulada “Vai que eu vou”, na qual o “presidente nacional do PSDB, Aécio disse a correligionários que seu partido pode apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), desde que o deputado consiga viabilizar sua candidatura”.  Em cima, na nota “Eu vos declaro”, a colunista diz que “no tête-à-tête que Michel Temer e Aécio Neves tiveram nesta segunda (7), presidente e senador renovaram o compromisso de uma aliança duradoura.”

E se o governador de São Paulo, Geraldo “Alckmin vai à Justiça contra Twitter para quebrar sigilo de usuários” que o criticam, como avisa a Folha, a “investigação sobre avião de (Eduardo) Campos é arquivada”, informa o Estadão, na capa. E a colunista Míriam Leitão volta de férias no Globo tratando da eleição americana na coluna “Defeitos do sistema”. Míriam afirma que, passada a eleição, “maior tarefa do novo governo será reunir o país”. “Ainda há um longo caminho até se curar as feridas desta campanha. Ela poderia ter sido uma disputa bonita, entre a primeira mulher e o primeiro outsider de um sistema que já mostrou seu envelhecimento”, diz a colunista. A situação não deixa de guardar semelhanças com a última eleição brasileira, em que o País se viu dividido e também precisava de uma pacificação que, até agora, não veio, muito pelo contrário.

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Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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1 comentário

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André Monteiro

10 de novembro de 2016 às 00h36

Pois é, e agora como vai ser? Quem segura esse povo? Vão chamar o MST para parar? Manda o MBL, quem sabe eles tirem os policiais….

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