Após recuo de Michel Temer, Nísia Trindade será nomeada presidente da Fiocruz

Temer recua de decisão controversa e irá nomear Nísia Trindade. Na semana passada, o atual presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, avaliou que o desrespeito à votação interna poderia ser considerado uma “afronta”.

Na Folha de S. Paulo

Governo Temer recua e nomeará mais votada para presidir Fiocruz

Por Gustavo Uribe e Natália Cancian

Em meio a protestos de servidores e de representantes da comunidade científica, o presidente Michel Temer recuou nesta terça-feira (3) e decidiu nomear a pesquisadora Nísia Trindade para o comando da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mais votada em eleição interna, a socióloga tem o apoio de dirigentes da OMS (Organização Mundial de Saúde) e sociedades científicas para ocupar o cargo, embora o governo federal pretendesse nomear a médica Tania Araújo-Jorge, segundo lugar na disputa interna. A situação gerou um embate entre Fiocruz e o Ministério da Saúde.

Com a repercussão negativa da decisão, que gerou protestos na sede da instituição, o presidente chamou ambas para uma conversa nesta terça (3) no Palácio do Planalto para chegar a um consenso.

“Houve um entendimento com as duas candidatas que disputaram para que seja nomeada a pesquisadora Nísia Trindade, que foi a mais votada na lista”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O ministro, porém, não deixou claro do motivo de ter optado inicialmente por Tania. “As duas tinham mais de 30% de apoios exigidos conforme o estatuto e estavam habilitadas a serem nomeadas. Não há prejuízo dentro das regras estabelecidas se qualquer uma fosse escolhida”, disse Barros.

Segundo ele, houve uma “solução conciliadora”. “Haverá uma união em torno dos objetivos. A presidente será a Nísia e haverá da parte do ministério e da chapa da Tânia a possibilidade de interlocução e participação no processo de busca dos objetivos estabelecidos pelo ministério para a Fiocruz”, afirmou.

Nísia obteve 2.556 votos como primeira opção à presidência e 534 votos como segunda opção. Tania recebeu 1.695 votos como primeira opção e 656 como segunda.

Na semana passada, o atual presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, avaliou que o desrespeito à votação interna poderia ser considerado uma “afronta”. Nísia faz parte da atual gestão.

“Ela criou uma comoção intensa em todas as áreas em que a Fiocruz trabalha. Deveria ser um processo natural do presidente e do ministro de reconhecer que a Fiocruz tem demonstrado maturidade no processo de seleção da presidência”, disse.

A Fiocruz é uma instituição ligada ao Ministério da Saúde e sua história teve início em 1900. Além da missão inicialmente estabelecida de fabricar soros e vacinas, também tem importante atuação na área de saúde pública (em pesquisas sobre febre amarela, zika, Aids e dengue, por exemplo).

A instituição, que tem mais de 5.000 servidores, é composta de diversas unidades (institutos) distintos, em diversos Estados brasileiros, mas a maioria se encontra no Rio de Janeiro, onde tem presença marcante.

“Espero que os dirigentes atuais da Fiocruz tenham bom senso e preservem a nossa instituição centenária. Os ocupantes de cargos passam, a Fiocruz é patrimônio do povo brasileiro”, declarou Tania em nota, antes da decisão ter sido divulgada.

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