03.04 Coletiva do Ministro da Saúde

Parte do clipe "a minha alma" do Rappa.

A Greve Geral e a paz que não devemos seguir

Por Tadeu Porto

29 de abril de 2017 : 19h32

Foto: retirada do clipe “A Minha Alma”, o Rappa, no Youtube

Por Tadeu Porto*, colunista do Cafezinho

Minha geração passou a adolescência inteira fascinada com a música do Rappa, “A Minha Alma”. Eu mesmo ficava horas vidrado no Disk MTV esperando o clipe desta música – uma revolução na época – cuja letra possui, dentre as ótimas frases, uma que é simplesmente fantástica:

“Paz sem voz, não é paz é medo”.

Conseguimos imaginar quantos cidadãos ou cidadãs têm voz no Brasil? Não é difícil inferir que pouquíssimas pessoas conseguem expor suas necessidades, problemas ou mesmo sonhos para algum fórum de tomada de decisão social (estou falando simplesmente de expor, quando o assunto é fazer acontecer o quadro é ainda bem pior, certamente).

Convenhamos, numa sociedade assim, tipo a pequena sereia Ariel depois de ser amaldiçoada pela bruxa Úrsula, não existe muita paz para seguir.

A não ser, claro, a paz dos poderosos.

A paz de Michel Temer, por exemplo, que distribui cargos a rodo para passar reformas “que são necessárias ao país” (as mudanças são tão importante que precisa “comprar” parlamentar para ter voto). Ou a paz do STF, que em meio a uma mega crise fiscal – que faz milhares de funcionários públicos viverem sem renda! – libera honorários acima do teto constitucional para legalizar os super-salários.

Estamos longe de ser o país da pomba branca, afinal, vivemos sob a ameaça constante do medo: de perder empregos, de sofrer com a violência diária e de não conseguir fechar as contas que garantem o básico para uma vida justa.

As únicas pessoas em paz por aqui, são mega empresários (mídia incluída) e políticos do establishment. As colheres de chá que Gilmar Mendes deu a Aécio Neves e Eike Batista, por exemplo, estão longe de ser o tratamento da realidade nacional, bem representada pela perseguição que a justiça faz ao estudante Rafael Braga, preso e condenado a uma pena absurda por portar uma garrafa de desinfetante.

Assim, não é de surpreender que alguém queira fechar uma ou outra estrada por algumas horas (coisa que o acaso com um acidente de trânsito faz facilmente) para poder ser escutado. É de se esperar, também, que a ira de cidadãos ou cidadãs quebre uma pequena vidraça de bancos como o Itaú, implacável com as dívidas de seus clientes masque este teve uma dívida de 25 bilhões perdoadas pelo governo golpista [vale lembrar que estamos numa realidade fiscal muito difícil e o presidente do BC é ligado ao banco dos Setúbal].

Por isso, eu respeito demais quem não quis sentar na poltrona no dia do domingo, procurando novas globos de aluguel. Aquelas pessoas que armaram sua alma para, por um único dia, aponta-lá na cara do sossego de uma elite que passou mais de 500 anos explorando terras e pessoas no Brasil.

Minha admiração vai para as quase 40 milhões de pessoas que saíram de casa, enfrentaram ameaças do empregador e o corpo armado do Estado para fazer a maior Greve Geral que esse país já viu.

As pessoas que não querem seguir aquela paz, de Temer, Cunha e Aécio, admitindo.

Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense. Sigam-o no Facebook! :)

P.s. Deixo aqui um link para escutar a música “A Minha Alma”, do Rappa. Fantástica!

 

Outro texto: O achaque de Cunha hoje é de Temer

 

Se havia dúvidas que Temer e Cunha e vice e versa….

 

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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20 comentários

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Luiz Fernando Loureiro

30 de abril de 2017 às 12h42

40 milhões HAHAHAHAHHAHA

maior greve geral da história do país HAHAHAHAHHAHA

ameaças do empregador HAHAHAHAHAHAHAHAHA

terra chamando Tadeu Porto…

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Flavia Lima

30 de abril de 2017 às 11h48

A Anistia Internacional considera o gás lacrimogêneo uma arma química. O Brasil é um dos maiores produtores de gás lacrimogêneo. Desde ontem estou com dor de cabeça, ardência nos olhos, boca e nariz, depois de inalar uma quantidade absurda das várias bombas que caíram do meu lado. Pela legislação o uso pela polícia deve ser moderado, o que definitivamente foi violado na sexta aqui no Rio.

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Claudio Junior

30 de abril de 2017 às 05h39

Quanta mentira, 40 milhões? Seu cu! Só fez greve quem não trabalha, gente paga pelo PT, turminha da cut, e ainda ameaçaram quem trabalhou, terroristas safados, atacando o povo, depredando, ofendendo e ameaçando! Vermes vermelhos do diabo!

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Gustavo Pacheco

30 de abril de 2017 às 04h02

40 milhões? Essa “greve geral” foi um enorme fracasso. Meia dúzia de gatos pingados impedindo o direito de ir e vir da esmagadora maioria que só queria se locomover para trabalhar. Em razão disso, partiram para o vandalismo, queimando ônibus, depredando o patrimônio público e privado. Tudo por causa do medo do fim da mamata da contribuição sindical. Perderam a palavra e partiram para a violência.

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Alberto Jorge Lula da Silva

30 de abril de 2017 às 02h03

“Paz sem voz não é paz é medo”

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eu

29 de abril de 2017 às 22h47

Esses são os que menos têm paz.
Mesmo sofrendo, os trabalhadores têm mais paz do que seus exploradores.

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Jeferson Oliveira

30 de abril de 2017 às 00h37

40 milhões, onde? Não vi ninguém na Paulista…somente meia dúzia de mercenários fechado avenidas e rodovias, e lavando cassete, que lindo….

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    Michele

    29 de abril de 2017 às 23h16

    40 milhões cruzaram os braços! era greve, tem que desenhar?

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    Paulo Cesar

    30 de abril de 2017 às 02h44

    Jeferson ele quis dizer 40 milhões de pneus queimados!

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    Jeferson Oliveira

    30 de abril de 2017 às 13h07

    Ester, o que tem haver uma coisa com outra…a greve foi um fiasco, ponto…faz outra, mas do jeito certo….

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Bruno Bruno

30 de abril de 2017 às 00h25

Mentira
Noticia falsa
Fake news

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Cléber Policarpo

30 de abril de 2017 às 00h19

Dando só um “tapa”, afinal ninguém é de ferro!

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Gilberto Rufino

30 de abril de 2017 às 00h11

Não iremos parar! Fora Temer!

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Beba Monteiro

30 de abril de 2017 às 00h08

Afinal, qual o cúmulo do ridículo de um paneleiro midiota? Bater panela em apoio ao golpe contra a democracia e os direitos dos trabalhadores, ostentar faixa de “somos todos Cunha”, vestir orgulhosamente a camiseta de “eu não tenho culpa, votei no Aécio”, vibrar com as conquistas da casa grande, comemorar a agenda do golpe (entreguismo, privataria e destruição dos direitos sociais), ter preferência por panelaço a favor do Temer ao invés de greve geral pelo Fora Temer ou amar o pato da FIESP e odiar as organizações dos trabalhadores (partidos de esquerda e movimentos sociais)??? Quando a gente pensa que já viu de tudo, o paneleiro sempre se supera. Né não??

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Alexandre Guimarães Andrade

30 de abril de 2017 às 00h00

40 milhões ??? Onde estava esse povo ??

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Cléber Policarpo

29 de abril de 2017 às 23h11

Sequer uma lâmpada foi quebrada!

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    Ester Motta Lopes

    29 de abril de 2017 às 23h24

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    Maria Soares da Silva

    30 de abril de 2017 às 01h17

    OS POLICIAIS RECEBEREM PARA MANTER A ORDEM, ONDE SE DA MAIS DINHEIRO AS COISAS FUNCIONAM,NESSE NOSSO BRASIL, QUEM DA MAIS TEM A PROTEÇÃO, OS VALORES ESTÃO INVERTIDOS, TUDO SÓ NA BASE DO DINHEIRO.

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    Michele

    29 de abril de 2017 às 23h19

    Patos adestrados pelo grande capital, para defenderem os interesses dos poderosos, que hoje enfiam em vocês reformas que prejudicam os trabalhadores! vocês podem se cobrir de verde e amarelo mais são na verdade inimigos do Brasil e do povo brasileiro!

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