Coletiva de Rodrigo Maia (ao vivo) sobre medidas contra a crise

27/09/2016- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- Presidente Michel Temer recebe Ben Van Beurden, CEO da Royal Dutch Shell. Foto: Carolina Antunes/PR

Se a JBS faz isso, imagina do que a Shell é capaz

Por Tadeu Porto

22 de maio de 2017 : 09h55

Presidente Michel Temer recebe Ben Van Beurden, CEO da Royal Dutch Shell. Foto: Carolina Antunes/PR

Por Tadeu Porto, Editor Sênior do Cafezinho

[prólogo: a JBS está na posição 895º na lista Global 2000 da Forbes de 2017. A Shell está em 20º.]

O grande desafio de todos brasileiros e brasileiras, hoje, é encontrar uma saída adequada e efetiva para a situação caótica que vive o país.

Diretas já é uma solução, que sou até simpático inclusive, contudo, convenhamos, sem mexer no legislativo, judiciário e, sobretudo, nos monopólios de mercado – principalmente a mídia – não tem democracia direta que resolva nosso problema.

E para tentar solucionar essa crise interminável que assola o país, o mínimo que podemos (e devemos) fazer e refletir um pouco sobre o jogo sujo que foi escancarado pelas gravações que envolvem Temer e Aécio para sermos capaz de, em posse das verdades factuais, extrapolar para ocasiões que, também, sempre foram muito suspeitas.

Como é o caso, por exemplo, da bizarra abertura do Pré-Sal que o governo golpista promoveu. Não é difícil imaginar que entregar reservas de petróleo a preço de banana – com barris mais baratos que garrafas de Coco-Cola – não é nada inteligente e muito menos estratégico, portanto, desconfiar das intenções de quem a fez, na conjuntura que estamos, é dever cívico.

Vale lembrar que, dentro de uma agenda cheia de contrareformas impostas a toque de caixa pela elite econômica brasileira, a entrega no pré-sal foi a primeira a sair do forno. Ou seja, Temer garantiu logo a doação do nosso ouro negro primeiro ainda que a mutilação dos direitos trabalhistas e previdenciários e a PEC da morte que destruiu os investimentos públicos.

Agora, a luz do que sabemos concretamente sobre as intenções do PSDB, representado pelo seu ex-presidente Aécio, e PMDB, representado pelo seu ex-presidente Michel, nas questões da JBS, vale refletir se, de alguma forma, a Shell utilizou o mesmo modus operandi para conseguir colocar as mãos no nosso petróleo.

Para isso, vamos da famosa “análise xadrez”, que de vez em quando pego emprestado do meu companheiro de Blog Sujo, Luis Nassif do GGN.

Peça 1: O lobby revelado pelo Wikileaks

Não é segredo para ninguém, nessa altura do jogo, que as empresas estrangeiras não gostaram do modelo de partilha implementado pelo ex-presidente Lula. As petrolíferas gringas sabiam, muito bem, que a Petrobrás na operação única garante a circulação do capital produtivo em terra nacionais, o que “prejudica fornecedores americanos”, como frisou Carla Lacerda da Exxon Mobil. Vejamos: Serra, que foi o interlocutor das multinacionais na época, segundo revolou o Wikileaks assim que eleito senador,  lançou um projeto de lei que, justamente, retirou a Petrobrás da operação única e dos campos do pré-sal como um todo. Particularmente, não acredito que a ação do senador tucano foi ideológica.

Peça 2: A venda da BG para a Shell

A Shell, num momento de crise para todas as empresas de Petróleo, desembolsou U$ 53 bilhões para comprar a BG, com o timining perfeito do Golpe de 2016 já encaminhado. É difícil imaginar tamanho investimento sem que haja segurança de que as regras serão jogadas da sua maneira. Em comparação com o frigorífico, os valores são totalmente discrepantes: o valor da JBS é de U$ 8,2 bilhões, portanto, só por uma entrada no Pré-Sal, a Shell gastou aproximadamente a sete vezes o que vale a JBS. Se os Batistas tinham dinheiro para parlamentares, imagina a empresa Anglo-Saxônica.

Peça 3: Parente, Nelson Silva e a destruição da Petrobrás

Pedro Parente, ex-ministro de FHC e cotado para assumir a Casa Civil de Temer, em meio a esforços fiscais da Petrobrás, criou uma nova diretoria para abrigar justamente o executivo que vendeu a BG para a Shell, o engenheiro Nelson Silva. Desde então, a estatal brasileira vem abrindo mão de diversos ativos estratégicos, incluindo campos de óleo altamente rentáveis, refinarias e empresas de energia vendidas para grupos especulativos. A destruição da Petrobrás como empresa integrada e a queda dos seus investimentos favorece, justamente, a petrolíferas internacionais como a Shell.

Vale lembrar, também, que Temer se reuniu com o principal executivo da Shell,  Ben van Beurden, poucas horas depois que Pedro Parente defendeu o fim da Petrobrás como operadora única do Pré-Sal.

Peça 4: A ANP de Temer e a morte do conteúdo local

Bastou Michel sentar na cadeira de presidente para que um dos grandes sucessos do governo Lula, o conteúdo local que gerou milhares de empregos diretos e indiretos na indústria naval, fosse por água abaixo. O campo de Libra, operado pela Petrobrás e com participação da Shell, terá aval da ANP para poder produzir plataformas e equipamentos fora do país, deixando os empregos e a tecnologia escapar dos territórios nacionais. Coincidentemente ou não, quem ganha com isso é a própria Shell e as empresas internacionais que não terão mais a concorrência da construção naval brasileira que foi referências na década de 80 e estava se recuperando na última década.

Peça 5:  A Shell e a corrupção na nigéria

Shell é acusada de comprar parlamentares na Nigéria, como diz ter feito a JBS aqui no Brasil. Vale lembrar que o regime de exploração do pais africano se assemelha com a concessão desejada pelo PSDB do Aécio Neves e José Serra. (poço chamar a movimentação dessa peça de Xeque-Mate?)

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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29 comentários

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Tarcisio Thiebaut

23 de maio de 2017 às 05h27

Está de olho no nosso petróleo. Eu preocupado com a apresentação da Amazônia aos soldados americanos. Tem gente defendendo temer!

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João Silva

22 de maio de 2017 às 20h49

Não dá. Não dá para viver num país em que uma quadrilha toma posse do governo com um golpe de estado. Tramado por diversos setores públicos e privados, para ferrar com o povo.
E usando um pseudo combate à corrupção para enganar os trouxas.
A Petrobrás junto com o pré-sal roubados por ladrões tucanos.
Ô Moro, tão roubando agora. Larga o Lula2017.

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joão batista de assis pereira

22 de maio de 2017 às 20h27

NEW PRESIDENT:
Vejam senhores, todos nos eleitores fomos enganados, há décadas, por políticos e governantes corruptos e inescrupulosos aos quais votamos.
Não adianta mais chorar sob o leite derramado.
Era dado como certo que o nosso representante maior da malandragem, bandidagem e calhorda mor de nossa república convergia para o ex-senador Renan Calheiros.
Mas, eis que surge o Sr Joesley Batista da J&F que agia silente e sorasteiramente nos bastidores da República e nos presenteia com suas gravações extravagantes.
De tanto bandidos que colocamos no Comando maior em Brasília e no Congresso Nacional, surge a possibilidade real e momento ideal para escolher de forma indireta o novo Presidente pelos próprios Congressistas.
Fala-se em parlamentares corruptos pra defender seus próprios interesses, assim como de Ministros do STF, Padres, Pregadores evangélicos, Apresentador de televisão, mas se esqueceram da Classe empresarial: o nome certo seria o Delator dos Delatores, mestre em arrasar quarteirões e com a casta de políticos cretinos no Brasil.
Seu nome é JOESLEY BATISTA da J&F. Pra complicar de vez, este seria imbatível como o Poderoso Chefão de nossa republiqueta de bananas.

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joão batista de assis pereira

22 de maio de 2017 às 20h24

MECANISMO PARA AFERIÇÃO DE INTEGRIDADE NA PETROBRAS, POLÍTICOS E GOVERNANTES CORRUPTOS.
Acredito que esta faltando aplicar nos políticos de nossa republiqueta de bananas um mecanismo que a Diretoria de Governança Risco e Conformidade da Petrobras possui, mas não o aplica com eficiência e sabedoria no pessoal do alto escalão, refiro ao mecanismo de Conferência da Integridade.
A PETROBRAS não sabe ao certo administrar esse mecanismo. Não adiante possuir o softwere se não detiver um profissional competente para operar o hardwere. A estatal necessitaria ter em seu quadro funcional um profissional altamente treinado e qualificado, a exemplo do Sr JOESLEY da J&F, exímio aplicador desse mecanismo de conferência da integridade.
Na visita noturna, no melhor estilo Holyoodiano que fez ao nosso conde Drácula, Presidente da República Federativa do Brasil confessar toda as suas mazelas, presente e pretéritas no trato da coisa pública. O Sr Joesley deveria ser agraciado com o Oscar pela forma que fez nosso presidente confessar seu vasto repertório de improbidade administrativa, não levando mais que 30 minutos para confessar os malfeitos ao nosso inquisidor mor, o Senhor Joesley da Fibroi. Como já dizia o nosso Faustão: se vira nos trinta.
Ficou evidente a toda a nação que o Temer não passou no teste da Integridade que foi a ele conferido e aplicado pelo CEO da J&F, mega empresário brasileiro e competente conferencista e hábil aplicador da técnica da Conferência da Integridade.
Esse mecanismo foi criado pelos tecnocratas que tentam controlar a corrupção na Petrobras para avaliar a conduta moral pretérita dos candidatos a cargos relevantes na corporação Petroleira, servindo para avaliar a idoneidade moral dos candidatos indicados para exercer cargos relevantes na companhia, seja no Conselho de Administração, Presidência, Diretoria e demais cargos decisórios, os denominados “Chek de Integridade”, mecanismos que vão além da mera formalidade cartoriais e vão buscar nas essências das pendências pretéritas, os fatos comprometedores que possam recair sobres esses candidatos. Com a palavra a PGR e o STF.

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Ilmar Silva

22 de maio de 2017 às 22h48

Mas, como dizem… nos EUA e Europa, num tem corrupissão….

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Mirtes

22 de maio de 2017 às 18h21

Tem que ter alguém que faça como Joesley fez, delatando mesmo, as propinas que Serra, Pedro Parente e Temer receberam para vender o pré-sal e a Petrobrás. A shell não é a única a se aproveitar da traição deles. Eu chamo de traição e não só de mau caratismo. São tantos ativos saindo de mãos brasileiras a olhos vistos e todos sabendo de subornos e propinas que não basta comentário e artigo na internet. Procura-se um Joesley para a shell.

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Junior Joia

22 de maio de 2017 às 18h09

Se aperta tem mais Empresa forte pro trais Daniel suborno.

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Pedro Savordelli

22 de maio de 2017 às 18h01

O Serra caiu no wikileaks prestando contas à chevron… dizendo que a lei era do Lula e naquele momento não tetia apoio… quem apresentou o projeto alterando a partilha mesmo? Aaaaaaaaaa

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Ivo Moreira

22 de maio de 2017 às 17h24

A Sheel quer o Pré sal…

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Glória Maria Martins Baessa

22 de maio de 2017 às 16h05

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Luiz Alexandre

22 de maio de 2017 às 15h46

toma ae seu liberalismo

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Chung Lin

22 de maio de 2017 às 15h11

paneleiros abandonam seu herói(AÉCIO) que jamais foi
indiciado e têm inveja dos petistas que não abandonam LULA kkk

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Paulo Salvador

22 de maio de 2017 às 14h37

e a shel não ja comprou esses politicos daqui tambem

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Ezaias

22 de maio de 2017 às 11h31

Blue print – menos sangue no chão.
Scramble – muito sangue no chão.

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Margarida Maria Gonsalez Chiozzini

22 de maio de 2017 às 14h27

Investigação da entrega do pré-sal e petrobras a estrangeiros fora aguiferos e a bacia do amazonas para exploração que país é esse aliás que presidente e esse?

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Vera Prates

22 de maio de 2017 às 14h04

Pergunta que não quer calar: quanto de propina as petroleiras internacionais pagará ao PSDB pela privatizações da Petrobras?

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Ermindo Castro

22 de maio de 2017 às 13h58

INVESTIGAR A SHELL JA !

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Roberval Faria Ribeiro

22 de maio de 2017 às 13h55

Como disse Requião, tem que se fazer uma assembléia revogatoria, tudo que foi feito por esse governo ilegítimo tem que ser anulado.

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André Daguiar

22 de maio de 2017 às 13h42

E, detalhe: Rosângela Wolff de Quadros,
esposa do excelentíssimo Juiz Sérgio Fernando Moro, “Rosângela Moro faz parte do escritório de Advocacia Zucolotto Associados em Maringá. O escritório defende várias empresas do Ramo do Petróleo, como: INGRAX com sede no Rio de Janeiro, Helix da Shell Oil Company, subsidiária nos Estados Unidos da Royal Dutch Shell, uma multinacional petrolífera de origem anglo-holandesa, que está entre as maiores empresas petrolíferas do mundo. A Shell é concorrente direta da Petrobras.”
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Esposa-de-Juiz-da-lava-Jato-e-assessora-juridica-de-Vice-de-Beto-Richa-PSDB-/4/32372

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JNilton Anastacio

22 de maio de 2017 às 13h15

Thiago Bezerra

Responder

Jeová Soares

22 de maio de 2017 às 13h10

As vezes eu penso que os militares são uns maricas que permitem que o Brasil seja entregue ao estrangeiro e que permitiu um golpe à nossa Constituição.

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Luiz Fernando Loureiro

22 de maio de 2017 às 13h09

Claro. E a petroafrica foi criada por quem mesmo, junto com o banco btg?

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Laercio Ferreira

22 de maio de 2017 às 13h09

A EXPLORAÇÕES DA SHELL , A EXXON , DA JBS ODEBREJO , DAS MÍDIAS ,E OUTRAS INDÚSTRIAS COLIGADAS ,QUE TORNARAM-SE OS GOVERNOS DA NEO COLÔNIA SÃO OS CAOS NA REPUBLIQUETAS DE ABACAXIS, A MESMA EMPRESAS DETONAM GOVERNOS, DÃO GOLPES NA BOIBESPA , COORDENAM OPERAÇÕES DA PF , E ATRAVÉS DO JUDICI´RIO E LEGISLATIVO MAMAM NA PÁTRIA MAMAA DO BRASIL?/

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Gustavo Figueiredo

22 de maio de 2017 às 13h04

será que o Careca faz o que faz no senado por livre e e$pontânea vontade?
shell e exxon adoram

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Alexey Biagini

22 de maio de 2017 às 13h02

Operação entrega tudo

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Rosely Da Silva Sousa

22 de maio de 2017 às 13h00

Imagina!!

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Nelson Gomes

22 de maio de 2017 às 12h59

E lá se vão nosso poços do pré sal………………….. Mas as contas deles……………

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