Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Encenação, cartas marcadas e ataque aos pobres: o Brasil do golpe na mídia internacional

Por Luis Edmundo

10 de junho de 2017 : 12h21

Foto: Mario Tama/Getty Images

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve Michel Temer na Presidência com voto de minerva do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Por aqui, os veículos da nossa “grande mídia” cobriram mais esse evento inacreditável da hoje entrelaçada cena política-jurídica-policial como se tudo fosse, até, natural.

Os jornais, por exemplo, encobrem o tamanho do absurdo da situação para não dar em renúncia. Escondem o pior de tudo, que são as reformas, e deixam no momento, no que se refere à chamada grande imprensa corporativa, a tarefa de mostrar o que de fato vem ocorrendo no Brasil à mídia internacional.

O Globo concentra sua indignação nas tais provas que na verdade, oficialmente, não são provas. São delações sem provas, como a dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura. A Folha de São Paulo apela para o escárnio concentrado em Gilmar Mendes, na menção a ele no título e na foto da capa, enorme, do ministro gargalhando.

O Estado de São Paulo dá a notícia como quem está com o presidente e não abre, quase comemorando de tanta sobriedade. Também falou, por meio da frase em destaque de Herman Benjamin, das provas citadas pelo Globo (e que se aceitas abririam caminho para serem aceitas denúncias risíveis, sem provas, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva).

E mostra que o presidente não está salvo, ainda, até na engenhosidade da foto da primeira página, onde a cabeça de Temer está na posição em que costumam ficar as cabeças levadas à guilhotina. Nenhum dos “grandes veículos” brasileiros, porém, diz o que diz Francis França, editora-chefe no Brasil da empresa de comunicação internacional alemã DW.

“Em qualquer país sério essa cadeia de acontecimentos já teria resultado em uma renúncia há muito tempo”, afirma Francis, em texto publicado na página da DW. “República de cartas marcadas” é o título do artigo no qual a editoria-chefe da DW Brasil dá uma boa mostra da corrupção generalizada do atual governo e chama, abertamente o julgamento de TSE de “encenação para dar verniz de institucionalidade a um jogo de cartas marcadas”.

É da Inglaterra, no entanto, que chega o relato sobre aquilo que nenhum jornal ou emissora da “grande mídia” diz, e que, por trás de toda a barafunda política, é o principal.

“Pacote de austeridade do Brasil é condenado pela ONU como um ataque às pessoas pobres”, afirma o título da matéria do britânico The Guardian, assinada por Jonathan Watts, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

A declaração é do especialista da Organização das Nações Unidas (NU) em extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston. Segundo o Guardian, Alston deu “o passo incomum de condenar o plano como um ataque aos pobres”.

Ao condenar também o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, Alston afirmou que “é completamente inapropriado congelar apenas os gastos sociais e atar as mãos de futuros governos por mais duas décadas. Se essa medida for adotada vai colocar o Brasil numa categoria de retrocesso social própria”.

Mas isso, claro, você não vai ver na chamada grande mídia brasileira…

 

 

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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24 comentários

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Miguel Neto

11 de junho de 2017 às 14h57

O governo Dilma caiu por incompetência . Se o país estivesse crescendo ela não teria sido sacada da presidência da república. Lembram-se do mensalão ? Lula está livre leve e solto.

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Iran Bayma

11 de junho de 2017 às 10h52

Como diz a matéria, em qualquer país civilizado [o começo, no meu entender] da saída seria a renúncia de Temer. Mas por que ele não renúncia? Simples: a resposta está no próprio fato aqui discutido. Os atores de sempre. Aqueles que sempre deram um jeitinho e que agora estão encurralados sem poder servir a seus senhores sem que se é evidencie a sua parcialidade, o Judiciário. Gilmar queria a cabeça de Dilma a mando do mineirinho de quem è fiel escudeiro. Até aquela época em que se esforçou para puxar saco do PSDB , não havia certeza sobre o impeachment do Congresso. Como Dilma caiu anteS a cassação da Chapa já não fazia mais sentido. Agora era salvar Temer dando um jeitinho “Frankstein” na decisão jurisdicional para desmembrar a Chapa. Ocorre que o tiro saiu pela culatra em face da inesperada delação da JBS que a pesar de não ter nada a ver com o processo deixou Gilmar e companhia meio que com cara de bobos. A saída não foi outra, a não ser, assumirem-se no seu cinismo. Não adianta reforma política. O Brasil só muda se o Judiciário mudar.

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Miguel

11 de junho de 2017 às 08h26

A reportagem do DW que fala que os governos Lula e Dilma pagavam subornos para ter base aliada, vc não mostra né seu Luis Edmundo?

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    Jossimar

    11 de junho de 2017 às 10h59

    Cara, você vive em outro mundo ou é um estúpido.
    Os governos Lula e Dilma que, segundo você e os escritores de fábulas do judiciário dizem, pagavam propina por base aliada viviam perdendo votações importantes no congresso e por este motivo nunca conseguiram fazer o governo que queriam.
    Enquanto isto, o governo atual que, segundo você e a mídia, não compra apoio no congresso e na mídia ganha todas as votações, até aquelas que a população é totalmente contra e vão te foder no futuro
    E você ainda deve achar bom.

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      Miguel

      11 de junho de 2017 às 22h09

      Josimar, creio que é vc que vive em outro mundo.

      Está mais do que comprovado que o propinoduto funcionava durante o governo Lula (Mensalão) e no governo Dilma (Petrolão), e também nos governos FHC antes disso. Aliás, o esquema de compra de votos já vem da época da ditadura militar e continuou durante a época de Itamar Franco.

      E com plena Lava Jato andando, Michel Temer continuava roubando até dias atrás. O país precisa de um reset político.

      Responder

Jorge Antônio

11 de junho de 2017 às 06h00

Será que Lula tem razão

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Henrique Jones

11 de junho de 2017 às 05h35

O Brasil é um país vendido. Só para golpistas. Quando alguns que apoiaram a atrocidade de 2016 se derem conta do tiro que deram no pé, será muito tarde. Triste país de pessoas inconscientes de suas ações. Seríamos rifados de qualquer jeito, mas poderia ter havido alguma resistência, principalmente por parte de quem percebeu o golpe desde o início. Eu também sou culpado. Talvez mais que os outros, pois em 2015 já percebi o golpe e não fiz nada, além de falar, falar e falar. Enquanto não houver consciência e luta, o golpe continuará.

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Bob

11 de junho de 2017 às 01h22

A terceira Lei de Newton reza que para toda ação existe uma reação de mesmo valor, direção e sentido contrário. Essa mesma lei pode ser extrapolada para outras áreas do conhecimento humano. Na política e economia, por exemplo. A direita, em qualquer lugar do mundo, só reconhece, respeita e teme uma palavra. Força. Se não conseguirmos demonstrar um poder de reação tal, que os faça tremer nas bases, entender que tem muito mais a perder se não passarem a rever suas estratégias. Senão o que continuaremos a ver é a continuação da “pinguela para o inferno” do vampiro temeroso. Recessão, degola dos direitos trabalhistas e previdenciários, terceirização escravagista, dilapidação de patrimônio público, venda de ativos estratégicos em valores que beiram a doação, esbulho das nossas riquezas naturais e venda de grandes áreas de terra a grandes investidores e conglomerados estrangeiros sem nenhuma reserva ou salvaguarda, comprometendo a soberania territorial dessas mesmas áreas, principalmente na Amazônia. Sem esquecer que não se mexerá nos dividendos do pagamento da dívida, o famoso superávit primário à banca rentista.
Onde o imperialismo crava suas garras o que resta é um imenso país devastado, onde grassam a miséria, a dor , a desolação e o desespero. Não há meio termo, só há força.

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    Sérgio

    11 de junho de 2017 às 08h46

    Boa. Façamos tb uma campanha para divulgação dos nomes q Eduardo cunha comprou no congresso com o dinheiro da Friboi.

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Daniel

10 de junho de 2017 às 23h39

“Encenação, cartas marcadas e ataque aos pobres: o Brasil do golpe na mídia internacional” e os blogueiros ditos progressistas como verdadeiro guerrilheiros virtuais, continuam trocando ideas ideológicas em seus botequins preferidos. Nao se faz mais esquerda como antigamente, esta inclusive ajudou a derrubar a Dilma, pois nao deram a ela nem 100 dias de governo sem uma onda enorme de criticas prematuras. Quem se lasquem esquerda de botequim, covarde.

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oscar

10 de junho de 2017 às 22h26

PODRIDÂO TOTAL, dilma, collor foram tirados por muito menos. Poucos dias antes do julgamento dois membros da corte, dos quais não se sabia seu posicionamento, foram substituídos por AMIGOTES do temer, que obviamente não o cassaram, tudo nas fuças de quem quiser ver!

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RENATO ANDRETTI

10 de junho de 2017 às 22h12

ONDE FICA O LUGAR MAIS CONHECIDO DO BRASIL…????
– EM QUALQUER PAIS SERIO-
ONDE FICA ESTE LUGAR……

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Jairo Gomes Viana Divinópolis MG

10 de junho de 2017 às 20h02

O resultado do TSE não foi nenhuma surpresa, o próprio Temer disse que tinha 4 votos. O que aconteceu foi o fato de entre punir a ex presidente Dilma cassando-lhe seus direitos políticos, com a punição da chapa vitoriosa e manter o rato golpista no poder, a Justiça eleitoral optou beneficiar o rato. Por outro lado ficou provado através do TSE, que delações sem provas. Por enquanto, o MPF e o juiz Sérgio Moro em tres anos, não encontraram nada de concreto em relação as delações contra o Lula. As declarações dos 4 ministros do TSE pro Temer fundamenta a defesa do Lula.

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Jairo Gomes Viana Divinópolis MG

10 de junho de 2017 às 20h00

O resultado do TSE não foi nenhuma surpresa, o próprio Temer disse que tinha 4 votos. O que aconteceu foi o fato de entre punir a ex presidente Dilma cassando-lhe seus direitos políticos, com a punição da chapa vitoriosa e manter o rato golpista no poder, a Justiça eleitoral optou beneficiar o rato. Por outro lado ficou provado através do TSE, que delações sem provas palpáveis, contundentes, fundamentadas e robustas de nada valem. Por enquanto, o MPF e o juiz Sérgio Moro em tres anos, não encontraram nada de concreto em relação as delações contra o Lula. As declarações dos 4 ministros do TSE pro Temer fundamenta a defesa do Lula.

Responder

Jota

10 de junho de 2017 às 18h48

De acordo com a narrativa oficial, o motivo da última crise do Golfo em que uma coalizão de Estados liderados pelos sauditas cortou os laços diplomáticos e econômicos com o Catar é porque – para o espanto surpreendido de todos – o Qatar estava financiando terroristas e depois da recente visita à Arábia Saudita, na qual ele pediu uma repressão ao apoio financeiro ao terrorismo e também seguindo o relatório da FT de que o Qatar forneceu diretamente US $ 1 bilhão em financiamento para o Irã e os desvios para Al-Qaeda, a Arábia Saudita finalmente teve o suficiente de “rogue” vizinho, que nos últimos anos realizou aberturas ideologicamente inaceitáveis ??em relação ao Irã shiita e à Rússia.

http://www.orientemidia.org/esqueca-o-terrorismo-a-razao-real-por-tras-da-crise-de-qatar-e-o-gas-natural/

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Laercio Ferreira

10 de junho de 2017 às 21h16

CORRE QUE PM VEM AÍ, SE FOR POBRE , TRABALHADOR E EXCLUÍDO , IMPRENSA COOPTADA , DO NARCOINFORMAÇÕES JÁ DERAM AS DICAS ONDE SE ENCONTRAM OS CANHOTEIROS , É SO´ABAIXAREM O PAU, QUE O CABRITO BERRA , ISTO É QUE É DEMONIOCRACIA DE CRACOLÃNDIA DE TERCEIRO MUNDO , AS ULTRADIREITAS , ANDA EM CORDA BAMBA , E O PAU VAI COMER??

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José X.

10 de junho de 2017 às 16h23

Em geral os jornais e agências de notícias são bastante superficiais quando tratam do que acontece no Brasil, especialmente quando se baseiam em correspondentes brasileiros. Por incrível que pareça, a Telesur em inglês (http://www.telesurtv.net/english/news/Brazil-Court-Decides-Not-to-Oust-Scandal-Plagued-Temer-20170609-0029.html) deu um ótimo relato **jornalístico** sobre a absolvição de Temer pelo TSE.

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Brasil

10 de junho de 2017 às 16h14

O medo de Deus. Nesta versão atual de Babel, vemos uma nova dvisao das pátrias, não dos países, mas das pátrias de Deus. A crença, a descrença e as tentativas de criar novos deuses, tem feito a nova Babel mundial. No Ocidente, Deus é um coadjuvante do mercado. O mercado faz todo tipo de descalabro aos mais diferentes mundos cristãos e é Deus que nos salve. No Oriente Deus e reativo, não aceita o ocidente e o mundo tem que se ajoelhar a Ala. A obra sairá a seu tempo, mas Deus e é sempre será o culpado, o salvador e o intermediador. Só que Deus não tem tempo pra tudo isto. Jesus não é judeu ou católico. Ala não é Árabe. Se Deus quise, passa a régua e começa tudo de novo.

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Henrique

10 de junho de 2017 às 15h55

permanência de Temer. Ontem havia apenas duas pessoas na frente do TSE protestando e clamando pela cassação da chapa Dilma-Temer. Onde estavam as Centrais sindicais? O Movimento Brasil Livre? MST? Movimento Vem Pra Rua? Janaina Pascual? Os estudantes? A UNE? Guilherme Boulos? Gregório Duvivier? Alexandre Frota? Lobão? Letícia Sabatela? Sem pressão popular , Temer continuará até o final de 2018. Se, é claro, houver eleições em 2018.

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Roberto

10 de junho de 2017 às 14h29

Detalhe: o The Guardian é um jornal assumidamente de direita. De direita, mas honesto.

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Fernando Vidal

10 de junho de 2017 às 13h08

Aqui só uma revolução tipo a cubana que coloque toda esta canalha no paredão e fuzile.

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    Roberto

    10 de junho de 2017 às 14h31

    Fernando, deu certo em Cuba, que é uma pequena ilha.
    Aqui, acho melhor uma Revolução tipo Revolução Russa, ANTES de Stálin assumir o poder.

    Responder

Luizinho Cardoso

10 de junho de 2017 às 15h57

as instituições no Brasil são para os ricos e ‘poderosos’!

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    Fernando Vidal

    10 de junho de 2017 às 16h11

    Aqui só uma revolução a lá Cuba, “El paredon” na canalha.

    Responder

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