Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Brasília - DF, 25/10/2016. Presidente Michel Temer durante reunião com João Doria Júnior - prefeito eleito da cidade de São Paulo - SP. Foto: Marcos Corrêa/PR/10/2016. Presidente Michel Temer durante reunião com João Doria Júnior - prefeito eleito da cidade de São Paulo - SP. Foto: Beto Barata/PR

A linda amizade entre João Doria e Michel Temer

Por Pedro Breier

09 de agosto de 2017 : 08h55

(Sintonia fina. Foto: Beto Barata/PR)

Por Pedro Breier

João Doria Jr. está, desde segunda-feira à noite, no centro dos holofotes – onde se sente muito à vontade – em virtude da ovada incrivelmente certeira que levou em Salvador.

Entretanto, quero comentar sobre uma outra atividade da qual o prefeito de São Paulo (nas horas vagas) participou horas antes do glorioso ovo na testa.

Foi em um evento na prefeitura de São Paulo, com a presença do muito bem quisto pela população Michel Temer. Se a noite da segunda-feira foi horrível para Doria, ao menos o dia começou com muito carinho e afeto.

Doria e Temer vêm formando a dupla mais afinada do Brasil desde Bebeto e Romário na copa de 94, com a diferença de que enquanto estes tinham fome de gol, aqueles querem engolir os parcos direitos da população trabalhadora.

Vejam que coisa mais linda os afagos mútuos.

De Temer para Doria: “Saio daqui mais animado ainda porque vejo aqui um parceiro, um companheiro, alguém que compreende como ninguém os problemas do país”. O trecho a seguir da reportagem da Folha sobre o evento é particularmente tocante:

“João Doria, meu velho amigo”, disse (Temer), ao que o prefeito sorriu assentindo com a cabeça. “Jamais o vi dividindo pessoas. Ao contrário, sempre agregou”.

Agora, de Doria para Temer: “Sempre a sua alma e a sua índole foram de conciliação. A minha também. Isso não nos tira do campo da defesa de princípios e da firmeza de posições, de caráter, de postura e de biografias”.

É isso mesmo que você leu. Doria disse que o homem que foi pego falando em propinas para manter Eduardo Cunha quieto na prisão e indicando um comparsa para receber uma mala de dinheiro, tudo isso em um encontro secreto na calada da noite com um megaempresário, está no campo da defesa de princípios e da firmeza de caráter e de postura.

Doria disse ainda que “a permanência de Temer é positiva para a economia” e que os quatro ministros tucanos “podem perfeitamente continuar o seu trabalho onde estão”.

A troca de carinhos quase pornográfica com um bandido que está usando o seu, o meu, o nosso dinheiro para comprar deputados e se manter no poder ocorreu poucos dias depois da IstoÉ brindar-nos com uma reportagem de capa constrangedora, para usar um eufemismo, na qual tenta emplacar o ex-pupilo do Alckmin como o “anti-Lula”.

O panfleto diz que “aos olhos dos brasileiros ele (Doria) tem se diferenciado por exibir um novo jeito de governar – mais em sintonia com os anseios de moralidade, eficiência e seriedade almejados pela população nos dias de hoje”. Entretanto, consta mais à frente na reportagem, como se fosse algo positivo e não completamente contraditório a qualquer ideia de moralidade, que Doria “posicionou-se contra o desembarque tucano da nau de Temer, defendeu as reformas, reclamou dos juros altos. Desde a eclosão do escândalo da JBS, Doria participou de mais de 20 encontros nacionais. Enfrentou os chamados “cabeças-pretas” do PSDB, jovens radicais que pregavam o rompimento puro e simples com o governo, sem plano alternativo.”

Não é difícil perceber os motivos pelos quais a direita não se cansa de perder eleições presidenciais. A cortina de fumaça da corrupção cai por terra pateticamente pelas mãos do próprio paladino da moral da vez e de seus veículos de propaganda.

Permanecer abraçado ao presidente-bandido em nome de reformas antissociais só torna Doria um furacão eleitoral nas cabeças completamente descoladas da realidade dos toscos estrategistas da direita brasileira.

Tiram o povo para burro, mas o povo não é nada bobo.

Só mais um golpe – parlamentarismo ou adiamento das eleições – é capaz de manter essa gente no poder após 2018.

 

 

 

 

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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17 comentários

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Angela Carneiro

10 de agosto de 2017 às 03h41

INVESTIGAR ESSES DOIS POR QUE AÍ TEM COISA FEIA

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Marcellus Souza

10 de agosto de 2017 às 01h40

E as ruas sujas … volte pra fazer seu trabalho!

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Walquiria Estrela

10 de agosto de 2017 às 01h06

Política aqui é assim mesmo ou o Temer não foi o vice da Dilma?

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Andrea Marinho

09 de agosto de 2017 às 22h05

Prostitutas baratas, que estão entregando o Brasil como se fosse deles, ao PREDADOR MERCADO ESPECULATIVO INTERNACIONAL. vadias desqualificadas

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Paul Cesar

09 de agosto de 2017 às 21h03

Dá nojo

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Gracinha Massardi

09 de agosto de 2017 às 20h03

Haja

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Jefferson Wallace

09 de agosto de 2017 às 19h00

Ovo neles

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Carrie Coleman

09 de agosto de 2017 às 18h58

O que se esperar de um canalha?

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Fausto Amaral DE Barros

09 de agosto de 2017 às 18h57

Por que estão em poltronas invertidas?!…

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Dom Gentil Brito

09 de agosto de 2017 às 17h40

Quem sabe se os 5% dos coxinhas golpistas não votem.no João Escória! !

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Galdino Botelho

09 de agosto de 2017 às 14h33

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Simone Ambrósio

09 de agosto de 2017 às 13h35

Na cesta dos ovos podres.

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Wagner Leite

09 de agosto de 2017 às 13h03

Quem é o ativo nessa relação e quem é o passivo?

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João Maurício Rocha

09 de agosto de 2017 às 12h12

Seria mais linda que a velha amizade de DILMA/ Temer, o melhor vice que alguém poderia ter?!
Tudo farinha…

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    Ana Maria

    09 de agosto de 2017 às 12h48

    Não misture alhos com bugalhos. No nosso sistema político, nem Cristo, se eleito, governaria uma semana sem ser derrubado, caso não fizesse conciliação. É uma pena que reproduzida o discurso das elites cretinas de que é tudo farinha…que afasta vc da política, que é o único meio que temos de interferir no poder. Daí entra naquilo que ele batalham noite e dia para obter: quem não gosta de política vira pau mandado de quem gosta. Que pena que, a essas alturas, não consiga distinguir entre temer, o “ladrão presidente”, dória, o que joga jato de água fria em mendigo, em manhã de inverno e…Dilma Roussef, a legítima presidente do país, derrubada sem crime de responsabilidade e substituída pelo que de pior há no país, em matéria de fisiologismo. Está tudo tão na cara que é espantoso que não veja.

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    Paulo Ramos

    09 de agosto de 2017 às 22h51

    Tão bem explicado…aposto que ele vai continuar não entendendo…

    Responder

Ana Clara Duarte Gavião

09 de agosto de 2017 às 12h10

Responder

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